quinta-feira, 18 de março de 2021

Fitoterápicos Tia Lota

Carlos Solera

Eleni Cássia Vieira

Ismênia Ribeiro Schneider

Cristiane Budde

Daniela Ribeiro Schneider

 

            Na matéria anterior, tratamos sobre a Rua Arlindo Pereira de Sousa, logradouro charmoso, que, apesar de pequeno, abriga espaços importantes para a cultura e a história de Urupema (SC). São eles: Fitoterápicos Tia Lota e Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza.

 

Nota: Veja a matéria sobre a Rua Arlindo Pereira de Sousa em: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2021/02/rua-arlindo-pereira-de-sousa-urupema-sc.html

 


            Nesta matéria, vamos apresentar um pouco sobre o início do projeto de Fitoterápicos de Urupema e sobre o novo espaço de produção e distribuição: Fitoterápicos Tia Lota.

            Na próxima edição, finalizaremos a matéria sobre esta rua, com a apresentação da Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza, que reabriu as portas ao público em 15 de outubro de 2020, numa homenagem ao Dia do Professor.

 

 

Fitoterápicos Tia Lota – Urupema/SC

Texto de Luzia Fabre Pagani Paes - Manipuladora de Fitoterápicos

Carlos Solera e Eleni Cássia Vieira[i]

 

A ideia do projeto de produção dos Fitoterápicos em Urupema surgiu em março de 1997, através de iniciativa da extensionista do escritório local da EPAGRI, Lena Maria da Rosa de Souza, que em reuniões em seu grupo de trabalho, conheceu a possibilidade de aproveitamento de produtos naturais para fins de atividades terapêuticas. Ela buscou formas de como se poderia realizá-lo e as apresentou ao prefeito da época, Áureo Ramos de Souza, que apoiou a proposta.

Foi convidado então o professor e farmacêutico Sergio Lobato, de Balneário Camboriú, que veio a Urupema e durante três dias realizou trabalhos demonstrativos junto a um grupo de convidados da comunidade local, mostrando como a produção acontecia. Ensinou técnica para desidratação de ervas para chás, como fazer tinturas, pomadas, sabonetes e xaropes, ressaltando também as indicações de cada produto elaborado.

Em agosto de 1997, teve início o projeto “Plantas Medicinais”, dentro da Unidade Básica de Saúde (UBS) municipal, com a elaboração de produtos elencados aos trabalhos demonstrativos. Como proposição, o projeto visava o atendimento da comunidade de Urupema de forma mais natural, eficaz e com menor custo.

Uma das participantes das atividades iniciais, Luzia Fabre Pagani Paes, foi convidada a ser responsável pela manipulação dos fitoterápicos, função que após diversos cursos de capacitação profissional, desenvolve até hoje, já como funcionária da administração pública local. 

 

Luzia Fabre Pagani Paes em seu local de trabalho.

 

Mais tarde, com a transferência de Lena Maria para outro local de trabalho, assumiu o projeto Lilian Sbecker Rodrigues, também extensionista da EPAGRI local, que deu continuidade aos trabalhos já realizados.  

E na medida em que a população foi conhecendo o que estava sendo desenvolvido e os bons resultados alcançados, uma grande procura pelos produtos fitoterápicos começou a surgir. Isso fez com que o projeto se consolidasse até os dias atuais e com grande aceitação, faz parte da vida dos urupemenses. 

Carolina Arruda Andrade, a tia Lota, moradora no bairro rural do Cedro e a época, conhecida pessoa na comunidade pela recomendação de seus remédios caseiros, tornou-se voluntária dos trabalhos e vinha auxiliar quando podia ou era chamada. 





 

Horto Municipal de Urupema


O município conta com um horto municipal de onde vem a maiorias das ervas manipuladas na produção de fitoterápicos. Localizado junto ao Parque de Exposições João Pinto de Arruda, na rodovia SC 439 km 25, foi implantado no ano de 1990, com finalidade inicial de produzir somente mudas de pinus e eucalipto para distribuição gratuita aos produtores rurais de Urupema[ii]. Mas, com o começo do projeto de Fitoterápicos, teve início ali também o cultivo de plantas medicinais.

O horto conta com 400 m² ao ar livre, é cercado por estufas de proteção devido ao forte frio, possui irrigação própria programada, adubação orgânica etc. Produz plantas medicinais, árvores nativas, não nativas, flores e hortaliças que são distribuídas gratuitamente à população. Atualmente produz 25 espécies de plantas medicinais, que são cultivadas, colhidas, e após processo técnico de produção fitoterápica, embaladas por servidores municipais para distribuição gratuita à populaçãoii. 

 


Na unidade municipal de Fitoterápicos são preparados e gratuitamente distribuídos (ato que recebe o nome de “dispensados”): Xarope, Tintura, Chá, Pomada e Sabonete, sendo esta a produção do ano 2019:

      Chá -     10.939 unidades;

      Xarope -  3.799 unidades;

      Tintura -  4.016 unidades;

      Pomada - 3.489 unidades;

      Sabonete -  319 unidades.

 Com cerca de 120 pessoas atendidas por mês, os mais procurados são a Tintura de Boldo, Chá de Capim Limão, Pomada de Calêndula e Sabonete de Alecrim.

 



Desde fevereiro de 2020, a unidade de produção e distribuição dos fitoterápicos em Urupema, que conta também em sua equipe profissional com a presença da farmacêutica Bruna Andrade Wrubleisch, está em espaço novo e específico à rua Arlindo Pereira de Souza, denominado: Fitoterápicos Tia Lota.

Merecida homenagem ao seu trabalho voluntariado junto a nossa comunidade.

 


Nota: Para conhecer mais sobre o uso popular de plantas medicinais e o horto municipal de Urupema, leia o artigo (monografia):

PAGANI, Claudia Arruda; SILVA, Bruna Fernanda. Uso popular de plantas medicinais no tratamento da ansiedade. Monografia (Aperfeiçoamento/Especialização em Desenvolvimento Regional Sustentável), Universidade do Planalto Catarinense, 2016. Disponível em: http://www.uniedu.sed.sc.gov.br/wp-content/uploads/2017/09/Claudia-Arruda-Pagani.pdf 




Notas e referência:

 [i] Com pequenos ajustes de Ismênia Ribeiro Schneider, Cristiane Budde e Daniela Ribeiro Schneider.

 [ii] PAGANI, Claudia Arruda; SILVA, Bruna Fernanda. Uso popular de plantas medicinais no tratamento da ansiedade. Monografia (Aperfeiçoamento/Especialização em Desenvolvimento Regional Sustentável), Universidade do Planalto Catarinense, 2016. 

Nota de Pesar: Registramos aqui a nossa homenagem e gratidão ao amigo Áureo Ramos de Souza, falecido em 15/03/2021. Ex-vereador pelo distrito de Urupema em São Joaquim, um dos líderes do movimento emancipacionista do distrito, primeiro prefeito de Urupema na gestão 1989 a 1992 e novamente prefeito na gestão 1997 a 2000. Dentre muitos projetos realizados, deu total apoio para que este dos Fitoterápicos acontecesse. Seu carisma, emotividade, sorriso aberto e ações inovadoras marcaram sua trajetória de vida junto a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele. A nossa saudade!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Rua Arlindo Pereira de Sousa (Urupema, SC)

 

Ismênia Ribeiro Schneider

Cristiane Budde

Daniela Ribeiro Schneider

Carlos Solera

Eleni Cássia Vieira

 e descendentes de Arlindo Pereira de Sousa:

Pedrinho Souza[i]

Arlita Souzaii

 

Na matéria de hoje, apresentamos mais um personagem que foi homenageado com nome de rua em Urupema (SC): Arlindo Pereira de Sousa, ou Souza, conforme grafias encontradas também em alguns documentos.  



Arlindo nasceu em 11 de janeiro de 1888, na Fazenda Sete Pinheiros, na localidade de Cadete (atualmente, município de São Joaquim). Filho de Bento Manoel de Sousa e de Isabel Pereira de Sousa.

 

Isabel Pereira de Sousa e Bento Manoel de Sousa, pais de Arlindo Pereira de Sousa.


O casal Bento e Isabel teve nove filhos (nesta sequência):

F1 – Jacintho Pereira de Sousa, casado com (c.c.) Jacinta Ribeiro de Souza.

F2 – Maria Trindade Pereira de Sousa, c.c. Manoel Joaquim de Arruda.

F3 – Arlindo Pereira de Sousa, c.c. Bernadina Pereira de Arruda.

F4 – Belisária Pereira de Sousa, c.c. João Bastos.

F5 – Benta Pereira de Sousa, c,c, José Pereira de Sousa.

F6 – Guilherminda Pereira de Sousa, c.c. Enygdino Bastos.

F7 – Dalfência Pereira de Sousa, solteira.

F8 – Idalino Pereira de Sousa, c.c. Cesária Vieira de Sousa.

F9 – Infância Pereira de Sousa, c.c. José Pereira de Medeiros.

 

            Nesta publicação, focamos o terceiro filho do casal, Arlindo Pereira de Sousa, que se casou com Bernadina Pereira de Arruda, filha de Selvina Pereira de Jesus e José Pinto de Arruda.

Após o casamento, construíram residência na Fazenda do Cedro, onde criaram seus filhos, e Arlindo viveu até sua morte.           



Selvina Pereira de Jesus e José Pinto de Arruda, pais de Bernadina.


Bernadina Pereira de Arruda e Arlindo Pereira de Sousa (ou Souza).

 

Possuíam muitos equinos, uma das grandes paixões de Arlindo. Tinha uma tropilha de éguas ruanas.

            Arlindo e Bernadina tiveram seis filhos:

F1 – Atelor Sousa Arruda, c.c. Cremilda Pereira de Medeiros. Não tiveram filhos. Atelor teve paralisia infantil e ficou paralítico aos quatro anos de idade.

 

F2 – Erozarte Pereira de Sousa, c.c. Odete Pereira de Souza.

Erozarte se acidentou caçando carpa no Rio Lavatudo, onde sua arma disparou e o atingiu, falecendo dois dias depois em Lages.

O casal teve seis filhos:

N2.1 – Maria Linete;

N2.2 – Ana Sirlete;

N2.3 – João Arlindo.

N.4 – Antônio;

N2.5 – Luiz Tadeu;

N2.6 – Regina Salete.

 

F3 – Orondes Pereira de Sousa, c.c. Darci Pereira de Arruda.

Tiveram cinco filhos:

F3.1 – Valdir;

F3.2 – Clélia;

F3.3 – Marta;

F3.4 – Daniel.

F3.5 – Erozarte.

 

F4 – Maria Benta Pereira de Sousa, c.c. Agonildes Borges.

Não tiveram filhos.

 

F5 – Pedro Pereira de Souza, c.c. Anita Souza.

Tiveram onze filhos:

N5.1 – Arlete das Graças;

N5.2 – Arlita Terezinha;

N5.3 – Ana Marlita;

N5.4 – João Vianei;

N5.5 – Erosarte;

N5.6 – Arlindo;

N5.7 – José Eduardo;

N5.8 – Pedro;

N5.9 – Antônio;

N5.10 – Anita Aparecida;

N5.11 – Rita de Cássia.

 

F6 – Dalmo Pereira Arruda, c.c. Maria de Lourdes Pereira Arruda.

Tiveram quatro filhos:

N6.1 – Maribel;

N6.2 – Rozelani;

N6.3 – Geovani;

N6.4 – Telmo Arlindo.

 

            Segundo relato da nora Anita, além desses seis filhos, Arlindo e Bernadina tiveram um sétimo filho, uma menina que faleceu ainda em criança.

            Arlindo faleceu em 13 de outubro de 1968. Foi sepultado no mesmo Jazigo de seus pais, no Cadete.

A rua Arlindo Pereira de Sousa é pequena, com apenas um quarteirão, mas muito charmosa. Em uma extremidade, dá frente para o rio Caronas e na outra, frente para a Avenida Manoel Pereira de Medeiros, na altura da Praça Manoel Pinto de Arruda. Nela, destacamos dois locais importantes para o município de Urupema (além do Posto Municipal de Saúde, na esquina com a avenida Manoel Pereira de Medeiros), que serão o foco da segunda parte de nossa matéria:

- Casa da Cultura de Urupema Ana Paula da Silva Souza

- Fitoterápicos Tia Lota.

           

Notas:

i Pedrinho Souza é produtor rural e neto de Arlindo Sousa. É filho de Pedro de Souza (5º filho de Arlindo) e Anita.

 ii Arlita Souza é ex-vereadora e ex-prefeita de Urupema. Também é filha de Pedro de Souza (5º filho de Arlindo) e Anita.

 

 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Homenagem a Gleci Palma Ribeiro Melo

          A matéria de hoje é destinada a homenagear Gleci Palma Ribeiro Melo, irmã de Ismênia Ribeiro Schneider (fundadora e pesquisadora deste Blog). Comunicamos que, infelizmente, Gleci faleceu nesta madrugada (11/02/2021, Florianópolis), aos 79 anos, vítima da Covid-19.

            Gleci nasceu em 15 de março de 1941, em São Joaquim. Filha mais nova do casal Enedino Batista Ribeiro e Lydia Palma (Ribeiro).  

 

Figura 1 - Gleci Palma Ribeiro.

 

Gleci casou-se, em 19/10/1969, com Valcyr Melo (1940 - 12/09/2017).

 

Figura 2 - Gleci Palma Ribeiro Melo e Valcyr Melo.


 

Figura 3 - Gleci, com o marido Valcyr e com a irmã Ismênia.

           

O casal teve os seguintes filhos:

F1 - Murilo Ribeiro Melo (nasc. 1971), companheira: Karine Bekari;

F2 - Alexandre Ribeiro Melo (nasc. 12-01-1974), companheira: Thais Madeira Neves.

 

            Gleci era formada pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) “e, durante décadas, atuou como dedicada titular do Cartório de Registro de Imóveis de Florianópolis. Foi, também, presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado de Santa Catarina (Anoreg/SC)”[i].

            Como bem descreveu Moacir Pereira, “Dona Gleci era uma cartorária especial, pessoa humana de grande sensibilidade e liderança em Santa Catarina e com atuação em todo o Brasil”[ii].

            Fica aqui a nossa homenagem e os nossos sentimentos à família.

 

Figura 4 - Gleci com seus filhos e netos.


 

Figura 5 - Família de Gleci Palma Ribeiro Melo, em dezembro de 2019.



 

Referências

Dados e imagens do acervo de Ismênia Ribeiro Schneider.


[i] Anoreg/BR. Anoreg/BR lamenta o falecimento da registradora Gleci Palma Ribeiro Melo Disponível em: https://www.anoreg.org.br/site/2021/02/11/nota-de-falecimento-cartoraria-gleci-palma-ribeiro-melo/.

 [ii] Pereira, Moacir. Vítima da Covid, morre a cartorária Gleci Palma Ribeiro Melo. Disponível em: https://ndmais.com.br/saude/vitima-de-covid-morre-a-cartoraria-gleci-palma-ribeiro-melo/.