quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Rua Manoel da Silva Ribeiro


Ismênia Ribeiro Schneider
Cristiane Budde

       Dentre as famílias que vieram habitar a Serra Catarinense em seus primórdios, podemos citar a Família Ribeiro, sendo o primeiro ancestral em terras brasileiras de que temos conhecimento, Manoel da Silva Ribeiro. Este, natural de São Pedro de Atei, Arcebispado de Braga[i], nascido por volta de 1712. Faleceu em Lages, em 04-10-1802[ii]. Era filho de Domingos da Silva Ribeiro e Domingas Pereira.
       Manoel da Silva Ribeiro foi soldado em Portugal. Não se sabe bem ao certo quando veio para o Brasil, mas apenas que se estabeleceu, primeiramente, no Rio Grande do Sul (SCHNEIDER, 2013). Mais tarde, subiu para a Serra Catarinense. De acordo com o Prof. Walter Dachs (1961), “as datas do batismo de seus filhos Ignácio e Manoel evidenciam que Manoel da Silva Ribeiro era morador nos campos das Lagens quando neles, aos 22 de maio de 1771, ''Se escolheo a melhor Cituaçao e terreno para Se levantar pelourinho em cinal da jurisdição" (grafia original).
Em livro citado pela pesquisadora Edinna B. Pereira Figueiredo (2018), encontramos um registro interessante sobre Manoel da Silva Ribeiro:
Dizem que o primeiro morador destas terras de tigres e bugres de gado alçado muito “brabo”, depois dos Jesuítas e seus índios missioneiros, foi um homem valente que veio do Rio Grande do Sul, Manoel da Silva Ribeiro, conseguiu não sei quando a sesmaria do Pelotas, cerca de 450 milhões de campo, todo esse canto do Rio das Contas, Pelotas, Rio Baú e Serra Geral. Até que passava o Pelotas pelo lado da Varginha. Isso há muitos e muitos anos. Foi tudo sendo dividido (DALL’ALBA, 1994, p. 189, apud Figueiredo, 2018).
          Casou-se com Maria Bernardes do Espírito Santo (nasc. 1733, em Laguna, SC – falec. 1808, Lages), filha de Bernardo Buenavides e Domingas Leite Peixoto, com quem teve, ao menos, 11 filhos. De acordo com o pesquisador Luiz Antônio Alves, “segundo as anotações do Prof. Walter Dachs, Maria tem sangue dos índios aldeados na Capela de Viamão”.
Manoel da Silva Ribeiro foi Juiz Ordinário de Lages em 1772, e também presidiu as seções da Câmara da Vila Nossa Senhora dos Prazeres das Lagens nos anos de 1775 a 1778 (DACHS, 1961). Embora existam outras pessoas com o mesmo nome (aspecto comum na Serra Catarinense ao se estudar genealogia), “Manoel da Silva Ribeiro”, acredita-se que a homenagem como nome de Rua em São Joaquim (SC) se deve a este ancestral remoto, personagem importante nos primeiros tempos de habitação da Serra Catarinense.

Figura 1 - Rua Manoel da Silva Ribeiro, São Joaquim (SC).

Filhos de Manoel da Silva Ribeiro e Maria Bernardes do Espírito Santo:
F1 – PEDRO DA SILVA RIBEIRO (1746 – 1835), c.c. Anna Maria de Saldanha, filha de Caetano Saldanha e Maria Ferreira.
F2 – LEONOR BENAVIDES (1749 – 1753).
F3 – EUGÊNIO DA SILVA RIBEIRO (1750 – 1770).
F4 – MANOEL BERNARDO DA SILVA (RIBEIRO) (nasc. 1755).
F5 – FRANCISCO BERNARDO DA SILVA (RIBEIRO) (nasc. 1757), c.c. Antonia Maria Gomes. Esta, filha de Josué da Silveira e Luiza Gomes de Carvalho[iii].
F6 – DOMINGOS JOSÉ DE BRITO (1760 – 1838). De acordo com o pesquisador Luiz Antônio Alves, “adotou o sobrenome dos antepassados lagunenses”.
F7 – JOSÉ DA SILVA RIBEIRO (nasc. 1767), c.c. Antônia Maria de Jesus, filha de Salvador Antunes e Quitéria Maria de Souza.
F8 – MANOEL JOAQUIM DA SILVA RIBEIRO (26/04/1772[iv] – 1800). Solteiro.
F9 – ANNA JOAQUINA BOENAVIDES (1773 – 1817), c.c. Miguel Bicudo do Amarante, filho de Gonçalo Bicudo do Amarante e Jacintha Maria.
F10 – IGNÁCIO DA SILVA RIBEIRO (nasc. 1774), c.c. Anna Muniz de Saldanha, filha de Antônio José Muniz e Genoveva Maria de Saldanha.
F11 – EUFRÁZIA MARIA BENAVIDES (nasc. 1776), c.c. Manoel Teixeira de Brito, filho de Sebastião Teixeira e Luíza Gomes.

Figura 2 - Árvore genealógica de Manoel da Silva Ribeiro.


            Além dos filhos citados, o pesquisador Luiz Antônio Alves cita mais três:
- Matheus Ribeiro da Silva e Souza;
- Felisbina de Saldanha;
- Ignácia Maria de Saldanha.
            Até o momento, não encontramos mais informações a respeito desses filhos.


Obs.: Mais informações sobre os descendentes de Manoel da Silva Ribeiro podem ser encontradas no livro “O Voo das Curucacas: Estudo Genealógico de Famílias Serranas de Santa Catarina”.


Referências

ALVES, Luiz Antônio. Descendentes de Domingos da Silva Ribeiro. Disponível em: http://www.fuj.com.br/files/SK0AjApAWmEiis3.rtf. Acesso em: 11 set. 2018.

DACHS, Walter. Manoel da Silva Ribeiro, LII. Histórico da Vila de Nossa Senhora dos Prazeres das Lagens. Jornal Guia Serrano, Lages, 1961.

DALL’ALBA, João Lenoir. Mineiros e Colonos em Orleans. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1994.

FIGUEIREDO, Edinna B. Pereira. Raízes centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.

SCHNEIDER, Ismênia Ribeiro. O voo das curucacas: estudo genealógico das famílias serranas de Santa Catarina. Letra editorial: Florianópolis, 2013.

SCHNEIDER, Ismênia Ribeiro. Acervo particular.


[i] BOGACIOVAS, Marcelo. Antigos Proprietários Rurais de Lages. Revista da Asbrap, nº 6, 1999.

[ii] LIMA, ROGÉRIO Palma. Documento fornecido: Certidão de óbito Manoel da Silva Ribeiro. Dado inserido em 07-08-2011. Disponível em: www.genoom.com. Acesso: 20 fev. 2012.

[iii] ALVES, Luiz Antônio. Descendentes de Domingos Ribeiro da Silva. Disponível em: http://www.fuj.com.br/files/SK0AjApAWmEiis3.rtf. Acesso em: 11 set. 2018.

[iv] LIMA, ROGÉRIO Palma. Documento fornecido: Certidão de batismo de Manoel Joaquim da Silva Ribeiro. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:939Z-YRST-YR?i=8&wc=11578482&cc=2177296.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Rua José Jaime Vieira Rodrigues




        A matéria de hoje é dedicada a mais um personagem importante para o município de São Joaquim, o professor José Jaime Vieira Rodrigues, que recebeu um nome de rua em sua homenagem.
           José Jaime Vieira Rodrigues era filho de Emília Vieira e de Joaquim Anacleto Rodrigues. 


Notas:
Emília Vieira era filha de LEANDRO ANTÔNIO VIEIRA (batizado em 1857) e de  ROSA DE LIMA RIBEIRO VIEIRA (falecida em 1915) (esta, filha de Manoel Bento Ribeiro e de Felicidade Maria Rodrigues).
Joaquim Anacleto Rodrigues era filho de Anacleto Rodrigues da Cunha e de Maria Cândida Rodrigues.

Irmãos de José Jaime Vieira Rodrigues:
- Alzina Vieira Rodriques, c.c. Domingos Martorano (irmão de D. Mena)
- Ari Vieira Rodrigues, c.c. Ismênia de Souza Vieira (filha de Lysandro Luiz Vieira e Simiana  Souza Vieira)
- Rosa Vieira, c.c.Aires Mattos, (filho de Juvenal da Silva Mattos e de ? , s/ filhos)
- Maria Cândida Vieira ,“Tia Nunuta”, c.c. Everton Vieira Borges ( filho de Fulgentino Vieira Borges, “Pai Tico”)
- Odete Vieira, solteira. Foi criada pelos tios Felicidade e Boanerges.

            José Jaime casou-se com Philomena Martorano, filha de Egídio Martorano (13/01/1869 – 18/08/1955) e de Eulália Brasil (06/02/1887 - 02/05/1945).

Notas:
Egídio Martorano era filho de Domingos Martorano (1840-1923, natural de Casteluccio, Basilicata, Itália) e de Filomena Bevilaqua (também da Itália).
Eulália Brasil era filha de Antonio Mariano Teixeira Brasil e de Anna Maria Rabello.

Filhos de José Jaime Vieira Rodrigues e Philomena Martorano:
F1 – Joaquim Anacleto Rodrigues Neto, c.c. Ana Coral.
F2 – Iolanda Martorano Vieira, c.c. Francisco Pereira.
F3 – Glaucia Martorano Vieira, c.c. Hélvio Ferreira.
F4 – Humberto Martorano Vieira, c.c. (Mana?).
F5 – Ari Vieira Rodrigues Sobrinho.
F6 – Jaime Vieira Rodrigues Filho.
F7 – Fátima Martorano, c.c. Pedro.
F8 – Glauco Martorano Vieira.
F9 – Maria Emilia Martorano Vieira, c.c. José Américo Palma.

            O professor José Jaime Vieira Rodrigues teve importante papel na construção do Hospital de Caridade Coração de Jesus, em São Joaquim (SC). Nas palavras de Maria Batista Nercolini (1987) ele era um “batalhador incansável”, sendo que “percorreu o Município a cavalo, visitando nossos fazendeiros para trazer recursos para essa obra prioritária e desejada para a nossa coletividade”[i].
            Segundo Maria Emilia Palma, filha do professor, em uma dessas viagens a cavalo para arrecadar recursos para a construção do hospital, “ao retornar de Bom Jardim, onde recebeu uma grande doação do sogro do Sr. Aldo Pereira, foi surpreendido por uma enxurrada que arrastou sua mula e por pouco não aconteceu uma tragédia. Quando as obras do Hospital começaram, ele trabalhava junto com os operários”.

Figura 1 - À esquerda, entrada da Rua José Jaime Vieira Rodrigues, que dá acesso ao Mirante Belvedere (pela escadaria vista na figura abaixo). Fonte: Google Street View, 2018.



Figura 2 - Escadaria na Rua José Jaime Vieira Rodrigues, em direção ao Mirante Belvedere, São Joaquim (SC). Fonte: Blog “Meus Roteiros de Viagem”.

Figura 3 - Detalhe da placa da escadaria.


Figura 4 - Rua José Jaime Vieira Rodrigues (outro acesso de veículos, ligado à Rua Antônio P. Sobrinho). Fonte: Google Street View, 2018.


Figura 5 - Mapa da Rua José Jaime Vieira Rodrigues, sendo que na parte mais estreita só é possível o acesso a pé. Fonte: Google Maps.

 Obs.: Se você tiver mais alguma informação ou fotografia da família, pode enviar para o e-mail: menokaribeiro@gmail.com, que adicionaremos na matéria.


Referências


[i] NERCOLINI, Maria Batista. Histórico da cidade de São Joaquim e os costumes de seu povo. In: Blumenau em Cadernos, TOMO XXVIII/6 – Junho de 1987, edição 366, pp. 226-229. Digitalizado pelo Arquivo Histórico José Ferreira da Silva, Blumenau, SC. Disponível em: http://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/blumenau%20em%20cadernos/1987/BLU1987006.pdf.

SCHNEIDER, Ismênia Ribeiro. Estudo genealógico da Família Vieira. Acervo pessoal.

Depoimento de Maria Emilia Palma, filha do professor José Jaime Vieira Rodrigues, em 2018 (via Facebook).

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Avenida Coronel Antônio Palma


      A matéria de hoje é dedicada a mais um importante personagem joaquinense, o Cel. Antonio Palma, que desempenhou várias funções políticas, atuando nos cargos de vereador e de prefeito de São Joaquim, além de deputado. Em sua homenagem, foi dedicado o nome de uma avenida no município.
ANTONIO PALMA (nasc. 03.06.1891, em São Joaquim[i]), filho de Ignácio da Silva Mattos (Inácio Palma) e Esmênia Pereira Machado (Ismênia Palma).
Casado com Belmira Rodrigues Palma (Lotinha) (27.12.1885 – 10.11.1970), filha de Ezírio Bento Rodrigues Nunes e de Vicência Rosa de Jesus.
Casamento: 26 de janeiro de 1914.

Notas:
Ezírio Bento Rodrigues Nunes é filho de Manoel Bento Rodrigues Nunes, de Dom Pedrito, RS, e de Felisbina Maria de Saldanha.

Vicência é filha de Manoel Pereira de Medeiros, “Manduca Pereira”, e de Ignácia Maria de Saldanha (1813 – 1904, 91 anos). Ezírio e Vicência eram primos-irmãos, porque suas mães, Felisbina e Ignácia Maria eram irmãs, filhas de João da Silva Ribeiro “Sênior” e de Maria Benta de Souza.

Belmira Rodrigues Palma e Ismênia Palma, além de nora e sogra, eram primas-irmãs, pois suas mães, VICENCIA e FLORINDA eram irmãs, ambas filhas de “Manduca Pereira” e de Ignácia Maria de Saldanha, de onde se deduz que Antônio Palma e Lotinha eram, igualmente muito parentes: Vicência era tia-avó de Antônio e Florinda era tia de Lotinha.

Para maiores informações sobre Ismênia Pereira Machado (Ismênia Palma) ver: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2013/12/ismenia-palma-exemplo-de-bondade.html
Para mais informações sobre o casal Ismênia e Inácio Palma ver: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2013/10/ancestrais-da-familia-palma-continuacao.html


Vejamos o que diz o Dicionário Político Catarinense sobre Antônio Palma:
“Natural da fazenda Antonina, município de São Joaquim, SC, a 02.06.1891, filho de Ignácio da Silva Mattos e de D. Ismênia Pereira Machado.
Pecuarista. Conselheiro (vereador) Municipal de São Joaquim (1924-1928). Prefeito Municipal de São Joaquim, nomeado pelo Interventor Federal de Santa Catarina (1930), renunciando em 1931, e cargo esse exercido sem receber qualquer remuneração. Fundador da União Democrática Nacional. Deputado à Assembleia Legislativa do Estado à 3ª Legislatura (1955-1958), eleito pela União Democrática Nacional [no município].
Faleceu, em Florianópolis, a 10.11.1970.
Foi casado com D. Belmira Rodrigues Pereira [Palma depois de casada] de quem houve descendência.” (PIAZZA, 1994, p. 521).


Antonio Palma.

 Filhos de Antônio Palma e Belmira Rodrigues:

F1 – Maria Palma de Haro (nasc. 30/11/1914, batismo em 30/03/1915[ii]), c.c. Martinho de Haro (nasc. 11 de novembro de 1907, em São Joaquim – falec. 23 de maio de 1985, em Florianópolis[iii]), filho de Antonio Haro dos Anjos e de Silvia Brasil de Haro (filha de Antonio Mariano Teixeira Brasil e de Ana Maria Rabelo Brasil, chamada D. Aninha).

Maria Palma de Haro. Pintura de 1948, por Martinho de Haro [iv].

Filhos de Maria Palma e Martinho de Haro:
N1.1 – Rodrigo Antônio de Haro (nasc. 06/05/1939[iv], Paris), conhecido como Rodrigo de Haro.
N1.2 – Sílvia Palma de Haro (nasc. 1945).
N1.3 – Martim Afonso Palma de Haro (nasc. 1948).
N1.4 – André Vidal Palma de Haro (nasc. 1950 – falec. 1986).
N1.5 – Izolda Palma de Haro (1959 – 1964). Faleceu aos cinco anos de idade, vítima de atropelamento.

Nota: Mais informações sobre a família Palma de Haro em: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2015/11/familia-palma-e-sua-relacao-com.html
e


F2 – Olga Palma Bortoluzzi (21.12.1916, São Joaquim – 18.03.1989, Florianópolis), c.c. Hugo Bortoluzzi (03.05.1909, em Nova Veneza, SC, - 18.11.1992, Florianópolis).
Hugo era filho de Giovanni Bortoluzzi (nasceu em 14.06.1876, em Belluno, na Itália e faleceu em Nova Veneza, SC, em 1925) e de Adélia Pessi (nasceu em 27.12.1879, em Nova Veneza, SC, e faleceu em 1965).
Hugo Bortoluzzi era dentista.
Olga Palma.
  
Filhos de Olga e Hugo Bortoluzzi[v]:
N2.1 – Murilo Antonio Palma Bortoluzzi (10.10.1937 – 20.04.1954).
N2. 2 – João Roxinaldo Bortoluzzi (nasc. 29.10.1939), c.c. Regina Guardiola Borotluzzi. O casal tem três filhos: Roger Guardiola Bortoluzzi (nasc. 12.10.1971), Mauro Guardiola Bortoluzzi (nasc. 18.04.1973) e Fernando Guardiola Bortoluzzi (nasc. 29.12.1976).
N2.3 – Gerson Fausto Bortoluzzi (nasc. 26.10.1944), c.c. Sonia Helena Neves Borotluzzi. O casal tem dois filhos: Alexandre Neves Bortoluzzi e Juliana Neves Bortoluzzi.
N2.4 – Geluz Palma Bortoluzzi (nasc. 17.03.1946).

Avenida Coronel Antonio Palma, São Joaquim (SC).


Referências

PIAZZA, W. Dicionário político catarinense. 1994.

Inventário Judicial sem Testamento de Antonio da Silva Mattos, 1912.



[i] Livro 11 de batismos, fls. 44v., São Joaquim.

[ii] Registro de batismo de Maria Palma, 1915. Documento disponibilizado por Rogério Palma de Lima. Disponível em: https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:939Z-Y59V-K6?wc=MMPG-NN6%3A1788415761&cc=1719212.

[iii] Batismo de Martinho de Haro, 1907. Documento disponibilizado por Rogério Palma de Lima. Disponível em: https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-267-12696-47573-12?cc=2016197&wc=MXYK-TZS:337699901,337699902,337754001. e Óbito de Martinho de Haro, 1985. Documento disponibilizado por Rogério Palma de Lima. Disponível em: https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-267-12698-35111-57?cc=2016197&wc=MXYB-8TL:337702501,337702502,340916701.

[iv] MATTOS, Tarcísio; CORRÊA NETO, Ylmar; ANDRADE FILHO, João Evangelista (orgs.). Martinho de Haro. Florianópolis: Tempo Editorial, 2007.

[v] Dados fornecidos por Gerson Fausto Bortoluzzi, filho de Olga Palma Bortoluzzi e de Hugo Bortoluzzi.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Histórico da cidade de São Joaquim e os costumes de seu povo


            Na postagem de hoje apresentamos uma matéria de 1987, escrita por Maria Batista Nercolini, e publicada na Revista Blumenau em Cadernos, TOMO XXVIII/6 – Junho de 1987, edição 366[i].
            O texto é muito interessante, pois cita diversos personagens importantes para a história de São Joaquim (SC), sendo que alguns já foram, inclusive, foco de matérias anteriores no Blog, como Bento Cavalheiro do Amaral[ii], Agripa de Castro Faria[iii], Egídio Martorano[iv], Enedino Batista Ribeiro [v] e Jorge Bleyer[vi].
            Confiram a matéria na íntegra:


Histórico da cidade de São Joaquim
e os costumes de seu povo
Maria Batista Nercolini

5º Capítulo

No 3º capítulo, falamos de Correio, prometendo voltar após recebermos documentos.
Apresentamos: Departamento Correios e Telégrafos.
O Correio era uma Repartição que funcionava à parte do Telégrafo e que só mais tarde houve fusão.
Seu competente funcionário era João Araujo Lima. Essa Repartição funcionava na casa de sua propriedade, mais ou menos onde está hoje o Hotel Nevada.
Vamos lembrara que a correspondência, que vinha e ia para Lages, Urubici, bom Jardim, daí par baixo da Serra, era em lombo de animais. Lembremos nossos estafetas[1], Francisco Santos, Guedes, Farias e Juventino, para B. Jardim esse último, até mais ou menos 1945. Estes estafetas usavam roupas de cáqui amarelo, e as pessoas da época sabem da pontualidade e presteza do Correio. Viagens fatigantes, num itinerário semanal.
Como já noticiamos, o telégrafo, no final do século, funcionava. Dos funcionários, conseguimos a documentação da Divisão de Administração do pessoal do Ex-DCT-Brasília, DF, em 20-05-1967, por nossa solicitação.
Janjão (pai de Renato Góss), conforme noticia também a “Gazeta Joaquinense” em 1909, ainda trabalhava em nossa Comuna, cuja biografia daremos oportunamente, sem contudo afirmarmos que seria o 1º telegrafista.
Aristides Félix Cassão, sendo deste a Portaria conseguida:
“Matrícula nº 365.434. nasceu em 15-1-1891 e foi admitido em 06-1-1909 como Trabalhador Diarista. Em 24-08-1911, foi elevado ao cargo de Telegrafista Regional. Passando por várias promoções, atingiu a carreira de telegrafista “M”, conforme Decreto de 23-04-54, do Diário Oficial da União, em 30 do mesmo mês.
Foi também funcionário do Correio, conforme portaria, e em virtude da fusão descrita acima. Faleceu em Florianópolis, em 26-09-1954, aos 63 anos de idade, dos quais 45 anos dedicados aos serviços públicos.
A linha telefônica foi criada mais ou menos em 1928 no então Distrito de Bom Jardim da Serra. O encarregado foi Gil Mattos, filho de um dos homens mais inteligentes e probos, Sebastião Mattos.
Aristides transferiu-se para Tijucas, ficando sua irmã Juliete Martins Cassão, também telegrafista, e o nosso amigo Benigno Dutra, neto pelo lado paterno de Horácio Dutra, um dos homens que muito serviu nossa Comuna. Foi Secretário da Prefeitura, ocupou outros cargos de confiança e possuía uma invejável caligrafia. Horácio, pai de Gasparino, foi outro são-joaquinense amigo e amante de sua terra. Destacou-se como funcionário, Coletor estadual, Diretor do Tesouro do Estado e Prefeito na cidade de Urubici. muito sabia de nossa gente. lamentamos que não haja nada registrado de sua autoria, como o lado materno, os Cavalheiros e outros pioneiros.
Era casado com Alice Costa, também de família de destaque na Comunidade. E hoje aí está a Repartição “Empresa Brasileira Correios e Telégrafos”, desde 1964, com boa instalação, ótimos funcionários, alguns nosso conterrâneos, trabalhando, servindo e impulsionando o nosso progresso.

Saúde
Hospital Sagrado Coração de Jesus
(Respeitando grafia original)

Conforme cópia do testamento em nosso poder, transcrevemos fielmente a parte que interessa ao Hospital (Expedido pelo Cartório da 2ª Vara Civil, Comarca de São Joaquim). No livro de Registro dos Testamentos, à fls. 14v a 16, consta da averbação do seguinte testamento: “Averbação e Registro do Testamento do teor seguinte J. M. J. Em nome da Santíssima Trindade, Padre Filho Espírito Santo, Três pessoas distintas e um só Deus verdadeiro, em quem piamente creio e em cuja fé pretendo viver e morrer, é este o meu testamento contendo as minhas disposições de última vontade:
“Declaro chamar-me Bento Cavalheiro do Amaral, natural deste Estado, domiciliado nesta Comarca, filho de Manoel Cavalheiro Leitão e Marianna Cândida d’Almeida, já falecidos, (Obs.: continua o testamento com doação à família). Em um dos itens, encontramos: “Dentro das forças de minha terça, faço doação de uma área de terras que possuo próxima desta Villa, e que confronta com Enéas da Silva Mattos, e Tenete Egídio Martorano, e o arroio (Obs.: Este é o arroio da Chapado do Cruzeiro), que passa próximo desta Villa, a um estabelecimento de caridade, cujo terreno destino à edificação de um asylo para indigentes. Era o dia 28-06-1903”. A Obs. é nossa.
Diante desta doação, fui fundada a Associação Beneficente “Bento Cavalheiro” em 1925.
Em 1932 foi dado início a construção do Hospital de Caridade Coração de Jesus. Para esta obra, manifestou-se a Diretoria: Domingos Martorano, Thiago Fioravante de Mattos, Aristides Batcke, Manoel Teixeira e o professor José Jaime Vieira Rodrigues, o batalhador incansável, que percorreu o Município a cavalo, visitando nossos fazendeiros para trazer recursos para essa obra prioritária e desejada para a nossa coletividade.
Só foi inaugurado no dia 30 de abril de 1944 com a Banda Musical Mozart Joaquinense, a população presente, discursos e a porta aberta pelo neto de Bento Cavalheiro do Amaral, Gervásio Pereira do Amaral. Estas reminiscências devem estar registadas na memória de muitos que assistiram.
As outras edificações, em 1963 e 1970, abrangendo, emergência, novo centro cirúrgico, pediatria, cozinha, lavanderia, etc., foram tarefas árduas dos médicos e comunidade.
Estão em andamento [em 1987] os 4 blocos que fazem parte do Hospital, no comando de seu idealizador Dr. Jani Rogério Vieira Wolff, que será assim apoteose desta batalha nascida em 1903.
São Joaquim esteve sempre amparado por bons médicos. Daremos a nominata (Se a memória nos trais, corrigiremos em nossa futura monografia, observação válida também no setor odontológico e farmácia).
O. Dr. José Nabuco D’Avila, de Pernambuco, mais ou menos 1917-1919, teve a infelicidade de perder sua esposa e filhinho, vítimas da epidemia espanhola, após a 1ª Guerra Mundial.
Dr. Vicente Modena, 1920.
Dr. Newton Vieira Ramos, do Estado do Espírito Santo, 1920, casou-se com Herondina de Macedo, de importante família de Bom Jardim da Serra.
Dr. Müller, mais ou menos 1925.
Dr. Vicente Cantisani, italiano, jovem, solteiro, competentíssimo, conviveu entre nós por muitos anos. Com a 2ª Guerra Mundial e os seus efeitos, partiu em circunstâncias desagradáveis, falecendo no Amazonas, onde foi reunir-se a um irmão.
Dr. Jorge Clarke Bleyer, médico, cientista natural de Hannover (Alemanha), radicou-se em nosso Estado e viveu também em outras cidades. Casou-se com jovem da conhecida família Neves, de Lages. Tem vários trabalhos científicos, como: Conferência na Academia Nacional de Medicina do Rio de Janeiro “Contribuição para estudos do troglodyta das cavernas no planalto do Brasil” (Publicado em 19-8-1919 – Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina).
“Ueber dir antropophagie praehistorischer ureinvvohner des Hochplathou’s von Santa Catarina in Brasilien”, apresentado ao XVIII Congresso Internacional de Americanistas, e impressa nos seus Anais, Londres 1913. Apresentou no XX Congresso Internacional de Americanistas, no Rio de Janeiro, em 1922, “Investigações sobre o homem pré-histórico no Brasil Meridional”. Sobre o canibalismo aborígene pré-histórico habitante de grutas e abrigos sob rocha, 1928. (Do livro As Grutas de São Joaquim e Urubici, de Walter Piazza).
Dr. Armando Ramos de Carvalho, natural de Lages, formado pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, 1924, esteve entre nós mais ou menos de 1925 a 1930.
Dr. Agripa de Castro Farias – Campos, Rio de Janeiro (Biografia capítulo política).
Chegamos em 1930 e com ele a satisfação e até mesmo orgulho de termos o nosso primeiro médico, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Dr. Joaquim Pinto de Arruda, bisneto de nosso fundador (Dados biográficos, no capítulo Política).
Dr. José Martins, filho do emérito professor Adolfo Martins e Dolores Ribeiro Martins. Infelizmente a morte o arrebatou muito jovem (Não clinicou em nossa cidade).
Dr. Aristarides Stadler, médico paranaense, que pelo devotamento à sua profissão, deixou profundas marcas no seio do povo e principalmente dos mais humildes. Casou-se com a belíssima Gema, representante da fina Sociedade Bonjardinense, falecendo muito cedo.
Dr. João Batista Verás – 1944.
Dr. Arnaldo Bittencourt.
Dr. Bica – 1950.
Dr. Artur Lopes da Silveira Pinto.
Dr. Abrahão Kochmann.
Dr. Samuel Meyer.
Dr. Egídio Martorano, foi presidente do Hospital (Como político, Cap. Política).
Em 1956, o Dr. Olavo Francisco Vieira chegou para exercer sua profissão, abraçando-a com muito fervor, sempre solícito aos que o procuram, especialmente os pobres. Por esse trabalho, tão humano, justifica o respeito, o carinho do povo para com ele. Foi Diretor do Hospital, no período de 5 a 6 anos.
Médicos da atualidade [1987], alguns dos quais são-joaquinenses:
Dr. Jani Rodrigues ieira Wolff
Dr. José Luiz Bergomache
Dr. Leonardo José Batcke
Dr. Lizandro Chiodelli
Dr. Newton Estélio Fontanelle
Dr. Olavo Francisco Vieira
Dr. Romario Zabot
Dr. Sergio Luiz Ribeiro
Dr. Telmo Francisco de Souza Palma
Dr. Walter Gonçalves de Azevedo

Dentistas:

Oscar Alves Ferreira – Gaúcho de Porto Alegre
José Silveira Batalha – São Joaquim
Aristides Soares – Lages
Henrique (Alemão) – Blumenau
Hugo Bortoluzi – Nova Veneza
Laerte Rodrigues Lima – Lages
Dr. Guaracy Santos – Florianópolis
Para chegarmos em 1987, com muitos são-joaquinenses e de outras localidades:
Dr. Alcides Celestino dos Santos
Dr. Alcir Rogério Rodrigues
Dr. Anacreonte Martins Antunes
Dr. Doroteu Campos
Dr. Fulvio Ferreira Filho (Blumenau atualmente [1987])
Dr. João Pagani
Dr. Joaquim Anacleto Rodrigues Neto
Dr. Renaldo Albino de Bem
Dr. Zilson Marivaldo Gonçalves de Azevedo

Farmácias

Partimos de 1935, pelos documentos existentes:
“Santa Maria”, de Enedino Batista Ribeiro, Farmacêutico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

De: Silvio Souza
      Hilário Bleyer
João Jorge da Silva e Barnabé Dutra, passando por compra a Altamiro Bianchini, farmacêutico formado, “Farmácia N. S. das Graças” que hoje [1987] pertence ao seu filho Dr. Luiz Carlos Bianchini, também farmacêutico e bioquímico, respectivamente esposo e filho da escritora Suzana Scóss Bianchini, autora do livro “Recordando São Joaquim”.

De: Rui Vieira
Rede Farmácias Pinheiro Ltda.
        Farmácia Popular Ltda. – Clovis Debetio.
        Farmácia São João Ltda. – João de Oliveira Neto.

Figura 1 - Dr. Newton Vieira Ramos. Fonte: Blumenau em Cadernos, 1987, p. 228.


Referência



[1] Estafeta: portador de despachos, encomendas, cartas, que faz a entrega a cavalo. Funcionário de empresa postal, encarregado de distribuir a correspondência; carteiro.




[i] Agradecemos a Luís Fernando Marques Dorvillé, que nos enviou por e-mail (junho de 2018) o arquivo digitalizado.
NERCOLINI, Maria Batista. Histórico da cidade de São Joaquim e os costumes de seu povo. In: Blumenau em Cadernos, TOMO XXVIII/6 – Junho de 1987, edição 366, pp. 226-229. Digitalizado pelo Arquivo Histórico José Ferreira da Silva, Blumenau, SC. Disponível em: http://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/blumenau%20em%20cadernos/1987/BLU1987006.pdf. 


quinta-feira, 5 de julho de 2018

Homenagem a Osni Vieira


A matéria de hoje é dedicada a Osni Vieira, importante personagem político para o município de São Joaquim, e estudioso da história genealógica de sua estirpe, formada pelas famílias Souza e Vieira.
            Osni de Souza Vieira nasceu em 27 de novembro de 1923, filho de Lizandro Luiz Vieira e Simiana de Souza Vieira.
            Casou-se, em 23.12.1947, com Nanci Palma, filha de Anna Palma (Sinhana) (23/02/1898 - 20/08/1962) e de Fredolino do Amaral e Souza (10/10/1893 - 29/11/1954).

Nota: Mais informações sobre os pais de Nanci Palma em: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2014/03/filhos-de-ignacio-da-silva-mattos-e.html
           
Osni e Nanci tiveram sete filhos: Fredolino (Dota), Lisandro, Nadja, Moacir (Preto), Júlio, Natércia e Raquel, que geraram dezoito netos e quatro bisnetos[i].
Osni Vieira desempenhou papel importante para a cidade de São Joaquim, sendo que “foi vereador, secretário municipal e assumiu a prefeitura de São Joaquim por diversas vezes entre 1964 e 1965”i. O texto publicado no site do município de São Joaquim descreve a sua trajetória:

“Em 1960, foi eleito vereador com 590 votos, para a Câmara Municipal de Vereadores. Em 1963, convidado pelo prefeito Ismael Nunes, foi empossado secretário municipal da Prefeitura de São Joaquim.
 Em 1964, com a licença do prefeito Ismael Nunes, assumiu o cargo de Prefeito Municipal em exercício por 30 dias.
Em outubro de 1965, com a licença do prefeito Ismael Nunes, assumiu cargo de Prefeito Municipal até 1º de janeiro de 1966. Nestes três meses de administração, Osni Vieira em convênio com o governador Celso Ramos, aprovou a planta do prédio da Prefeitura e do Fórum, conjugados, sendo construído neste período a parte térrea.
Construiu duas pontes, uma de concreto no Rio Quebra Dente em Urupema, e outra em Bom Jardim da Serra. Aterrou diversas ruas, entre elas no Bairro Praia Verde e na Praça da Igreja Matriz.
Por diversos anos Osni Vieira foi presidente da paróquia de São Joaquim. Por dois anos foi secretário da Associação Beneficente Bento Cavalheiro, do Hospital Sagrado Coração de Jesus, neste período foi construída a ala da frente do hospital. Por duas vezes, foi secretário do Clube Astréa, nesta época foi construída a sede nova do clube.
Por iniciativa do prefeito João Inácio de Melo, Teófilo Mattos e Osni Vieira, foi fundada a Escola Cenecista. Ajudou a formar o Colégio São José, dissuadindo Padre Blévio Oselame, vigário da Paróquia, que fosse criado a escola pública e não particular, proporcionando ensino gratuito a comunidade. É um dos sócios fundadores da Rádio Difusora, que neste ano comemora 55 anos.
Por duas vezes fez parte da diretoria do Sindicato Rural. Vice-presidente da Associação da Banda Mozart de São Joaquim. Sócio Fundador da Cooperativa Cotia, setor de frutas em São Joaquim. Articulador e sócio fundador da Cooperserra.
Por 35 anos foi comerciante de tecidos e confecções, com a Loja Nanci em São Joaquim. Formou uma fazenda para criação de gado. Criador da raça charolês, com a Cabanha Alecrim, com seleção puro de origem (PO) e puro por cruzamento (PC). Esta atividade exerceu por vários anos, transferindo para os filhos em doação. Em 1980, participou do Cursilho de Cristandade em Lages. Em seguida foi eleito secretário do núcleo de São Joaquim, na atividade de cursilhista que exerceu por 13 anos, percorendo a paróquia, ministrando cursos de encontro de casais, liderados pelo Padre Otávio de Lorenzo.
Pregou cursos em Urubici, Urupema, Painel, Lages e Vacaria. “Este para mim foi um dos melhores períodos de minha vida. Nos cursilhos conheci melhor Jesus Cristo e segui sua doutrina, pregando o seu evangelho. Foi aqui a maior realização da minha vida porque além de servir ao criador, eu também servi a minha comunidade, o meu município.”
A minha prioridade era a casa de Formação da Paróquia, onde realizamos encontros de casais, cursos para motivar outras atividades”.
Pessoa com muito habilidade nas negociações, auxiliou sem honorários muitas pessoas da comunidade nas transações comerciais.
Aos 90 anos de vida, declarou... “Hoje com os meus 90 anos de idade, tenho vontade de dizer como disse o apóstolo Paulo a Timóteo: ele já é velho, cabelos brancos sentindo o tempo da partida. Combati o bom combate e terminei minha carreira, guardei a fé. Já me está preparada a coroa da justiça, que naquele dia me outorgara o bem pior, justo juiz, e não só a mim, porém a todos os que amam a sua vinda."”.[ii]

Osni Vieira faleceu em 18 de maio de 2018, com 94 anos de idade.

Osni Vieira. Fonte: Site da Prefeitura de São Joaquim, SC.


Em sua homenagem, aproveitamos para publicar aqui um depoimento dele sobre os costumes serranos.


Costumes antigos dos serranos
Depoimento de Osni de Souza Vieira

Nos anos 1927 a 1932, eu passava períodos com meus avós Policarpo José de Souza e Ana Vieira de Arruda na Fazenda da Barrinha. Ainda nessa época, usavam o fogo de chão para ferver a água, cozinhar os alimentos e para aquecer do enorme frio do inverno que atingia toda a região serrana do Estado de Santa Catarina.
O fogo era aceso dentro de uma cozinha separada da casa, onde eram instalados uns ganchos pendurados em arame grosso. A certa altura havia uma parte de madeira com graduação para levantar ou abaixar as panelas com arco que estavam no gancho. Por essa época, o fogo de chão com ganchos foi substituído por fogo com grelhas de ferro, que consistia em uma grade de ferro com pés. Faziam o fogo no chão e colocavam as panelas e a chaleira com água em cima da grade. A seguir, surgiu o fogão a lenha, fabricado pelo Sr. Manoel Bernardo, em São Joaquim. Foi um avanço, porque não fazia fumaça dentro de casa. Minha mãe (Dona Doquinha) tinha uma fazenda do Posto. Era também um fogão artesanal, mas funcionava bem. Foi considerado um avanço importante para o conforto familiar, principalmente para as donas de casa.
Em seguida, apareceu o fogão chamado “de ferro”, na verdade, de latão pintado de preto, que escorria no primeiro fogo. Procedia de Porto Alegre, da marca “Berta”. Minha mãe comprou um que substituiu o fogo de chão. Em 1942 surgiu o fogão “esmaltado”, com flores, da marca “Wallig”, também vindo de Porto Alegre, servindo também para o aquecimento das casas no rigoroso inverno de São Joaquim.

Tampa de um fogão Wallig.

No fogo de chão tinha um pedaço de pau de lenha grosso, para fazer brasa e conservar o fogo aceso, que era chamado de “trafugueiro”. As cinzas e as brasas eram usadas para fazer o “burraio”, que consistia em fazer um buraco nas brasas e cinzas onde se colocava um punhado de pinhão para assar muito bem. O pinhão que “estourava” era o mais disputado, pois ficava mais saboroso.
Ainda falando em fogo, naquela época, inventaram o “avio de fogo”, chamado isqueiro ou bisquaio, usado para acender cigarros. Consistia de uma ponta de chifre, pedra fogo, encontrada nos barrancos das encostas dos morros, e pano queimado, tudo segurado entre os dedos, e para constituir faísca para acender o pano úmido em querosene, batiam com uma pedra de lima lisa contra a pedra de fogo. Surgiu em outra época o isqueiro com isca amarela e pedra de fogo, bem melhor e muito mais usado.
Ao redor do fogo as pessoas contavam “causos”, que consistiam em longas e impossíveis histórias. As crianças adoravam. Uma das histórias que eu contava era a do “Amigo Folharada”. A lenha colocada no fogo de chão, depois de acesa, era chamada de “tição”, que também servia para acender cigarros.
Utensílios: Gamela, este era um utensílio muito usado nos primórdios de São Joaquim. Era de madeira cavada com “trado”, “enxó”, ou “goiva”, no tamanho certo para cada finalidade. Servia para lavar louças, lavar o rosto, mãos e pés, todas no tamanho útil. Ainda nesta época, apareceu a bacia de folha, pouco usada, e também a bacia de louça ou a esmaltada, acompanhadas de um jarro, serviam para lavar o rosto. Os pratos e canecas eram de folha ou de louça chamada “pé de pedra”, muito fraca. Surgiram também os pratos esmaltados, que descascavam muito e ficavam feios e anti-higiênicos. No começo, as canecas eram de chifres com asas do mesmo.
A iluminação era feita por velas de sebo produzidas em casa. O pavio das velas era feito de lençóis muito velhos. Derretia-se e o colocavam em uma lata onde iam molhando os panos que estavam distribuídos em uma vara e a vela ia engrossando. Quando o sebo da lata baixava, era colocada água quente para que mantivesse cheia. Este processo levava um dia para se concluir. A iluminação também era produzida por lamparinas de folha a querosene. O latoeira produzia as lamparinas. Nos anos 50, apareceu o lampião com camisa incandescente, da marca Aladin. Produzia 500 velas, clareava muito o ambiente. Era abastecido com querosene. Existia também o lampião a querosene com torcida de pano para produzir a tocha, mas clareava pouco. Usavam também as “placas”, que eram pequenos lampiões.


Referências

Acervo pessoal de Ismênia Ribeiro Schneider.


[i] Jornal Mural Online. Homenagem especial a saúde e a vida do casal Osni e Nanci Vieira
[ii] Município de São Joaquim, SC. Prefeito decreta Luto Oficial pelo falecimento de Osni Vieira, publicado em 20/05/2018. Disponível em: http://saojoaquim.sc.gov.br/noticias/index/ver/codNoticia/488232/codMapaItem/4689.