quarta-feira, 6 de junho de 2012

SÃO JOÃO DE PELOTAS

                                                                     Por Ismênia Ribeiro Schneider       
         
             No dia nove de setembro de 1845, João Baptista de Souza (1800 – 1850), INHOLO, comprou de Constantino Luiz Duarte e de sua mulher, D. Maria do Espírito Santo Ávilla, uma grande gleba de terras na confluência do rio Pelotas com o Lavatudo, chamada pelos proprietários “Fazenda Coqueiros”, renomeada por Inholo “Fazenda São João”, que se tornou seu domicílio, apesar de possuir na Coxilha Rica, em Lages, várias outras fazendas. Ali morava com os quatro filhos de sua primeira união estável, mas não oficializada com Maria Gonçalves do Espírito Santo: Maria Benta, Ismênia, Maria Magdalena e Marcos, mais Júlia, a filha que teve com sua segunda mulher, a esposa legítima, que acabava de falecer naquele ano, Cândida dos Prazeres Córdova.
            Por ocasião de seu inventário, após o seu assassinato em 13 de agosto de 1850, essa grande fazenda foi herdada pelos quatro filhos naturais. Ismênia havia se casado com o primo-irmão, João da Silva Ribeiro Júnior (1), mais tarde conhecido como “Coronel João Ribeiro”, que, não sabemos ainda como, mas provavelmente por permuta e compra, adquiriu toda a propriedade dos demais herdeiros, passando a denominá-la SÃO JOÃO DE PELOTAS. Todo o seu território, bem mais tarde, se transformou num distrito do município de São Joaquim, com o mesmo nome. Em 1858, a nova sede mandada construir pelo Coronel João Ribeiro estava pronta. Para defesa do frio intenso da região, a maioria das fazendas localizava-se em zonas baixas, e assim aconteceu com São João de Pelotas: do alto das coxilhas que a rodeavam avistava-se um impressionante conjunto de casa, benfeitorias e taipas, tudo em “pedra-ferro” (basalto), sede de fazenda que se transformaria em referência na Região Serrana. As ruínas das taipas ciclópicas atestam ainda a grandiosidade do que foi o latifúndio construído por João da Silva Ribeiro Júnior.
            João (1819–1894) e Ismênia (1832–1920) tiveram dez filhos, dos quais apenas dois eram homens, AFFONSO DA SILVA RIBEIRO e JOÃO BATISTA RIBEIRO DE SOUZA (1860–1944), conhecido na região por “Coronel Batista”, “Seu Batista”, que, por morar, em São João de Pelotas, de 1900 a 1909, tornou-se o curador da mãe, Ismênia, que aos 62 anos ficou doente das faculdades mentais. Ali nasceram os dez filhos que teve com sua mulher CÂNDIDA DOS PRAZERES BAPTISTA DE SOUZA, também prima-irmã, pois era filha de MARCOS BAPTISTA DE SOUZA, irmão de Ismênia. Nesse período, Seu Batista foi responsável pelos mais de cento e vinte milhões de metros quadrados de terras e por cerca de 2.600 cabeças de gado.
           São João de Pelotas permaneceu em poder da família de 1845, quando foi comprada por INHOLO, até mais ou menos 1925, portanto, por cerca de 80 anos, quando começou a ser vendida. Uma pequena parte, felizmente, com ela continua, nas pessoas de Hamilton José Palma Vieira, “Titinho”, Hercílio Vieira Neto, “Hercilinho”, e Clóvis Edu de Palma Vieira, “Clovis”, netos de Maria Cândida Ribeiro Vieira, “Candoca”, que ao comprar de seu pai, “S. Batista”, através de seu marido, Hercílio Vieira do Amaral, a parte da fazenda denominada “POSTO”, conseguiu preservar por 151 anos, com a família, um pedaço daquelas terras, sagradas para os descendentes.
            Conhecedores da saga da família RIBERO naquelas paragens, pode-se compreender a nostalgia de seu descendente Enedino, quando escreve em suas memórias:
            “Tudo ali, na histórica Fazenda de SÃO JOÃO DE PELOTAS ainda se pode ver, tocar e sentir, na confrangedora lembrança das coisas grandiosas que passaram e não voltam mais! Tristeza e melancolia ali recendem, principalmente para quem nesse lugar nasceu e passou a quadra risonha se sua primeira infância, no aconchego de entes queridos, que também passaram e não voltam mais!”
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            Esclarecimentos sobre os parentescos citados acima, importantes para se compreender quando e como ocorreram essas uniões entre Ribeiros e Souzas. Tudo começou ao redor do ano de 1755, quando MANOEL DA SILVA RIBEIRO e MATHEUS JOSÉ DE SOUZA compraram fazendas próximas na região que era conhecida apenas como “Costa da Serra”, hoje Bom Jardim. A região era montanhosa, completamente isolada. A única cidade existente era Lages, a cerca de 28 léguas, isto é, a mais ou menos 180 km de distância, com a qual só havia comunicação a cavalo, em território dominado ainda pelos índios, por animais selvagens, matas fechadas, com grandes distâncias entre fazendas, etc. Todos esse problemas ocasionaram que quando chegava a idade casadoura dos jovens, a amizade que a necessidade de mútua proteção estabelecia entre as famílias, propiciava o casamento entre os seus filhos. E assim aconteceu entre os vizinhos Ribeiros e Souzas: o sétimo filho de Pedro da Silva Ribeiro e de Ana Maria de Saldanha, JOÃO DA SILVA RIBEIRO “Sênior” (1787 – 1868) casou-se com a segunda filha de Matheus José de Souza, MARIA BENTA DE SOUZA (1790 – 1857). O filho desse casal, JOÃO DA SILVA RIBEIRO JÚNIOR (1819 – 1894) casou-se com ISMÊNIA BAPTISTA DE SOUZA (1832- 1912), filha do já citado JOÃO BAPTISTA DE SOUZA, “Inholo”, irmão de Maria Benta, a mãe de João Júnior. Na geração seguinte, o filho de João/Ismênia, o “Coronel Batista”, JOÃO BAPTISTA RIBEIRO DE SOUZA (1860 – 1944) casou-se com a também prima-irmã, CÂNDIDA DOS PRAZERES BAPTISSTA DE SOUZA, filha do irmão de Ismênia, MARCOS BAPTISTA DE SOUZA (1833 – 1906) (2), casado com mulher fora das duas estirpes, MARIA RODRIGUES DE ANDRADE, “D. Marica”, uma figura excêntrica, muito forte. Usava sempre revólver na cintura e tomava conta das duas fazendas de sua família enquanto “Mano Marcos”, como chamava o marido, viajava para tratar de negócios e temas políticos de seu Partido, o Conservador, do qual era Presidente. O domicílio da família era a Fazenda “Santa Maria”, em Bom Jesus, RS. A Fazenda de SC, “São Pedro”, era dividida da anterior pelo rio Pelotas. Diz uma “lenda” familiar que “D. Marica” matava os escravos faltosos, e os enterrava nas cozinhas, e quw foram encontrados ossos na casa da Fazenda “São Pedro”, quando foi demolida. Lenda ou verdade?... Conhecendo os traços de caráter dessa ancestral, dá para entender um pouco a força de sua filha, D. Cândida dos Prazeres Baptista de Souza, esposa do “Coronel Batista”, senhora de São João de Pelotas no começo do séc. XX, que costurava barrigas de cavalos, encanava ossos com perfeição, fazia partos, dava remédios, enfim, atendia a todos na propriedade aonde viveu boa parte de sua vida de casada.
            O estudo das gerações sucessivas dessas famílias joaquinenses extrapola o simples levantamento e registro de nomes “mortos”, para o desvendar ante os olhos atônitos de seus descendentes da história de vida, os amores, as tragédias, as dores, as alegrias, as realizações de alguns milhares de homens e mulheres que os antecederam na corrente da vida...

Texto escrito em Florianópolis, maio de 2006, comemorativo da abertura da Rodovia Enedino Batista Ribeiro, trecho da SC-438, entre o Rio Caveiras e o Rio Lavatudo, Município de Painel, num percurso de 33 km.
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Notas:
(1)   JOÃO DA SILVA RIBEIRO JÚNIOR, “Coronel João Ribeiro”, foi um dos mais ricos fazendeiros do seu tempo, além de importante político, chefe do Partido Conservador no tempo do Império, depois, já na República, Partido Republicano. Fez parte do grupo de fazendeiros que fundou São Joaquim, em 1 de abril de 1873 (emancipado de Lages em 31 de março de 1886). Foi o presidente do Conselho Fiscal, nomeado para arrecadar fundos para a construção da Igreja. Foi o segundo Prefeito do Município, de 1891 a 1995. seu nome passou a designar a praça central, tanto da cidade de São Joaquim como da de Lages.
(2)   MARCOS BAPTISTA DE SOUZA distinguiu-se como grande estancieiro e chefe político, substituto de João Ribeiro, após a morte deste, na chefia do Partido Republicano. A “rua Marcos Batista”, em São Joaquim, é assim denominada em sua homenagem.

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

HOMENAGEM A ENEDINO BATISTA RIBEIRO NA DATA DO SEU ANIVERSÁRIO: RECORDAÇÕES FAMILIARES

                                                    Por Ismênia Ribeiro Schneider

I.          ENEDINO BATISTA RIBEIRO:
Nascimento: 14/05/1899
Morte: 10/04/1989
Filiação: João Batista Ribeiro de Souza (1860-1944) e
Cândida dos Prazeres Batista de Souza (1871- 1930)
Local de Nascimento: São Joaquim da Costa da Serra - SC
Fazenda São João de Pelotas - divisa com o Rio Grande do Sul
Casamento: Lydia Palma (1902 - 1980) - joaquinense
Data do casamento: 24/04/1926

Descendência:
1- Ernani Palma Ribeiro (falecido em 2004)
2- João Batista Ribeiro Neto (falecido em 1988)
3- Selva Palma Ribeiro
4- Yolita Ribeiro Werner (nascida Yolita Palma Ribeiro)
5- Yara Palma Ribeiro
6- Elba Palma Ribeiro (falecida em 1934)
7- Ismênia Ribeiro Schneider (nascida Ismênia Ribeiro)
8- Iponá Ribeiro Szpoganicz (nascida Iponá Palma Ribeiro)
9- Enedino Ribeiro Filho (falecido em 2003)
10- Gleci Palma Ribeiro Melo (nascida Gleci Palma Ribeiro)

Netos: 32


Formação Acadêmica:
- Formado em Farmácia, em 1924, pela Faculdade de Bioquímica e Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Vida Pública:
-          Diretor-Secretário da Prefeitura municipal de São Joaquim (1926),
-          Tabelião de Notas e Escrivão do Civil e do Comércio de São Joaquim (1928-1947),
-          Deputado suplente à Assembléia Legislativa de Santa Catarina pela União Democrática        
           Nacional (UDN) (1950-54);
-          Presidente da Comissão Estadual de Abastecimento e Preços de SC (1954-56);
-          Diretor Comercial da Empresa Luz e Força de SC S/A (1956-59);
-          Inspetor Geral, Interino, da Inspetoria de Veículos e Trânsito Público de SC (1956),
-          2° Oficial do Registro de Imóveis de Florianópolis (1959-1960- quando se aposentou);
-          Representante do Governo do Estado junto ao Conselho Regional do Serviço Social Rural
            (1959-1961);
-          Professor da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de SC (Disciplina:
           Farmacognosia), onde se aposentou.

II. RECORDAÇÕES FAMILIARES:
Não sei se conseguirei mostrar a simplicidade, a riqueza de ternura, de harmonia e de felicidade com que transcorria a vida da família de Enedino e Lydia – a FAMILIA PALMA RIBEIRO – como ficou conhecida, durante os anos em que viveu em São Joaquim.
A casa de residência da família Palma Ribeiro em São Joaquim, até 1944, ficava na rua Lauro Müller, perto da Prefeitura, exatamente dando frente para a rua onde termina a Praça João Ribeiro. Toda a frente era ocupada pelo cartório de Enedino. Atrás dele é que ficavam os quartos, que abriam para a “sala de visitas”. Entrava-se para a área residencial pelo lado direito, através de um corredor que ia dar no meio da casa, onde havia um passadiço que ligava a parte da frente com a área da cozinha, uma dispensa e um depósito de lenha, onde também funcionava um chuveiro de latão com roldana, para o “banho geral dos sábados, uma verdadeira “operação de guerra”: um fogo fortíssimo era aceso no fogão, onde, numa lata de querosene com alça era aquecida a água para os banhos. Nenhum filho podia ausentar-se nessa hora, aliás nem o desejaria, porque na grande mesa coberta por alvíssima toalha branca, com bancos em vez de cadeiras, um lauto “café com mistura” nos esperava. O cheiro do pão e dos “sequilhos cobertos” recém-assados enchia o ambiente. À medida que tomavam o banho, as crianças iam sentando ao redor do fogão. Todos prontos, conversando e rindo, sentávamo-nos à mesa para desfrutar as delícias que nos esperavam, variando cada sábado: “chimias” de todas as frutas da região (de marmelo, de figo, de pêra, de maçã, etc), guardadas em caixas de madeira com uma tampa de correr, mel (às vezes ainda no favo), manteiga feita em casa, doce-de-leite, arroz doce, bijagica, rosca de coalhada, e nem sei mais quantas guloseimas. Não sei como a dona da casa tinha tempo, mas a verdade é que, todos os sábados, nos aguardava um mimo especial: cada menina recebia uma boneca de pão, de saia comprida, olhos pretos de grão de feijão (deliciosa boneca!) e os três meninos ganhavam cada qual seu jacaré, também de olho de feijão.
Não havia, em nenhuma casa da cidade, fogão a gás, geladeira, água encanada ou luz elétrica, e, portanto, não havia banheiros dentro de casa. Os banhos diários eram tomados em uma grande banheira de latão, esvaziada no quintal por duas pessoas, após cada banho. As residências possuíam, mais no fundo do pátio, uma “privada”, ou “latrina”. A louça, na nossa casa pelo menos, era lavada em duas bacias de latão, uma com água bem quente com espuma de sabão feito em casa, e outra com água onde era retirado o sabão, sendo depois a louça escaldada com água quente. Havia um balcão de madeira, com uma pia igualmente de madeira, onde era feita toda essa operação; a água escorria por uma calha, para o quintal.
A água potável vinha da “carioca” existente na estrada de saída para Florianópolis, em frente ao então hotel do Sr. Arquimedes de Castro Farias; a água para o demais consumo era apanhada em baldes com corda, do “poço” protegido por uma tampa grossa de madeira que, no centro, possuía uma tampa menor, por onde era retirado o líquido, depositado imediatamente dentro de casa em um tonel grande de vinho, adaptado a essa circunstância. Todas as manhãs o tonel era reabastecido. O poço ficava embaixo de um pé de pero-figo, famoso entre as crianças, que o escalavam para comer seus saborosos frutos sentados em seus braços acolhedores; as maiores, que já sabiam “andar em árvore”, treinavam as menores nessa habilidade importante para todos os pequenos joaquinenses. Havia, no quintal, outros pés de frutas, um de ameixa amarela, de galhos baixos, ainda mais próximos de nossas mãos ávidas perto do Natal, quando se dobravam ao peso das ameixas suculentas. Existiam também macieiras, além de verdes e alinhados canteiros de batata inglesa, ervilhas, temperinhos verdes, que ajudávamos a Mãe colher diariamente; brincávamos de esconder no meio dos canteiros. Até hoje uma de minhas melhores recordações é a do cheiro da terra fofa e preta do nosso quintal. Recordo também que ajudávamos (ou atrapalhávamos?) nossa mãe a fazer as velas necessárias ao consumo do ano.
O nosso terreno terminava na rua de trás, se não me engano chamada Vidal Ramos, cheia de pedreiras, para a qual se abria um pequeno estábulo, onde eram guardados os arreios, um carro de boi, lugar também onde era tirado o leite de três a quatro vacas, leite necessário ao consumo da família. Todas as tardes, dois ou três filhos, em geral “os meninos”, iam buscar os terneiros no potreiro da família, saindo pela “Rua Nova” (atual Rua Sebastião Furtado) e que ficava depois do morro que existe  no final dessa rua, no seu lado esquerdo, que, contornando o morro ali existente, vai dar no cemitério.
De manhã muito cedo, não sei quem ia buscar as vacas que, com suas crias, eram levadas de volta, depois da ordenha. Cedo, éramos acordados para tomar na cama o camargo. Antes de irmos para as aulas, na única escola existente na cidade, o Grupo Escolar Manuel Cruz, que ocupava toda a atual Praça Cesário Amarante, ainda tomávamos o “café com mistura” com bolinhos fritos na hora, mais as outras “misturas” normais.
Íamos para o “sítio” (a Fazenda “Bela Vista”), as crianças, em carro-de-boi, e o “Tio Nida” e a “Tia Lydia” a cavalo, cuidando da comitiva. Muitas vezes, corríamos ao lado do carro; a Iponá, que detestava a condução que os outros adorávamos, queria sempre “ir a pá”, de modo que acabava sendo levada na “garupa” do Pai...
Nossa vida social resumia-se às visitas que as irmãs Palma que moravam na cidade, faziam-se mutuamente, carregando junto todos os filhos, para “passar a tarde na casa desta ou daquela irmã”. Não sei como elas agüentavam, pois nos reuníamos a fazer folia sempre mais de doze primos, pois a maioria das famílias eram numerosas. Mas que eram tardes deliciosas, lá isso eram! Essas e outras práticas serviram para aprofundar e consolidar a amizade que, até hoje, une todos os primos Palmas.
Nos dias quentes de verão, transferíamos os banhos de sábado para o rio “São Mateus”, descendo a rua Thomás Costa, antes fazendo uma parada na casa de nossa querida “Tia Selvina”, cuja família sempre morou com a nossa, desde pelo menos 1851, quando a Fazenda “São João de Pelotas” passou para as mãos de nosso bisavô, João Ribeiro (o que deu nome à praça central da cidade). Tia Selvina foi quem cuidou de nosso pai, Enedino, em pequeno, e ele a amava muito, de modo que a considerávamos como nossa avó de verdade. Outras vezes, tomávamos o banho em um “poço” existente atrás do Hospital, que compartilhávamos com outras crianças e uma ninhada de cobras grandes e pretas que, de vez em quando, nadavam ao nosso lado. Não as temíamos, porque nosso pai a isso nos autorizara, afirmando que não eram venenosas. Passados tantos anos, é difícil de acreditar que o riacho caudaloso e límpido que era o São Mateus tenha se transformado no fio de água poluída e fétida de hoje em dia.
Intermináveis são as recordações do tempo bom de nossa meninice, da vilazinha isolada, jóia incrustada no meio de montanhas verdes, que era o nosso São Joaquim de antanho.
Saudades do nosso pai, que hoje, 14 de maio de 2012, estaria completando 113 anos. Ele nos proporcionou uma infância e juventude memoráveis e um sentimento de família que nos fortalece e nos dá o sentido da vida.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

HISTÓRIA DA FAZENDA BOM SUCESSO

Por: Ismênia Ribeiro Schneider


A Fazenda Bom Sucesso localiza-se no município de São Joaquim, na região do Pericó, Rodovia SC 430, que vai a Urubici e Florianópolis. Pela escritura que traz seus limites, é possível aos moradores atuais da região, muitos dos quais ainda descendentes do seu último grande proprietário e que ali ainda residem, refazer a sua área.
Ela fazia parte das extensas propriedades, nessa região, do Capitão MANOEL CAVALHEIRO LEITÃO (filho de Miguel Pedroso Leite e de Inocência Pereira Pinto), c.c. MATILDE MARIA DO AMARAL FONTOURA, que em 17.02.1828 a vendem a MANOEL RODRIGUES DE SOUZA (1796-1868) (filho de Matheos José de Souza e Clara Maria de Athayde - casal fundador da família Souza na Serra Catarinense), c.c Anna Maria de Lima.
As outras áreas pertencentes à família Cavalheiro Leitão eram: “Morro Agudo” (domicílio da família), “Varginha”(vendida ao casal Manoel/Matilde por João Inácio Pereira,  neto do Capitão Joaquim José Pereira), “Fazenda da  Ilha”, “Colégio”, “Rocinha” e “Postinho”. Bem no meio deste conjunto de propriedades, em 1873, os netos de Manoel /Matilde, participantes ativos do grupo de fazendeiros que fundou São Joaquim, vendem ao grupo fundador uma área denominada “Chapada do Cruzeiro”, na qual irá se assentar a nova freguesia. As propriedades dos Cavalheiro Leitão rodeavam a cidade de São Joaquim, efetivamente, pelo norte e pelo leste, sendo que a Bom Sucesso ficava ainda mais ao norte, entrando pela região do Pericó e Urubici.
Diz Osni de Souza Vieira, estudioso de genealogia e descendente de Manoel Rodrigues de Souza, que este foi enterrado no pequeno cemitério do Pericó, ainda cheio de velhos túmulos de ferro, mas já sem identificação.
Tenho procurado estudar a família descendente de Manoel/Matilde, dada a sua importância para a historiografia do município de São Joaquim. Pelo descoberto até aqui, tiveram apenas um filho, com o mesmo nome do pai, que não casou, mas viveu maritalmente com uma mulher com a qual teve sete filhos reconhecidos oficialmente seus herdeiros por ocasião de sua morte, ocorrida em 1860: Joaquim, Manoel, João, Bento, Inácio, Antônio e Marianno, todos registrados como “Cavalheiro do Amaral”, e figuras atuantes na comunidade. Lideraram, por exemplo, a fundação do Partido Liberal na nova freguesia, em oposição ao grupo chefiado pelo Coronel João Ribeiro, do Partido Conservador, conseguindo eleger o primeiro intendente da nova povoa, Antônio José Alves de Sá.
Os limites desta fazenda pode-se ver descritos na Escritura de compra e venda da fazenda Bom Sucesso, em 1828:
“Essa uma Fazenda de criar animais cita no districto desta vila denominada Bom Sucesso cujos campos unidos com outra parte de campos do outro lado do Lavatudo dicidiram eles vendedores vendião com todas suas benfeitorias ao dito comprador Manoel Rodrigues de Souza pelo presso e quantia de duzentos cincoenta mil reis, obrigados a pagar a siza entre eles vendedores e compradores, no tempo do vencimento dos pagamentos, como é de Lei, cujos campos de Bom Sucesso faz suas divisas seguintes: por uma parte com a Fazenda denominada Cedro pertencente a eles vendedores por um lageado chamado de Porteira desde a serra de onde nasce o dito Lageado até onde faz barra no Rio Lavatudo, e seguindo por este acima fazendo divisa até chegar a uma Barrinha de arroio pequeno que nasce do Mato da Varginha, e subindo por ele acima vai fazendo divisa com campos dos mesmos vendedores do outro lado do Rio Lavatudo, até o centro do referido Mato da Varginha, cujo arroio tem a denominação de Arroio do Barreiro porque antes de chegar ao sobre dito Mato da Varginha se partem em dois galhos, porisso aqui se declara que a divisa fica sendo pelo último galho, ficando pertencente a ele comprador o Rincão chamado do Piá entre os dois galhos citados. E por outra parte faz divisa com campos do Capitão Domingos José de Brito (4) pela restinga chamada do Falcão, onde se acha um pinheiro por divisa com os campos do Bairros, hoje pertencente aos herdeiros do finado Antonio da Costa Varella, e faz divisa com este em uma restinguinha em que se tem conservado uma porteira, cuja divisa dicidiram eles vendedores que tinha sido convencionado entre eles e dito finado Varella, cujos campos aqui citados dicidiram eles vendedores que o dito comprador poderia desfrutar e gozar como seus que ficam sendo de hoje para sempre para si e seus herdeiros” (Grafia original).

Lembramos que no estudo anterior aparecido no Blog, sobre a genealogia de Antônio Saturnino de Souza e Oliveira, este tinha campos na Fazenda Bom Sucesso, que deixou de herança para seus filhos Aureliano e Manoel Saturnino de Souza e Oliveria. Estas terras eram suas por herança de sua esposa CLARA MARIA DE SOUZA filha de Manoel Rodrigues de Souza e Anna Maria de Lima, os compradores destas terras na referida escritura supracitada.
As terras de Bom Sucesso são, ainda hoje, uma das regiões mais bonitas de São Joaquim.

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

GENEALOGIA DE ANTONIO SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1809 – 1877), casado em 1836 com CLARA MARIA DE SOUZA (1821 - 1882) – Parte 2

Por Ismênia Ribeiro Schneider - Valencia - abril de 2012

SEGUNDO FILHO -
MANOEL SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1840-1913),
Esposa - FELICIDADE RIBEIRO BORGES DE OLIVEIRA,
filha de Domingos Borges Bitencourt e Joaquina Ribeiro Borges.

MANOEL foi cidadão que, seguindo os passos do avô e do pai, tornou-se político, líder comunitário e pecuarista importante, características que o credenciaram a ser escolhido pelos 73 companheiros presentes à reunião de Fundação da Freguesia de São Joaquim da Costa da Serra, em 1 de abril 1873, para ser um dos seis Conselheiros Fiscais dos trabalhos.

FILHOS de MANOEL e FELICIDADES:
N2.1 – MANOEL SATURNINO DE S. E OLIVEIRA ( 1860)
N2.2 – IGNÁCIO SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1863),
c.c. Maria Ignácia de Souza;
N2.3 – POLYCARPO ALVIM DE OLIVEIRA (1865)
N2.4 – PALMIRA FELICIDADE (1871), c.c. Alfredo Machado de Souza;
N2.5 – JOÃO DOMINGOS DE OLIVEIRA (1877)
N2.6 – JOSÉ  SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1878), “Pai Juca”,
c.c. Hermelina de Souza Lima, “Mãe Ina”, ancestrais da conhecida “Família  Souza do Cadete”;
Filha de Manoel de Souza Mattos e Ana Rodrigues de Souza
04 filhos
N2.7 - JOAQUIM SATURNINO DE OLIVEIRA(1885)
N2.8 – MARIA FELICIDADE DE SOUZA , “Mariquinha” (já falecida em 1913 quando do inventário de seu pai).
c.c.  Leonel José de Souza, filho de Policarpo José de Souza e Carlota de Silva Muniz.
14 filhos
Antecessores da Família dos “Lecos”.

BENS DE RAIZ:

- Uma gleba de campos e matos na Fazenda Bom Sucesso, no lugar denominado MORRO ALTO;
- Uma gleba de campos e matos anexa à primeira – na CHAPADA BONITA – comprada por duzentos mil réis;
- Uma casa e suas benfeitorias situada na primeira gleba;
- Uma invernadinha fechada de taipas na Fazenda Bom Sucesso, no lugar denominado BOSSOROCA, com a área de um milhão e quinhentos mil metros quadrados, mais ou menos;
- Uma casinha e suas benfeitorias situadas na Invernadinha;
- Uma gleba de campos e matos na Fazenda Bom Sucesso, anexa às terras de Hypolito.da Silva Mattos.......... e Bruno Francisco de Macedo, com área de dois milhões de metros quadrados.
- Uma gleba de campos e matos com a área de seis milhos e oitocentos e quarenta mil e setenta metros quadrados, no lugar denominado Fazenda Bom Sucesso;
- Uma parte de campos e matos no lugar MUNDO NOVO, na Fazenda Bom Sucesso;
- Uma gleba de terras de cultivo no lugar Urubici;
- Duas partes de campos na Fazenda Santa Bárbara;
- Um potreiro frente à Vila de São Joaquim à margem esquerda do Rio São Matheus, FAZENDA DAS TRÊS PEDRINHAS;
- Uma casa coberta de telhas e suas benfeitorias, em São Joaquim, à rua Manoel Joaquim Pinto.



Monte- mór
46:664$000
Meação da viúva
23:332$000
Legítimas
2:083$314

Fontes:
- Inventários de Antônio Saturnino de Souza e Oliveira. Arquivados no Museu do Judiciário em Florianópolis.
- Inventários de Aureliano de Souza e Oliveira e Manoel Saturnino de Souza e Oliveira. Arquivados na 2ª Vara do Fórum de S. Joaquim.
- Piazza, Walter F. “Dicionário Político Catarinense”. Florianópolis: Assembléia Legislativa de SC, 1994.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

GENEALOGIA DE ANTONIO SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1809 – 1877), casado em 1836 com CLARA MARIA DE SOUZA (1821 - 1882) – Parte 1

Por Ismênia Ribeiro Schneider
Valência - Espanha - abril 2012

F1 - PRIMEIRO FILHO - AURELIANO DE SOUZA E OLIVEIRA (1836 - 04/07/1910)-
ESPOSA: GERTRUDES ANNA DE ANDRADE
Pai: Manoel José Pereira de Andrade e
Mãe: Anna Maria de Andrade (inventário p.217 em Gilberto Machado)
(Falecida em 1880 – processo nº 362 – cx. nº 29) Fonte: Arquivo do Museu do Judiciário Catariense)

FILHOS de AURELIANO e GERTRUDES:

N1.1 - LÓCIO DE SOUZA E OLIVEIRA (1866-     )
C. c.     Ana de Souza Lima (primos-irmãos)
Filha, de João Rodrigues de Souza e de Francisca Rosa de Jesus:
João Rodrigues de Souza era irmão de Clara Maria de Souza, a mãe de Aureliano e Francisca Rosa de Jesus (“Chiquinha”) era única filha mulher de Manoel Joaquim Pinto (fundador de São Joaquim) e de Joaquina Rosa de Jesus.
Nº de filhos de Lócio/Ana: 15
Domicílio: Fazenda Bom Sucesso
N1.2- ANTONIO DE SOUZA E OLIVEIRA (1875-     )
N1.3- HONORATA DE SOUZA E OLIVEIRA (1859-     )
C. c.     João Fermino Rodrigues Nunes,
Filho de Fermino Rodrigues Nunes (de Dom Pedrito – RS) e Felicidade Maria de Saldanha (filha de João da Silva Ribeiro e Maria Benta de Souza)
Domicílio: Fazenda “Barreiro”, no território de “Bom Sucesso”.

N1.4- ANÁLIA DE SOUZA E OLIVEIRA (1861-     ),
C. c.     João Baptista de Souza (1850-      ) (primos-irmãos)
Filho de Francisco Propício de Souza (1819-    ) (filho de Manoel Rodrigues de Souza e Anna Maria de Lima) e Anna Maria de Saldanha (filha de João da Silva Ribeiro – Senior -  e Maria Benta de Souza).

N1.5- ANNA DE SOUZA E OLIVEIRA (1865-      )
C. c.     Abílio da Silva Ribeiro

N1.6- MARIA DE SOUZA E OLIVEIRA, 32 anos (1877-      )
C. c.     Marcos Antunes de Souza
Filho de Joaquim Antunes de Oliveira (falec. 1879) e de Maria Rodrigues Borges . Francisco da Silva Ribeiro e de Anna Antonia de Jesus)

N1.7- ROSALINA DE SOUZA E OLIVEIRA (1878 - 1936)
C. c.     Manoel Cecílio Ribeiro (1857- 1917)
Filho de Matheus Ribeiro de Souza (1829-18.12.1900) e de Maria Magdalena Baptista  de Souza (1833-1867)
Matheus – filho de João da Silva Ribeiro “Sênior” e Maria Benta de Souza;
Maria Magdalena – filha de João Baptista de Souza, INHOLO, e Maria Gonçalves do Espírito Santo.
Nº de filhos de Rosalina/Manoel Cecílio: 01  (Dolores Ribeiro Martins)
Domicílio: Fazendas do Socorro e Santa Bárbara (partes das - ) (Bom Jardim) herança de Manoel Cecílio.

N1.8- JOAQUINA DE SOUZA E OLIVEIRA (1879-      )
C. c.     Manoel Fortunato de Oliveira
N1.9- MANOEL DE OLIVEIRA SANTOS (1874-      )

N1.10- SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1876-       )

N1.11- BELMIRA DE SOUZA E OLIVEIRA (já falecida)
Representada pelos filhos no processo do inventário


Descrição dos Bens de Raiz:
- Vinte e três milhões de campos e matos na FAZENDA BOM SUCESSO- Uma invernada fechada de taipas nesse mesmo  território, coberto de pasto nativo, com  área de cinco e meio milhões mais ou menos, vendida a ANTONIO DA SILVA MATTOS e ANTONIO FRANCISCO GOMES. O                      herdeiro  Abilio da Silva Ribeiro tem uma parte, a título de compra, de Clara de Souza e Oliveira, dentro da mesma invernada.
- Duas casas cobertas de telhas e suas benfeitorias nos mesmos campos acima mencionados.


Fontes:
- Inventários de Antônio Saturnino de Souza e Oliveira. Arquivados no Museu do Judiciário em Florianópolis.
- Inventários de Aureliano de Souza e Oliveira e Manoel Saturnino de Souza e Oliveira. Arquivados na 2ª Vara do Fórum de S. Joaquim.
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MONTE MOR     14:000$000
Monte partível (paga a dívida passiva)        13:900$000
Meação da viúva               6:950$000
Legítima de cada um dos 10 herdeiros vivos  631$818
Legítima de cada um dos seis netos    105$303

segunda-feira, 2 de abril de 2012

ANTONIO SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA

SERRANO CATARINENSE POR OPÇÃO
Por Ismênia Ribeiro Schneider - Escrito em Valência - Espanha - abril 2012

Vida Familiar e Política
A vida de Antonio Saturnino de Souza e Oliveira sempre foi intrinsicamente ligada à Política e aos Serviços Públicos, devido à história e tradição familiar. Seu pai foi político ligado ao Império, assim como seus dois irmãos. Tal legado marcou trajetória desse fluminense que dedicou sua vida aos Serviços Públicos e à Pecuária na Comarca de Lages, Santa Catarina.
Naturalidade: Niterói – 1809
Falecimento: Lages – 25-02-1877
Filiação: Coronel Aureliano de Souza e Oliveira e D. Francisca Flávia de Oliveira Coutinho
Casamento - Lages, 13 janeiro 1836, com CLARA MARIA DE SOUZA filha de Manoel Rodrigues de Souza e Anna Maria de Lima. 
Fonte: Livro 3 - folha 49. Paróquia de Lages.
O pai de Clara, da família Souza, ancestral de várias estirpes serranas que estamos estudando, inclusive a desta pesquisadora, era tenente-coronel da Guarda Nacional e chefe do Partido Conservador em Lages. Portanto, também ligado a vida política, como é a marca da história de seu genro.

Breve História Política do pai e irmãos de Antonio Saturnino:
-          Pai: Aureliano de Souza e Oliveira – Era coronel do Imperial Corpo de Engenheiro nomeado por D. Pedro I, em 1823, por seus bons serviços à coroa, como Governador de Armas da Província de Santa Catarina, responsável por suas fortalezas.
Fonte: Livro de Registro de Patentes de 1812 – 1831 – p. 63V. Arquivo Público do Estado de SC.
-          Irmão: Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho (1800 - 1855)– recebeu o título de Visconde de Septiba. Foi eleito Deputado Geral, por Minas Gerais, na 2ª Legislatura, mudando-se para o Rio de Janeiro. Posteriormente foi escolhido Presidente das Províncias de São Paulo (de 5 de janeiro a 17 de abril de 1831), e do Rio de Janeiro (de 12 de abril de 1844 a 1 de janeiro de 1845 e de 1845 a 4 de abril de 1848). No Rio de Janeiro foi responsável pela construção do canal de Magé e por uma nova estrada da Serra da Estrela, para a qual trouxe 500 famílias de alemães da Europa, que se instalaram em uma colônia, depois denominada Petrópolis.
Foi também Ministro da Justiça (24 de julho de 1840) e dos Negócios Estrangeiros (23 de maio de 1833 a 16 de janeiro de 1835 e depois em 1841), e senador do Império do Brasil de 1843 a 1855.
-          Irmão: Conselheiro Saturnino de Souza e Oliveira (1803 – 1848) – foi Ministro dos negócios de Justiça, Presidente da Província do Rio Grande do Sul, Inspetor da Alfândega da Corte. Em 1833, foi eleito deputado geral do Rio de Janeiro. Foi nomeado inspetor da alfândega, deixando o cargo após conflitos com o ministro da fazenda, em 1836, retornando ao posto somente um ano depois. Foi presidente da província do Rio Grande do Sul de 24 de junho de 1839 a 27 de julho de 1840, tendo se demitido junto com o comandante das armas, Manuel Jorge Rodrigues. Voltou para o Rio, reassumindo seu posto na alfândega. Retornou ao governo em 17 de abril de 1841, onde permaneceu até 9 de novembro de 1842, entregando o cargo, ao então, Barão de Caxias. Retornou ao Rio, novamente à alfândega. Eleito deputado geral em 1844. Foi ministro dos Negócios Estrangeiros, assumindo em 22 de maio de 1847. Ocupou interinamente primeiro o ministério da Fazenda, depois o da Justiça. Foi senador do Império do Brasil, de 1847 a 1848.

Vida Política de Antonio Saturnino de Souza e Oliveira
·         Obteve patente de major do 4º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional em Lages (6.12.1842). Encarregado pela Presidência da Província da conservação da estrada de Vacaria a Lages e daí para S. Paulo (1843). Deputado à Assembléia Legislativa Provincial à 8ª Legislatura (1850-1851), licenciando-se do mandato (1851). 2º Suplente de Juiz Municipal de Lages ( 1854). Vereador à Câmara Municipal (1847-1853). Presidente da Câmara Municipal (1849). Obteve patente reformado como 2º Tenente de Primeira Linha (01.01.1851), o que demonstra ter, anteriormente, servido em tropa regular. Deputado Provincial, como suplente convocado à 11ª Legislatura (1856-1857), não comparecendo às sessões. Liquidante, como secretário, da Sociedade Lageana de beneficiar erva-mate (julho de 1858). Comandante militar da vila de Lages (1858). Vereador à Comarca Municipal de Lages (1872).
Fonte: Piazza, Walter. “Dicionário Político Catarinense” Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1985.

Por ocasião do seu inventário (1877) a viúva declarou os seguintes filhos do casal, dois dos quais levam o  nome dos seus tios e o terceiro o do pai:
F.1) AURELIANO DE SOUZA E OLIVEIRA (1836 - 16/11/1908)- casado com Gertrudes Pereira de Andrade.
F.2) MANOEL SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1840 - 03/07/1913)- casado com Felicidade de Ribeiro Borges de Oliveira.  Participou como conselheiro fiscal da Fundação de São Joaquim,em 1 de abril de 1873.
 F.3) ANTONIO SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1843-?) - solteiro - 37 annos – tinha deficiência mental, sendo nomeado seu curador o irmão mais velho, Aureliano.
Fonte: Inventário sem testamento de Antonio Saturnino de Souza e Oliveira – 1877. Arquivado no Museu do Judiciário Catarinense. Cx30.
Na próxima edição veremos a genealogia de Antonio Saturnino de Souza e Oliveira e Clara Maria de Souza, troncos de importantes famílias da Serra Catarinense.

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