quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Filhos, netos e bisnetos de Manoel Palhano de Jesus, ancestral da Família Palma

F 1.1 – MANOEL PALHANO PRESTES (1825 – inventário de 1887, provável dia da morte: 24 de maio de 1887), c.c. THOMAZIA MARIA PEQUENA.
Filhos:
N 1.1.1 - MARIA, c. c. Manoel Francisco de Siqueira.
N 1.1.2 - IDALINA, c. c. José Maria da Silva.
N 1.1.3 - JOÃO PALHANO, c. c. Henriqueta Palhano.
N 1.1.4 - JOSÉ PALHANO PRESTES.
N 1.1.5 - JULIA PALHANO.
N 1.1.6 - ALEXANDRINA PALHANO.
N 1.1.7 - BALBINA PALHANO.
N 1.1.8 - MARIA JOSÉ PALHANO, c. c. Manoel Faustino Pereira.
N 1.1.9 - MARIA BENTA PALHANO.
N 1.1.10 - CONCEIÇÃO PALHANO.
N 1.1.11 - ANNA.
N 1.1.12 - CÂNDIDA.
N 1.1.13 - VIRGÍNIA.
N 1.1.14 - CONSTÂNCIA.
N 1.1.15 - JOSÉ MARIA PALHANO.
N 1.1.16 - MANOEL PALHANO.
N 1.1.17 - LEANDRO.

F 1.2 – MANOEL MARIA PALHANO PRESTES (Tio Maria), c.c. Generosa.
Não temos mais informações sobre este casal até o momento.

F 1.3 – ANTONIO PALHANO DE JESUS (nasc. 1840), solteiro. Rico fazendeiro.

F 1.4 – MARIA ANTONIA DE JESUS ou MARIA PALHANO DE JESUS (Mariazinha) (1821 – 16.02.1888), c.c. ANTONIO ZEFERINO MATTOS ou ANTONIO DA SILVA MATTOS (Tonico das Palmas) (falec. 15.06.1912). Antonio era filho de João Zeferino da Silva Mattos (1799 – 1843) e de Anna Joaquina da Conceição (falec. 1881).                                                                                          
           


 Filhos da 1ª esposa, Maria Antonia de Jesus, com Tonico das Palmas:
N 1.4.1 – IGNÁCIO DA SILVA MATTOS (falec. 15.07.1935, com 77 anos), c. c. ISMÊNIA PEREIRA MACHADO (falec. 16.09.1934, aos 76 anos).
Filhos deste casal na próxima postagem do blog.

N 1.4.2 – CÂNDIDA MARIA DA SILVA MATTOS (nasc. 03.06.1856, bat. 19.10.1856, c. c. MANOEL JOSÉ PEREIRA (1846 - 1924), filho de Manoel José Pereira, conhecido como “Manduca Pereira”, e de Ignácia Maria de Saldanha (filha de João da Silva Ribeiro [1787-1868] e Maria Benta de Souza, irmã de Inholo).
Casamento: 30.11.1874 [iii].
Filhos do casal na próxima postagem do blog.


Antonio da Silva Mattos casou-se em segundas núpcias, em 22 de abril de 1840, com Francisca Rosa de Arruda, filha de Manoel Joaquim Pinto (fundador de São Joaquim) e de Joaquina Rosa de Jesus. Com Francisca, Tonico das Palmas não teve filhos. 
Francisca Rosa de Arruda era viúva de João Rodrigues de Souza, filho mais moço de Manoel Rodrigues de Souza e Anna Maria de Lima, donos da Fazenda Bom Sucesso. Francisca e João tiveram três filhos:
1 - Manoel Pinto de Souza, c. c. Maria Magdalena de Souza (II), filha de Matheus Ribeiro de Souza e de Maria Magdalena de Souza (I), donos da Fazenda do Socorro.
Domicílio de Manoel Pinto de Souza e família: Fazenda do Cedro (herança de Francisca, de seus pais Manoel Joaquim Pinto e Maria Joaquina).
 
2 - Joaquina de Souza Lima, casada em primeiras núpcias com ?

Em segundas núpcias, casou com Hippolito da Silva Mattos (dado a confirmar).

3 - Anna de Souza Lima, c.c. Lócio de Souza e Oliveira, filho de Aureliano de Souza e Oliveira e Gertrudes Anna de Andrade.
Legítima no Rincão das Couves (Fazenda do Cedro) e também na Fazenda Bom Sucesso.
Domicílio: Fazenda Taipinha.

 F 1.5 – ANNA ANTUNES DE JESUS (Donana) (falec. 11.08.1884[iv]), casada com ANTONIO PEREIRA CAMARGO (falec. em 1854), filho de Anastácio Pereira de Camargo e de Maria Gertrudes de Souza.
Título dos Herdeiros de Donana e Antonio Pereira Camargo:

N 1.5.1 – JOÃO PEREIRA CAMARGO (nasc. 1848), c. c. PRUDÊNCIA DOMINGUES ARRUDA, filha de João Domingues Arruda (nasc. 1843) [filho de José Domingues de Arruda e Maria de Souza Teixeira] e Henriqueta Maria dos Santos [filha de Leandro Luiz Vieira (nasc. 1863) e Clara Maria dos Santos].
Número de filhos: 10: José – Teodoro – Brasiliano – Possuidonio – Henriqueta – Maria – Honorata – Carula – Julia – Rosendo Pereira de Camargo, c. c. Brasiliana de Araújo, pais do criador de gado franqueiro da Coxilha Rica, Nelson Araújo de Camargo, c. c. Maria Antonieta de Souza, filha de Leonegildo Didi de Souza e Antonieta Camargo, neta paterna de Antonio Tomas de Souza e Maria Antonia de Jesus (Antunes), neta materna de José Pereira de Camargo e Carlota Vieira (“Mineiro”).

N 1.5.2 – MARIA ANTONIA DE JESUS (nasceu por volta de 1842/1843, pois em 1854 tinha 11 anos), c. c. THOMAZ ANTONIO DE SOUZA JUNIOR (“Tomaizinho”), filho de Thomaz Antônio de Souza e Polônia Maria de Jesus.
Data do casamento: 18.09.1856iv,

Filhos:
BN 1.5.2.1 – LEOPOLDINO TOMAZ DE SOUZA (nasc. 26.06.1861), c.c. Custodia.
BN 1.5.2.2. – ANNA (nasc. 19.09.1864).
BN 1.5.2.3 – ANTONIO TOMAZ DE SOUZA (1865 – 12.09.1944) , c.c. Maria Antunes de Souza (06.07.1875 – 06.08.1969).
BN 1.5.2.4 – CANDIDA MARIA TOMAZ DE SOUZA (nasc. 1866), Cipriano Palhano Prestes.
BN 1.5.2.5 – MARCOS (nasc. 1867).
BN 1.5.2.6 – AMÉLIA MATOS SOUZA (nasc. 30.04.1869) , c.c. Raulino Matos.
BN 1.5.2.7 – JOÃO MANOEL (nasc. 26.11.1870).
BN 1.5.2.8 – FRANCISCO TOMAZ DE SOUZA (nasc. 05.01.1873), c.c. Bernardina Arruda Souza.
BN 1.5.2.9 – JOSÉ TOMAZ DE SOUZA (nasc. 06.08.1874), c.c. Idalina Arruda Vieira.
BN 1.5.2.10 – MARIA (nasc. 19.06.1876).
BN 1.5.2.11 – JOÃO TOMAZ DE SOUZA (nasc. 09.02.1878), c.c. Inácia Antunes de Souza.
BN 1.5.2.12 – MARTIMIANO (nasc. 16.10.1879).
BN 1.5.2.13 – HILÁRIO TOMAZ DE SOUZA (nasc. 08.11.1880), c.c. Maria Camargo de Souza.
BN 1.5.2.14 – CONSTÂNCIA (nasc. 18.09.1882).
BN 1.5.2.15 – MARCOLINO TOMAZ DE SOUZA (nasc. 12.06.1884), c.c. Honorata Camargo de Souza.

N 1.5.3 – AMANDA (bat. 14.04.1847, Lages.

N 1.5.4 – CAMILLA MARIA DE JESUS (nasc. 1853), filha póstuma, c. c. o Ten. ANTONIO JOSÉ ALVES DE SÁ, filho do Comendador Bernardino Antonio da Silva e Sá (falec. 1880) e de Maria Antonia da Silva. Maria Antonia era filha de Matheus José de Souza Jr. (filho de Matheus José de Souza, açoriano, um dos fundadores de Lages e de Clara Maria de Athayde). Mãe de Maria Antonia: Ana Maria do Amaral (filha de João Damasceno de Córdova e de Maria de San Boaventura).
  O Ten. Antonio José Alves de Sá era político do Partido Liberal da Oposição na Região Serrana, mas que estava em 1873, ano da fundação de São Joaquim, no poder no governo estadual e na chefia do Gabinete de D. Pedro II. Por isso, foi nomeado 1º intendente de São Joaquim, precedendo na chefia da nova freguesia a proeminentes chefes do Partido Conservador, como o Cel. João Ribeiro, Marcos Baptista de Souza e outros. Antonio José Alves de Sá governou São Joaquim de 1887 a 1891.

F 1.6 – BALBINA MARIA DE SOUZA (nasc. 1833).
Não temos informações sobre casamento e filhos.

F 1.7 – MARIA IGNACIA (Tia Nacha), c.c. ANTONIO DA SILVA RIBEIRO FILHO (Tio Ribeiro). Antonio da Silva Ribeiro Filho era filho de pai com o mesmo nome (c.c. Gestrudes Maria de Córdova, filha de Antonio Joaquim de Córdova e Manoela Maria da Silva), que era filho de Pedro da Silva Ribeiro e Ana Maria de Saldanha.
Casamento: 21 de setembro de 1866, em Lages.
O casal teve uma única filha: MARIA DOS PRAZERES, c.c Bernardo Arruda, avô de Nestor Mendonça. 

F 1.8 – CÂNDIDA MARIA DE SOUZA (nasc. 1839), c.c. ANTONIO SILVANO PROENÇA.
Casamento: 28 de novembro de 1857.
Não temos informações sobre os filhos deste casal.





(1) Conforme Certidão do primeiro casamento.
[2] Conforme Inventário judicial e também conforme a Certidão do segundo casamento.
[3] Documento fornecido por Rogério de Palma Lima.
[i] Inventário de Antonio da Silva Mattos, 1912.
[ii] Certidão de batismo de Cândida Maria da Silva Mattos, 1856.
[iii] Certidão de casamento de Manoel José Pereira e Cândida Maria Pereira, 1874. Disponível em: https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-1-9833-36695-8?cc=1719212&wc=11578565. Acesso em: 12 set 2013. Dado fornecido por Rogério Palma de Lima.
[iv] Certidão de óbito de Anna Antunes de Jesus, 1884.
[v]OLIVEIRA, Sebastião Fonseca. Aurorescer das Sesmarias Serranas: história e genealogia. Edições EST: Porto Alegre, 1996.
[vi] Family Search. Disponível em: https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-267-12415-26401-70?cc=1719212&wc=MMPG-7H2:n2131909424. Acesso em: 29 jul. 2013.
[vii] LIMA, Rogério Palma. Maria Antônia de Jesus. Dados fornecidos em julho de 2013.
[viii] Dados de Osny de Souza Vieira, 2002.
[ix]Family search. Disponível em: https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-1-9836-18396-13?cc=2177296&wc=M9W3-LTP:2004252179. Acesso em 29 jul 2013.
[x] Certidão de casamento de Maria Ignácia de Souza e Antônio da Silva Ribeiro Filho, 1866.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

MANOEL PALHANO DE JESUS



          Ao começar a escrever meu livro “O Voo das Curucacas”, recém-publicado, que se dedica ao estudo genealógico de famílias serranas de Santa Catarina, percebi que não seria possível inserir os elementos da Família Palma, uma das mais conhecidas dessa região, devido ao grande volume de dados encontrados. Além disso, as famílias formadoras da Família Palma já haviam sido mais estudadas por outros historiadores e estudiosos serranos, o que me fez focar mais nas pesquisas das famílias Souza e Ribeiro, até então, pouco abordadas. Assim, a família Palma aparece no meu livro como ramo colateral às famílias Souza e Ribeiro ali estudadas, mas sem o merecido destaque.
            Em função desse débito com minhas origens maternas, seu estudo será aprofundado, a partir de agora, por meio deste blog.
            A Família “PALMA” de São Joaquim tem como principal representante o casal: INÁCIO DA SILVA MATTOS e ISMENIA PEREIRA MACHADO, conhecidos por INÁCIO PALMA e ISMÊNIA PALMA, em função da fazenda da qual eram proprietárias: a Fazenda das Palmas, na região do Bentinho, em São Joaquim. Duas famílias são ancestrais de Inácio: a DA SILVA MATTOS e a PALHANO PRESTES. Outras duas são de Ismênia: a Família PEREIRA DE MEDEIROS e a Família MACHADO. Sobre elas passaremos a realizar nossas próximas publicações.
            Iniciamos, portanto, por um dos ancestrais mais antigos que temos notícia dessa família: Manoel Palhano de Jesus.


MANOEL PALHANO DE JESUS

1. MANOEL PALHANO DE JESUS (em algumas fontes, como Enedino Batista Ribeiro e Galete, era chamado João Baptista Palhano Prestes). Seu inventário é de 1841.
Esposa: CONSTÂNCIA MARIA DE SOUZA (falec. 1863), natural de Santo Antonio da Patrulha, filha de Ignácio de Souza e de Maria Bernarda da Silva.

Filhos:

1.1 – MANOEL PALHANO PRESTES (1825 – inventário de 1887, provável dia da morte: 24 de maio de 1887).
Esposa: THOMAZIA MARIA PEQUENA
Fazendas:
- DO “LAVATUDO”
- DO “FERNANDO”
- DO “POSTO”
- DA “LAGOINHA”
- DE “ILHA”
            O Curador Geral no inventário de Manoel Palhano Prestes, Manoel Moreira da Silva Ruiz Júnior, explica que “há mais de seis meses o inventariado foi preso, sendo levado para Tubarão, mas que, seguindo o parecer geral da população, foi assassinado pela Polícia Rural, não tendo mais aparecido nem chegado ao seu destino, nem mandado notícias. A família que o considera morto já mandou rezar missas por sua alma e providencia agora a abertura de seu inventário, tendo em vista ter deixado bens e muitos herdeiros menores, desejando a viúva vender alguns deles para quitar dívidas”.
            Pesquisando no site da Fundação Biblioteca Nacional, encontrou-se um artigo no jornal “Regeneração”[1], escrito em 08 de março de 1888, e publicado em 03 de abril na “secção livre”, em que Antônio Palhano de Jesus (irmão de Manoel) questiona “Porque será que não se captura os assassinos do infeliz Manoel Palhano Prestes? Esperão  ue elles commetão mais algum assassinato?”. Assim, entende-se que o assassinato realmente ocorreu, ou que, pelo menos, assim acreditava a sua família. Contudo, Antônio não menciona os nomes das pessoas que teriam cometido o crime. 

 
Regeneração: Orgam do Partido Liberal. Desterro, terça-feira, 03 de abril de 1888, n. 68.

             A viúva inventariante de Manoel Palhano Prestes, THOMAZIA MARIA PEQUENA, sob juramento, declarou, em sua Fazenda do “Posto”, que seu marido havia sido preso e assassinado pela Polícia Rural no dia 24 de maio de 1887, quando viajava de São Joaquim para Tubarão, tendo deixado dezessete filhos. A listagem dos filhos será apresentada na próxima postagem do blog.

1.2 – MANOEL MARIA PALHANO PRESTES (Tio Maria), c.c. Generosa.

1.3 – ANTONIO PALHANO DE JESUS (nasc. 1840), solteiro. Rico fazendeiro.

Filhas:

1.4 – MARIA ANTONIA DE JESUS ou MARIA PALHANO DE JESUS (Mariazinha) (1821 – 16.02.1888), c.c. ANTONIO ZEFERINO MATTOS[2] ou ANTONIO DA SILVA MATTOS[3] (Tonico das Palmas) (falec. 15.06.1912). Antonio era filho de João Zeferino da Silva Mattos (1799 – 1843) e de Anna Joaquina da Conceição (falec. 1881).


Certidão de Casamento em grafia original:
 “Ao primeiro dia do mês de setembro do anno de mil oitocentos e cincoenta e cinco, nesta matriz de N. S. dos Prazeres, depois das canônicas, e na presença das testemunhas nomeadas e abaixo assinadas, o Ver. Miguel Teixeira Guimaraes e Antonio Pereira dos Santos, se receberão em matrimônio ANTONIO ZEFERINO MATTOS, filho de João da Silva Mattos, já fallecido, e de Ana Joaquina da Conceição, e MARIA ANTONIA DE JESUS, filha de Manoel Palhano de Jesus, e de Constancia Maria de Souza” (Livro 6, fls.33).
Filhos do casal na próxima postagem do blog.
Antonio Mattos casou-se em segundas núpcias com Francisca Rosa de Arruda[i], em 22 de abril de 1840. Francisca era filha de Manoel Joaquim Pinto e de Joaquina Rosa de Jesus. Francisca era viúva de João Rodrigues de Souza.

Notas: 1 - Há discrepâncias sobre o nome “Mariazinha”. Nas certidões de casamento, na sua própria e na do filho, seu nome é “Maria Antonia de Jesus”. No seu próprio inventário, porém, datado de 1892, tendo sua morte ocorrida em 16.02.1888, seu nome é registrado como MARIA PALHANO DE JESUS.
2 - Em jovem, “MARIAZINHA”, como era chamada, era mulher de rara beleza, e a seu respeito correm muitas “lendas”, sendo a principal a de que morreu aos 29 anos, no parto do 3º filho, que também faleceu. Com a descoberta do seu inventário cai por terra a lenda, pois constamos que Mariazinha, tendo nascido em 1821 (conforme inventário do Pai, Manoel Palhano de Jesus, de 1841), e falecido no dia 16.02.1888, faleceu aos 67 anos, na “Fazenda do Alecrim”, domicílio da família até aquela data. A família era muito rica, com um montante de bens por ocasião de seu inventário de noventa e sete contos, trezentos e cinqüenta e seis mil réis (97:356$000), quando era considerado milionário quem tivesse bens no valor de cem contos de réis.
3 - “Tonico das Palmas” como era chamado o marido de “Mariazinha” possuía as seguintes fazendas, além da do ALECRIM:

- “Fazenda da Ilha”, localizada no Rincão do Alecrim
30:000$000
- “Fazenda Santo Antonio”, “Propriedade de Marafigos”, sobre o rio Antonina, parte sul.
60:000$000
- Todas as partes dos campos e matos da FAZENDA DAS PALMAS.
25:000$000
- Um rincão de campos denominados MONTE ALEGRE, dividindo por uma parte com Manoel da Silva Ribeiro (c. c. Olinda da Silva Ribeiro Diogo), casal ancestral das Famílias Bathke e Luenemberg na região de São Joaquim, onde se domiciliaram depois que vieram da Alemanha para o Brasil. Por outra parte fazia divisa com a fazenda de João Cavalheiro do Amaral. (Provavelmente a fazenda de Cavalheiro do Amaral era a do MORRO AGUDO”)
10:000$000

            Segundo sabia Joaquim Galete da Silva, o maior estudioso da Família Palma entre os familiares, o pai de Mariazinha, conhecido por ele e por Enedino Batista Ribeiro, como JOÃO BAPTISTA PALHANO PRESTES, tem essa versão de seu nome contestada pelos dados tanto da Certidão de Casamento de TONICO DAS PALMAS/“MARIAZINHA” (Maria Antonia de Jesus), e também em seu próprio inventário, feito na Comarca de Lages em 1841, ano de sua morte, onde a grafia era MANOEL PALHANO DE JESUS.
            Ainda segundo Galete, Manoel Palhano de Jesus era tio de Dona Leocádia, mãe de Luiz Carlos Prestes, prestigioso chefe político brasileiro do Partido Comunista. Talvez através da família desse personagem, conhecido nacionalmente, seja possível chegarmos à sua biografia e genealogia.

1.5 – ANNA ANTUNES DE JESUS (Donana) (falec. 11.08.1884[ii]), casada com ANTONIO PEREIRA CAMARGO (falec. em 1854), filho de Anastácio Pereira de Camargo e de Maria Gertrudes de Souza.
            Antonio Pereira Camargo faleceu muito jovem, em sua fazenda do “Curralinho”, mordido por uma cascavel. Por ocasião de sua morte, em 1854, Donana estava grávida de sua última filha, Camilla Maria de Jesus, depois c. c. Antonio José Alves de Sá, político do Partido Liberal que se tornou o primeiro prefeito de São Joaquim.
            Por ocasião da morte do marido, Donana e os filhos ficaram com 16:720$580. Por ocasião de sua própria morte, em 1884, 30 anos depois, Donana deixou a seus herdeiros a quantia de 46:815$361. É bom lembrar que quem tivesse naquele tempo cem contos de réis (100:000$000) era milionário. Donana, portanto, foi uma excelente pecuarista, apesar de ter herdado muitos bens por inventário de sua mãe, D. Constância Maria de Souza, da qual recebeu a legítima no valor de 3:868$214.
Título dos Herdeiros de Donana e Antonio Pereira Camargo na próxima postagem do blog.

1.6 – BALBINA MARIA DE SOUZA (nasc. 1833).

1.7 – MARIA IGNACIA (Tia Nacha), c.c. ANTONIO DA SILVA RIBEIRO FILHO (Tio Ribeiro). Antonio da Silva Ribeiro Filho era filho de pai com o mesmo nome (c.c. Gestrudes Maria de Córdova, filha de Antonio Joaquim de Córdova e Manoela Maria da Silva), que era filho de Pedro da Silva Ribeiro e Ana Maria de Saldanha.

1.8 – CÂNDIDA MARIA DE SOUZA (nasc. 1839), c.c. ANTONIO SILVANO PROENÇA.
Casamento: 28 de novembro de 1857.


[1] JESUS, Antônio Palhano de Jesus. Secção livre, Lages. Regeneração: Orgam do Partido Liberal. Desterro, terça-feira, 03 de abril de 1888, n. 68.
[2] Conforme Certidão do primeiro casamento.
[3] Conforme Inventário judicial e também conforme a Certidão do segundo casamento.


[i] Inventário de Antonio da Silva Mattos, 1912.
[ii] Certidão de óbito de Anna Antunes de Jesus, 1884.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A nevada de 1912

    Lançado o livro “O Voo das Curucacas” que conta a formação do território da Região Serrana de Santa Catarina no século XVII e também como se domiciliaram nessa região algumas das primeiras famílias das estirpes RIBEIRO e SOUZA – estabelecidas na COSTA DA SERRA, em duas fazendas de criação de gado: a Fazenda de Pelotas e a Fazenda do Socorro – seguimos as postagens do Blog com um texto de Enedino Batista Ribeiro, que fora citado no jornal Diário Catarinense de domingo, 28 de julho, devido a neve que ocorreu de maneira inusitada em Santa Catarina.
    Vejamos como Enedino relata os fatos ocorridos nesta que foi a maior nevasca de que se tem notícia no século XX em Santa Catarina. Nevou nessa região de São Joaquim, durante três dias e três noites, ininterruptamente. Segundo Enedino, a neve começou a cair às 10 horas do dia 1 de setembro, seguindo até dia 3 de setembro do mesmo mês. Acompanhemos o que tem a narrar o autor, então com 13 anos de idade, durante os acontecimentos desastrosos.


XXIV
A Nevada de 1912

Já nos últimos dias de agosto, meu pai recebeu, com grande atraso, telegrama de Lages, chamando-o, pois sua mãe estava gravemente enferma.
No dia 1º de setembro, papai seguiu para aquela cidade, acompanhado de um peão de confiança.
Lembro-me, como se fora hoje, da partida de meu pai. No momento exato em que ia penetrar na restinga da casa, voltou-se no cavalo e nos abanou com o chapéu, pois todos nós da família tínhamos ficados encostados às taipas de parapeito, vendo sua partida.
Seriam nove horas da manhã de um dia triste e nublado, com grandes paredões pretos no horizonte, para as bandas do rio Grande do Sul. Não sei por que pairava no ar desolação que oprimia a gente, como que pressagiando funestos acontecimentos.
A temperatura era muito baixa, e cada vez escurecia mais. Recolhemo-nos para dentro da casa, e mamãe nos convidou para rezarmos o Padre Nosso, todos juntos, de joelhos. Assim foi feito.
Foi nessa ocasião que fiquei sabendo que minha mãe, aquela mulher forte e inteligente, também tinha sua boa dose de superstição.
Mamãe, com todos os filhos ao redor dela, disse o seguinte:
Meus olhos andam repuxando, e quando isso acontece, sempre eu tenho de chorar muito; depois, os malditos dos bicos-xanxões não param de chorar perto de casa; isto é bicho de mau agouro; se eu pudesse, mandava matá-los a todos.
Seria mesmo só superstição?
Para aqueles dias era... Todavia, para um futuro que não estava longe, o que minha mãe estava dizendo, era pressentimento exato de dias angustiosos que estavam por chegar.
Às dez horas do dia 1º de setembro de 1912, começou a cair a neve, abundantemente. O céu era púmbleo. Nevou três dias e três noites sem parar!
Foi a maior nevada que caiu na região de São Joaquim e em todo o Planalto Catarinense, desde que aquela zona foi habitada. Essa opinião foi então, e é até hoje, tida como verdadeira.
Foi uma coisa espantosa! Um dilúvio de neve! Fenômeno grandioso que envolvia a terra!
Os caibros da casa vergados, estalavam sob a grossa camada de gelo acumulado; nos matos, as árvores se desgalhavam de alto a baixo, com estalidos secos, perfeitamente audíveis no interior da habitação, onde os familiares, à roda de mamãe, comentavam o fenômeno nunca antes presenciado.
Nós, os menores, de certo modo, e com razão, intimidados, perguntávamos se papai iria morrer naquela barbaridade? Nossa mãe então nos tranquilizava dizendo que “nada ia acontecer”.
Ao anoitecer, pontões e pontões de gado, mugindo, atropelando-se, chegaram à sés, rodeando a casa, e ali passando a noite toda, sob os açoites do vento que rodopiava e sibilava inclemente, com temperatura abaixo de três graus negativos.
No dia seguinte, 2 de setembro, o gelo era tanto em cima da casa que, coberta de tabuinhas, não tinha como não afundar, deixando-nos sem teto.
Naquela emergência, mamãe determinou que uns três ou quatro homens decididos, furassem, no meio, tábuas de um metro e um metro e meio de comprimento e encabassem em longas varas (rodos), para puxar a neve de cima da casa. Essa ordem fui cumprida com rapidez, afastando-se o perigo de afundar a coberta, penetrando o gelo no interior da residência.
Enquanto isso se fazia, mamãe mandou os filhos mais velhos, Afonso e Edmundo, e peões da Fazenda, que encilhassem os cavalos que se encontravam nas estrebarias, e fossem atropelar o gado que permanecia encorujado ao redor da casa, sem comer. O exercício impediria o encarangamento, dada a baixa temperatura. Isto também se fez com presteza, mas de pouco adiantava, porque algumas horas depois, o gado voltava para casa doido de fome, uma vez que a pastagem havia desaparecido totalmente sob a grossa camada de neve, que crescia de hora para hora.
A situação era, aliás, delicada, mas a fazendeira, na ausência do marido, e com os filhos moços, não se acovardavam: o gado continuou a ser repontado para obriga-lo ao exercício, e a neve a ser retirada de cima da casa, com aqueles objetos que mamãe mandara fazer e a que dava o nome de “rodo”.
Como é fácil perceber, surgiu outra dificuldade desagradável: montanhas de neve se formaram em roda da casa, junto às paredes, fazendo com que diminuísse consideravelmente a temperatura no interior da residência, o que poderia ocasionar resfriados e mesmo pneumonia, tanto mais que havia crianças de tenra idade entre os moradores, como a minha mana mais moça, a Ceci, que contava apenas com dois anos de idade.
Fez-se então um grande fogo na cozinha, que se comunicava com a casa grande por passadiço fechado, e escancaram-se as portas de comunicação, sem se dar importância a um pouco de fumaça que invadia a residência da família.
E esperou-se ainda aquela noite, para ver o tempo como amanheceria, a fim de ser tomada uma providência contra o gelo que se apinhava ao redor da habitação.
O dia 3 de outubro amanheceu mais claro, embora a neve continuasse a cair com intensidade. Por volta do meio dia, a nevada foi cessando. O mundo era um oceano alvinitente (de alvura imaculada), nenhuma pedra, nenhuma árvore descoberta... neve, neve e neve por toda a parte; céu e gelo era só o que se via!
Pouco a pouco foram se esgarçando as nuvens e o sol, lindo como nunca, encheu de luz dourada a superfície prateada da terra! Impossível fitar a imensidade; cegavam a gente as cintilações argênteas que subiam das várzeas, que desciam das montanhas! Era um espetáculo soberbo, belo, magnificamente belo!
Não se podia andar lá fora, o gelo alcançava os joelhos. A água para o preparo dos alimentos e para tomar, era obtida da própria neve, derretida ao fogo. O frio era uma coisa que sobressaía. É sabido que no degelo a temperatura é mais baixa do que no período em que, propriamente, está caindo neve, para o que há uma explicação científica: no inverno o sol é fraco, pouco intenso, e, costumeiramente, cessada a queda de neve, ventos fortes sopram sobre a terra, levantando nuvens de um tênue poeira gelada.
Então o termômetro acusa acentuadas baixas na temperatura.
Morreu bastante gado, ovelhas, porcos, animais cavalares nos matos, acalcados pelas madeiras e galhos que despencavam em cima das reses.
Um outra feição triste e calamitosa das grandes nevadas é o estrago que ocasionam nas florestas. É um estrondar contínuo das árvores que caem e que se racham de alto a baixo... aquilo dá um medo na gente, que nem é bom falar!
Lembro-me que na tarde daquele dia 3, sol a pino, bem vestidos e bem calçados, várias pessoas subimos ao morro da Santa Cruz, e de lá de seu cocuruto, fazíamos rolar pequenas bolas de neve que iam crescendo rapidamente, à medida que corriam morro abaixo até sua base, uns cento e cinquenta metros de percurso, onde chegavam transformadas em enormes globos de neve. Para nós, no cimo do morro, e para os que apreciavam a brincadeira das janelas da casa, era um entretenimento incomparável, principalmente se o “bólido”, na descida vertiginosa, batia em alguma rocha, esborrachando-se em milhões de pedacinhos: era então uma chuva de neve, como se aprecia nos foguetes de lágrimas dos fogos de artifício.
Papai regressou de Lages lá perto do dia 10 ou 12, muito triste com a morte da mãe, ocorrida justamente a primeiro do mês, início da nevada.
Depois de abraços de pêsames apresentados a nosso pai, ele passou a contar as ocorrências da viagem: no dia de sua partida, depois de ter passado o Lavatudo e vencido seu profundo vale, na chapada, a camada de gelo já era tão considerável que os animais mal podiam andar. Meia tarde ainda, teve que pousar, porque as montarias estavam exaustas. No dia seguinte, sobre a noite, é que pôde chegar à cidade de Lages. Não alcançou os funerais de vovó, cujo enterro realizou-se abaixo de neve, as pessoas se atolando no gelo para carregar o esquife. Esperou a missa de sétimo dia e veio embora, devendo voltar a Lages dentro de dois meses, para o inventário dos bens da finada. 
Então passamos nós a lhe relatar o que foi a cruel nevada e as medidas de emergência que tiveram de ser tomadas, para evitar danos na casa, doenças em pessoas da família e domésticos e maior mortandade de gado. 
Papai, mais uma vez, elogiou a fibra da dona da casa, que tomou as medidas adequadas à fúria das intempéries. 
Eis aí, numa descrição sucinta, o que foi a grande nevada de 1912, a maior que se registrou até hoje nos anais das invernias do Planalto Catarinense.


Texto retirado de: 
RIBEIRO, Enedino Batista. A nevada de 1912. In: RIBEIRO, Enedino Batista. Gavião-de-penacho: memórias de um serrano. Florianópolis: Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, 1999, pp. 248-253.

Matéria do jornal Diário Catarinense que cita o livro Gavião-de-Penacho:



FRANTZ, Sâmia; DANTAS, Carolina. Reportagem especial: Uma aula de metereologia. Diário Catarinense, Florianópolis, 28 jul. 2013.