quinta-feira, 11 de abril de 2019

Rua Manoel Cecílio Ribeiro


Texto de Henrique Brognoli Martins,
com edições e complementações de Ismênia Ribeiro Schneider
e Cristiane Budde


Ainda no município de Bom Jardim da Serra (SC), destacamos a Rua Manoel  Cecílio Ribeiro, localizada no centro,  onde fica a Prefeitura Municipal.  Esta rua homenageia um importante personagem que fez parte do grupo dos oito valorosos cidadãos que com abnegação, despreendimento, sabedoria e boa vontade, ajudaram a fundar a cidade.



Figura 1 - Placa da Rua Manoel Cecílio Ribeiro (Fornecida por Henrique Brognoli Martins).
Figura 2 - Rua Manoel Cecílio Ribeiro, em Bom Jardim da Serra (SC).

Figura 3 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra (SC), localizada na Rua Manoel Cecílio Ribeiro.


Manoel Cecilio Ribeiro era filho de Matheus Ribeiro de Souza (1829-1900) e Maria Magdalena Baptista de Sousa (1833-1867) (personagens já bastante conhecidos em nosso blog, vejam as matérias: https://genealogiaserranasc.blogspot.com/2017/03/casa-de-pedra-150-anos_30.html e https://genealogiaserranasc.blogspot.com/2011/10/fazenda-do-socorro.html). Nasceu na Fazenda do Socorro em 1856, na época em que Bom Jardim da Serra era chamada de Distrito de Nossa Senhora do Socorro.
Manoel deu continuidade à trajetória política de seu pai Matheus, que foi 1º vereador pela região quando da instalação do município de São Joaquim, em 07 de maio de 1877, e de seu tio, o Coronel João Ribeiro (1819-1895), prestigiado chefe político da Região Serrana, chefe do Partido Conservador durante o Império e mais tarde Republicano, um dos fundadores do município de São Joaquim da Costa da Serra, da qual se tornou o 2º prefeito, exemplos que contribuíram na sua formação política e cívica, razão pela qual Manoel Cecilio é lembrado, conforme destacou a escritora Eliane Zandonadi de Carvalho, como: Homem de fibra, participou de gestões políticas-sociais que visassem o desenvolvimento de sua terra”.

Figura 4 – Manoel Cecílio Ribeiro
retratado em crayon pelo célebre
pintor Eduardo Dias (1872-1945).

Em 1867 ficou órfão de mãe, aos 11 anos, e recebeu, juntamente com suas sete irmãs menores, o carinho e o apoio de Maria do Nascimento Amaral (1846-1930), a “Dona Senharinha”, a 2ª esposa de seu pai, a qual sempre o considerou como um filho, tornando-o  mais tarde seu representante. Foi profundo conhecedor de sua terra e de sua gente, relacionava todos os rincões existentes, seu acervo de informações e documentos pode auxiliar no esclarecimento de diversas demarcações de áreas na região. Participou ativamente na administração e no desenvolvimento da pecuária nas fazendas da família, constituídas de áreas no Socorro, na Santa Bárbara, Pelotas (Rabungo e Varginha) e Três Barras, ao pé da Serra do Imaruhy, que totalizam uma extensão superior a 150 milhões de metros quadrados.
As famílias de suas irmãs multiplicaram-se na região: Maria da Conceição casada com Antônio Pereira de Medeiros, Virginia casada com Pedro Florêncio Pereira, ambas radicadas onde hoje é Urupema, Maria Magdalena casada com Manoel Pinto de Souza e Carlota Baptista Ribeiro casada com Joaquim Furtado de Souza e, posteriormente, com Augustinho Pereira da Silva, estas duas últimas em São Joaquim. Já as irmãs do 2º casamento de seu pai ficaram, na maioria, radicadas em Bom Jardim da Serra, Adelaide casada com Antão de Paula Velho, Zulmira casada inicialmente com Cyrillo Caetano de Souza e posteriormente Bruno Francisco Macedo, Adelia com José Caetano do Amaral e Maria Trindade casada com Ambrozio Baptista de Souza, esta última em São Joaquim.

Manoel Cecílio Ribeiro casou-se com Rosalina de Sousa e Oliveira (1877-1932), filha de Aureliano de Sousa, e neta de Antonio Saturnino de Sousa e Oliveira (1809-1877).

Nota: Antonio Saturnino de Sousa e Oliveira (1809-1877) radicado em Lages e 1º Deputado Provincial por Lages e irmão de dois grandes estadistas do império Aureliano (Visconde Sepetiba - Ministro do Império e Governador de São Paulo) e Saturnino de Sousa Oliveira Coutinho (Ministro do Império e Governador do Rio Grande do Sul durante a Guerra dos Farrapos).

Desta união, nasce Dolores de Sousa Ribeiro (1891-1928) sua única filha e herdeira, que foi a matriarca da família Martins em Bom Jardim da Serra, por ter casado com Adolfo José Martins (13/08/1885 - 23/10/1968).

Nota:
Mais informações sobre Adolfo José Martins em: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2017/08/adolfo-jose-martins.html.


Filhos de Dolores Ribeiro Martins com Adolfo José Martins:

N1 – TÚLIO RIBEIRO MARTINS, faleceu ainda criança.

N2 – JOSÉ MOACIR RIBEIRO MARTINS (nasc. 28./02.1912 – falecido 25.01.1955) – 1º Médico de Bom Jardim da Serra.

N3 – MARIA DE LOURDES RIBEIRO MARTINS (nasc. 14.06.1915 – falecida 16.02.1978), c.c. Nilo Sbruzzi.
Fazenda: “Rincão da Palha”.

N4 – ODACYRA RIBEIRO MARTINS (nasc. 28.05.1917 – falecida 04.03.2006), “Oda”, c. c. Dimas Antunes de Oliveira.

N5 – CENIRO RIBEIRO MARTINS (nasc. 23.07.1914 – falecido 19.03.2001), c.c. Anita Ribeiro Rodrigues.

N6 – HÉLIO RIBEIRO MARTINS, (nasc. 22.05.1921 – falecido 04.07.1985), c. c. Maria Lilia Maranhão.

N7 – MANOEL CECÍLIO RIBEIRO MARTINS (nasc. 08.08.1922, Lages), c. c. Maria do Carmo Brognoli, “Carminha”, último dos Ribeiros da descendência de Manoel Cecilio Ribeiro, na Fazenda do Socorro.

F8 – DORACY RIBEIRO MARTINS (nasc. 19.11.1923 – falecida 23.09.1984), “Dora”, c. c. Armando Guedes.

F9 – CELSO RIBEIRO MARTINS (nasc. 21.01.1926 – falecido 04.03.1975), c. c. Odete Martorano Martins (“Detinha”).

Manoel Cecílio Ribeiro viveu ainda na época, em que as grandes fazendas “as Tijucas”, “Nossa de Senhora do Socorro”, “Pelotas” e “Santa Bárbara”, dominavam as coxilhas relvadas e as matas de araucárias, delimitando-se entre si e praticamente ocupavam o que é hoje o município de Bom Jardim da Serra.
Como sua trajetória é sempre destacada pela liderança e apoio às causas da comunidade, coube a Manoel Cecílio Ribeiro, juntamente com outros herdeiros e sucessores (Joaquim Rodrigues, Vitorino Machado, Emilio Ribeiro, José Candido Ribeiro, e outros), liderar o grupo que propôs em 1915, a medição judicial da Fazenda do Socorro, adquirida em 1776 de Manuel Marquez Arzão, pelo seu bisavô Matheus José de Sousa (1737-1820), que veio na bandeira de Correia Pinto para fundação de Lages. Com sua visão de futuro contratou para representá-los na referida ação o jovem advogado Nereu Ramos, que já atuava em Lages e também por ser filho do seu primo, o então Governador Vidal Ramos (1866-1954), cujas mães eram irmãs (filhas de João Batista de Sousa, também conhecido como “Inholo”, Magdalena mãe de Manoel Cecilio e Julia mãe de Vidal).
A ação tinha como fundamento que, tendo passados 140 anos, existia não só a necessidade de demarcar os limites da referida fazenda, como também que estabelecer as diversas divisões por sucessões e alienações resultantes. A atuação de Manoel Cecilio Ribeiro foi fundamental, dado seu conhecimento em esclarecer as divisas, com seu acervo documental inclusive, por ter o título de compra primitiva datado de 1776, ao colaborar com a intermediação do Coronel Cezario Joaquim do Amarante, pode elucidar questionamentos e discussões. Conforme ressaltava o Dr. Nereu Ramos, o objetivo dos autores na demanda era estabelecer, primeiramente, os limites entre a Fazenda do Socorro e a Fazenda Pelotas, Santa Bárbara, Bom Sucesso e com o denominado Campo de Fora, para após, então realizar as respectivas divisões internas, razão pela qual a topografia ficou a cargo do renomado engº Emilio Gallois, que atuava nas grandes demarações em Santa Catarina.


Figura 5 – Escritura de venda de Manuel Marques Arzão
à Matheus José de Souza em 10 de junho de 1776.

Com seu espírito empreendedor, além de pecuarista, buscou o desenvolvimento de Bom Jardim quando, em 1908, já tinha uma casa de comércio denominada de “Casa Serrana”, que além de tecidos, louças e ferragens, foi a primeira pousada da cidade.

Figura 6 – Anuncio da Casa Serrana
na Gazeta Joaquinense.

            Por proposição de seu grande amigo Coronel Cezario do Amarante, prefeito de São Joaquim à época, foi nomeado pelo Governador Gustavo Richard, em 10 de setembro de 1909, Chefe de Polícia do Distrito de Bom Jardim.  Participou também na fundação do Clube Bonjardinense, em 19 de abril de 1910, tem sido presidente. A fotografia abaixo retrata o evento de lançamento do Clube.

Figura 7 - Ao centro Manoel Cecilio Ribeiro com menino (sobrinho
Américo do Amaral) a sua esquerda e  lideranças bomjardinenses da época.

Não se sabe por qual razão, mas de forma inovadora na região à época, Manoel Cecilio Ribeiro, juntamente com sua esposa Rosalina de Souza e Oliveira, em março de 1916 fizeram no Cartório de São Joaquim, uma doação para sua única filha e herdeira universal, Dolores Ribeiro Martins, de diversas partes de campos e matos, uma casa e suas benfeitorias, sitas nas fazendas do Socorro e Santa Bárbara do Socorro. Reservaram para si, os doadores, como meios de recursos e para subsistência do casal, todos bens móveis e semoventes, mas ressaltaram na escritura que fizeram a doação no intuito “de garantir o futuro de sua única filha e herdeira universal, a fim de prevenir os revezes da sorte que por acaso possa sobrecair”. 
Um ano depois, em março de 1917, Manoel Cecilio Ribeiro embarca no Paquete Itapacy, em Imbituba-SC, para deslocar-se à São Paulo-SP a fim de realizar uma cirurgia, onde morre aos 62 anos, em 02 de abril daquele ano, e está sepultado no cemitério dos Araças em São Paulo, deixando um exemplo de espírito cívico, trabalho, companherismo e dignidade.

Figura 8 – “Vistoso” Navio Itapacy da
Companhia Nacional de Navegação Costeira.

Em 26 de junho 1928, por ironia do destino, a sua única filha Dolores Ribeiro Martins que tanto quiseram proteger, também morre, aos 37 anos, em decorrência, também, de uma cirurgia, no Hospital de Caridade, em Florianópolis, cabendo a sua mãe, Rosalina de Souza e Oliveira, auxiliar a criação de seus filhos.

Figura 9 – Rosalina de Souza e Oliveira com o neto
Tulio Ribeiro Martins.

Hoje ainda o neto, Manoel Cecilio Ribeiro Martins, com 96 anos, sendo último dos Ribeiro da descendência, relembra que “a proteção que meu avô Cecilio deixou para minha mãe (Dolores Ribeiro Martins), que morreu muito cedo, quando eu tinha apenas 6 anos de idade, ajudou muito em minha trajetória, pude me formar em engenharia em 1948 e no desenvolvimento de minhas atividades na amparadora Fazenda do Socorro”.


Referências  



CARVALHO, Eliane Zandonadi de; GAMBA FILHO, Raulino. Bom Jardim da Serra: um pouco de sua história. Florianópolis: Paralelo 27, 1992.

Relatos de Ismênia Ribeiro Schneider.

Relatos de Manoel Cecilio Ribeiro  Martins, filho de Dolores Ribeiro Martins com Adolfo José Martins e, portanto, neto de Manoel Cecilio Ribeiro.





quinta-feira, 21 de março de 2019

Rua Manoel Esteves (Bom Jardim da Serra)




            Apresentamos hoje mais uma rua localizada em Bom Jardim da Serra (SC), denominada Manoel Esteves. Acredita-se que a homenagem se deva a Manoel Ignácio da Silva Esteves[i] (1872 – 14/08/1927[ii]), um dos responsáveis pela fundação do povoado que deu origem ao município de Bom Jardim da Serra[iii].

            Manoel Ignácio da Silva Esteves era filho de Francisco da Silva Esteves (nasc. 1871[iv]) (este, por sua vez, filho de Joaquim da Silva Esteves e de Maria do Nascimento do Amaral) e de Ignácia Jacintha Ribeiro (nasc. 1847) (esta, filha de Pedro José Ribeiro e de Jacintha Maria de Saldanha).

Notas:
*Joaquim da Silva Esteves e de Maria do Nascimento do Amaral eram proprietários da Fazenda “Santa Bárbara” em São Francisco de Paula, depois chamada “Invernada do Chapéu” (área de 157.829.200 m2), transformada mais tarde no Município de Jaquirana.
**No inventário de Pedro José Ribeiro, o nome de Ignácia Jacintha Ribeiro consta como Ignácia Maria de Saldanha Sobrinha.

            Manoel Ignácio da Silva Esteves casou-se com Ismênia Baptista De Souza (Esteves, depois de casada), filha de Marcos Baptista de Souza (09.08.1835-07.10.1906) e de Maria Rodrigues de Andrade “Vó Marica” (30.10.1845-14.01.1927).
Cas.: 24.05.1896, L1 – Fls. 138, celebrado em São Joaquim.

HERDEIROS (não necessariamente em ordem cronológica de nascimento):

1º - MARCOS ESTEVES DE SOUZA (28/02/1897 - 05/02/1967[v]),
C. c. Maria dos Prazeres Rodrigues Nunes, filha de Silvano Rodrigues Nunes e Liberata Maria Nunes de nascimento.
Certidão de casamento: L4 – fls. 170: 30.05.1919 – Oficial do Re: Flósculo E. de Carvalho.
Filhosiv:
F1 - Ezequiel Esteves de Souza (falec. 1984, com 56 anos), c.c. Izolina Oliveira de Souza (com 85 anos em 2013), filha de Maria dos Prazeres Oliveira. Ezequiel e Izolina tiveram 7 filhas.[vi]
F2 – Eracilda Nunes Esteves, c.c. Antônio Rosa (1ªas núpcias). Em 2ªs núpcias, c.c. Firmino da Silva Nunes ou Firmino Nunes Sobrinho.
F3 – Dozírio Esteves Nunes, c.c. Elisa.
F4 – Izilda Nunes Esteves (nasc. 10/02/1925), c.c. Francisco Pedro da Conceição, “Chico Franga”, filho de Pedro Ramiro Godinho e Joanna Maria.
F5 – Iracema Nunes Esteves, c.c. Sebastião Goulart, filho de Afonso Rodrigues Nunes e Cecília.
F6 – Maria de Lourdes Nunes Esteves.
F7 – Tereza Nunes Esteves.
F8 – Valdemar Nunes Esteves.
         
2º- PAULINO ESTEVES DE SOUZA (nasc. 30.01.1897).
Certidão no livro nº7 – fls. 82V e 83.

3º- OSWALDINO ESTEVES DE SOUZA (nasc. 16.02.1899),
C. c. Dalila Bernardino de Oliveira, Laguna 16 anos (15.01.1906 - ?) (1º casamento[vii])
Dalila era filha de Guilherme Bernardino de Oliveira e Zulmira Maria de Oliveira.
Casamento: 05.09.1922, em Laguna (Livro nº VII, Fls. 81V a 82).
Pelo que se sabe, Oswaldino era analfabeto.

4º- MARIA DAS DORES ESTEVES (nasc. 29.04.1902),
C.c. Antônio Rodrigues da Silva (1915 – 22/04/2000), filho de Francisco Rodrigues da Silva e Maria Genoveva Martinsiv.
Filhos: Dilma Terezinha da Silva; Maria; Luiz Tadeu; Odiloniv.

5º-  FRANCISCO ESTEVES DE SOUZA (18/10/1900 – 04/05/1935iv).
Nota: Pelo que se sabe, morreu assassinado (informação também citada pela pesquisadora Edinna Figueiredo). Estava vivo por ocasião da morte do pai.

6º- ALORINDO ESTEVES DE SOUZA (nasc. 29.10.1902).
Nota: Pela crônica familiar, este herdeiro também morreu assassinado. Estava vivo no óbito do pai.

7º- EUCLYDES ESTEVES DE SOUZA (nasc. 12.09.1904).

8º- SYBILLA (ou CIBILA) ESTEVES DE SOUZA (nasc. 23.11.1906).

9º- LUCÍLIA ESTEVES DE SOUZA (nasc. 06.04.1912).

10º- OTHILIA ESTEVES DE SOUZA (nasc. 27.12.1913),
C.c. Joaquim Mattos (nasc. 04/04/1906), filho de Genovêncio da Silva Mattos e Camila Nunes Martinsiv.

11º- ADOMICILIA ESTEVES DE SOUZA (nasc. 13.09.1915),
C.c. Francisco Xavier Batista de Souza ou Andrade, filho de Ambrósio Batista de Souza e Maria Trindadeiv.

12º- OTOBINA (ou OUTUBRINA) ESTEVES DE SOUZA (nasc. 28.05.1917 – falec. 21/02/1967),
C.c. Antão Antunes de Souza, filho de Antônio Thomaz de Souza e Maria Antunes de Souzaiv.

13º- ADHEMAR ESTEVES DE SOUZA (nasc. 19.09.1919 – falec. 21/04/1997iv) “Mário Esteves”,
C. c. Maria Cândida Vieira de Souza Esteves, “Doquinha”,
Filha de Antonio Vieira do Amaral e de Olívia Ribeiro Vieira (“Vivi”)
Certidão de nascimento no Registro Civil, assinado por Viriato Alves Garcia, no Distrito de Bom Jardim, Comarca de São Joaquim, no Livro nº1, nº161.
Filhos:
F1 – Clóvis Vieira de Souza;
F2 - Élvio Rogério Esteves de Souza, c.c. Filomena Nunes, “Mena”, professora, filha de Ismael Nunes e Zélia Ribeiro.
F3 – Leila Marta Esteves de Souza;
F4 – Nara de Souza Esteves;
F5 – José Nélvio Esteves;
F6 – Maria de Fátima Esteves;
F7 – Ismênia Esteves.

          Além destes filhos citados no inventário de Manoel Ignácio da Silva Esteves, a pesquisadora Edinna Figueiredo cita mais um filho, SOLON DE SOUZA ESTEVES. É possível que este tenha falecido jovem ou criança, não sendo, por este motivo, listado no inventário como um dos herdeiros.


RELAÇÃO DOS BENS DE MANOEL ESTEVES:

BENS DE RAIZ:

- Uma gleba de campos e matos situada na FAZENDA DE PELOTAS, no lugar denominado VISTA ALEGRE, com a área de vinte e um milhões, quatrocentos e setenta e quatro mil e novecentos e noventa metros quadrados havida por herança e compras diversas, confrontando ao Norte pelo rio Pelotas, ao Sul pelo rio Capivaras, ao Leste com Bruno Macedo, ao Oeste com Antonio Henrique Cidade e herdeiros de Marcolino Borges (do Amaral e Castro, c. c. Raquel Jacintha Ribeiro, tia do inventariado, irmã de Ignácia Jacintha Ribeiro. Marcolino era filho natural de Fellippe Borges do Amaral e Castro, 2º esposo de D. Maria do Nascimento do Amaral, avó paterna de Manoel Ignácio);
75:162$465
- uma gleba de campos e matos situada na FAZENDA DE TIJUCAS, no lugar denominado OURO, com a área de três milhões, duzentos e trinta e quatro mil metros quadrados, havida por compras diversas, confrontando ao Norte com os herdeiros de Manoel Ignácio de Cândido, ao Sul com Leopoldino Godinho e Anastácio Nunes, Hilda Rodrigues, Antonio Henrique Cidade, João Antonio Padilha, ao Oeste com herdeiros do finado Prudente Luiz Vieira Costa, e ao Leste com terras de Urzulino Esteves;
9:702$000
- uma gleba de campos e matos situada na FAZENDA TIJUCAS, no lugar denominado POTREIRINHO, com a área de três milhões, quatrocentos e sessenta mil metros quadrados, confrontando ao Norte com terras de Anastácio Nunes, ao Sul com Bernardo Ramos, ao Leste com Abel Esteves, ao Oeste com Antonio Anastácio Nunes;
10:380$000
- uma casa de madeira envidraçada, moradia da família, com suas benfeitorias, situada na Fazenda VISTA ALEGRE;
2:000$000
- uma casa velha de madeira com mangueira na mesma fazenda;
400$000
- uma casa de madeira, em bom estado, envidraçada, situada na freguesia de Bom Jardim, com dois lotes de terras, anexos à mesma casa;
1:300$000
- uma casa e benfeitorias na Fazenda “Ouro”
300$000


BENS SEMOVENTES:

- 200 bois criados
52:000$000
- 30 vacas com crias
6:600$000
- 60 vacas falhadas
12:000$000
- 10 novilhos de 3 anos
1:500$000
- 25 novilhos de 2 anos
3:125$000
- 25 bois de 2 anos
3:125$000
- 25 bois de ano
2:000$000
- 25 terneiras de ano
2:000$000
- 24 éguas xucras
2:400$000
- 01 burro reprodutor
600$000
- 10 mulas mansas criadas
1:700$000
- 10 cavalos mansos criados
2:000$000
- 04 potros xucros de 3 anos
600$000
- 05 jumentos
250$000
- 01 jumento
100$000
- 100 ovelhas
1:200$000
Total:



            A família Esteves possui ampla descendência, exemplificada pelos dados acima descritos e também por outros dados fornecidos por um dos descendentes de Oswaldino Esteves de Souza (filho de Manoel Ignácio da Silva Esteves). Este descendente, enviou-nos informações do seu ramo familiar, que ainda precisam ser completadas.
Seguem os dados levantados pelo próprio descendente, Rodrigo Esteves:


Filho do 2º casamento de Oswaldino Esteves de Souza com Maria Bernadina de Souza:

F1 - Felisberto Esteves, c.c. ?. Filhos de Felisberto: Rodrigo da Silva Esteves (direito); Ricardo da Silva Esteves (biologia); Rubens da Silva Esteves (administração).

F2 - Helena Esteves, c.c. ?. Filha de Helena: - Thais Ramos Esteves (administração).

F3 - Rogério Esteves, c.c.?. Filhos de Rogério: - Halvan Araujo Esteves (direito); Camila Araujo Esteves; Andressa Araujo Esteves.

Conforme mencionado, os dados desta ampla família precisam ainda ser completados. Se você puder contribuir com as nossas pesquisas, enviando dados ou documentos, escreva, por favor, para: crisbudde@gmail.com. Obrigada!!


Referências



Agradecimento à pesquisadora Edinna Figueiredo, que contribuiu com os esclarecimentos sobre Manoel Esteves e seus descendentes.

[i] Há outro Manoel Esteves, Manoel Ribeiro Esteves, que é sobrinho neto de Manoel Ignácio da Silva Esteves (informação fornecida pela pesquisadora Edinna Figueiredo).

[ii] Inventário Judicial Sem Testamento de Manoel Ignácio da Silva Esteves (1927). Comarca de São Joaquim da Costa da Serra – Estado de Santa Catarina. Inventário nº679, registro no Livro 3º, Fls. 28.

[iii] Manoel Ignácio da Silva Esteves, um dos personagens descritos como um dos fundadores do povoado, juntamente com Manoel Cecílio Ribeiro. Informação disponível no site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_Cecilio_Ribeiro#cite_note-4.

[iv] FIGUEIREDO, Edinna. Raízes centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.

[vi] Dados fornecidos por Cristiano Neckel, neto de Ezequiel Esteves de Souza.

[vii] Informação fornecida pelo descendente Rodrigo Esteves, por e-mail em 2013 e atualizada em 2019. Segundo ele, depois de algum tempo, Oswaldino se separou de Dalila e se casou, em segundas núpcias, com Maria Bernadina de Souza. Agradecemos pelo contato e informações!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Rua Ranier Cassetari (Bom Jardim da Serra, SC)


       A matéria de hoje apresenta mais um dos integrantes da comissão fundadora da Vila de Bom Jardim da Serra (SC)[i]: Ranier Cassetari, que recebeu um nome de rua em sua homenagem.

Nota: Uma Escola de Educação Infantil (EEI) Municipal, em Bom Jardim da Serra (SC), também recebeu o nome de Ranier Cassetari. Entretanto, de acordo com o EDUCASENSO de 2017, esta escola encontra-se paralisada[ii].

Segundo publicações encontradas no Almanak Laemmert (1915[iii], 1931[iv]), Ranier Cassetari era criador e exportador de gado, negociante e, também, era considerado um Capitalista[v]. Infere-se, portanto, que a profissão capitalista[vi] atribuída a Ranier, indicava a riqueza que este acumulava.

Almanak Laemmert (1915[vii], p. 4390).

            Ranier foi casado com D. Emília Teixeira Cassetari, filha de Liberato Teixeira e Clarinda Maria de Saldanha.

NOTA:
Com o falecimento de sua primeira esposa, casou-se com MARIA MACIEL, filha de Cláudio Maciel. Contudo, não se sabe porquê ela não é citada no inventário de Ranier.

Ranier Cassetari faleceu em Bom Jardim, em residência, no dia 06.05.1937, aos 71 anos (nasceu, pois, em 1866)[viii]. A Certidão de Óbito de Ranier Cassetari foi exarada pelo Cartório do Segundo Distrito do Socorro, leva a data de 06.05.1937, tendo se dado o óbito às dezoito horas, em residência, tendo como “causa mortis” câncer do fígado. Sepultamento no cemitério da sede do Distrito. O óbito foi firmado pelo Dr. José Ribeiro Martins. O falecido era de cor branca, com 71 anos, natural da Itália, domiciliado e residente em Bom Jardim, viúvo de Emília Teixeira Cassetari. Era filho legítimo de Jacob Cassetari e Angelina Cassetari, naturais da Itália. Assinou a Certidão Jardelino Maciel, oficial de Registro Civil e Tabelião Distrital Interino.

TÍTULO DE HERDEIROS DE RANIER[ix]:

F1- GERBINA CASSETARI, (nasc. 15.06.1895) L1 – Fls 126.
C. c. Gervasio Pereira do Amaral (nasc. 20.10.1898)
Filho de José Custódio Pereira e D. Herculana Pereira do Amaral
Domicílio: Bom Jardim – Distrito de Cambajuva.

F2- FREDOLINO CASSETARI, (nasc. 15.09.1897) c. c.
1ªs núpcias: Idalina Padilha (1915 – 02.12.1978), filha de João Padilha e Zeferina Padilha[viii].
2ªs núpcias: Lígia de Campos Cassetari
Domicílio: Vacaria, RS.

F3- SYLVIO CASSETARI, (nasc. 12.01.1901),
c.c. Brunehilda Boeira[x].
Domicílio: Bom Jardim, no Distrito de Cambajuva.

F4- EMILIANO CASSETARI, (nasc. 30.08.1902).
Domicílio: residente no município de Criciúma por ocasião da sobrepartilha em 1944.

F5- ITÁLIA CASSETARI, (nasc. 20.08.1903 – 10.11.1974)
C. c. Adalberto Vieira do Amaral (nasc. 30.03.1898)
Filho de Prudente Luiz Vieira (falec. 24.02.1921) e de D. Maria dos Prazeres do Amaral Vieira.
Domicílio: Bom Jardim, Distrito de Cambajuva.


F6- LIBERATO CASSETARI (1915 – 03.04.1969),
c.c. Maria Benta Macedo (1925 – 17.02.1997), filha de Enedino Macedo e Felicidade[x].
Domicílio: Bom Jardim, no Distrito de Cambajuva.

Além desses filhos, Ranier Cassetari também teve a filha ESMERALDA CASSETARI (1895 – 26/01/1901, liv. 3, CRC-SJ)[xi], falecida em criança.

BENS DE RAIZ:

1- Uma fazenda de campos e matos para indústria pastoril, contendo a área superficial de quarenta e um milhões cento e setenta e oito mil metros quadrados, compreendida das Invernadas da “Varginha”, “São José” e “Morro Grande”, situada nesta Comarca, havida na meação do inventário procedido por falecimento de D. Emília Teixeira Cassetari com as seguintes confrontações: de um lado Venâncio Borges de Carvalho e herdeiros de Marcolino Borges; de outro com Liberalino Cassetari e rio Pelotas, de outro o rio das Contas; e por outro lado com Antonio Gonçalves Padilha (dono da Fazenda “Quinze Dias”), Pedro Gonçalves Padilha e outros. Acharam valer a quantia de cento e sessenta e quatro contos setecentos e doze mil réis.
164:712$000
2- Uma casa de moradia, construída de madeira, pintada, assoalhada, forrada e envidraçada, com suas dependências e benfeitorias, situada na Fazenda São José.
1:600$000
3- Uma casa de moradia bastante velha, tendo um potreiro anexo, situada em Bom Jardim.
1:000$000
4- Outra casa, de madeira, própria para casa comercial e moradia, com potreiro anexo, no segundo distrito, em sua sede, no valor de
1:200$000

Conclusão das avaliações:

Terrenos
164:712$000
Semoventes
12:410$000
Casas
3:800$000
Monte mór
180:922$000

São Joaquim, 27.07.1937
Valor de cada legítima (seis herdeiros): 30:153$000.

Sobrepartilha:

Após os inventários de D. Emília (maio de 1928) e de Ranier Cassetari (julho de 1937), os herdeiros mandaram medir e dividir amigavelmente pelo agrimensor Simeão do Nascimento Motta as terras situadas na Fazenda São Bento, no Distrito Cambajuva, para efeito de venda, quando ficou comprovado não terem sido partilhados sete milhões seiscentos e dezesseis mil metros quadrados nos inventários normais.
(7.616.000 m2) de terras de campos de criar:
As terras são originárias de compras, devidamente transcritas no Registro de Imóveis da comarca: confrontam ao norte com Joaquim Antonio Ramos, ao sul com a Serra Geral, a leste com Joaquim Antonio Ramos e Joaquim Alano de Souza, ao Oeste com os Irmãos Bortoluzzi e com Fredolino Cassetari, este pelo rio das Contas. O valor do bem descrito é de trinta e oito mil cruzeiros. O inventariante protesta trazer a notícia do Juízo deste inventário quaisquer outros bens que porventura existirem.
Escrivão: 24.02.1944.
Juiz: Dr. Aristeu Rui de Gouvêa Schiefler
Avaliador: José Alípio Pereira.

Em 04.12.1944 houve início de mais uma sobrepartilha na mesma área da Fazenda São Bento, pois, por novo equívoco, faltaram para sobrepartilhar mais dois milhões de metros quadrados. Nesta última sobrepartilha, o herdeiro Liberalino Cassetari já estava casado, e residindo em Cambajuvas, na mesma situação do restante da referida Fazenda São Bento. O avaliador, desta vez, foi o cidadão José Dutra.
São Joaquim, 11.12.1944.
Substituindo o juiz, Teobaldo Liberado Vieira.



Referências



[i] Autobiografia de Adolfo José Martins, fornecida pelo descendente Henrique Brognoli Martins, a quem agradecemos.
[ii] Governo do Estado de Santa Catarina. Resultados finais do Censo Escolar da Educação Básica 2017 - EDUCACENSO 2017. Disponível em: http://www.sed.sc.gov.br/documentos/censo-278/indicadores-educacionais/dados-educacionais-1/dados-educacionais-2017/censo-escolar-inicial-2017/7057-paralisadas-e-extintas-em-2017/file.
[iii] Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial – 1891 a 1940. Estado de Santa Catarina. 1915, p. 4390. Disponível em: http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=313394&pagfis=61847.
[iv] Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial – 1891 a 1940. Estado de Santa Catarina – Municípios. 1931, p. 1113. Disponível em: http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=313394&pagfis=112206
[v] Segundo a CBO, Tabelas de Código da Natureza da Ocupação e Ocupação Principal, um Capitalista seria alguém “que auferiu rendimentos de capital, inclusive de aluguéis”. Disponível em: https://economia.uol.com.br/impostoderenda/2009/entenda-o-ir/tabelas-de-codigo-da-natureza-da-ocupacao-e-ocupacao-principal.jhtm.
[vi] CAPUTE, M. E. S. A dama dos diamantes negros e a educação em Vassouras: um estudo sobre o Instituto Profissional Feminino e Masculino Doutor Joaquim Jose Teixeira Leite (1930-1959). Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2011.
[vii] Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial – 1891 a 1940. Estado de Santa Catarina. 1915, p. 4390. Disponível em: http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=313394&pagfis=61847.
[viii] Inventário Judicial Sem Testamento de Ranier Cassetari, Nº 861 – Livro 4 – Fls. 33, São Joaquim (SC), 1937.
[ix] Inventário Judicial Sem Testamento de Ranier Cassetari, Nº 861 – Livro 4 – Fls. 33, São Joaquim (SC), 1937.
[x] FIGUEIREDO, Edinna B. Pereira. Raízes centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.
[xi] FIGUEIREDO, Edinna B. Pereira. Raízes centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.
Acervo pessoal de Ismênia Ribeiro Schneider.