sexta-feira, 20 de março de 2020

Praça Manoel Pinto de Arruda – Urupema (SC)


Ismênia Ribeiro Schneider
Cristiane Budde

       Apesar da situação que vivemos com o confinamento imposto pela pandemia do coronavírus, vamos, na medida do possível, continuar com as publicações deste Blog, resgatando um pouco da história da região serrana de Santa Catarina. 
     Assim, na matéria de hoje, apresentamos a praça Manoel Pinto de Arruda, localizada no município de Urupema (SC).
        Manoel Pinto de Arruda é filho de João de Deus Pinto de Arruda e de Carolina Muniz de Saldanha ou Carolina Caetana Machado (nasc. 30/12/1838, bat. 06/02/1842)[i].

Notas:
- João de Deus Pinto de Arruda é filho de Manoel Joaquim Pinto de Arruda (Filho) e de Joaquina Rosa de Jesus.
- Carolina Muniz de Saldanha é filha de Antônio Caetano da Silva Machado (1788 - 05/09/1864) e Esmênia Muniz de Saldanha (06/07/1805 - 31/08/1888).
- João e Carolina se casaram em 11/05/1865i.
- Manoel Joaquim Pinto tinha os irmãos: Boaventura Lopes Pinto de Arruda, Maria Angélica de Arruda e Francelisio Pinto de Arrudai.

         Manoel Pinto de Arruda nasceu em 02/05/1866i. Casou-se em 12/10/1895 com Maria Ignácia Pereira (nasc. 11/12/1882), filha de Manoel José Pereira de Medeiros Filho e Maria Cândida da Silva Mattos.

Manoel Pinto de Arruda e Maria Ignácia Pereira (Pai Maneco e Mãe Duca). Foto fornecida por Mara Vieira Souza, a quem agradecemos.


            Manoel era proprietário da Fazenda do Cedro, e reconhecido como prestigioso chefe político[iii].

De acordo com Figueiredo (2018, p. 479), Manoel Pinto de Arruda e Maria Ignácia tiveram os seguintes filhos:
F1 – Alzira Pereira de Arruda (nasc. 12/01/1898), c.c. Pedro Pinto de Arruda, filho de Januário Pinto de Arruda e Floripa Pereira de Medeiros.
Nota: Januário é irmão de João de Deus Pinto de Arruda.
F2 – Constança Pereira de Arruda (nasc. 29/10/1901), c.c. Nabor Vieira Lemos (nasc. 09/07/1901), filho de José Athanásio de Liz e (ilegível) Vieira Lemos.
F3 – Cândida Arruda, c.c. Juvelino Vieira de Souza, filho de João Vieira de Arruda e Anna.
F4 – Carolina Pereira de Arruda (nasc. 12/06/1906 – falec. 01/08/1988), c.c. Manoel Dimas Pereira de Souza (18/04/1907 – 18/01/1997), filho de Manoel Pereira de Souza e Dorvalina.
F5 – Antenor Pinto de Arruda (nasc. 23/12/1908), c.c. Irene Couto (03/12/1911 – 15/07/1999), filha de Eduardo Caetano de Oliveira Couto e Maria Angélica Arruda.
F6 – Sebastião Pinto de Arruda (nasc. 30/10/1916).


Praça Manoel Pinto de Arruda, Urupema (SC). Fonte: Guasca Tur[ii].


        Como curiosidade, encontramos uma notificação do falecimento de Manoel Pinto de Arruda, publicada no Jornal Correio Lageano, em 29 de novembro de 1947. Segue a transcrição e, abaixo, a imagem desse trecho do jornal.
            Com avançada idade de 81 anos faleceu em sua fazenda no distrito de Urupema, município de São Joaquim, o venerando Coronel Manoel Pinto de Arruda, antigo e prestigioso chefe político naquele município.
            O extinto era filho do Ten. Cel. João de Deus P. de Arruda, que foi grande fazendeiro naquele município e de D. Carolina Silva Saldanha, e neto do fundador da cidade de São Joaquim. Era irmão dos Sr. Francelisio Pinto de Arruda, já falecido, do Sr. Boaventura Lopes Pinto de Arruda aqui residente e de Dona Maria Angélica de Oliveira, viúva do Sr. Eduardo Caetano de Oliveira.
            Deixa viúva a exma. D. Maria Inacia Pereira e os seguintes filhos: Srs. Antenor, Dimas, João e José, Alzira, casada com o Sr. Pedro P. de Arruda, Constancia, casada com o Sr. Nabor V. de Lemos, Candida, casada com o Sr. Jovelino Vieira de Souza e D. Carolina, casada com o Sr. Dimas Pereira de Souza.
            Com numeroso acompanhamento em que se viam pessoas de todas as classes, realizou-se o sepultamento do ilustre filho de São Joaquim, no cemitério de Urupema.
            À enlutada família, as nossas condolências.”

Publicado em Correio Lageano, Lages, 29 de novembro de 1947, Semanário, Sábado, Ano VI, n. 420.


Referências



[i] FIGUREIREDO, Edinna B. Pereira. Raízes centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.



[iii] CORREIO LAGEANO, Lages, 29 de novembro de 1947, Semanário, Sábado, Ano VI, n. 420.
Disponível em: http://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/correiolageano/1947/ED420_29_11_1947_ANO6.pdf. Acesso em 12/03/2020. ACERVO: BIBLIOTECA PÚBLICA DE SANTA CATARINA Digitalizado pelo Instituto José Paschoal Baggio - Contrato FCC nº0151/2016.


Se desejar acrescentar ou corrigir alguma informação sobre a família, favor enviar e-mail para: menokaribeiro@gmail.com ou crisbudde@gmail.com. Obrigada!!

sexta-feira, 6 de março de 2020

Rua Arthur Pagani (Urupema, SC) e Rodovia Arthur Pagani


         
         Na matéria de hoje abordaremos um personagem importante para a cidade de Urupema (SC), descendente de italianos, e que “logo se destacou como liderança política e comunitária do município. Foi ele, ao lado de outros cem homens, que em 1938 abriu o primeiro caminho da então SC-439. O trabalho era executado com picaretas, alavancas, carroças e durou 15 meses”[i]. De acordo com o neto de Arthur, Ronei Pagani de Arruda, “as condições eram precárias, clima frio, falta de máquinas. Porém, ele entregou a obra antes do prazo contratado.”.
         Em sua homenagem, esse trecho da Rodovia foi nomeado Arthur Pagani. Ademais, uma rua central do município de Urupema também leva seu nome.
Segundo o neto Ronei, “na década de 1920, nas suas idas e vindas, nas quais fazia trocas de mercadorias, Arthur tornou-se um comerciante do sul para a serra (Sant’Ana, hoje Urupema). Em Santana-Urupema fixou residência e deu continuidade à sua família.”.
Arthur montou a primeira atafona de moagem de cereais e também abriu as primeiras serrarias. Além disso, mais tarde, abriu uma casa de comércio de secos e molhados e armarinhosxiv. Com o dinheiro advindo da abertura do trecho Urupema–Rio Rufino, arrendou uma fazenda e ampliou seus negócios.
Arthur Pagani deixou um legado para seus familiares e o povo de Urupema. Sua descendência hoje é numerosa, com pessoas formadas em todas as áreas do conhecimento e uma família com grande reconhecimentoxiv.

Dados genealógicos:
Arthur Pagani era filho de Pedro Pagani e de Rosa Beteli Pagani (natural da Itália).

Nota: Pedro e Rosa casaram em Bergamo, Itália.
Rosa faleceu em 28/08/1945[ii], com 86 anos. 
Deixou os seguintes filhos:
- Ernesto Pagani, 68 anos;
Pelo que descobrimos até o momento, Ernesto casou-se com Emília Erinette(?) e o casal teve pelo menos um filho: Ricardo Pagani, casado com Almira da Silva Pagani (filha de José da Silva Muniz e de Florinda Vicencia de Jesus).
Ricardo teve, pelo menos, dois filhos:
- Alceu da Silva Pagani (16/07/1930[iii]);
- Clelia Pagani da Silva (23/07/1931[iv]), casou com Plínio Ramos em 3 de novembro de 1950[v].

De acordo com documento do Almanak Laemmert, de 1925, Ernesto Pagani era Agrimensor (residente em Urussanga).

Almanak Laemmert, Santa Catarina, Urussanga, 1925. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=313394&pagfis=79343&url=http://memoria.bn.br/docreader#


- João Pagani, 62 anos.
De acordo com o Almanak Laemmert, 1925, João era Secretário do Conselho Municipal de Urussanga (ver imagem acima).

- Arthur Pagani, 51.

Todos os filhos de Rosa eram naturais e residentes neste Estado (conforme consta no registro de óbito dela).

         Segundo documentos encontrados no site Family Search, Arthur se casou com Joanna Losso, filha de Luiz Losso e Luzia Losso.

Arthur Pagani e Joana Losso. Foto enviada pelo neto Ronei Pagani de Arruda, a quem agradecemos.

        
Arthur Pagani e Joanna Losso tiveram, pelo menos, os seguintes filhos:

F1 - Atílio Pedro Pagani, natural de Urussanga, SC (30/07/1921 – 04/11/1995[vi]).
Deixou viúva e seis filhos maiores de idade.

F2 - Irêne Pagani (nasc. 25/10/1926[vii]).

F3 - Rubens Luiz Pagani (nasc. 15/10/1928[viii]).
Rubens casou com Wilma Oliveira Hugen (depois de casada Wilma Hugen Pagani) em 07/03/1953, distrito de Sant’Anna, São Joaquim, SC[ix].
Rubens era motorista e Wilma doméstica.
Filhos: Até o momento, temos dados de apenas um filho e dos gêmeos Helda e Helder, que faleceram com poucos dias de vida:
- Helda Hugen Pagani (falec. 27/10/1960, com 14 dias de idade, causa da morte ignorada[x]).
- Helder Hugen Pagani (falec. 31/10/1960, com 18 dias de idade, causa da morte ignorada[xi]).
- João Carlos Pagani. Foi Prefeito de São Joaquim de 1997 a 2000.

F4 - Côra Pagani (nasc. 19/04/1930[xii]), casou-se com Hildebrando Almeida Borges, em 30 de junho de 1947, passando a assinar como Cora Pagani Borges[xiii].

F5 - Nair Pagani de Arruda, c.c. João Pinto de Arruda[xiv].
Filhos:
- Renato Pagani de Arruda (falec. 2010), c.c. casado com Maria da Graça Camargo. 3 filhos[xv]. Foi Prefeito de Urupema.
- Ronei Pagani de Arruda. Foi o 1º Presidente da Câmara de Urupemaxiv.

Nota:
Data de Fundação de Urupema: 04/01/1988.
Data de Instalação: 01/06/1989.
Lei de Criação: 1.105 – 04.01.1988.
Município de Origem: São Joaquim.

Arthur Pagani “faleceu em junho de 1972 e, durante a solenidade de inauguração da pavimentação da SC-112, foi lembrado pela capacidade de trabalho e empreendedorismo”i.

Nota: A SC-112, antiga SC-439, localiza-se entre os municípios de Urupema e Rio Rufino.


Assinatura de Arthur Pagani (no registro de batismo do filho Rubens Luiz Pagani).



Referências


[i] SC 24 Horas. Rodovia Artur Pagani (SC-112) a mais alta de SC é inaugurada.  https://www.santacatarina24horas.com/a-pavimentacao-da-rodovia-artur-pagani-sc112-a-mais-alta-de-sc-e-inaugurada/. Acesso em 20/01/2020.

[ii] FAMILY SEARCH. Óbito de Rosa Betel Pagani. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-X9F9-DY3?i=69&wc=MXYR-RP2%3A339728001%2C339728002%2C339831801&cc=2016197. Acesso em 19/02/20.

[iii] FAMILY Search. Registro de nascimento de Alceu da Silva Pagani, 1930. Livro de registros de nascimentos, Urupema, 1924, jun. – 1931, nov., Fls 176. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-621S-7D7?i=176&wc=MXYR-DN5%3A339728001%2C339728002%2C339730401&cc=2016197. Acesso em: 28/02/2020.

[iv] FAMILY Search. Registro de nascimento de Clelia Pagani da Silva, 1931. Livro de registros de nascimentos, Urupema, 1924, jun. – 1931, nov., Fls 195. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-621S-9PF?i=196&wc=MXYR-DN5%3A339728001%2C339728002%2C339730401&cc=2016197. Acesso em: 28/02/2020.

[v] Averbação ao batismo de Clelia Pagano da Silva. O registro está lavrado no Livro n. 3, registro 116, sob o termo 230.

[vi] FAMILY Search. Registro de óbito de Atilio Pedro Pagani, novembro de 1995, Livro de Óbitos 1965, Jul-1998, Fev, Fls. 85, n. 167, Registro Civil, Urupema, SC. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-X9F9-9JR?i=84&wc=MXYT-9WL%3A339728001%2C339728002%2C339873201&cc=2016197. Acesso em 21/01/2020.

[vii] FAMILY Search. Registro de nascimento de Irêne Pagani, fls. 61, n. 123, Registro Civil Urupema, Nascimentos 1924, Jun-1931, Nov. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-621S-MHS?i=60&wc=MXYR-DN5%3A339728001%2C339728002%2C339730401&cc=2016197. Acesso em: 31/01/2020.

[viii] FAMILY Search. Registro de nascimento de Rubens Luiz Pagani, Fls. 123, n. 46, outubro de 1928. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-621S-7QZ?i=122&wc=MXYR-DN5%3A339728001%2C339728002%2C339730401&cc=2016197. Acesso em 21/01/2020.

[ix] Averbação ao registro de nascimento de Rubens Pagani. O registro de casamento encontra-se no Livro 3, Fls. 169, n. 265.

[x] FAMILY Search. Registro de óbito de Helda Hugen Pagani. Registro Civil de Urupema, óbitos 1948, mr – 1965, Jul. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-X9F9-MFH?i=158&wc=MXYT-M29%3A339728001%2C339728002%2C339846101&cc=2016197. Acesso em: 31/10/2020.

[xi]  FAMILY Search. Registro de óbito de Helder Hugen Pagani. Registro Civil de Urupema, óbitos 1948, mr – 1965, Jul. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-X9F9-ZVR?i=159&wc=MXYT-M29%3A339728001%2C339728002%2C339846101&cc=2016197. Acesso em: 31/10/2020.

[xii] FAMILY Search. Registro de Batismo de Côra Pagani. https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-621S-QNY?i=172&wc=MXYR-DN5%3A339728001%2C339728002%2C339730401&cc=2016197. Acesso em: 31/01/2020.

[xiii] Averbação ao documento de batismo de Côra Pagani, em 30/06/1947.

[xiv] Dados enviados pelo neto de Arthur, Ronei Pagani de Arruda, a quem agradecemos.

[xv] CÂMARA DOS DEPUTADOS - Número Sessão: 120.4.53. Tipo: Ordinária - CD Data: 25/05/2010. https://www.camara.leg.br/internet/plenario/notas/ordinari/2010/5/V250510.pdf. Acesso em: 06/03/2020.


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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Acta Eleitoral do Quarto Districto de Sant’Anna (Urupema/SC)



            Na matéria de hoje apresentamos um achado curioso: a acta da eleição de 1926 para Superintendente Municipal, Conselheiro Municipal e Juízes de Paz do Quarto Districto de Sant’Anna (Urupema), localizada em meio a um caderno de registros de batismo.
Durante a busca de documentos para matérias futuras, envolvendo personagens importantes do município de Urupema (SC), deparamo-nos com a presente ata, que transcrevemos na sequência (transcrição literal):

Figura 1 - Página 3 da Acta da Eleição para Superintendente Municipal, Conselheiro Municipal e Juízes de Paz, Quarto disctricto de Sant’Anna (Urupema), 1926.


Acta da Eleição para Superintendente Municipal, Conselheiro Municipal e Juízes de Paz 

Aos sete dias do mez de Novembro de mil novecentos e vinte seis pela as dez horas da manhã, na sala da escola mista estadual, nesta Freguesia de Sant’Anna, logar designado para funcionar a seguinte secção eleitoral, presentes os membros effectivos Manoel Pinto de Arruda, Presidente da Secção, ovidio Pereira Machado, Secretario, e Manoel Alves de Medeiros, todos tomaram assento em roda da meza, que estava separada do resto da sala pelo um gradil, e sobre a qual se achava uma urna vazia, este livro, o de presença parcial, digo, a lista parcial do alistamento e mais papeis. O Presidente depois de abrir a urna e mostrar que estava vazia, fechou-a novamente, em voz alta declarou que se hia proceder-ce a eleição para Superintendente, conselheiros e Juizes de Paz para o quatuenio, a iniciar-se dia primeiro de Janeiro proximo futuro. Dando-se começo a chamada dos eleitores pela a ordem que se achava na lista parcil do alistamento geral hiam comparecendo a medida que seus nomes eram chamados, que achibiam seus títulos, reconheçidos legaes, digo seus nomes digo assignavam seus nomes no livro de prezença e depois depositava na urna cédulas, com os rótulos, - Para Superintendente Municipal, para Conselheiros Municipaes e Juizes de Paz. Terminado a verificação, digo, a votação verificou-se comparecidos votados noventa e sete eleitores da secção, e faltando seis eleitores que não responderam a chamada. Finda a votação, depois de lavrado o termo de encerramento no livro de presença, foram pelo o Escrivão do Registro Civil deste quarto districto, Joaquim Borges de Mello, reconhecidas todas firmas na forma da lei eleitoral vigente. Verificando contei na urna noventa e sete cédulas com rótulo Superintendete Municipal, - para Conselheiros Municipaes noventa e sete cédulas e igual numero para Juizes de Paz, as quaes apuradas deram o seguinte resultado: - Para Superintendente Municipal Major Boanerges Pereira de Medeiros 97 votos. – Para Conselheiros municipaes: major Francelisio Pinto de Arruda setenta e quatro votos; Ovidio Pereira Machado setenta e dois votos; Oscar Alves Ferreira cincoenta e um votos; Vidal Candido da Silva, quarenta e oito votos; Garibaldino do Amaral Velho, quarenta e um votos; João Trindade Vieira de Souza, quarenta votos; João Palma, trinta e nove votos; Martinho Brazil, trinta e cinco votos; João Araújo Lima, trinta e três votos; José Raulino de Souza, trina e dois votos e Francisco Feliciano Pereira, vinte votos. Para Juizes de Paz do quarto districto de Sant’Anna: Laurindo Caetano de Souza, oitenta e três votos; Antonio Rodrigues de Lisbôa, oitenta e um votos; José Ribeiro Machado, setenta e nove votos e Lino Alves de Souza, quarenta e oito votos. Compareceu legalmente e tomou assento na mesa como fiscal do candidato ao Cargo de Superintendente o Senhor Sebastião Pereira da Cunha Mattos, que acompanhou todo o processo eleitoral. De conformidade com a lei eleitoral em vigor, mandou o Senhor Presidente que se extrahisse três copias(?) desta acta, para ter o destino marcado pela as referidas instruções. E por nada mais haver a tratar mandou o Senhor Presidente lavrar a presente acta, que vae assignada pela meza, Eu Ovidio Pereira Machado a escrevi.
Manoel Pinto de Arruda
Ovidio Pereira Machado
Manoel Alves de Medeiros


Referência

FAMILY SEARCH. Acta da Eleição para Superintendente Municipal, Conselheiro Municipal e Juízes de Paz, freguesia de Sant’Anna.  Registro Civil de Urupema, Nascimentos 1924, Jun-1931, Nov., FLS. 60. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-621S-QZ4?i=59&wc=MXYR-DN5%3A339728001%2C339728002%2C339730401&cc=2016197. Acesso em: 31 de janeiro de 2020.  


Nota: Se você tiver informações sobre algum personagem que dá nome às ruas de Urupema/SC, ou de outra cidade serrana de SC, pode enviar para menokaribeiro@gmail.com ou crisbudde@gmail.com. Agradecemos o envio de qualquer informação!

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Escravos nas famílias ancestrais


Ismênia Ribeiro Schneider[1]
Daniela Schneider
Cristiane Budde


Iniciamos as publicações deste ano com uma matéria sobre alguns dos escravos que residiram na Serra Catarinense e se relacionam com as famílias que estudamos neste Blog. Na postagem anterior, descrevemos um pouco da história da Invernada dos Negros, território concedido a escravos e libertos por Matheus José de Souza e Oliveira e sua esposa Pureza Emília da Silva.
Nesta matéria, apresentaremos alguns dos escravos que pertenceram a famílias ancestrais serranas. Retomamos, portanto, a história de João Baptista de Souza, mais conhecido como Inholo, proprietário da Fazenda “São João”, que foi brutalmente assassinado, no dia 13 de agosto de 1850, por dois de seus escravos, Ricardo e Alexandre.

Nota: Para saber mais sobre a história do assassinato de Inholo, acesse: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2019/10/o-assassinato-de-joao-batista-de-souza.html

Inholo era rico estancieiro, dono de muitas terras e bens, dentre os quais sobressaíam os “semoventes”, isto é, escravos e gados de todas as espécies. Inholo deixou quatro filhos naturais, reconhecidos oficialmente, e mais uma filha legítima.
Por ocasião de seu inventário, ainda em 1850, houve a partilha dos bens entre os cinco filhos, pois sua esposa, que seria herdeira da metade de seus bens, já havia falecido em 1845. Partilharam-se também seus 22 escravos. Dentre os herdeiros, uma das filhas, ISMENIA BAPTISTA DE SOUZA, de quem esta pesquisadora é descendente direta por linha masculina e feminina, recebeu em sua legítima, a posse dos seguintes escravos de Inholo:
- LUIS, crioulo, 30 anos                    Valor:450$ 000 (quatrocentos e cinqüenta milréis);
- FLORENCIO, mulato, 11 anos      Valor: 450$000( quatrocentos e cinquenta milréis);
- GRACIANA, crioula, 5 anos          Valor: 250$000 (duzentos e cinquenta milréis).

Ismênia e seu marido, JOÃO DA SILVA RIBEIRO JÚNIOR, chamado Cel. JOÃO RIBEIRO, compraram e/ou permutaram com os demais herdeiros toda a fazenda, mais uma gleba grande de terras chamada “Invernada do Pelotas” que também fazia parte do espólio de Inholo, tendo o casal herdeiro renomeado toda propriedade como Fazenda SÃO JOÃO DE PELOTAS. Totalmente reconstruída, com todos os fechos em taipas, de forma que ao ficar pronta, em 1858, tornou-se a maior sede de fazenda da região. Quando, em cerca de 1915, a sua divisão entre os herdeiros começou, bem como a venda das terras a estranhos, o apogeu do latifúndio declinou. Mas, até hoje, toda a área da primitiva fazenda, de 120 milhões de metros quadrados, permanece o Distrito São João de Pelotas, do Município de São Joaquim, às margens do rio Pelotas, já na divisa com o Rio Grande do Sul, no município de Bom Jesus.
Retomando a história dos escravos de Inholo, destaca-se a de Graciana Garcia, que foi a escrava mais nova herdada por Ismênia Baptista de Souza e pelo Cel. João Ribeiro. Graciana nasceu em junho de 1847 e foi batizada em 18 de setembro de 1847, em Lages.


Batismo de Graciana.

Graciana era filha legítima de Manoel e de Jozefa, escravos de João Baptista de Souza[2]. Sabe-se também que Graciana tinha um irmão chamado Benedicto, dois anos mais velho que ela, que foi batizado no mesmo dia, 18 de setembro de 18472. Os padrinhos de batismo dos dois irmãos foram Manoel Bernardes de Souza e Maria Gonçalves do Espírito Santo.

 
Batismo de Benedicto, irmão de Graciana.


 Graciana teve nove filhos, embora nunca tenha se casado oficialmente. Ela viveu primeiramente, de maneira marital, com José Velho, com quem teve os seguintes filhos[3]:
F 1 – EUFRÁSIO, c.c.
    1ª esposa: CLAUDIANA MARIA DE JESUS, filha de João Pedro Lucrécio e D. Antonia Maria de Jesus. João Pedro Lucrécio foi o pedreiro que contribuiu com a construção da Igreja Matriz de São Joaquim. Residia na região da Brusca, no Quarteirão de São Mateus, na Fazenda São João de Pelotas. Filhos: João Maria e Laurindo.
    2ª esposa: JOAQUINA.

F 2 – LOURENÇO;

F 3 – JOSEFA JOSÉ GARCIA.

Algum tempo depois Graciana passou a viver em companhia de Vidal Pereira, sendo que desta união nasceram os filhos2:
F 4 – FELIPE;

F 5 – PAULA;

F 6 – GERTRUDES, c.c. VERÍSSIMO JOSÉ PEREIRA.
A família residia no Rincão dos Quatis, na aludida fazenda, a aproximadamente oito quilômetros da sua sede.
Filhos de Gertrudes e Veríssimo:
N 6.1 – JOSÉ VERÍSSIMO, c.c. sua prima CAROLINA GARCIA.
N 6.2 – GRACIANA VERÍSSIMO, c.c. JOÃO HENRIQUE DE OLIVEIRA, filho de Januário Henrique de Oliveira e Joaquina Maria de Jesus.

F 7 – JOAQUINA;

F 8 – SELVINA[i] (nasceu em 1878, batistério em 25-05-18802), c.c. AMADO[4].
Filhos de Selvina[ii]:
N 8.1 – IRINÉIA4;
N 8.2 – CECÍLIA GARCIA[5];
N 8.3 – AMADO GARCIA4;
N 8.4 – CAROLA GARCIA4;
N 8.5 – ISOLINA GARCIA4;
N 8.6 – VIDAL GARCIA3.

F 9 – AMADO GARCIA PEREIRA.

Segundo dados de Enedino Batista Ribeiro[6], os filhos de Vidal, com exceção de Selvina, já eram falecidos em 1959. Vidal, o segundo companheiro de Graciana, faleceu afogado no rio Lavatudo no dia 2 de agosto de 1887, quando tentava resgatar uma rês que havia se perdido da tropa, que seria entregue na Coxilha Rica, do outro lado do rio.
No dia do trágico acontecimento estava marcado o casamento de João Batista Ribeiro de Souza (filho do dono da Fazenda São João de Pelotas, o Cel. João Ribeiro) e Cândida dos Prazeres Batista de Souza, pais de Enedino. O falecido, contudo, era grande amigo de João Batista e o fato atingiu toda a família. Em virtude disso, adiou-se o matrimônio em quatro dias, pois não era possível adiar mais, visto que estavam todos os convidados já localizados na Vila de São Joaquim e todos os preparativos já estavam concluídos.
O casal João Batista e Cândida, em sinal de amizade e afeto ao falecido, criou os dois últimos filhos de Vidal Pereira, que ainda eram bem pequenos: Selvina e Amado Garcia Pereira. Selvina, anos mais tarde, foi ama-de-leite de Enedino, e também teve uma filha chamada Irinéia, da mesma idade que Enedino, de quem ficou amiga quando ele foi passar uns tempos na casa da “Tia” Selvina, no Rincão dos Quatis.
Graciana, segundo Enedino Batista Ribeiro, viveu até cerca de 85 anos. Os filhos dela já nasceram na vigência da Lei do Ventre Livre (Lei nº 2040), promulgada em 28 de setembro de 1871. Essa lei determinava que os filhos de escravas nascidos após a data de promulgação da lei deveriam ser livres, e, além disso, instituía a possibilidade de um escravo comprar a sua alforria, etc[7].  Selvina passou grande parte de sua vida trabalhando com a família Ribeiro, mesmo quando todos se mudaram para a cidade de São Joaquim. Ela tinha uma relação afetuosa com a família Ribeiro, e trabalhou como doméstica principalmente com a família de Candoca, filha do casal João Batista de Souza e Cândida dos Prazeres Batista de Souza, passando depois para a família de Enedino. Com Lydia Palma Ribeiro e Enedino, Selvina trabalhou até 1944, quando a família Ribeiro se mudou para Florianópolis.
Selvina transferiu domicílio para a cidade de São Joaquim para trabalhar, sempre residindo na Rua Francisco Pinto de Arruda.
Selvina, filha de Graciana.

Referências



[i] No seu registro de batismo consta SERVINA, mas ela ficou conhecida na família como SELVINA.
[ii] Talvez Selvina tenha tido mais filhos, mas até o momento só se descobriram o nome desses seis.



[1] Este texto foi originalmente publicado no livro “O Voo das Curucacas”, sendo remodelado para esta publicação. Referência do livro: SCHNEIDER, Ismênia Ribeiro. O Voo das Curucacas: Estudo Genealógico de Famílias Serranas de Santa Catarina. Florianópolis: Letra Editorial, 2013. Coleção Memória Familiar, INGESC, v. 1, 292p.
[2] FAMILY SEARCH, Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias. Registros históricos. Lages, Nossa Senhora dos Prazeres, Batismos de Abril de 1847 a Dezembro de 1850. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:939Z-YT29-M?i=26&wc=11578486&cc=2177296.
[3] DEPOIMENTO de Selvina à Enedino Batista Ribeiro, 20-02-1959. Acervo pessoal de Ismênia Ribeiro Schneider.
[4] Dados fornecidos por Hamilton Vieira e Virgínia Flores Vieira.
[5] Dados fornecidos por Gorette, uma das descendentes de Selvina.
[6] RIBEIRO, Enedino Batista. Gavião-de-Penacho: memórias de um serrano. Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina; co-edição da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Florianópolis: Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, 1999.
[7] AMARAL, Sharyse Piroupo. Escravidão, liberdade e resistência em Sergipe: Cotinguiba, 1860 - 1888. 2007.  272 f. Tese (doutorado em História) – Faculdade de Filosofia e Ciência Humanas da Universidade de Bahia. Salvador, 2007.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Boas festas!



Estamos nos aproximando do final de mais um ano, período em que demos continuidade às nossas pesquisas e publicações no Blog, abordando temas relevantes para a história e cultura serrana de Santa Catarina. Buscamos retratar narrativas como a passagem do primeiro Bispo pela Serra, alguns assassinatos ocorridos na Comarca de Lages no século XIX, além da história e da genealogia de personagens importantes, que viveram e/ou estabeleceram relações com a Serra Catarinense, de modo que muitos foram homenageados com nomes de ruas em Bom Jardim da Serra e São Joaquim.
      Aproveitamos esse momento de festas e reflexões para agradecer às pessoas que acompanham as nossas publicações, lendo, comentando e compartilhando as matérias, de maneira a preservar um pouco da história e da genealogia serranas.


Figura 1 - Imagem de Annca por Pixabay.
            
          Desejamos a todos um ótimo Natal e um feliz Ano novo! Que seja o início de mais um ciclo com muitas oportunidades, aprendizagens e realizações!
Retornamos com mais matérias para vocês em 2020!


Abraços,
Ismênia Ribeiro Schneider
Cristiane Budde
Daniela Ribeiro Schneider