quinta-feira, 7 de abril de 2016

FAMÍLIA VIEIRA – Parte II


Continuamos a matéria anterior, apresentando a relação detalhada dos filhos IX e X de Leandro Luiz Vieira e Clara Maria dos Santos. Os outros filhos foram descritos na postagem precedente.
Filhos de Leandro e Clara Maria:
       I.     CLAUDIANO LUIZ VIEIRA;
      II.   MARIA CRISTINA VIEIRA;
   III.   POLICARPO LUIZ VIEIRA;
   IV.   ANTÔNIO LUIZ VIEIRA;
      V.   HENRIQUETA MARIA VIEIRA;
   VI.   PRUDENTE LUIZ VIEIRA;
VII.   JOAQUINA MARIA DOS SANTOS;
VIII.   MARIA GERTRUDES VIEIRA;

IX – ANA JOAQUINA DOS SANTOS, c.c. SIMEÃO CARDOSO PAES (no “Aurorescer” e Simião Carneiro no inventário de Clara Maria dos Santos); Simeão era apelidado de “Tio Quira”.
Domicílio: Bom Jesus.

X – JOÃO LUIZ VIEIRA, falecido em 06.09.1909, c.c. ANA MARIA DOMINGUES ARRUDA, nascida em 1825, fª de José Domingues Arruda, falecido em 21.02.1849, e de Maria de Souza Teixeira.
Filhos:
10.1 – MARIA DOMINGUES VIEIRA, batizada em 1847;

10.2 – LEANDRO ANTÔNIO VIEIRA, batizado em 1857,
c.c. ROSA DE LIMA RIBEIRO VIEIRA, falecida em 1915, filha de Manoel Bento Ribeiro e de Felicidade Maria Rodrigues.
Manoel Bento, filho de João da Silva Ribeiro (“Sênior”) e de Maria Benta de Souza;
Felicidade Maria Rodrigues, filha da irmã mais velha de Manoel Bento Ribeiro, Felisbina Maria de Saldanha, c.c. Manoel Bento Rodrigues Nunes, natural de D. Pedrito, RS, domiciliados na Fazenda da Chácara em Bom Jardim, desmembrada da grande sesmaria que foi a FAZENDA DO PELOTAS, comprada pelo patriarca da família RIBEIRO em terras de SC, entre 1755 e 1765, Manoel da Silva Ribeiro, c.c. Maria Bernarda do Espírito Santo e herdada por seu filho, Pedro da Silva Ribeiro, pai de João “Sênior”.
Temos aqui, portanto, o casamento de um tio com sobrinha, e temos a existência de dois “Manoel Bento”, sogro e genro.
Filhos de Leandro Antônio e Rosa de Lima:

10.2.1 – EMILIA VIEIRA (1890 - ?),
 c.c. Joaquim Anacleto Rodrigues, filho de Anacleto Rodrigues da Cunha e de Maria Cândida Rodrigues
Filhos:
10.2.1.1 – José Jaime Vieira Rodrigues, c.c. “ Mena” Martorano ( Ismênia)
10.2.1.2 –Alzina Vieira Rodriques, c.c. Domingos Martorano (irmão de D. Mena)
10.2.1.3 – Ari Vieira Rodrigues, c.c. Ismênia de Souza Vieira (filha de Lysandro Luiz Vieira e Simiana  Souza Vieira)
10.2.1.4 – Rosa Vieira, c.c.Aires Mattos, (filho de Juvenal da Silva Mattos e de ? , s/ filhos)
10.2.1.5 – Maria Cândida Vieira ,“Tia Nunuta”, c.c. Everton Vieira Borges ( filho de Fulgentino Vieira Borges, “Pai Tico”)
10.2.1.6 – Odete Vieira, solteira. Foi criada pelos tios Felicidade e Boanerges;

10.2.2 – FELICIDADE VIEIRA, “Dadinha” (1887 – 04.01.1944),
c.c. Boanerges Pereira de Medeiros “Tio Borges” (11.1882 – 28.02.1951),
Fº de Francisco Pereira de Medeiros e Ignês Baptista Ribeiro.
Ignês, filha do coronel João Ribeiro e Ismênia Baptista de Souza.
Boanerges foi político importante de São Joaquim, seu 5º prefeito (de 1926 a 1930). Até o momento, pensava-se que o casal Boanerges e Felicidade não havia tido filhos legítimos. Contudo, o pesquisador Rogério Palma de Lima encontrou o batistério original de Juçá, em que consta que ela é filha legítima dos dois. Entretanto, a menina faleceu com um ano de idade.
10.2.2.1 – JUÇÁ (nasc. 24/02/1920 - 09/03/1921)[ii]. Causa da morte: “Bronchite capillar”, segundo atestado do Dr. Vicente Cantizani.       

Ademais, Boanerges e Felicidade adotaram três sobrinhos:
10.2.2.2 – Tarcila Vieira, filha de Manoel Inácio Ribeiro Vieira e Mª dos Prazeres Flores, c.c. Teófilo Mattos;
10.2.2.3 – Edgar Vieira de Medeiros (01/02/1926 - 12/02/1996[ii]), fº de Waldomira e Otávio, c.c. Fani Castelo Branco (filha de Liberalino Castelo Branco, “S. Lico” e de D. Maria Amélia Carvalho);
10.2.2.4 – Odete Vieira, solteira, filha de Emília e Joaquim Anacleto.

Figura 1 - Felicidade Vieira.

Figura 2 - Boanerges Pereira de Medeiros.

10.2.3 – WALDOMIRA (ou Valdomira) VIEIRA (01/08/1892 - 25/12/1979[i]),
c.c. Otávio Vieira (1898 - 08/01/1963[ii]), filho de João Vieira de Arruda e de Anna Maria de Souza (Lima) (18/12/1872 - 18/02/1903)[ii].
Filhos:
10.2.3.1 – Nanci Vieira, solteira;
10.2.3.2 – Odete Vieira, c.c. Nilo Fontanella, fºde Honório Fontanella e de “D. Filhinha” Couto.
10.2.3.3 – Maria Lígia Vieira (nasc. 24/11/1922[ii]), c.c. Sílvio Rodrigues de Oliveira, fº de Felicíssimo Rodrigues Sobrinho e de Emilia Rodrigues de Oliveira (05/03/1902 - 15/08/1955[ii]).
10.2.3.4 – João Vieira, c.c. Hermelina Rodrigues,  fª de Felicíssimo Rodrigues Sobrinho e de Emilia Rodrigues de Oliveira (05/03/1902 - 15/08/1955[ii]).
10.2.3.5 – Edgar Vieira de Medeiros (01/02/1926 - 12/02/1996[ii]), c.c. Maria Fani Castello Branco (10/10/1936 - 11/1994[ii]), filha de Liberalino Castelo Branco, “S. Lico”, e de D. Maria Amélia Carvalho.
10.2.3.5 – Arno Vieira, c.c. Zuleima Albino, fª de Domingos Albino e de “D.China” – também pais de Vanda, c.c. Ari Palma Velho)
10.2.3.6 – Leandro Vieira, c.c. Barbara Lucia Córdova Vieira (nasc.
20/06/1950)[ii].

Figura 3 - Maria Fani Castello Branco, c.c. Edgar Vieira de Medeiros. Foto disponibilizada por Cleber Otávio Castello de Medeiros, no site Genoom.

10.2.4 – ALZIRA VIEIRA RIBEIRO (14.06.1894 – 1977),
c.c. Affonso Ribeiro Sobrinho (05.11.1889 – 09.07.1979), fº do Tenente Coronel João Batista Ribeiro de Souza “Seu Batista” , para os netos “Vó Batista” e de Cândida dos Prazeres Batista de Souza ( primos-irmãos, porque Ismênia, mãe do Vô Batista era irmã de Marcos Baptista de Souza, pai da Vó Cândida, ambos, Ismênia e Marcos, filhos de “Inholo”).
 Data de casamento de Alzina/Affonso: 03.01.1914.
Affonso sempre foi pecuarista, primeiro em São Joaquim, depois em Lages.
Foi aluno do afamado Ginásio “Nossa Senhora da Conceição”,  em São Leopoldo, RS, onde completou o 4º ano ginasial .                          
Affonso e Alzira também eram primos, pois seus pais, João Baptista Ribeiro de Souza (pai de Affonso) e “Rosinha” (mãe de Alzira) eram primos-irmãos.
Filhos:
10.2.4.1 – TELMO VIEIRA RIBEIRO (n. 27.01.1915),
c.c. Adi Garofallis Ribeiro (n. 13.07.1925);

10.2.4.2 – HOMERO BATISTA RIBEIRO (n. 01.09.1916),
c.c. Ana Maria Carvalho Ribeiro;

10.2.4.3 – RUTH RIBEIRO FERREIRA (n. 01.09.1919),
c.c. Dalmo do Amarante Ferreira, filho de Oscar Alves Ferreira e Páschoa do Amarante Ferreira;

10.2.4.4 – JAIME CÂNDIDO RIBEIRO (09.06.1923 – ?),
c.c. Aglair Campelli;

10.2.4.5 – TEREZINHA RIBEIRO LENZI (10.11.1927 - ?),
c.c. Plátano Lenzi;

10.2.4.6 – VERA LÚCIA RIBEIRO ROSA (01.97.1936 - ?)
c.c. Hélio Koesche Rosa;

10.2.5 – MANOEL INÁCIO RIBEIRO VIEIRA (nasc. 14/07/1885),
c.c. Maria dos Prazeres Flores (1885 - 16/04/1973).
Filhos:
10.2.5.1 – Juraci Vieira, gêmea com a filha seguinte;
10.2.5.2 – Cici Vieira, c.c Afonso Bleyer;  
10.25.3 – Assis Vieira, c.c. Vicência Souza (irmã de Sebastião Souza);
10.2.5.4 – Tarcila Vieira, c.c. Teófilo Mattos.

Figura 4 - Assis Vieira. Foto disponibilizada por Rogério Palma de Lima, no site Genoom.

Figura 5 - Teófilo Mattos e Tarcila Vieira.

10.3 – CÂNDIDA DOMINGUES VIEIRA (1850 – 07.09.1935). Faleceu aos 85 de idade, sendo enterrada no cemitério do Painel. Foi casada com JOÃO DANIEL DE LIZ.
“Vó Candinha”, como ficou conhecida, era uma senhora muito alta, de personalidade forte, dona da “Fazenda da Ramada”. Viajava para o Painel, sede da região onde se localizava sua propriedade, sempre de carro de mola, puxado por dois cavalos brancos. Tinha uma característica anormal, usava um espesso cavanhaque.
Filhos:
10.3.1 – Prudente Daniel Vieira, c.c. “Tia Mementa” ?
Filho:
10.3.1.1 – César Vieira de Andrade, c.c. Zélia Gomes de Souza, “Didi”, (fª de Dario Souza e de Alzira Gomes, pais também de Rosita, c.c. Sebastião de Souza Vieira, e de Diva, c.c. Nereu Correia).
D. Alzira Gomes, filha de Ramiro Gomes e de D. Leocádia ?
10.3.2 – João Daniel Viera, c.c. Benta Caetana Vieira, filha de João Luiz Vieira Júnior e Ismênia Muniz de Saldanha ( primos-irmãos, porque Cândida era irmã de João Luiz Vieira Júnior)
Fazendas: “da Chácara” e do “Serro Grande” ( esta, na entrada atual da cidade do Painel, na frente do CTG).
10.3.3 – Ana Vieira de Arruda, “D. Aninha”,  c.c. Policarpo Caetano de Souza, fº de Policarpo José de Souza ( 1828- 1892)  e de Carlota da Silva Muniz (irmã de Ismênia, ambas filhas de Antônio Caetano da Silva Machado e de Ismênia Muniz de Saldanha, “D. Yayá”( 1803 – 1888). Policarpo Caetano era apelidado de “Carpinho”.
Policarpo José de Souza era filho de Manoel Rodrigues de Souza e de Anna Maria de Lima. Manoel, dono da “Fazenda Bom Sucesso”, no então distrito de São Joaquim da Costa da Serra, por sua vez, era um dos sete filhos de Matheos José de Souza e de Clara Maria de Athayde, um dos fundadores de Lages, pais também de João Baptista de Souza, “INHOLO”, ancestral direto de Affonso Ribeiro Sobrinho, objeto deste estudo.
Dentre os descendentes de Ana Vieira de Arruda e Policarpo Caetano de Souza, pais de Simiana de Souza Vieira, casada com Lyzandro Luiz Vieira, salienta-se o filho desta, Osni Vieira, estudioso da história genealógica de sua estirpe, formada pelas famílias Souza e Vieira, sobre as quais já possui estudos aprofundados.

10.4 – JOSÉ LUIZ VIEIRA (08.01.1856 – 25.04.1932), c.c. Maria Thereza Rodrigues, filha de Thomaz Bento Rodrigues e Belizária Saldanha. Belizária, por sua vez, era filha de Antônio Caetano da Silva Machado e de Ismênia Saldanha. (dados fornecidos por Luiz Augusto Farias Nagel, em24 de outubro de 2016)
Tiveram pelo menos um filho, Thomaz Luiz Vieira, que nasceu em 1886 e morreu em Bom Retiro em 1930. Este Thomaz Luiz casou-se com Elvira Pereira de Andrade, filha de Manoel Marcos Pereira de Andrade (filho de João Marcos Pereira de Andrade e Leocádia Felisberta) e Cândida Augusta da Silveira (filha de Joaquim Silveira de Mattos e Carlota Cândida Ferreira). (dados fornecidos por Luiz Augusto Farias Nagel, em24 de outubro de 2016)

10.5 – PRUDENTE LUIZ VIEIRA (bat. 24/05/1859 – falec. 24/02/1921),
c.c. Maria dos Prazeres do Amaral Vieira, filha de Antônio Caetano (“Cachoeira”) do Amaral e de Anna Borges do Amaral, filha de Fellippe Borges do Amaral e Castro e de Maria do Nascimento do Amaral. Anna nasceu em junho de 1849 em S. Francisco de Paula, RS).
Prudente e Maria dos Prazeres foram proprietários da “Fazenda das TIJUCAS” em sua fase áurea, em que foi cantada em prosa e era referência até fora da Região Serrana.
Filhos:  
10.5.1 – HERCÍLIO VIEIRA DO AMARAL (1888 – 1979),
c.c. Maria Cândida Ribeiro Vieira, filha de João Batista Ribeiro de Souza e de Cândida dos Prazeres Batista de Souza ( irmã de Affonso Ribeiro Sobrinho).
Filhos:
10.5.1.1 – Hamilton Ribeiro Vieira (06/05/1915 - 29/06/1988), casou em primeiras núpcias com Carmem Palma (15/10/1925 - 29/07/1969), filha de José Palma (Zeca) (13/10/1892 - 23/03/1968) e de Alencarina Amaral Velho (Nenzinha).
Segundas núpcias de Hamilton: Vania Maria de Souza(2ª esposa)[ii].
10.5.1.2 - Aracy Ribeiro Vieira (03-11-1916 – 22-06-1934).
10.5.1.3 – Hercilio Ribeiro Vieira (30-09-1919 – 22-01-1932).
10.5.1.4 - Hélio Ribeiro Vieira (27-05-1920 – 10-12-1920).
10.5.1.5 - Clóvis Ribeiro Vieira (30-04-1928 – 24-02-1942).
10.5.1.6 - Edu Ribeiro Vieira.


10.5.2 – ELVIRA VIEIRA DO AMARAL, morreu criança;

10.5.3 – ANA VIEIRA RAMOS,
c.c. João Vieira Ramos, filho de Vidal José de Oliveira Ramos Sobrinho e de Joaquina Domingues Vieira;

10.5.4 – ALZINA VIEIRA DO AMARAL, faleceu criança;

10.5.5 – SÍLVIA VIEIRA RAMOS,
c.c. Bernardo Vieira Ramos,
Filho de Vidal José de Oliveira Ramos Sobrinho e de Joaquina Domingues Vieira;

10.5.6 – ARGEMIRO VIEIRA DO AMARAL,
c.c. Olívia do Amaral Vieira.

10.5.7 – ANTÔNIO VIEIRA DO AMARAL ( 1894 – 18.09.1964 ),
c.c. Olívia Ribeiro Vieira ( “Vivi”) ( 1900- 28.11.1968), outra irmã de Affonso Ribeiro Sobrinho, filha de João Batista Ribeiro de Souza e de Cândida dos Prazeres Batista de Souza;

10.5.8 – ADALBERTO VIEIRA DO AMARAL,
c.c. Itália Cassetari Vieira, filha de Ranier Cassetari (italiano) e Emília Teixeira (de S. Francisco de Paula, RS);

10.5.9 – ESMERALDA VIEIRA VELHO,
c.c. Valentim Inácio Velho, filho de Ignácio Manoel Souza Velho ( “Inacinho”) e de Angelina Vieira Borges Velho;

10.5.10 – DONATILA VIEIRA VELHO,
c.c. Afonso Ribeiro Velho,
Filho de Manoel Inácio Velho ( falecido em 1916) e de Ana Maria Baptista Ribeiro ( filha do Coronel João Ribeiro e de Ismênia Baptista de Souza)
Filho único deste casal: Luiz Adailton Vieira Velho, c.c. Maria Imaculada Fialho Velho.

10.5.11 – ONDINA VIEIRA DO AMARAL (ou Amaral Vieira) (09/12/1907 - 09/09/1910[iii]);

10.5.12 – WALDIVINO VIEIRA DO AMARAL (15.07.1904 –10.11.1916)
Faleceu adolescente atingido por um raio – fato descrito por Enedino Ribeiro em seu livro “Gavião-de-Penacho, Memórias de um Serrano”, p.331;

1.5.13      – JOÃO VIEIRA DO AMARAL;

10.5.14 – ABIGAIL VIEIRA BATISTA,
c.c. Dimas Batista de Souza, filho de Ambrósio Batista de Andrade e Souza e de Maria Trindade do Amaral e Souza .
Ambrósio, filho de Marcos Baptista de Souza e de Maria Rodrigues de Andrade, “Marica”.
Ambrósio, portanto, primo-irmão de Affonso Ribeiro Sobrinho, pois a mãe deste, Cândida dos Prazeres, igualmente era filha de Marcos/Vó Marica.
Maria Trindade do Amaral e Souza era filha de Matheos Ribeiro de Souza, um dos irmãos do Coronel João Ribeiro e de Bento Manoel Ribeiro,  três dos nove filhos de João da Silva Ribeiro ( “Sênior”) e de Maria Benta de Souza, irmã de Inholo e de Manoel Rodrigues de Souza, já citados anteriormente. É bastante impressionante a quantidade de vezes em que essas duas famílias se uniram ao longo dos 250 anos em que já estão estabelecidas na Região Serrana de SC, a RIBEIRO a partir de 1755, e a SOUZA, desde 1768, quando seu patriarca, Matheos José de Souza, participante da Bandeira de Correa Pinto, domiciliou-se no chamado “Continente das Lagens”. As duas famílias compraram sesmarias próximas, na região “de cima da serra”, hoje município de Bom Jardim: Manoel da Silva Ribeiro comprou a “Fazenda do Pelotas” e Matheus, a “Fazenda do Socorro”. A proximidade das propriedades estreitava a relação de amizade dos moradores e propiciava o encontro dos jovens. A única vila existente era Lages, a cerca de 28 léguas, sem estradas, tendo como único meio de locomoção o cavalo, tudo levando, pois, à repetição dos casamentos entre famílias vizinhas;

10.5.15 – CÂNDIDA VIEIRA BERTONCINI,
c.c. Isaac Bertoncini;

10.5.16 – BENILDE VIEIRA DE CAMARGO,
c.c. Anacleto Barbosa de Camargo;

10.5.17 – JAIME VIEIRA DO AMARAL,
c.c. Maria Velho Vieira, filha de Antão de Paula Velho e de Maria Adelaide Ribeiro do Amaral

10.5.18 – NAIR VIEIRA RAMOS,
c.c. João Lacerda de Camargo Ramos;

10.5.19 – NELSON VIEIRA DO AMARAL,
c.c. Aida Paim Vieira.


Figura 6 - À esquerda, Hercílio Vieira do Amaral, Maria Cândida (Candoca), pais de Hamilton Ribeiro Vieira, que se casou com Carmen Palma Vieira, filha do casal que aparece à direita na foto: Alencarina Amaral Velho (Tia Nenzinha) e José Palma (Tio Zé Palma).

Figura 7 - Hamilton Ribeiro Vieira e Carmen Palma.

10.6 – LEANDRO LUIZ VIEIRA ( bat. Em 06.05.1852 - ?),
c.c. Ignácia de Souza Velho (“Tia Inacinha”). filha de Ignácio Manoel Velho (falecido em 22.05.1874) e de  Maria Ignácia de Souza ( falecida em 23.03.1885).
Domiciliados no Rio Grande do Sul, na região de Bom Jesus, onde a família Velho era grande proprietária de terras, como a Fazenda “dos Ausentes”, entre muitas outras.
Maria Ignácia de Souza era filha do Tenente coronel Manoel Rodrigues de Souza e de Anna Maria de Lima , já citados, ele, filho de Matheos José de Souza.
Filhos:

10.6.1 – JOSÉ IGNÁCIO VIEIRA, c.c. Avelina de SouzaVelho;
10.6.2 – ERCILINO IGNÁCIO VIEIRA, c.c. Isolina Borges, filha de Antônio Daniel Vieira e Emerentina Borges;
10.6.3 – OTÁVIO IGNÁCIO VIEIRA, c.c. Maria Cândida, irmã de Isolina;
10.6.4 – ERNESTO IGNÁCIO VIEIRA, c.c. Amélia Borges, irmã de Isolina;
10.6.5 – ISAURA IGNÁCIA, c.c. Valentim Vieira Borges, irmão de Isolina.


10.7 – JOÃO LUIZ VIEIRA JÚNIOR, c.c., em primeiras núpcias, Ismênia Muniz de Saldanha (ou Ismênia Saldanha Vieira) (1857 - 20/05/1897), filha de Antônio Caetano da Silva Machado e de Ismênia Muniz de Saldanha “D. Yayá” (1803 – 1888).
Casamento: 8 de junho de 1871, Lages-SC[ii].
Filhos deste 1º matrimônio:
10.7.1 – LYZANDRO LUIZ VIEIRA,
c.c. Simiana Souza Vieira
Filha de Policarpo Caetano de Souza ( “ Carpinho”) e de Ana Vieira de Arruda ( “Aninha”);

10.7.2 – CIRILO LUIZ VIEIRA,
c.c. Cândida Goulart Vieira  ( “tia Candinha”)
Filha de Francisco da Silveira Goulart e de Guilhermina da Silva Mattos;

10.7.3 – ANTÕNIO LUIZ VIEIRA, faleceu solteiro;

10.7.4 – LEODORO VIEIRA,
c.c. Zezé;

10.7.5 – JOÃO LUIZ VIEIRA NETO, “Jango”, morreu solteiro;

10.7.6 – EMÍLIA CAETANA VIEIRA,
c.c. Mário Grant;

10.7.7 – BENTA VIEIRA,
c.c.João Daniel Vieira, filho de Cândida Domingues Vieira e de João Daniel de Liz;

10.7.8 – ROSENA VIEIRA,
c.c. José Doutel;

10.7.9 – CAROLINA VIEIRA FURTADO ( “Carola”),
c.c Manoel do Nascimento Furtado
Filho de Moysés da Silva Furtado e de Emília Batista Ribeiro, Filha do Coronel João Ribeiro e de Ismênia Batista de Souza, mais uma irmã do Vô Batista.
Moysés/ Emília, proprietários da famosa “Fazenda do Limoeiro”, na Coxilha Rica

10.7.10 – ANA VIEIRA ( “Sinhana”),
c.c. Laurindo Vieira Borges ( irmão de “Tico Borges”)


JOÃO LUIZ VIEIRA JÚNIOR casou-se em segundas núpcias com VERÔNICA ADALBERTINA KOERICH.
Filhos:
1º filho desse casamento: ROMEU LUIZ VIEIRA,
                                          c.c. Valeska ?.
                                           Filhos: Lígia e Milton.

2º filho: GENTIL LUIZ VIEIRA,
               c.c Herta Fidler Vieira.
               Filhos: Cenir Vieira e Camille.                 
 
João Luis Vieira Júnior teve mais um filho, que se chama José Luiz Vieira (faleceu em 09/06/1894[iv], com 12 anos, em Painel). Não se sabe, porém, de qual casamento era filho. Pela data de falecimento de Ismênia, acredita-se que seja filho do primeiro casamento.


Referências

COMARCA de São Joaquim da Costa da Serra – SC. Inventário Judicial Roza de Lima Vieira. Livro de nº1, nº390, 1915.

COMARCA de São Joaquim da Costa da Serra. Inventário sem Testamento de Prudente Luiz Vieira. Processo nº501 – Reg. no L2º - fls. 17, 1921.

OLIVEIRA, Sebastião Fonseca. Aurorescer das sesmarias serranas: história e genealogia. Edições EST, 1996.

VIEIRA, Osni de Souza. Dados fornecidos por Osni de Souza Vieira, pesquisador de genealogia das Famílias Vieira, Palma e Souza.




[i] Dados de Valdomira Vieira, disponibilizados por Rogério Palma de Lima e  Cleber Otávio Castello de Medeiros no site Genoom.
[ii] Dados disponibilizados por Rogério Palma de Lima no site Genoom.
[iii] Dados disponibilizados por Luiz Carlos Zorzi (Cavalheiro do Amaral) no site Genoom.
[iv] Certidão de óbito de José Luiz Vieira, registrada em 25/01/1895, Lages. Documento fornecido por Rogério Palma de Lima. Disponível em: https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-616S-L8D?mode=g&i=115&wc=MXYP-YNR%3A337700801%2C337700802%2C339246501%3Fcc%3D2016197&cc=2016197


Obs.: Se alguém tiver fotos da Família Vieira pode enviar para menokaribeiro@gmail.com ou crisbudde@gmail.com. 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

FAMÍLIA VIEIRA



            Apresentamos nesta matéria e na seguinte um estudo genealógico da FAMÍLIA VIEIRA, família também importante na região serrana de Santa Catarina e que se relaciona com outras como a Ramos, a Souza e a Ribeiro.
O representante mais antigo da Família Vieira de que temos notícia é LEANDRO LUIZ VIEIRA (falecido em 1863), casado com CLARA MARIA DOS SANTOS (falecida em 1867), citado no livro “Aurorescer das Sesmarias Serranas”, de Sebastião Fonseca de Oliveira,  em que afirma que Leandro Luiz Vieira era fazendeiro, lindeiro com a fazenda “Rincão dos Touros”, na região de Vacaria, RS. Sua propriedade ficava na Comarca de Lages, cujo nome, porém,  não é citado no livro.
Filhos de Leandro e Clara Maria:
       I.     CLAUDIANO LUIZ VIEIRA;
    II.     MARIA CRISTINA VIEIRA;
 III.     POLICARPO LUIZ VIEIRA;
 IV.     ANTÔNIO LUIZ VIEIRA;
    V.     HENRIQUETA MARIA VIEIRA;
 VI.     PRUDENTE LUIZ VIEIRA;
VII.     JOAQUINA MARIA DOS SANTOS;
VIII.     MARIA GERTRUDES VIEIRA;
 IX.     ANA JOAQUINA DOS SANTOS;
    X.     JOÃO LUIZ VIEIRA.

Apresentamos abaixo a primeira parte da descrição mais detalhada de cada filho do casal, bem como netos e bisnetos (nos casos em que temos esses dados). A segunda parte da descrição dos filhos será colocada na próxima matéria.

Filhos de Leandro e Clara Maria (descrição detalhada):

I - CLAUDIANO LUIZ VIEIRA, batizado em 08.09.1838, nascido em Lages, SC, em 22.07.1838.

II – MARIA CRISTINA VIEIRA (batizada em 11.05.1848), c.c. Anastácio Gonçalves de Araújo.
Domiciliados em Painel, naquele tempo denominado Quarteirão do Portão.

III – POLICARPO LUIZ VIEIRA (falecido em 1839), c.c. Cândida Domingues Arruda, falecida em 1867.
Domiciliados no Quarteirão do Portão.
        Filhos:
3.1 - Clara Domingues Arruda, batizada em 22.08.1849, c.c. Leandro Vieira de Camargo, filho de Joaquina Mª dos Santos e Manoel Joaquim de Camargo (primos-irmãos);
3.2 – José, batizado em 30.01.1851;               
3.3 – João, batizado em 28.07.1852;
3.4 – Anna, batizada em 18.01.1857;
3.5 – Maria Domingues Vieira, nascida em 1856;
3.6 – Antônio Domingues Vieira, nascido em 1864;
3.7 – Cândido Domingues Vieira, nascido 1866, c.c. Maria Luiza Vieira Ramos.

IV – ANTÔNIO LUIZ VIEIRA, c.c. Felícia Domingues Arruda.
       Filhos:
4.1 – Maria, batizada em 06.05.1853;
4.2 – José, batizado em 21.12.1854;
4.3 – João, batizado em 24.12.1855;
4.4 – Teodora, batizada em 01.06.1857.

V - HENRIQUETA MARIA VIEIRA, c.c. João Domingues Arruda.
Domiciliados no Quarteirão do Portão (Painel), entre e Fazenda da “Ramada” e o Rio Lavatudo.
          Filhos:
5.1 – Manoel;
5.2 – Policarpo Luiz Vieira, c.c. Francisca Emília da Costa, “Chiquinha”, (filha de Laurentino José da Costa e de Prudência Emília da Costa).
Filhos:
5.2.1 – Mário Vieira da Costa;
5.2.2 – Caetano Vieira da Costa;
5.2.3 – Augusto Vieira da Costa, c.c. Ignez Souza Velho.
5.3 – Clara, c.c. José Antônio de Souza,
5.4 – Maria, c.c. João Madruga e Córdova, (Painel)
5.5 – Domingos Honorato, c.c. Maria Antônia Gonçalves de Araújo
5.6 – Antônio, batizado em 20.01.1857, Lages – ascendente de um grande e valoroso         criador de gado Franqueiro em Ponte Alta, SC, Antônio Camargo.

VI – PRUDENTE LUIZ VIEIRA, solteiro em 1850, falecido em 1870, c.c. Maria Tereza Domingues de Arruda.
Filhos:
6.1 – José, nascido em 1857;
6.2 – Leandro, nascido em 1859;
6.3 – Maria, nascida em 1861;
6.4 – Anna, nascida em 1862;
6.5 – Henriqueta, nascida em 1864;
6.6 – Clara, nascida em 1865;
6.7 – Manoel, nascido em 1868.           
  
VII – JOAQUINA MARIA DOS SANTOS, falecida em 1867, c.c. Manoel Joaquim de Camargo.
Filhos:
7.1 – Leandro Vieira de Camargo, nascido em 1845, c.c. a prima-irmã, Clara Domingues Vieira, filha de Policarpo e Cândida. Domicílio: Fazenda “do Carro Quebrado” ( Painel)
7.2 – João, nascido em 1849;
7.3 – Prudente, nascido em 1853;
7.4 – Simeão, nascido em 18855;
7.5 – Cândida, nascida em 1857;
7.6 – Maria, nascida em 1858;
7.7 – José, nascido em 1860;
7.8 – Belizária, nascida em 1862;
7.9 – Antônio, nascido em 1864;
7.10 – Joaquina, nascida em 1867.

VIII – MARIA GERTRUDES VIEIRA, c.c. Luiz José de Oliveira Ramos (“Sênior”), nascido em 1816 e falecido em 1893.
Filhos:
8.1. –Belizária Vieira Ramos (18.08.1844 – 10.12.1939), c.c. Francisco Camargo (01.11.1824 – 20.04.1920);

8.2 – Vidal José de Oliveira Ramos Sobrinho (23.04.1846 – 12.06.1918), c.c. Joaquina Domingues Vieira;

8.3 – Maria Luiza Vieira Ramos, (17.03.1848 – faleceu criança);

8.4 – Leocádia de Oliveira Ramos, (21.11.1850 – 23.05.1878), c.c. Belisário Pinto;

8.5 – Luiz José de Oliveira Ramos Júnior (Major), (21.02.1853 – 29.08.1924), conhecido como “Lica”, c.c. Júlia Batista Ribeiro Ramos, filha do Coronel João Ribeiro e Ismênia Baptista de Souza;

8.6 – José Luiz Vieira Ramos (“Zeca”) – (15.04.1856 - ?), c.c. Clara Araújo.

8.7 – Júlio de Oliveira Ramos (Capitão) – (14.01.1863 - ?),
1º cas. com Josephina Ribeiro da Silva, filha de Manoel Ribeiro da Silva Fº (“Ribeirinho”) e Leucádia Damasceno de Córdova.
2º cas. com Afra Cândida da Costa.

8.8 – Honorato de Oliveira Ramos (02.06.1865 – 12.02.1930),
1º cas. com Carolina .... (falecida em 05.07.1888);
2º cas. com Maria José Rosa (28.11.1871 -  ?) filha de Francisco José da Rosa e Maria do Nascimento da Silva Rosa (ancestrais da Maria do Hori Ribeiro).

8.9 – Maria Luiza Vieira Ramos (07.05.1868 – 27.08.1951), c.c. Cândido Domingues Vieira (27.09.1866 – 10.12.1923), filho de Policarpo Luiz Vieira e Cândida Domingues Arruda.



Continua na próxima matéria...


Referências

COMARCA de São Joaquim da Costa da Serra – SC. Inventário Judicial Roza de Lima Vieira. Livro de nº1, nº390, 1915.

COMARCA de São Joaquim da Costa da Serra - SC. Inventário sem Testamento de Prudente Luiz Vieira. Processo nº501 – Reg. no L2º - fls. 17, 1921.

OLIVEIRA, Sebastião Fonseca. Aurorescer das sesmarias serranas: história e genealogia. Edições EST, 1996.


VIEIRA, Osni de Souza. Dados fornecidos por Osni de Souza Vieira, pesquisador de genealogia das Famílias Vieira, Palma e Souza.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Família Bortoluzzi

Ismênia Ribeiro Schneider
Cristiane Budde

Aproveitamos o aniversário de Geluz Bortoluzzi para resgatar a história genealógica de seus ancestrais paternos, a Família Bortoluzzi. Esta é uma das famílias europeias que se estabeleceu no estado de Santa Catarina, sendo o primeiro ancestral de que temos informações Vittore Bortoluzzi, nascido em Belluno, na Itália.

Vittore Bortoluzzi (nasc. Belluno, Itália), c.c. Domênica Búrigo.
Filho:
F1 - Domênico Bortoluzzi (nasc. Belluno, Itália), c.c. Paolina de Villa.
Filhos[1]:
N1.1 – Giuseppe;
N1.2 – Pietro;
N1.3 – Luigi;
N1.4 – Bórtolo Bortoluzzi (*nasc. 15/10/1833 – Belluno, Itália), c.c. Antonia de March (*nasc. 27/10/1840).
Segundo Sérgio Bortoluzzi, Antonia veio para Santa Catarina grávida do terceiro filho, Humberto, que nasceu poucos dias após a chegada. O autor ainda relata:
“A família Bortoluzzi se localizou, primeiramente, em Azambuja. A 30 Km dali, em 1891, foi fundada a Colônia de Nova Veneza, tendo para lá se transferido a família, onde os três filhos casaram e constituíram família, se dedicando ao ramo da indústria de produtos suínos (salame, socol, carne de porco salgada, banha de porco, torresmo, entre outros) como também ao ramo de beneficiamento de cereais e de madeira trazida “da serra”, localidade de Silveira, onde os Bortoluzzi tinham muitos “milhões” de campos com pinheiros.
Eles estabeleceram, ainda, comércio de gêneros alimentícios em geral, bebidas, implementos agrícolas, fazendas e armarinhos, vestuário, armas e munições. Este tipo de estabelecimento chamava-se de “venda” sendo o supermercado de hoje. Outras vendas foram abertas na região, negociando produtos em toda a região sul de Santa Catarina e inclusive para cidades de outros estados (como Rio de Janeiro, Santos e Recife) onde existiam escritórios dos Bortoluzzi.
A firma chamada inicialmente de Bortoluzzi Irmãos e mais tarde de Indústria e Comércio Bortoluzzi S.A., fundada no início do século XX, cumpriu a sua missão até a década de 1960, contribuindo para o progresso e desenvolvimento de Nova Veneza e proporcionando à família status econômico-social capaz de alavancar um aprimoramento intelectual significativo de seus descendentes hoje, pode-se dizer que a família é constituída por um número significativo de profissionais liberais, não faltando os que se dedicam a profissões do comércio e indústria e que têm grande destaque como a Cerâmica Itagres, de Tubarão, e Unifertil, de Porto Alegre”.


Figura 1 - Filhos de Bórtolo Bortoluzzi e de Antonia de March. Fonte: BORTOLUZZI, Sérgio.

Filhos de Bórtolo Bortoluzzi e Antonia de March1:
BN1.4.1 – Humberto (nasc. Santa Catarina, Brasil);
BN1.4.2 – Giuseppe;
BN1.4.3 – Giovanni Bortoluzzi (nasc. 14/06/1876, Belluno, falec. 30/11/1925, Nova Veneza-SC), c.c. Adélia Pessi (nasc. 27/12/1879 – falec. 1965, Nova Veneza-SC).
Filhos1:
TN1.4.3.1 – Silvio;
TN1.4.3.2 – Mário;
TN1.4.3.3 – Alfredo;
TN1.4.3.4 – Luiz;
TN1.4.3.4 – Flávio;
TN1.4.3.6 – Lauro;
TN1.4.3.7 – Humberto;
TN1.4.3.8 – João;
TN1.4.3.9 – Iracema;
TN1.4.3.10 – Antonia (Nilza);
TN1.4.3.11 – Hugo Bortoluzzi (nasc. 03/05/1909, Nova Veneza, falec. 28/11/1992, Florianópolis), c.c. Olga Palma (nasc.  21/12/1916, São Joaquim, SC – falec. 18/03/1989, Florianópolis).
Olga é filha de Antonio Palma (nasc. 03.06.1891, em São Joaquim, livro 11 – fls. 44v) e de Belmira Rodrigues Palma (Lotinha). Mais informações sobre a família de Olga em:

Hugo e Olga tiveram 4 filhos:
TTN1.4.3.1 – Murilo Antonio Palma Bortoluzzi (nasc. 10/10/1937 – falec. 20/04/1954).

TTN1.4.3.2 – João Roxinaldo Bortoluzzi (*29/10/1939), casado com Regina Guardiola Bortoluzzi. 
Têm 3 filhos:
PNT1.4.3.2.1 - Roger Guardiola Bortoluzzi (*12/10/1971), casado com Silvia Helena Manfrin Bortoluzzi. Filha: Maria Eduarda Manfrin Bortoluzzi (*19/10/2008).
PNT1.4.3.2.2 - Mauro Guardiola Bortoluzzi (*18/04/1973), casado com Luciane Távora Bortoluzzi. Filha: Fernanda Távora Bortoluzzi (10/10/2004).
PNT1.4.3.2.3 - Fernando Guardiola Bortoluzzi (*29/12/1976).

TTN1.4.3.3 – Gerson Fausto Bortoluzzi (*26/10/1944), casado com Sônia Helena Neves Bortoluzzi.
Têm 2 filhos:
PNT1.4.3.3.1 - Alexandre Neves Bortoluzzi, casado com Ana Lúcia Boaventura Rocha. Filho: Heitor Rocha Bortoluzzi (*16/05/2009).
PNT1.4.3.3.2 - Juliana Neves Bortoluzzi, casada com Juliano Marca.

TTN1.4.3.4 – Geluz Palma Bortoluzzi (*17/03/1946), solteira.


Agradecemos a Gerson Fausto Bortoluzzi, que nos forneceu os dados genealógicos.


Referências

Dados fornecidos por Gerson Fausto Bortoluzzi.

BORTOLUZZI, Sérgio. Família Bortoluzzi. Itália Catarinense, 2016. Disponível em: http://italiacatarinense.com.br/?q=node/56. Acesso em: 17/03/2016.



[1] Os filhos não aparecem, necessariamente, em ordem de nascimento, pois se desconhece as datas da maioria dos nascimentos. Além disso, optou-se por esse modo de organização, para ficar mais fácil a compreensão dos dados.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Os mitos gregos e o nome Ismênia – Parte II

Ismênia Ribeiro Schneider
Cristiane Budde

Na matéria anterior, apresentamos um pouco da história de Sófocles e o resumo de “Édipo Rei”. Nesta postagem, seguimos com a sinopse das peças de “Édipo em Colono” e “Antígona”, destacando o papel de Ismênia, uma das filhas de Édipo.

Édipo em Colono

A filha Antígona guia Édipo, já com idade avançada, em seu exílio. Os dois caminham sem um rumo certo e chegam a Colono. Encontram um habitante local e Édipo solicita que chamem o governante do lugar, Teseu, rei de Atenas. O habitante deseja saber porquê e Édipo afirma que se o rei lhe ajudar um pouco, lucrará muito.
O habitante diz que, primeiramente, consultará os cidadãos de Colono, e eles decidirão se o pai e a filha devem partir ou se podem ficar ali. Chegam os anciãos, que desejam saber sua identidade. Édipo reluta em dizer: “Não indagues quem sou, não vasculhes, nem explores mais!”. Os anciãos, contudo, insistem em saber. Édipo revela quem é, e eles pedem então que Édipo vá embora. Antígona tenta intervir, ao que os anciãos respondem que se apiedam dos dois, mas que temem as ações divinas. Dizem que quem deve decidir se Édipo pode ficar no local é o rei.
Uma mulher se aproxima de Antígona e de seu pai. Logo, ela reconhece a irmã Ismênia. Ela fala que veio cuidar do pai e trazer notícias. Assim, informa que os irmãos, Polinices e Etéocles, estão fazendo uma disputa atroz para tomar o poder e o domínio real de Tebas. Etéocles, mais jovem, priva o trono de Polinices e o expulsa da pátria. Este, segundo rumores, foi para Argos e fez uma aliança para tomar a Planície Cadméia.
Além disso, Ismênia diz que os tebanos procurarão Édipo um dia, morto ou vivo, por causa de prosperidade: “Dizem que o poder deles está em ti. [...] agora os deuses te elevam, antes te arruinavam”. A filha diz que sabe disso por previsões do oráculo e ainda o adverte que, em breve, Creonte tentará levá-lo. Édipo responde que jamais dominarão sobre ele e pergunta se seus filhos sabem o que ela acabou de contar. Ismênia diz que sim, ambos sabem.
Édipo afirma que nenhum dos dois terá seu apoio e justifica: “Passado um tempo, quando a dor toda abrandara e compreendi que minha alma se excedera ao punir em excesso os erros anteriores, naquele instante, então, a cidade me bania de minha terra à força e eles, filhos deste pai, ao pai não podendo ajudar, não quiseram agir e, por falta de uma breve palavra deles, fui exilado, mendicante, e pus-me a vagar para sempre. Por obra dessas duas [Antígona e Ismênia], que são moças, o quanto a natureza lhes permite, tenho meio de vida, segurança na terra e o socorro da família. Mas os dois ao pai preferem apoderar-se do trono e do cetro e reinar sobre o país. Mas nunca ter-me-ão como aliado e nem deste reinado em Tebas lhe virá proveito. Eu sei disso após ouvir dela os oráculos e após refletir nas profecias preditas para mim que Febo enfim cumpriu. Por isso, que enviem Creonte para me buscar e quem mais tiver força na cidade. Se vós, estrangeiros, desejardes, unidos a estas deusas augustas, tutelares do demo, dar-me-ão proteção, obtereis um grande salvador para esta cidade e, para os inimigos, pesares”.
Os anciãos, ao ouvir tais palavras de Édipo, lhe aconselham a realizar um ritual de purificação, que Ismênia se propõe a fazer, pois o pai diz não ter capacidade, por não enxergar e não ter forças suficientes. Ismênia parte para realizar os ritos.
Chega, então, o rei Teseu: “Após ouvir de muitos, no passado, sobre a sangrenta mutilação de teus olhos, reconheço-te, ó filho de Laio, e agora, ao ver-te nestas vias, estou certo. Pois as vestes e a desditosa face nos revelam quem és e, por te lamentar, quero interrogar, Édipo infausto, com que súplica vens a mim e à cidade, tu e a infausta que te acompanha. Declara! Pois só se mencionasses alguma ação terrível demais eu recuaria. Sei que, como tu, eu mesmo fui educado no exílio e, sendo um só homem em terra estranha, enfrentei perigos, pondo em risco minha vida, de modo que não poderia evitar socorrer ninguém que fosse estrangeiro como tu és agora. Sei que sou homem e que do amanhã não cabe maior parte a mim do que a ti”.
Édipo diz que responderá em poucas palavras: “Venho para te ofertar meu mísero corpo. Não é um dom precioso pela aparência, mas seu valor é melhor que uma bela forma”. Ele afirma que seu valor se apresentará quando morrer e for sepultado por Teseu. Em troca, pede proteção ao rei, para que não o deixem levar de volta a Tebas. Teseu concorda e garante que nenhum homem o levará à força.
Creonte chega a Colono e com palavras benévolas tenta convencer Édipo a retornar para sua pátria. Édipo acusa-o de ter uma boca falaciosa, e se recusa a partir. Creonte ameaça-o e diz que já raptou uma de suas filhas e que em breve levará também a outra. Assim, arranca Antígona da companhia do pai e diz: “Apoiado sobre estes dois esteios [Ismênia e Antígona] não mais caminharás.” Os soldados que acompanhavam Creonte levam Antígona.
Em meio à confusão, Teseu é chamado. Ao saber do ocorrido, proíbe Creonte de sair da cidade sem devolver as filhas de Édipo. Afirma que seguirá Creonte até o esconderijo em que estão Antígona e Ismênia, e que as trará de volta à companhia do pai. Édipo agradece e diz que deseja ver Teseu premiado pela nobreza e pelo empenho justiceiro demonstrados.
Édipo permanece em Colono e Teseu acompanha Creonte para recuperar Antígona e Ismênia. Teseu consegue o prometido e retorna com as duas filhas de Édipo. Ademais, o rei diz ter ouvido rumores de que um parente de Édipo desejava falar-lhe, e que, por isso, oferecia um sacrifício ao deus Poseidon[1]: “Dizem que ele pretende obter algo de ti e logo partirá sem se expor a perigos”.
Édipo pergunta quem poderia querer-lhe um favor, ao que Teseu responde: “Medita um pouco: não terás algum parente em Argos, ansioso por certo favor?”. Neste momento Édipo percebe que quem deseja lhe falar é seu filho, Polinices, cuja voz agora lhe parece insuportável. Contudo, Teseu e Antígona convencem-no de pelo menos conceder um encontro ao filho.
Polinices chega sozinho, às lágrimas. Dirigindo-se a Édipo, fala que ficou sabendo muito tarde da condição em que se encontrava seu pai, e que, por não cuidar dele, provou ser o pior dos homens. Lamenta, ainda, não ser possível corrigir faltas passadas. O filho espera uma resposta do pai, que se mantém calado. Polinices pede que Édipo lhe diga alguma coisa, então Antígona solicita que o irmão informe o motivo pelo qual veio.
Polinices anuncia: “Fui banido de minha terra e me exilei por ter querido como filho primogênito subir ao trono e reinar soberanamente. Por isso Etéocles, apesar de mais jovem, expulsou-me de minha pátria sem tentar persuadir-me graças a bons argumentos e sem mostrar-se mais valente e poderoso, somente por haver seduzido a cidade. Parece-me que a causa dessa usurpação foi antes de mais nada a tua maldição, como também revelam os próprios oráculos. Chegando a Argos dórica tornei-me genro de Ádrasto e consegui formar na terra de Ápis, mediante juramento, um grupo de guerreiros considerados os primeiros em bravura e honrados como tais. Organizei com eles um grande exército de sete contingentes, e à sua frente pus-me em marcha contra Tebas, disposto a expulsar de lá os responsáveis pela brutal usurpação ou a morrer por uma causa inexcedivelmente justa. Continuando, por que vim até aqui? Para fazer-te como suplicante, pai, uma prece em meu próprio nome e ao mesmo tempo em nome de meus aliados  que sitiam agora mesmo, com seus sete contingentes e sete chefes, Tebas e sua planície. [...] E todos nós, por estas tuas filhas, pai, e até por tua vida, juntos imploramos que diminuas o grave ressentimento contra teu filho no momento da partida para vingar-se de um irmão usurpador que o despojou de sua pátria. Se devemos dar crédito aos oráculos, o vencedor será aquele que obtiver o teu apoio. Agora, então, por nossas fontes, pelos deuses de nossa raça, ouve, cede à minha súplica! Que sou aqui? Simples pedinte, um exilado, como tu mesmo um estrangeiro. Ambos tivemos destino igual, sempre lisonjeando os outros. Etéocles, muito ao contrário, atualmente — ah! infeliz de mim! — é rei em nosso trono e zomba vaidosamente de nós dois. Mas, se eu contar com teu apoio em meus propósitos, dentro de pouco tempo e com pouca fadiga poderei dispersar aos ventos suas cinzas. Em seguida regressarás ao teu palácio, e a ele voltarei também, logo depois de o forçar a deixá-lo. Se for teu desejo, já posso alardear triunfo, mas sem ti não sei sequer se sobreviverei à luta.”
Édipo contrapõe que, se não fosse pelo pedido de Teseu, nem ouviria a voz do filho. Responde: “Perverso, que quando tiveste o cetro e o trono usufruídos hoje por teu próprio irmão em Tebas, expulsaste, tu mesmo, teu pai e o transformaste simplesmente num apátrida coberto por estes andrajos cujo aspecto te leva às lágrimas [...]. É tua a culpa se vivo nesta miséria, pois me expulsaste, e se levo uma vida errante de mendigo pedindo o pão de cada dia, tu és a causa. E se eu não tivesse gerado estas meninas a quem devo o meu sustento, e dependesse só de ti para viver, já estaria morto. [...] Ouve bem: jamais poderá conquistá-la [Tebas]; antes morrerás sangrentamente e teu irmão cairá contigo. É esta a maldição que vos lancei há tempo e reitero agora para a vossa ruína, pois só assim achareis justa a reverência em relação a quem vos deu a existência e injusto o menosprezo por vosso pai cego que vos gerou assim; estas duas meninas, ao contrário, não se portaram como vós. Por isso minhas maldições serão mais fortes que tuas súplicas e que teu trono e cetro, se a imemorial Justiça está sentada de fato ao lado das antigas leis de Zeus. Vai-te embora daqui, coberto de vergonha, filho sem pai, o mais perverso dos perversos, levando as maldições que chamo contra ti. Queiram os deuses que jamais a tua lança possa vencer a terra que te viu nascer! Queiram eles também que nunca mais regresses a Argos rodeada de muitas colinas, e que, ferido pela mão de teu irmão usurpador, morras e ao mesmo tempo o mates! [...] Ouviste-me; retira-te e vai revelar a todos os cadmeus e aos seus bons aliados quais são os privilégios que neste momento Édipo está atribuindo aos seus dois filhos!”.
O filho lamenta as palavras do pai e afirma que só lhe resta enfrentar o seu destino. Pede que as irmãs não o afrontem e que, caso a maldição se concretize, que elas façam seu sepulcro e as honras fúnebres. Assim, Polinices parte para encontrar a sua tropa e marchar à Tebas. Revela à irmã, que tenta persuadi-lo a desistir do ataque, que não informará o seu insucesso e nem as previsões de Édipo a ninguém; se tiver de morrer, assim será, mas ele não recuará para um futuro vergonhoso e humilhante.
Ouvem-se trovões, e Édipo, afirmando que seu fim está próximo, solicita que as filhas chamem Teseu. O rei chega e Édipo diz: “Agora vou mostrar-te sem guia nenhum o pedaço de terra onde devo morrer. Em tempo algum, porém, poderás revelar a qualquer outro homem o lugar oculto, nem mesmo a região onde ele se situa, se queres que eu te envie no futuro ajuda igual à de escudos e lanças incontáveis mandados por vizinhos para socorrer-te. Conhecerás mais tarde o mistério sagrado lá no local, só tu, pois nem eu mesmo posso transmiti-lo a nenhum de teus concidadãos, nem às minhas próprias crianças, apesar do meu amor por elas. Terás de guardá-lo por toda a vida, e na hora de tua morte confia-o somente ao súdito mais digno, para que por seu turno ele o revele um dia a um sucessor fiel e assim se faça sempre. Desta maneira manterás a tua pátria ao abrigo das incursões devastadoras dos soldados de Tebas.”
Édipo começa a caminhar sem um guia, em busca do local sagrado que seu corpo deve ser sepultado. Todos que estão presentes o seguem. Ele afirma: “Não me esqueçais, porém, nos vossos dias prósperos, mesmo depois de minha morte, se quiserdes ser venturosos para sempre, todos vós!”. Solicita também que Teseu auxilie suas filhas e não as abandone voluntariamente.
Por fim, pede que as filhas e a comitiva que os acompanhava o deixem sozinho com Teseu, que deve ser o único a presenciar os fatos. Após breve tempo, eles se voltam para trás e percebem que Édipo não estava mais presente. Assim, um mensageiro, ao comunicar a morte de Édipo, afirma: “Quando nos afastávamos, logo depois, olhamos para trás e notamos que Édipo já não estava lá; vimos somente o rei com as mãos no rosto para proteger os olhos diante de alguma visão insuportável. Pouco depois — quase no mesmo instante — vimo-lo fazendo preces e adorando juntamente a terra e o divino Olimpo com seus gestos. Mas nenhum dos mortais, salvo o próprio Teseu, pode dizer como Édipo chegou ao fim”.
Antígona e Ismênia lamentam a morte do pai e solicitam que Teseu as leve até o local do sepulcro. O rei, contudo, diz-lhe que isto é interdito, que o próprio Édipo lhe demandou que ninguém conhecesse e fosse até o lugar. Elas compreendem o pedido do pai, e pedem para que Teseu as leve para Tebas, com o intuito de tentar impedir as previsões destinadas aos seus irmãos.
[Fim de Édipo em Colono]

Antígona

Antígona e Ismênia encontram-se em frente ao palácio real de Tebas, no dia seguinte à derrota do exército de Argos, comandado por Polinices. Antígona pergunta à irmã se ela já sabe do novo decreto que Creonte, então rei de Tebas, promulgou. Ismênia diz que não: “Sobre os amigos não ouvi notícia alguma, Antígona, fosse agradável, fosse triste, desde que nos levaram nossos dois irmãos mortos no mesmo dia um pela mão do outro. Já desapareceram os soldados de Argos durante a noite recém-finda, e mais não sei, nem mesmo se sou mais feliz ou infeliz”.
Antígona esclarece à irmã o decreto: “Pois não ditou Creonte que se desse a honra da sepultura a um de nossos dois irmãos enquanto a nega ao outro? Dizem que mandou proporcionarem justos funerais a Etéocles com a intenção de assegurar-lhe no além-túmulo a reverência da legião dos mortos; dizem, também, que proclamou a todos os tebanos a interdição de sepultarem ou sequer chorarem o desventurado Polinices: sem uma lágrima, o cadáver insepulto irá deliciar as aves carniceiras que hão de banquetear-se no feliz achado. Esse é o decreto imposto pelo bom Creonte a mim e a ti (melhor dizendo: a mim somente); vê-lo-ás aparecer dentro de pouco tempo a fim de alardear o edito claramente a quem ainda o desconhece. Ele não dá pouca importância ao caso: impõe aos transgressores a pena de apedrejamento até a morte perante o povo todo. Agora sabes disso e muito breve irás tu mesma demonstrar se és bem-nascida ou filha indigna de pais nobres”.
Assim, o corpo de Polinices permanece insepulto, vigiado por guardas do rei, que não devem ter piedade para com aqueles que infringirem as ordens. Ismênia questiona o que ela poderia fazer frente a isso, e Antígona diz que ela deve decidir se a ajudará a sepultar o irmão. Antígona afirma que não trairá Polinices e que Creonte não pode impedi-la de abandonar os seus. Ismênia pede que a irmã reconsidere, pensando no destino que tiveram seu pai, mãe e irmãos, e também na morte que terão caso desobedecerem às leis do rei. Ela diz que pede clemência aos seus mortos enterrados, mas que prefere, ainda que constrangida, obedecer às ordens dos governantes.
Antígona ignora o conselho da irmã: “Não mais te exortarei e, mesmo que depois quisesses me ajudar, não me satisfarias. Procede como te aprouver; de qualquer modo hei de enterrá-lo e será belo para mim morrer cumprindo esse dever: repousarei ao lado dele, amada por quem tanto amei e santo é o meu delito, pois terei de amar aos mortos muito, muito tempo mais que aos vivos. Eu jazerei eternamente sob a terra e tu, se queres, foge à lei mais cara aos deuses”.
Ismênia nega fugir das leis divinas, afirma apenas não querer se opor a seus concidadãos. Apesar de não se propor a auxiliar a irmã, garante que não contará nada sobre os seus atos. Antígona, contudo, manda-a contar a todo mundo, e que, se não o fizer, odiará ainda mais a irmã.
As irmãs vão embora para lados opostos e Creonte aparece frente ao palácio real para comunicar a quem ainda não sabe o seu decreto. Discursa sobre Tebas e a importância do amor à pátria acima das amizades, e então pronuncia: “que Etéocles, morto lutando pela pátria, desça cercado de honras marciais ao túmulo e leve para o seu repouso eterno tudo que só aos mortos mais ilustres se oferece; mas ao irmão, quero dizer, a Polinices, que regressou do exílio para incendiar a terra de seus pais e até os santuários dos deuses venerados por seus ascendentes e quis provar o sangue de parentes seus e escravizá-los, quanto a ele foi ditado que cidadão algum se atreva a distingui-lo com ritos fúnebres ou comiseração; fique insepulto o seu cadáver e o devorem cães e aves carniceiras em nojenta cena. São estes os meus sentimentos e jamais concederei aos homens vis maiores honras que as merecidas tão somente pelos justos. Só quem quiser o bem de Tebas há de ter a minha estima em vida e mesmo após a morte”.
Chega um guarda que, titubeante, comunica: “O morto… alguém há pouco o sepultou e foi-se embora; apenas pôs alguma terra seca recobrindo as carnes e praticou deveres outros de piedade [...] Não conseguimos ver marcas de pás, nem sulcos feitos por enxada; o chão estava bem liso, duro e seco, sem sinais de rodas; o autor da ação é desses que não deixam pistas. Quando o vigia da manhã nos alertou para o acontecido, uma surpresa triste tomou conta de nós; não víamos o morto, embora ele não estivesse bem sepulto, pois era muito pouca a terra que o cobria, como se fosse posta pela mão de alguém querendo apenas evitar um sacrilégio”.
Creonte acusa os guardas de terem sido corrompidos e subornados por pessoas que não querem se submeter a ele como rei. Pronuncia que se o responsável não for descoberto, a morte não será pena suficiente para os guardas: “sereis dependurados todos, inda vivos, até que alguém confesse o crime!”. O guarda parte afoitamente.
O mesmo guarda retorna pouco tempo depois, trazendo Antígona e afirmando que ela foi surpreendida finalizando o funeral de Polinices. Creonte questiona se o guarda tem certeza do que disse e o que os guardas a viram fazendo, ao que ele responde: “O fato aconteceu assim: quando voltamos, com aquelas tuas ameaças horrorosas pesando sobre nós, tiramos toda a terra que recobria o corpo e cuidadosamente despimos o cadáver meio decomposto; então nós nos sentamos no alto da colina, tendo a favor o vento para que o fedor não viesse contra nós. Estava cada um bem acordado e se esforçava por manter alerta o seu vizinho com descomposturas, se alguém se descuidava da tarefa dura. Assim passou o tempo até que o sol brilhante chegou a meio céu em sua caminhada e começou a nos queimar com seu calor; nesse momento um vento repentino e forte soprou em turbilhão — celeste turbulência — pela campina toda, desfolhando as árvores das redondezas. O ar em volta escureceu e para suportar o flagelo divino tivemos de fechar os olhos. Ao cessar aquilo, muito tempo após, vimos a moça; ela gritava agudamente, como um pássaro amargurado ao ver deserto o caro ninho, sem suas crias. Ela, vendo o corpo nu, gemendo proferiu terríveis maldições contra quem cometera a ação; amontoou com as mãos, de novo, a terra seca e levantando um gracioso jarro brônzeo derramou sobre o cadáver abundante libação. Corremos quando vimos aquele espetáculo e todos juntos seguramo-la, mas ela não demonstrou estar com medo; então pusemo-nos a interrogá-la sobre o seu procedimento passado e atual; para alegria minha, e dó ao mesmo tempo, ela nada negou. É bom livrarmo-nos de males mas é triste lançar amigos nossos na infelicidade. Mas, isso tudo para mim neste momento importa menos do que a minha salvação”.
Creonte interroga Antígona sobre o ocorrido e ela confirma que sepultou o irmão seguindo as leis divinas, que são eternas, irrevogáveis, ninguém sabe desde quando vigoram. Ainda proclama que não teme o poder de homem algum e nem mesmo a morte, devido às desgraças que vive.
O rei diz não poder deixar o ato impune, se o fizesse, não seria mais um homem. Acusa então Ismênia de também ter premeditado o sepultamento. Manda-a chamar, lembrando que a viu há pouco no palácio, fora de si. Comenta que muitas vezes isso é indício de alguém que pensa em realizar um ato perverso e acaba sendo traído pela própria mente antes de realiza-lo.
Ismênia, às lágrimas, chega trazida por guardas reais. Ao ser questionada sobre sua participação no enterro, ela confirma que praticou a ação e é cúmplice no ato, aceitando as consequências. Antígona, porém, nega: “Mas nisso não terás o apoio da Justiça, pois nem manifestaste aprovação à ideia nem eu te permiti participar da ação”. Diz ainda que os mortos e Hades bem sabem quem fez tudo e que não quer a companhia da irmã em sua morte.
Ismênia pergunta como poderá viver sem a irmã, ao que Creonte responde: “Não fales mais nela, ela, é como se já não vivesse”. Ela devolve com outra pergunta: “Ordenarás tu que pereça a noiva de teu filho?”. O rei afirma que existem outros campos que se filho, Hémon, pode cultivar. Ordena que as duas sejam levadas e não andem mais em liberdade.
Hémon, ao saber do ocorrido, expõe seus argumentos e tenta convencer o pai de que o povo de Tebas não vê Antígona como uma criminosa. Creonte, contudo, acusa-o de se pôr a serviço de uma mulher e esbraveja que o filho nunca desposará essa mulher em vida. Ao que Hémon responde: “Ela morrerá, eu sei. Mas a sua morte há de causar outra!”. O filho vai embora, e diz que o pai nunca mais o verá, e que ele deve descarregar seus furores sobre os que a isso se sujeitarem.
Creonte resolve poupar Ismênia da morte, pois ela nada fez. Já Antígona, ele ordena que seja encarcerada em um túmulo subterrâneo, viva, com “alimento suficiente para que a cidade não seja maculada pelo sacrilégio”. Assim, ela é levada pelos guardas. O profeta Tirésias, contudo, adverte Creonte sobre os males que estão presentes e os que virão diante do que ele fez com Polinices e Antígona: “é por tua causa, por tuas decisões, que está enferma Tebas. Nossos altares todos e o fogo sagrado estão poluídos por carniça do cadáver do desditoso filho de Édipo, espalhada pelas aves e pelos cães; por isso os deuses já não escutam nossas preces nem aceitam os nossos sacrifícios [...]. Pensa, então, em tudo isso, filho. Os homens todos erram mas quem comete um erro não é insensato, nem sofre pelo mal que fez, se o remedia em vez de preferir mostrar-se inabalável; de fato, a intransigência leva à estupidez. Cede ao defunto, então! Não firas um cadáver! Matar de novo um morto é prova de coragem? Pensei só no teu bem e é por teu bem que falo. Convém ouvir a fala do bom conselheiro se seus conselhos são para nosso proveito”.
Apesar do conselho, o rei reluta em aceitar. Assim, Tirésias profere: “Então fica sabendo, e bem, que não verás o rápido carro do sol dar muitas voltas antes de ofereceres um parente morto como resgate certo de mais gente morta, pois tu lançaste às profundezas um ser vivo e ignobilmente o sepultaste, enquanto aqui reténs um morto sem exéquias, insepulto, negado aos deuses ínferos. Não tens, nem tu, nem mesmo os deuses das alturas, tal direito; isso é violência tua ousada contra os céus! Estão por isso à tua espreita as vingativas, terríveis Fúrias dos infernos e dos deuses, para que sejas vítima dos mesmos males. [...] Num tempo não muito distante se ouvirão gemidos de homens e mulheres de teu lar”.
Creonte fica preocupado com a previsão de Tirésias e resolve sepultar Polinices e libertar Antígona. Sai do palácio para realizar ele mesmo as ações e evitar que as palavras de Tirésias se concretizem.
Um mensageiro, entretanto, chega em frente ao palácio para e comunica à Eurídice, mãe de Hémon e esposa de Creonte, que seu filho morreu depois de ferir a si mesmo, furioso com seu pai, devido à morte de Antígona. A esposa do rei solicita que ele explique o que aconteceu. O mensageiro diz que acompanhou Creonte, que eles fizeram o rito de sepultamento de Polinices e seguiram para a caverna de pedra onde Antígona foi deixada. No fundo do túmulo estava ela, que tinha se enforcado com os cadarços de sua cintura. Hémon chorava a morte daquela que teria sido a sua esposa. O rei pediu que o filho saísse da caverna, mas ele lhe cuspiu no rosto e tentou lhe atingir com a espada. Não conseguindo, voltou a espada contra si mesmo e cravou-a no peito, abraçando-se a Antígona.
Eurídice fica em silêncio e entra no palácio. O mensageiro a segue e a encontra morta. Ela, voluntariamente, feriu-se com um punhal. Creonte chega ao palácio com Hémon nos braços e encontra sua esposa, já sem vida. Culpa-se, então, pelo ocorrido e afirma não querer ver clarear outro dia, ao que o Coro responde: “Não formules desejos... Não é lícito aos mortais evitar as desgraças que o destino lhes reserva”.
[fim de Antígona]

Finalizamos assim a história dos três dramas gregos, escritos por Sófocles, que descrevem a vida e as tragédias de Édipo e de seus filhos Polinices, Etéocles, Antígona e Ismênia. Esta última, apesar de auxiliar o pai ao longo da obra “Édipo em Colono”, na peça “Antígona”, apresenta uma posição de passividade e obediência às leis humanas, negando-se a ajudar a irmã a sepultar Polinices.         A personagem desempenha um papel predominantemente secundário e de submissão, como pode ser observado no diálogo com Antígona: “Não se esqueça que somos mulheres e não poderemos lutar contra os homens. O Rei é o Rei. [...] Eu me inclinarei diante da força. É loucura empreender mais do que se pode”. Contudo, Ismênia propõe-se a morrer junto com a irmã quando os guardas descobrem que ela enterrou o irmão. Antígona a impede, esclarecendo ao rei que ela nada fez. Assim, Ismênia sobrevive, mas acaba “condenada” a viver sozinha, sem seus pais e irmãos.
Apesar de seu papel mais secundário, o nome Ismênia foi o que se perpetuou na cultura da Serra Catarinense, sendo um nome recorrentemente usado, em especial em Lages e São Joaquim. Entretanto, não se sabe como o nome teria surgido na região, sendo utilizado até a atualidade. Sabe-se, somente, que o nome foi empregado muitas vezes como uma homenagem a uma ancestral querida, como foi Ismênia Pereira Machado (Ismênia Palma), casada com Inácio Palma, e que com ele se tornou o casal mítico dessa família. Porém, desconhece-se a origem de tal tradição e qual teria sido a primeira Ismênia que residiu na região.

Referências

SÓFOCLES. A Trilogia Tebana. Édipo Rei, Édipo em Colono, Antígona. Tradução do grego, introdução e notas: Mário da Gama Kury, 15ª reimpressão. Editora Zahar, 1989. http://www.colegiopodium.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/02/sofocles-trilogia-tebana.pdf. Acesso em: 18 de fevereiro de 2016.

SÓFOCLES. Antígona. Tradução de J. B. de Mello e Souza. Versão para eBook EbookBrasil.com. Digitalização do livro Clássicos Jackson, vol. XXII, 2005.

ZANIRATTO, C. P. Tradução, comentário e notas de Édipo em Colono de Sófocles. Dissertação de mestrado, Universidade Estadual de Campinas, SP, 2003. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000325173.



[1] Poseidon: rei dos mares.