quarta-feira, 5 de maio de 2021

Casa da Cultura de Urupema - Parte II

 


Texto de Eleni Cássia Vieira

 Curadoria e Expografia da Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza, Urupema/SC


A Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza, instalada à Rua Arlindo Pereira de Souza, recebe em seu novo espaço, a continuidade da proposta da primeira casa inaugurada em 2015, à Rua Evaristo Pereira de Souza, também conhecida como Rua dos Coqueiros.

A reimplantação exigiu que o imóvel passasse por reformas. Os trabalhos foram coordenados pela engenheira Franciele Medeiros Andrade, secretária de Administração e Finanças da prefeitura municipal de Urupema.

Importante ressaltar que pela própria mudança, houve a necessidade de adaptações e inovações do projeto desenvolvido por Carlos Solera e Eleni Cássia Vieira durante mais de dois anos de estudos e pesquisas. O resultado foi um novo olhar e atividades para o espaço cultural, em referência.

Procuramos de início, ouvir, ver e sentir as pessoas, porque a cultura sempre foi um traço de união entre os povos e reveladora das singularidades locais. Assim, a Audiência Pública realizada em 02 de agosto de 2018, abriu possibilidades à comunidade em compartilhar experiências, trocar ideias e sugestões a serem consideradas e incorporadas ao processo de reestruturação da Casa da Cultura.

Escolhemos como base de investigação em nossas pesquisas a criança lado a lado do adulto. Pensamos o brincar e as razões de o lúdico estar cada vez mais incorporado em cada sala. A criança porque junta, reúne objetos, coleciona. E ela, ao entrar na Casa da Cultura iria ao encontro da ideia de que ali há sinais que fazem parte da vida dela.

Cabe lembrar o significativo legado que nos deixou o primeiro prefeito de Urupema, Áureo de Souza Ramos (in memorian) durante entrevista de pesquisa que com ele fizemos: “Criança que não observa a natureza, não se humaniza”.

Crianças e professores constituem grande parcela do público frequentador de museus e casas de Cultura. Nosso objetivo foi abrir canais de reflexão para que pesquisadores e profissionais da área sentissem a criança ali representada, descentralizando este olhar voltado só para adultos.

Desse trabalho, resultou toda uma prática de exercícios artísticos propostos para as crianças e para despertar no adulto a criança que existe dentro dele, às vezes, tão escondida.

O quadro verde no espaço externo está ali para estimular o artista, escritor ou poeta que habita em cada um de nós, seja a criança ou o adulto. Brincar de desenhar, escrever, deixar lembranças.

O visitante, ao chegar, percebe a manutenção de saberes e fazeres observando o jardim, as plantas medicinais, o muro de taipas e as pedras que revestem a parede frontal da casa. Proposta que buscamos integrar ao conceito gerador do projeto, o de fortalecimento da herança patrimonial com a presença dos taipeiros e a sabedoria da medicina campeira:

 “Acreditamos em remédios caseiros, no uso das ervas medicinais, fazemos nossos temperos com cebolinha, salsa, alho, orégano e alecrim.” (Grupo Conviver de Urupema)

Ao entrar no ambiente, entre sons de pássaros, cantiga das águas, o tilintar dos cincerros e tropel de cavalos, o visitante é convidado a fazer uma viagem inesquecível, seja para descobrir ou redescobrir Urupema e região ou a si mesmo. A partir desta aproximação, um conjunto de elementos de valor cultural, de cenários coloridos são convertidos em emoção, como atestam comentários deixados no livro de visitas. 

Através da exposição de longa duração, o público tem a oportunidade de registrar, conviver com a dimensão histórica e as inter-relações significativas das raízes, reconhecimento de seu papel sociocultural em Urupema, onde a comunidade é parte integrante do espaço-tempo. Convém ressaltar, entretanto, que a Casa da Cultura não abriga todos os temas, até porque é preciso estabelecer limites para não haver a banalização da memória e a massificação dos produtos culturais.

É uma casa do tempo, quando a explicação remonta para antes e para além do momento de ocupação da região, escalona através das épocas, chegando no tempo em que se está vivendo e abrindo-se em direção ao futuro.

Os objetos que compõem o acervo são resultado de doações e empréstimos da comunidade. Revestem-se de conhecimentos históricos e significados. Daí, o valor de sua documentação para os sistemas de preservação do Patrimônio Cultural.

A importância do ato de transformar os objetos doados   em patrimônio público foi visto pela prefeitura municipal de Urupema. Com a instalação da primeira Casa da Cultura em 2015, este cuidado passou pela secretária de Educação, Cultura e Esportes, Sônia de Fátima Arruda, hoje, mantido e em prosseguimento pela atual secretária Rozilene Muniz de Oliveira Candido. Cada objeto tem a sua identificação, número de registro, termo de uso, dados históricos de forma imutável, compondo o Inventário do Acervo. O empréstimo passa pelo mesmo processo, porém, não é de domínio público.

 O projeto que apresentamos especificou sobre a importância da limpeza técnica dos objetos e do espaço em si, com   normas de prevenção e conservação, tarefa imprescindível quando se fala de espaço museológico. 

A placa original da Casa da Cultura, obra do Edilberto Arruda (Betão), reconhecido artesão urupemense foi mantida e preservada. A sua maestria vai além, pois abrange diversos segmentos como a confecção dos manequins, tomadas em formato de pinhão, dentre outros.

 A projeção e colocação dos painéis e apoios no teto para iluminação ficaram sob a responsabilidade do parceiro de longa data, o comunicador visual, Antônio Carlos Pedro e o Betão, dupla operacional de excelência.

 

Vamos começar a nossa viagem?

 

Sala 01

A formação histórica de Urupema segue uma linha do tempo, a começar pelos primeiros habitantes locais, os indígenas, depois a instituição da Capitania de Sant’Ana pelo governo português e suas influências na construção do território catarinense. A tríade índio, negro e branco é destacada com seus valores e saberes.

 A colonização açoriana, ocupação dos Campos de Lages e São Joaquim da Costa da Serra merecem uma leitura. O surgimento do povoado de Sant’Ana, distrito, vila, emancipação e criação do município, instalação do poder executivo e legislativo se fazem presentes.

 Nomes revelando significados de Urupema se harmonizam com a preservação do Patrimônio Natural. Pássaros desenhados e pintados pela artista plástica Elisa Grossi revelam a riqueza da fauna aliada aos mananciais de água e matas com araucária.

Dois mapas tão bem delineados pelo professor Víctor Ribeiro de Souza compõem o cenário. Um identifica o território de Urupema e núcleos rurais; o outro, os rios que nascem ou cruzam o município.

A homenagem a Ana Paula da Silva Souza tem seu espaço de honra. O painel Tempo e Memória acolhe este sentimento como forma de suporte e identificação, a quem nomeia a Casa da Cultura.

Documentos de grande valor cultural deixados pelo guardião da memória, filho da terra, Dimas Pinto de Arruda, registram a história como fortalecimento da identidade local.

E como não poetisar o que tão bem deixou o escritor do livro Memórias de Um Século, Antônio Rodrigues Lisboa ao falar de Urupema em seus versos?

 

Foto Marleno Muniz

                                                                                                  

Sala 02

Os Ciclos Econômicos abordam o desenvolvimento da pecuária, agricultura, madeira e fruticultura. Os objetos testemunham o tempo de cada um, identificam os ofícios e os homens no seu trabalho de construção. Marcas que tocam emoções, provocam lembranças. A história a partir da chegada dos colonizadores até a Urupema de hoje, recebe as pinceladas nas telas de Elisa Grossi. A sala, além da relevância, é acrescida pela presença do painel das abelhas que representam vida na terra.

 



     
Fotos Marleno Muniz



Sala 03

O universo feminino tem Nossa Senhora de Sant’Ana, padroeira de Urupema, como imagem mestra para se falar da religiosidade local, das habilidades femininas e de tantos aprendizados. Os móveis de quarto são depositários de saberes, usos e costumes. Linhas, agulhas e bordados povoam sonhos, revelam modos de ser, costumes e   talentos locais.

 

           

Foto Marleno Muniz

                                                                            

 

As várias gerações se encontram em coloridas tramas desde os panos de parede até a araucária bordada pela APAE.  A sabedoria ancestral sobrevive nas vozes de homens e mulheres de todas as idades, que preservam e contribuem para que a memória permaneça viva pelos tempos. Não se sai dali sem pensar naquele cafezinho e sobremesa tão bem servidos nas casas. E leva junto a homenagem às matriarcas da sabedoria, tão bem acolhidas nos pincéis da Elisa.

                                                                                                


Fotos Marleno Muniz


Sala 04

O cotidiano da Lida Campeira, o Fogo de Chão e o muro de taipas, traduzem imagens guardadas, que revelam o modo de ver e sentir o lugar. A cozinha, interligando costumes, revigora tradições e mantém a chama acesa. O couro, ali estendido, retrata a cultura regional, ao mesmo tempo em que se torna revelador de um saber ameaçado.

 

                                                                                              



Foto Marleno Muniz

 

Os objetos dialogam com os textos dos painéis. Selas e demais acessórios de montaria, canastras percorrem estradas. Cestos carregam os lombos. O café tropeiro, a roda de chimarrão, a trempe, panelas de ferro sustentam, com orgulho e zelo, as marcas do tempo.

O Caminho dos Conventos, pioneira rota tropeira que cortou o território de Urupema a partir de 1731, precursora da ocupação dos Campos de Lages e citada em obras primas como a dos conhecidos e respeitados escritores catarinenses, Víctor Antônio Peluso Junior, Indalécio Arruda e Licurgo Costa, mereceu um painel à parte.


Foto Carlos Solera

                                                                                                      

Integrando o ambiente, um grande achado em nossas pesquisas realizadas com o especialista em Cartografia, Valter Fraga Nunes da cidade de Viamão/RS, nosso parceiro do projeto Tropeiro Brasil, foi: Carta Hydrographica de huma parte do terreno e costa do Império do Brazil, extrahida da carta da Província de São Pedro do Rio Grande levantada em 1778 pelo brigadeiro Francisco João Rocio.

 




 O mapa foi encontrado nos arquivos da Biblioteca Nacional e nele está identificado, de forma clara, o nome Morro de Santa Anna. A importância desse achado não pode passar despercebida, dado o seu valor histórico e geográfico para a região de Urupema. Um tesouro lá no alto. Morro de Santa Anna, depois nominado Morro do Campo Novo, hoje é chamado Morro das Antenas ou das Torres. A história permanece viva ao subir e descer o Morro.

 

Sala 05

E a sala da Geofauna? O acervo identifica animais e mostras geológicas da Serra Catarinense. A sala tem uma proposta educativa. Sonho de Carlos Solera e do biólogo Wiliam Veronezi que se tornou realidade. Parte do acervo do Museu Didático Nelson de Souza Rodrigues, Base Avançada de Pesquisas do IBAMA/Painel foi doado à prefeitura de Urupema, por solicitação do prefeito Evandro Frigo Pereira.

 

Foto Marleno Muniz

                                                                                                             

 

Sala 06

A Sala Multimeios é reservada para apresentação de documentários, palestras, cursos, oficinas, exposições temporárias, biblioteca específica para a qual já conseguimos a doação de vários livros e continua aberta à construção. As máquinas de escrever retratam memórias e homenageiam a todos que fizeram o curso de Datilografia.

 

      

Biblioteca em construção, Sala multimeios. Foto Marleno Muniz



 

Reserva Técnica

A Reserva Técnica é o espaço físico destinado à guarda das peças do acervo, quando não estão em exposição. Um espaço com adoção de medidas de segurança e acondicionamento adequado. Os objetos ficam ali armazenados passando por toda conservação preventiva, preservação e salvaguarda. Não é um espaço aberto ao público.

 

Simbologia das Cores na Casa da Cultura

 

Pesquisando sobre as cores para a Casa da Cultura, fomos buscar o que é significativo e faz parte da cultura local. Surge o pinhão como reflexo de nosso entendimento por estar diretamente associado à vida da comunidade, pela presença das matas com araucária. As cores do pinhão têm a sua amplitude nas paredes, portas, janelas. O verde do telhado remete à cor da pinha e das araucárias, mães zelosas que acolhem a todos sem distinção.

 

Foto Marleno Muniz

        

Personagens da Casa da Cultura

 

Flora

O visitante, ao chegar à casa, vai perceber que a personagem Flora está ali, tipicamente vestida, para lhe dar boas-vindas. Em suas mãos, a peneira com marcelas ou macelas, planta-símbolo de Urupema, lei nº 961/2016 de 06 de abril. A peneira porque traduz um dos significados do nome Urupema. Flora registra seu importante papel na preservação do Patrimônio Natural.

 

                                                                                            

 Foto Marleno Muniz

 

Tecelã

Representa o universo feminino com seus saberes e fazeres. A tecelã constrói, desfaz, fia, renova, transforma sonhos em realidade. No domínio do fuso, da roca e do tear, tece suas habilidades de formas diversas e nos ensina que há tempo de tecer e de atar, mas há tempo de cortar e romper. Sabedoria das fiandeiras.

 

                                                                                                     

Foto Marleno Muniz

 

Tropeiro

O tropeiro ocupa significativo espaço na Serra Catarinense porque ainda vive em cada gesto, campo, em cada rancho. Na continuidade das tradições, sua presença fortalece a oportunidade de refazer a viagem no ir e vir das tropas. Ele deixa um recado ao visitante: A casa é sua! A jornada continua.

Continuando a jornada,

puxei tropas de fronteira,

fiz café nas madrugadas,

na velha chocolateira,

fiz ronda em noite de geada,

ao redor de uma fogueira.

(Memórias de Um Século – Poesias – Antônio Rodrigues Lisboa)

 

                                                                                                             

Foto Marleno Muniz

 

Os painéis na arte de Elisa Grossi Fabrino

 

Elisa Grossi Fabrino nasceu em Três Corações, sul de Minas Gerais, entre o cheiro das plantações de café e currais leiteiros. Aos três anos de idade, a família mudou para Diamantina onde ela reside até os dias atuais.

Sua trajetória no campo das artes é marcada por diversas exposições individuais e coletivas pelo Brasil e exterior.

Através de nossa amizade, chega a Urupema e se encanta com tudo que vê e sente.  Movida pela alma gentil e generosa, doa a sua arte, produzida em painéis, para fazer parte da exposição permanente da Casa da Cultura. Transforma tecidos, aparentemente comuns, em tesouros históricos que revelam modos de vida do território de Urupema, sua ocupação nos primórdios até os dias atuais.

 

Foto Carlos Solera

Foto Marleno Muniz

 

     

Urupema nas telas de Deizi Pagani

 

A firmeza do traço resguarda a singular forma de revelar a cidade em que nasceu. Os pincéis delineiam a história local e revelam transformações ocorridas com o passar dos anos.

Na preciosidade dos tons, Deizi encontra o jeito de agradecer e manifestar o amor à terra natal:

“Estradas do campo me levem para a casa, lugar ao qual pertenço.”

 


Fotos Marleno Muniz

       

Com quantas mãos se faz uma Casa da Cultura?

 

 

                                                              

Foto: br.depositphotos.com/

 

Agradecemos ao prefeito Evandro Frigo Pereira, à vice-prefeita Cristiane Muniz Pagani Almeida, às secretarias envolvidas, equipe de funcionários públicos, a todas as pessoas que, de forma direta ou indireta, estiveram conosco desde o princípio e nos ajudaram a levar em frente o projeto da Casa da Cultura e entregá-la à cidade.

Nossa gratidão ao 

pedreiro, marceneiro, taipeiro, pintor, cortineiro, eletricista, engenheiro, motorista, ferreiro, jardineiro, sanitizador, vidraceiro, chaveiro, bombeiro, encanador, serviços gerais, auxiliar na montagem da exposição de longa duração, designer, morador, pesquisador, professor, adesivador, produtor gráfico, artesão, artista plástico, fotógrafo, comunicador visual. 

 

Considerações Finais

 

A Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza se propõe a fortalecer a preservação e a diversidade do patrimônio cultural, o direito à memória, configurando-se como espaço dinâmico de construção e capaz de atender aos diversos públicos, moradores e visitantes.  

Subordinada à Secretaria de Educação, Cultura e Esportes, tem Rozilene Muniz de Oliveira Candido como secretária municipal. Marlene Andrade, diretora de Cultura e Neide de Oliveira estiveram conosco a partir da   montagem da exposição de longa duração e lá se encontram para atender a todos com atenção e cordialidade.

Ao projeto implantado, a resposta do público fica assim. O número de visitações foi muito acima do esperado por ser tempo de pandemia e com restrições de funcionamento necessárias.

Visitantes a partir de 15/10/2020 a 23/04/2021:

Visitantes de Urupema: 154

Visitantes de outros municípios: 127

Total de visitantes: 281

Fazendo parte do cronograma elaborado, a Casa busca atingir, cada vez mais, um número maior de pessoas, com o intuito de estimular a criação, através de pesquisas, oficinas, cursos, eventos, exposições temporárias.

Tudo está muito bem resguardado. A comunidade, como guardiã, reconhece ser o espaço um bem cultural que reproduz vida, é parte da vida e se aninha ao cotidiano dos que em Urupema nasceram, viveram ou residem.

 

Horário de funcionamento: de terça-feira a sexta-feira: 9:00 às 18:00 horas

Sábado e domingo: temporiamente fechada em razão da pandemia - agendar por telefone: 49-3236-3094



CANTO DA CULTURA

Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza e

Fitoterápicos Tia Lota

 

                                                

Foto Carlos Solera


                                                                         

A matéria sobre a Rua Arlindo Pereira de Souza se encerra por aqui, mas se reveste de novas dimensões e é acolhida por cada leitor, familiares que cuidam de preservar a história e o sentido de pertencimento.

Com localização privilegiada, a Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza estabelece um elo de ligação com os Fitoterápicos Tia Lota, ambos compondo o Canto da Cultura, movidos por um mesmo objetivo:  preservar as raízes e cada vez mais promover o seu cultivo para que cheguem às gerações futuras.

 

Para saber mais sobre as matérias anteriores:

- Rua Arlindo Pereira de Souza: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2021/02/rua-arlindo-pereira-de-sousa-urupema-sc.html

- Fitoterápicos Tia Lota: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2021/03/fitoterapicos-tia-lota.html

- Primeira matéria sobre a Casa da Cultura de Urupema: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2021/04/casa-da-cultura-de-urupema.html



* Pequenos ajustes de Cristiane Budde, Ismênia Ribeiro Schneider e Daniela Ribeiro Schneider.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Casa da Cultura de Urupema

                                 

            Nesta edição, mostraremos outro importante espaço da história e cultura de Urupema (SC). A Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza, em funcionamento desde outubro de 2020, localizada na Rua Arlindo Pereira de Souza.

            O texto de hoje, conta com a relevante contribuição de Carlos Roberto Solerai, que descreve como se deu a idealização e as duas fases de instalação da Casa da Cultura.

 

Notas:

- Veja a matéria sobre a Rua Arlindo Pereira de Sousa em: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2021/02/rua-arlindo-pereira-de-sousa-urupema-sc.html

 - Confira a matéria sobre a Casa de Fitoterápicos Tia Lota em: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2021/03/fitoterapicos-tia-lota.html  

 


             

Urupema, uma questão de paixão...

                                                                                     Texto de Carlos Roberto Solera[i]

 

O dia 25 de março de 1918 é considerado como data oficial de fundação do povoado de Santana (Sant’Ana), atual município de Urupema, que completou agora 103 anos.

Este mês de março de 2021, é também para mim e Eleni (minha esposa), idealizadores do projeto Urupema Tempo e Memória, uma marca importante, pois completamos o primeiro ano de trabalho de resgate cultural sobre o histórico das ruas de Urupema e um pouco sobre a vida dos homenageados que as nominaram.

Desenvolvendo um projeto de forma voluntária, visão apolítica e apartidária, recebemos sempre da toda comunidade urupemense, gestos de carinho e contribuições informativas sobre personagens que participaram da trajetória histórica de nosso município, a quem agradecemos. 

Fundamental foi para nós também a parceria técnica e colaborativa do Blog Genealogia Serrana de Santa Catarina, criado pela insigne professora, pesquisadora e escritora joaquinense Ismênia Ribeiro Schneider, com especial participação das também professoras e escritoras Daniela Ribeiro Schneider e Cristiane Budde. Obrigado.     

Falar sobre CULTURA nos dá imensa alegria, estímulo à pesquisa, ao aprendizado e ao “descobrir”. Dentro de um sentido amplo de significados que a palavra apresenta, podemos citar um que nos é muito interessante – “o de corresponder a um conjunto de hábitos, crenças e conhecimentos de um povo ou grupos comunitários ou mesmo, ainda, grupos familiares”.     

Assim, foi sempre motivo de busca estudar a cultura urupemense, que se entrelaça de inúmeras formas com a história do serrano catarinense.

Meados do século XIX. De origem açoriana, membros da família Pereira de Medeiros saíram da região de Aririú e Palhoça e se fixaram na Serra Catarinense. Alguns em São Joaquim da Costa da Serra e outros, na região do atual município de Urupema.

Manoel Pereira de Medeiros, casado com Ismênia Maria Saldanha, implantou uma fazenda às margens do rio Caronas. Como veneravam uma imagem de Sant’Ana que possuíam, deram à propriedade o nome da santa que, mais tarde, passou a ser conhecida como Sant’Ana Velha, propriedade que ainda registra muitas taipas como vestígios. Foram os filhos, que após a morte do pai, doaram o terreno para criação do povoado que o tem como patrono de fundação, pois argumentaram ser este um antigo desejo seu.    

Em 1923, o povoado tornou-se Distrito de Santana e em 31 de março de 1938, foi elevado à categoria de Vila de Santana, ainda pertencente a São Joaquim.

No início de 1944, ocorreu a mudança do nome de Santana (Sant’Ana) para Urupema. Ainda que não se tenha encontrado um documento oficial que o comprovasse, presume-se que tenha sido uma determinação dos Correios e Telégrafos, no sentido de evitar a coincidência de nomenclatura com uma localidade do Rio Grande do Sul.

Seria resultante do Decreto Lei Nº 5.901, de 21 de Outubro de 1943, do então Presidente da República Getúlio Vargas, que “dispunha” sobre as normas nacionais para a revisão qüinqüenal da divisão administrativa e judiciária do país, que trazia em seu texto, entre outros artigos, os seguintes:

Art. 1º - À legislação orgânica nacional que regula a revisão dos quadros territoriais das Unidades da Federação, a ser feita qüinqüenalmente pelos Governos respectivos, ficam incorporados os preceitos desta lei.

Art. 7º Ficam estabelecidas as seguintes normas para a eliminação, no País, da repetição de topônimos de Cidades e Vilas, a efetivar-se no novo quadro territorial em preparo:

I - Quando duas ou mais localidades tiverem a mesma denominação, esta prevalecerá para a de mais elevada categoria administrativa ou judiciária, na seguinte ordem de precedência: Capital, sede de Comarca, sede de Têrmo, sede de Município, sede de Distrito.

II - No caso de haver mais de uma localidade da mesma categoria com o mesmo nome, este será mantido naquela que o possuir há mais tempo.

III - Como novos topônimos, deverão ser evitadas designações de datas, vocábulos estrangeiros, nomes de pessoas vivas, expressões compostas de mais de duas palavras sendo, no entanto, recomendável a adoção de nomes indígenas ou outros com propriedade local.

IV - Não se consideram nomes novos, e, portanto, não estão sujeitos ao disposto no item precedente os casos de restabelecimento de antigas designações ligadas às tradições locais, vedadas, porém, as composições de mais de três palavras.  

Parágrafo único. Exceções a essas normas, no que toca ao direito de prioridade na nomenclatura, serão admitidas, se ocorrerem motivos imperiosos, mediante acordo entre os Governos das Unidades Federativas interessadas.

Rio de janeiro, 21 de outubro de 1943, 122º da Independência e 55º de República. GETÚLIO VARGAS

Alexandre Marcondes Filho

João de Mendonça Lima

Publicação: Diário Oficial da União - Seção 1 - 23/10/1943, Página 15750 (Publicação Original)

 

Assim, o nome da vila surge como Urupema, que tem como uma das opções de significado ser "uma espécie de pe-

neira usada pelos índios”.

Finalmente, como município, Urupema teve sua emancipação pela Lei nº 1105, de 04 de janeiro de 1988 e instalação oficial em 01 de junho de 1989, com posse do poder executivo e legislativo local.

Radicado em Urupema desde o ano 2001, seja em tempo parcial ou integral como nos últimos tempos, desde o início, desejei vê-la com um espaço onde sua trajetória histórica pudesse estar descrita, contando os acontecimentos, casos e causos, conquistas e a laboriosa luta daqueles que a construíram desde a primeira edificação. Tempos de dificuldades inimagináveis.

Como municipalidade, era ainda muito jovem, à época em que aqui cheguei, pouco mais de uma década se passara desde sua emancipação administrativa. Os prefeitos que já haviam exercido mandatos realizaram grande trabalho no sentido de estruturar o município em muitas de suas necessidades. O mesmo se dava naquele momento, mas o trabalho à frente era ainda bem longo.  

Não que um investimento municipal em uma instituição de Cultura não fosse necessário naquele momento, pois sempre seria e será a qualquer tempo. Mas à época, não poderia ser considerado “prioritário”, pois existiam inumeráveis exigências pontuais a serem realizadas.   

Com pequena população, cerca de 2.500 habitantes, e vivendo em muito, dos resultados das atividades e produção agrícolas, nem sempre tão recompensadoras, a arrecadação municipal era sempre o que se poderia chamar de “razoável”, exigindo dos prefeitos e, mesmo até a data atual, extremo cuidado na gestão orçamentária municipal. Foi essa visão de austeridade por todos que estiveram à frente do município até o momento que possibilitou Urupema ter hoje o estágio promissor que ostenta.   

Além das inúmeras atividades rurais, ainda mola mestra municipal, outras atividades importantes foram se construindo e consolidando. Um bom e estruturado comércio, urbanismo bem gerido e planejado, setores de saúde, segurança, habitacional, viário e de nascente cooperativismo, já fortalecidos e reais. Na área da Educação, a oferta estudantil desde a grade municipal, estadual e até mesmo, em nível universitário, é hoje pujante realidade.

E o Turismo? Em seus diversos segmentos, desponta como outro possível “carro chefe” do município, com muitas opções setoriais de atividades. E dentro dele, o Turismo Cultural tem lugar de atraente destaque.      

Assim, aquele antigo desejo de ver a trajetória histórica e cultural de Urupema inserida em um espaço institucional de Cultura e disponível aos seus moradores e visitantes, com o tempo, foi deixando de ser um sonho e tomando contornos reais.    

A primeira oportunidade para se criar esse espaço sob ótica museológica no município, surgiu através de um edital do MinC em 2013, dentro da gestão do prefeito Amarildo Luiz Gaio. Nota publicada em 12/12/2013 e atualizada em 19/09/2014, pela Assessoria de Comunicação da Associação dos Municípios da Região Serrana - AMURES, destacou:       

 

A Casa da Cultura de Urupema será uma instituição que terá por objetivo valorizar a história e a cultura local, sendo um espaço educativo privilegiado para professores e estudantes.

O Município de Urupema participou do Edital Nº23/2013 do Ministério da Cultura com o projeto de Implantação da Casa da Cultura, e foi um dos 15 Municípios Brasileiros selecionados pelo MINC, para receber apoio financeiro para realização do projeto.

As propostas foram examinadas pela Comissão de Seleção, nomeada através da Portaria n° 420, de 14 de novembro de 2013, tendo como integrantes: Ricardo Alberton Fernandes (Presidente da Comissão); Ana Claudia de Araujo Santos; e Michel Rocha Correia. As instituições classificadas devem encaminhar documentação complementar, no prazo de 15 (quinze) dias, conforme disposto no item 10 do referenciado Edital, com vistas ao conveniamento de acordo com disponibilidade orçamentária do Ibram.


Mesmo com o projeto aprovado e providenciadas as solicitações do edital, infelizmente, a verba que seria destinada à realização da obra, por razões diversas em âmbito federal, acabou não se efetivando. Assim, por conta própria, a administração municipal resolveu implantá-la em uma antiga casa de madeira e arquitetura serrana bem representativa, locada para esse fim.

            Estudos técnicos já haviam sido feitos e a comunidade contribuiu com a constituição do acervo inicial da Casa da Cultura. Sob coordenação da professora Sonia Fátima Arruda, então secretária Municipal de Educação, Cultura e Esportes, o trabalho foi realizado com êxito e a nova instituição inaugurada em 29 de maio de 2015, com nome oficial de Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza.

A homenagem visou reconhecer o legado de valorosa cidadã urupemense, falecida precocemente e que deixou significativas ações em prol da comunidade. Como diretora de Cultura e vereadora local, estimulou e auxiliou o desenvolvimento de importantes projetos culturais como a Invernada Artística, Canto e Coral, grupo de Flauta Doce, entre outras formas de contribuição para o fortalecimento e crescimento do município.

 

Casa da Cultura – 1ª instalação - Rua Evaristo Pereira de Souza.

       

A inauguração da casa fez parte também das atividades do I Encontro Nacional de Tropeirismo - I ENAT, de Urupema, evento realizado por mim e Eleni, onde buscávamos a continuidade e divulgação de nossos trabalhos de resgate do Tropeirismo.  Vale ressaltar a importância desta atividade ocorrida aqui no município, através do projeto Tropeiro Brasil, que engloba oito estados do Brasil.   

O trabalho alcançado com a implantação da primeira Casa de Cultura em Urupema foi um bom começo.

Em 2013, havíamos conhecido o Museu Didático Nelson de Souza Rodrigues, interessante espaço cultural instalado na antiga Base Avançada de Pesquisas do IBAMA/Painel. Composto por três salas, uma com acervo de aves, uma com mamíferos e outra com peixes e amostras de rochas, tudo implantado com finalidade de atender a um projeto de Educação Ambiental, conforme nos explicara o amigo Wilian Veronezi, funcionário daquela Base Avançada e um dos idealizadores do museu. Com exceção dos peixes e de algumas mostras geológicas, o acervo era de animais componentes da fauna serrana, atropelados nas rodovias, mortos por caçadores, etc., que, posteriormente, passaram por taxidermia para serem expostos ali. O nome homenageava um colega da unidade que teve morte prematura.

Ficamos encantados com o projeto, imaginando que, no futuro, Urupema poderia ter um espaço assim. Sempre que possível, íamos visitá-lo. Em meados de 2016, em nova visita ao Museu Didático, soubemos que o espaço físico da Base do IBAMA/Painel seria cedido a EPAGRI-SC, que com outras linhas de trabalhos e pesquisas propostas, não contemplava ali o projeto de Educação Ambiental idealizado por eles. Portanto, o acervo do museu seria doado ao Parque Nacional de São Joaquim - PARNA. Parte dela já nos seria suficiente, pensamos. Voltei lá em companhia do prefeito Amarildo para indagarmos sobre essa possibilidade, mas tudo ainda estava indefinido. 

A partir de 2017, já na gestão do prefeito Evandro Frigo Pereira, Eleni e eu passamos a integrar um grupo de estudos, cujo objetivo era avaliar a reestruturação da Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza. Faziam parte também a vice-prefeita Cristiane Muniz Pagani Almeida, secretária Municipal de Educação, Cultura e Esportes Rozilene Muniz Oliveira Cândido, secretária Municipal de Administração e Finanças Francieli Medeiros Andrade e a professora Fabiana Steffen Fabre.  

Contando com a larga experiência de Eleni Cassia Vieira nos trabalhos de planejamento, implantação e direção por uma década e meia no Museu do Tropeiro em Ipoema/Itabira, Estrada Real de MG, partimos para idealizar a inclusão de novos pontos de vista e atividades para a Casa da Cultura. Uma sala de Geo/Fauna para Educação Ambiental passou a ser uma delas. 

De pronto, constatamos a necessidade de um espaço físico maior para abrigar as novas proposições que já iam surgindo em nossos estudos. Tudo elaborado com muito cuidado em incluir novas propostas, mas sem deixar de reconhecer a expressão cultural que norteara a primeira instalação. 

Em meados de 2017, a EPAGRI assumiu o espaço da antiga Base Avançada IBAMA/Painel. Já em 24 de agosto, o prefeito Evandro enviou um ofício ao IBAMA solicitando a doação para Urupema de uma parte do acervo da Geo/Fauna, exposto no Museu Didático, o que foi concedido. O restante acabou encaminhado mesmo para a unidade do PARNA, em Urubici.   

Aí surgiu a oportunidade de se concentrar na Rua Arlindo Pereira de Souza, em uma casa própria da municipalidade e em outra do estado catarinense, duas excelentes vertentes culturais do município. A Fitoterápicos Tia Lota que promove a tradicional medicina campeira, presente no país desde os tempos coloniais e a Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza, com a riquíssima história e cultura urupemense, ali muito bem apresentada. Assim foi feito pela administração municipal e, lado a lado, elas hoje compõem o que chamamos de “Canto da Cultura” de Urupema.     

O passo seguinte proposto por nós foi o de se ouvir a comunidade para saber o que ela gostaria que estivesse presente de sua história, no âmbito do novo espaço da Casa da Cultura. Sugerimos ao gestor municipal a realização de uma Audiência Pública com diversos segmentos comunitários, o que acabou ocorrendo em 02 de agosto de 2018, com grande participação popular. Secretários municipais, comerciantes, professores, alunos, a comunidade em geral, enfim, atenderam ao convite.     

 


Com os presentes organizados em grupos, respondendo a um questionário com dez perguntas idealizado por Eleni, houve trocas de ideias, sugestões, lembranças de casos e causos, histórias e estórias, muitos pedindo para ter fotografias e pinturas antigas, outros citando objetos de ontem, uns para não se esquecer da roca e tear, outro ainda lembrando as camas e pinicos de antigamente etc.  Assim foi uma noite memorável.

Eleni fez ainda outras consultas de sugestões pelo município, inclusive com os vereadores na Câmara Municipal, com o grupo Conviver da Secretaria de Ação Social e com professores da APAE Urupema, entre outros.  

Dessa forma, em breve tínhamos um dossiê de itens que compunham o “sentido de pertencimento” da comunidade de Urupema.

Contando sempre com total apoio da gestão administrativa Evandro/Cristiane, demos início ao desenvolvimento do projeto para reestruturação da Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza, então já no novo endereço físico. 

Montamos uma excelente equipe de trabalho e tudo começou a fluir com muita intensidade, tendo Eleni como Curadora. A Concepção e Produção Expográfica,  Pesquisa, Produção e Revisão de Textos ficou sob a incumbência minha e de Eleni, pelo Núcleo de Amigos da Terra e Água - NATA. A Produção Artística a cargo da mineira Elisa Grossi Fabrino. A montagem dos Painéis e Iluminação sob responsabilidade do paulista Antonio Carlos Pedro e do Edilberto Melo de Arruda, o Betão, de Urupema.  

A comunidade se inteirando do bom andamento do projeto começou a se propor a doar ou fazer empréstimos de novos objetos que gostariam que lá estivessem expostos, aumentando em muito o acervo já anteriormente existente. Foram criados dois livros, Doação e Empréstimo, com objetivo de registrar o acervo museológico da Casa, compondo a listagem do Inventário  

A escolha de tipos e tamanhos de painéis, cores representativas, inserção e disposição textuais e materiais, iluminação, etc., foram também sendo passo a passo elaborados por Eleni para a reestruturação do espaço cultural como um todo.

Definiu-se que a Casa atuaria na construção e intercâmbio de Saberes e Fazeres em diversos níveis, promovendo ações educativas e estratégicas de amplo alcance para permanência de conhecimentos, valorização da identidade local e o diálogo com o cidadão contemporâneo. Promoveria a inter-relação entre membros da comunidade, poder público, iniciativa privada e visitantes, em geral. E desenvolveria atividades para atender a um público diversificado – crianças, jovens, adultos, idosos, deficientes físicos, tornando-se assim uma “casa dinâmica”.

Uma vasta documentação foi elaborada e entregue ao Poder Executivo, com a descrição de itens e proposições importantes para o funcionamento da Casa sob nova visão. Entre estes, constaram: Apresentação, Objetivos, Estrutura Administrativa, Espaço Físico e Organização do Espaço Físico, com descritivo das salas de exposição permanente, sala para curso e oficinas, biblioteca, espaço para exposições temporárias, espaço de reserva técnica, sala de depósito para armazenamento de documentos e coleções, etc. Cada tópico descrito minuciosamente e, também, a descrição de como fazê-los.                     

E proposta à criação de uma Associação de Amigos da Casa da Cultura, com trabalho voluntário dos integrantes e finalidade de colaborar com as atividades da instituição.

Em novembro de 2019, o amigo Inécio Pagani Machado, excelente pesquisador da história local e regional serrana, entrou em contato conosco para transferir a salvaguarda de importantíssima coletânea histórica elaborada por Dimas Pinto de Arruda ao longo de grande parte de sua vida, deixada sob sua guarda desde 13 de julho de 1987.   

Dimas, a quem batizamos de Guardião da Memória de Urupema (in memoriam), deixara-lhe rico material com a recomendação de repassar significativo acervo, somente a uma entidade confiável. Após 32 anos, estava ocorrendo, naquele momento, a entrega à Casa da Cultura.  Urupema lhe agradece! 



 Inécio fazendo entrega da Coletânea Dimas Pinto Arruda para Eleni Cássia Vieira.


O acervo é composto por vários itens, entre cartas, mapas, telegramas, fotos, jornais, artigos e dois livros manuscritos por Dimas. Estão expostos em escaninho implantado na sala 1, catalogados, mantidos e preservados pela direção da Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza.

 

A coletânea Dimas Pinto de Arruda é assim composta:

  •             Dois cadernos manuscritos por Dimas Pinto de Arruda    

Livro 01:

·               Registros Históricos - De 02 a 89 páginas

·               De Sant’Ana a Urupema - De 02 a 76 páginas

·               Histórico das Famílias

·     Família Pereira de Medeiros - De 77 a 81 páginas

·     Família Arruda Botelho - De 82 a 83 páginas

·     Relato sobre a vida de Manoel Pereira de Medeiros - De 84 a 89 páginas

 

 Livro 02

·       Emancipação do Município de Urupema/SC - De 02 a 283 páginas

·       Telegramas - De 284 a 294 páginas

·       Emancipação de outros municípios - De 295 a 331 páginas

 

Livro 03

·               Cartas, Registros do Judiciário, Ofícios e Correspondências para a Delegacia de Sant’Ana e Urupema/SC - De 01 a 67 páginas

 

Livro 04

·               Imprensa e Notícias sobre Urupema a partir do Jornal O Colibri, manuscrito da Escola Estadual mista de Sant’Ana data 31/03/1941

·               Jornais de 1941 a 1992 - De 01 a 79 páginas


A Administração Municipal de Urupema, no exercício do cuidado, cumpriu com a proposta de reabertura, renovou e entregou aos munícipes, em 15 de outubro de 2020, este espaço de cultura, que enaltece nossa comunidade.


Placa inaugurativa de Revitalização.

   

Através de rápida viagem pela “linha do tempo,” relatamos um pouco do histórico da Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza - Urupema/SC, em suas duas fases de instalação.

Na próxima matéria, Eleni Cássia Vieira apresentará o conceito desenvolvido para reimplantação desse espaço cultural.    

            Urupema é uma questão de paixão..... como escrevi no início da matéria.

Em maio de 2020, recebemos da Câmara de Vereadores local, o título de Cidadania de Urupema, por proposição do vereador e amigo Edegar Muniz, o Tio Dega.  Infelizmente, por conta da pandemia, ainda não recebido, mas já motivo de muito orgulho para nós.  E temos uma certeza:

“Através da história, podemos conhecer o registro da experiência de várias gerações que nos antecederam. Todas as pessoas podem e devem buscar nesse acervo, informações, conhecimentos, lições de vida e sabedoria. Só assim, podemos dizer realmente, que somos herdeiros do passado”.    

Venha conhecer a Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza!

A Neide de Oliveira e a Marlene Andrade, diretora municipal de Cultura, estarão lá para bem recebê-los.


Horário de funcionamento - de 3ª feira a 6ª feira, das 09:00 às 18:00 horas.

Sábado e Domingo - temporariamente fechada em razão da pandemia - agendar por telefone – (49) 3236-3094.

 

 



[i] Carlos Roberto Solera, autor deste texto sobre a história e instalação da Casa de Cultura de Urupema, é odontólogo, escritor e consultor em Turismo Rural e Cultural.