segunda-feira, 17 de junho de 2019

Rua Antão de Paula Velho (Bom Jardim da Serra, SC)


Ismênia Ribeiro Schneider
Cristiane Budde

            A matéria de hoje trata de mais um personagem que deu nome a uma Rua de Bom Jardim da Serra (SC): Antão de Paula Velho. Nascido em 17 de janeiro de 1864[i], em São Francisco de Paula (RS), era filho de Boaventura José Velho e de Henriqueta Manoela dos Passos.
            Segundo a pesquisadora Edinna Figueiredo (2018, p. 675), Antão era “neto paterno de Antônio Manoel Velho e de Anna Tereza da Anunciação, naturais de Cima da Serra, Província do Rio Grande do Sul, neto materno de Ricardo Francisco de Macedo e Rita Maria do Espírito Santo”.
            Antão de Paula Velho participou da fundação do povoado que deu origem ao município de Bom Jardim da Serra[ii]. Também foi “Oficial membro da Guarda Nacional. Primeiro delegado e intendente local” (ALVES, 2011, p. 5)[iii].
            No relatório de 1909 do Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial[iv], Antão de Paula Velho é citado como “Intendente districtal” e também como “Criador”.
            Ele se casou, em 9 de maio de 1890 (Lages-SC), com Maria Adelaide Ribeiro do Amaral Souza (19/07/1870 – 08/08/1946[v]), filha de Matheus Ribeiro de Souza e de Maria do Nascimento Borges do Amaral, “Senharinha”, (2ª esposa)[vi]. Residiam na Fazenda Cambajuvas (distrito de Bom Jardim da Serra).

Filhos[iii], [vii], [viii]:
F1- Garibaldino do Amaral Velho (nasc. 1891), c.c. Minervina Pereira da Silva (1895 – 02-08-1921), filha de Manoel José Pereira e de Maria Cândida da Silva Mattos (esta, filha de Tonico das Palmas).
Em segundas núpcias, Garibaldino casou-se com Helena Albino (nasc. 02-06-1908), filha de Pedro Albino de Oliveira e de Anunciata Martorano.

F2 - Boaventura do Amaral Velho (nasc. 05-04-1892), c.c. Maria Argentina Batista, filha de Ambrósio Baptista Andrade de Souza e Maria Trindade.

F3 - Gasparino do Amaral Velho, c.c. Dautília do Amaral, filha de José Caetano do Amaral e Adélia.
  
F4 - João Ribeiro do Amaral Velho, “Jango”, c. c. Valdomira Rodrigues, filha de Joaquim e Maria Cândida Rodrigues.

F5 - Marcos Pereira do Amaral Velho.

F6 - Maria Dulce do Amaral Velho (nasc. 16 de março de 1892), c.c. Antônio Pereira Sobrinho (1889 – 15-05-1961), filho de José Manoel Pereira e Cândida da Silva Mattos. Antônio foi o 9º Prefeito do município de São Joaquim, de 1935 a 1936.

F7 - Olívia do Amaral Velho (nasc. 25-04-1894), c.c. Algemiro Vieira.

F8 - Alencarina Amaral Velho, “Nenzinha”, c.c. José Palma (30-10-1892 – 23-03-1968), filho de Ignácio da Silva Mattos, “Inácio Palma”, e Ismênia.

F9 - Walter do Amaral Velho (nasc. 14-03-1910), c.c. a prima Octília do Amaral Macedo (nasc. 12-01-1912), filha de Bruno Francisco Macedo e de Zulmira do Amaral.


            Antão de Paula Velho faleceu em 26 de abril de 1916, na Fazenda Cambajuvas, em Bom Jardim da Serra (SC)[ix].
                     
Figura 1 - Óbito de Antão de Paula Velho.



Referências

Acervo pessoal de Ismênia Ribeiro Schneider.


[i] BATISTÉRIO de Antão de Paula Velho. Disponível em: https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-1-14864-13317-27?cc=1719212&wc=11590386.

[ii] WIKIPÉDIA. Material sobre Manoel Cecilio Ribeiro. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_Cecilio_Ribeiro.

[iii] ALVES, Luiz Antônio. Sesmeiro Açoriano, 2011. Disponível em: http://www.fuj.com.br/files/ZrX0PmFzWOMDFiJ.rtf.

[iv] ALMANAK Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial (RJ) - 1891 a 1940. S. Joaquim da Costa da Serra. 1909. R. 30-31. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=313394&pagfis=40273&url=http://memoria.bn.br/docreader#.

[v] FIGUEIREDO, Edinna B. Pereira. Raízes Centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.

[vii] FIGUEIREDO, Edinna B. Pereira. Raízes Centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.

[viii] Listados não necessariamente na ordem de nascimento.


segunda-feira, 20 de maio de 2019

Rua Emílio Ribeiro, Bom Jardim da Serra (SC)


Texto de Mauricio Cardoso da Silva[i], com adaptações de
Ismênia Ribeiro Schneider e Cristiane Budde

            Na matéria de hoje, apresentamos mais uma rua do município de Bom Jardim da Serra (SC), denominada Emílio Ribeiro. A homenagem da rua se atribui ao personagem Emílio Benevenuto Ribeiro (nascimento 1870, falecimento 1943), cidadão ativo na política e na organização da vila de Bom Jardim (na época, distrito de São Joaquim da Costa da Serra), sendo um dos seus oito fundadores. Emílio também foi capitão da guarda nacional, título honorífico, mas de representatividade.

Emilio Benevenuto Ribeiro.

Emílio era filho de Manoel Bento Ribeiro (nasc. 1828, falec. 01/12/1895) e de Felicidade Maria Rodrigues. Era, ainda, sobrinho do Coronel João da Silva Ribeiro (Júnior), importante político na sua época, que deu o nome as praças do centro de São Joaquim e Lages.


Rua Emilio Ribeiro, Bom Jardim da Serra, SC.


Emílio morava na Fazenda Cachoeirinha, e casou-se com Maria Benta Ribeiro filha de Manoel José Pereira (nasc. 14 do julho do 1846, falec. 23 do junho do 1924) e de Cândida Maria da Silva (nasc. 3 do junho do 1856, falec. 27 do agosto do 1938).
O casal teve sete filhos:
F1 - Antônio Evândulo Ribeiro, “Nico”;
F2 - Maria Cândida Ribeiro Goulart;
F3 – Gasparino Ribeiro;
F4 - Manoel Benevenuto Ribeiro,” Manequinho”;
F5 - Moises Ribeiro Sobrinho;
F6 - Lorena Ribeiro, “Tia Lora”;
F7 - Felicidade Ribeiro, “Dadinha”.
                       
Nos primeiros anos após o surgimento da vila de Bom Jardim, os colonizadores dispunham de poucas opções de lazer na região. Foi então que Emilio e um grupo de desbravadores fundaram o Clube Recreativo Bonjardinense. A fundação se deu precisamente no dia 14 de abril de 1910, às 16h, na sede do edifício construído para a referida associação, como consta na ata de fundação do clube.

Ata de Fundação do Clube Bonjardinense.


A notícia da fundação do Clube Recreativo Bonjardinense teve bastante repercussão na época, sendo noticiada no jornal A REPÚBLICA, da cidade de Florianópolis.

 


            Emilio tinha terras na denominada Fazenda do Socorro e na Fazenda Pelotas, onde requereu a demarcação no início do século 20.
            Pode-se observar que no depoimento de Manoel Cecílio Ribeiro, acompanhado de seu advogado Nereu Ramos, no processo de divisão e demarcação da Fazenda do Socorro, em 1916, que se tentou através de reuniões resolver onde ficavam as divisas entre as referidas fazendas (Socorro e Pelotas), pois as delimitações que constavam nos documentos até então eram precárias e com informações vagas a respeito das divisas. Entretanto, não se chegou a nenhum acordo naquele momento.

Segue na íntegra o depoimento de Manoel Cecílio Ribeiro:

DEPOIMENTO DE MANOEL CECILIO RIBEIRO ACOMPANHADO POR  SEU ADVOGADO NEREU RAMOS NO PROCESSO DE DIVISÃO E DEMARCAÇÃO DA FAZENDA DO SOCORRO INSTAURADO EM 1916:


MANOEL CECILIO RIBEIRO interrogado pelo advogado dos réus JOÃO DE PAULA E SILVA respondeu as seguintes perguntas:
PERGUNTA: Se sabe o depoente se Zacarias Francisco Pereira e Manoel Polycarpo de Souza não residem há muito tempo fora da Comarca?
RESPOSTA: Residiam na Comarca e se se mudaram e quanto tempo ignora, porque os mesmos não lhe mandaram avisar. 

PERGUNTA: Se sabe se Zacarias Francisco Pereira arrendou ou não seu campo, casa e benfeitorias?
RESPOSTA: Ignora. 

PERGUNTA: Se sabe se a Fazenda Santa Bárbara está em comunhão?
RESPOSTA: Sabe perfeitamente que está, mesmo porque tem parte nela e que a mesma confronta com a Fazenda do Socorro por um rio. 

PERGUNTA: Se sabe se no rol dos confrontantes acham-se todos os condôminos da mesma Fazenda de Santa Bárbara? 
RESPOSTA: Nem todas se acham no dito rol, mas que julga isso desnecessário porque nenhuma dúvida existe quanto as divisas de uma e outra fazenda, sendo assim todos ali vivem de acordo.   

PERGUNTA: Se sabia explicar com seja o arroio da Porteira mencionado na escritura antiga? 
RESPOSTA: Que justamente por desconhecer com precisão o referido arroio é que propôs a demarcação da fazenda.

 PERGUNTA: Se sabia se as divisas descritas na petição inicial da presente ação de demarcação e divisão da Fazenda do Socorro compreenderiam todo o perímetro da mesma fazenda? 
RESPOSTA: Que sabe que as divisas compreendiam digo na petição inicial compreenderiam todo o perímetro da mesma fazenda.
 
PERGUNTA: Se sabia dizer com certeza qual seja o lugar onde há cento e quarenta anos existia uma Tapera do Padre José Carlos?
RESPOSTA: Que ele não existindo a cento e quarenta anos não podia ter conhecimento próprio onde é a referida Tapera mas o que sabe sobre ela é porque seus antecessores e outros pessoas ainda existentes lhes dirão aonde é a Tapera do Padre José Carlos.

PERGUNTA: Se sabia descrever com exatidão a divisa formada por restingas e faxinaes conforme comenta a escritura antiga? 
RESPOSTA: Não podia descrever com precisão porque nunca ela foi demarcação  razão pela qual requereu a ...............que ignora com precisão quais sejam estas divisas...........................digo que devem ficar compreendidas entre a Fazenda Pelotas e do Socorro

PERGUNTA: Se sabia dizer que parte da Fazenda do Socorro, ficava a referida divisa formada de restingas e faxinais si ao Norte, ao Sul a Leste ou a Oeste? 
RESPOSTA: Matematicamente não pode responder mas que o documentos podem dizer .

PERGUNTA: Se conhecia o rincão do Campo Redondo, Campo da Cria, Campo de Fora até o Boqueirão do Olho D’ Água, Rincão de Fora, Boqueirão, do Capão da Cinza, Rincão da Vigia, Rincão da Palha, Rincão do Potreiro, Faxinal da Costa da Serra, do Bicudo, Rincão que foi de Bairros e Damascena? 
RESPOSTA: Conhecia todos estes rincões como outros, ainda porque nasceu e foi criado, e seus antecessores sempre lhe disseram que estes rincões faziam parte da fazenda do Socorro, a exceção de Bairros e Damascena que seus antecessores nunca lhes disseram se estes dois rincões pertenciam ou não a Fazenda do Socorro.

PERGUNTA: Se sabia se o campo denominado Remanescente está compreendido nesses rincões? 
RESPOSTA: Ignora, porque seus antecessores nunca lhe falaram e tal Campo e nem conhece qualquer documento a que ele se refira. Disse mais que desconhece se existe ou não algum Campo chamado Remanescente, não podendo precisar se algum dos donos da Fazenda do Socorro ou não na posse do dito Campo.

PERGUNTA: Se sabe se João da Silva Ribeiro e sua mulher quando morreram eram os donos únicos da Fazenda do Socorro?
RESPOSTA: Não sabe, que só o exame dos documentos pode esclarecer e que conhece da fazenda do Socorro apenas os documentos que dizem respeito a ele depoente, até pelos documentos que possui não pode dizer se João da Silva Ribeiro e sua mulher eram ou não os únicos donos da referida fazenda.

PERGUNTA: Se sabe qual o herdeiro de Matheus José de Souza ainda tinha parte na fazenda quando do falecimento de João da Silva Ribeiro e se não mais existia herdeiros do mesma referido Matheus José de Souza?    
RESPOSTA: Não sabe, os documentos podem dizer.

PERGUNTA: Se antes de começar a demarcação da Pelotas requerida por Emilio Benevenuto Ribeiro, os interessados desta e da Fazenda do Socorro fizeram uma reunião em Bom Jardim e no memorial de demarcação o depoente seu genro Adolfo Martins, o Coronel Cezario Joaquim do Amarante e outros fizeram um acordo sobre as linhas de demarcação?
RESPOSTA: Houve de fato a referida reunião mas que nenhum acordo se realizou, havendo entretanto entre ele depoente e Emilio Benevenuto Ribeiro conhecido à aquela reunião aonde nenhum acordo se realizou.

PERGUNTA: A quanto tempo Manoel Ribeiro se estabeleceu com a propriedade na gleba denominada de Cachoreinha?
RESPOSTA: Ignora a data em Manoel Ribeiro se estabeleceu com a propriedade na gleba denominada de Cachoreinha, e nada mais disse e nem lhe foi perguntado.

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          Emilio passou boa parte da vida na Fazenda Cachoeirinha onde, posteriormente, com a perda de sua esposa, permaneceu com uma de suas filhas, Lorena Ribeiro “tia Lora”, onde ficou até o fim da sua vida, no ano de 1943.





[i] Mauricio Cardoso da Silva é bisneto de Emílio Benevenuto Ribeiro.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Rua Manoel Cecílio Ribeiro


Texto de Henrique Brognoli Martins,
com edições e complementações de Ismênia Ribeiro Schneider
e Cristiane Budde


Ainda no município de Bom Jardim da Serra (SC), destacamos a Rua Manoel  Cecílio Ribeiro, localizada no centro,  onde fica a Prefeitura Municipal.  Esta rua homenageia um importante personagem que fez parte do grupo dos oito valorosos cidadãos que com abnegação, despreendimento, sabedoria e boa vontade, ajudaram a fundar a cidade.



Figura 1 - Placa da Rua Manoel Cecílio Ribeiro (Fornecida por Henrique Brognoli Martins).
Figura 2 - Rua Manoel Cecílio Ribeiro, em Bom Jardim da Serra (SC).

Figura 3 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra (SC), localizada na Rua Manoel Cecílio Ribeiro.


Manoel Cecilio Ribeiro era filho de Matheus Ribeiro de Souza (1829-1900) e Maria Magdalena Baptista de Sousa (1833-1867) (personagens já bastante conhecidos em nosso blog, vejam as matérias: https://genealogiaserranasc.blogspot.com/2017/03/casa-de-pedra-150-anos_30.html e https://genealogiaserranasc.blogspot.com/2011/10/fazenda-do-socorro.html). Nasceu na Fazenda do Socorro em 1856, na época em que Bom Jardim da Serra era chamada de Distrito de Nossa Senhora do Socorro.
Manoel deu continuidade à trajetória política de seu pai Matheus, que foi 1º vereador pela região quando da instalação do município de São Joaquim, em 07 de maio de 1877, e de seu tio, o Coronel João Ribeiro (1819-1895), prestigiado chefe político da Região Serrana, chefe do Partido Conservador durante o Império e mais tarde Republicano, um dos fundadores do município de São Joaquim da Costa da Serra, da qual se tornou o 2º prefeito, exemplos que contribuíram na sua formação política e cívica, razão pela qual Manoel Cecilio é lembrado, conforme destacou a escritora Eliane Zandonadi de Carvalho, como: Homem de fibra, participou de gestões políticas-sociais que visassem o desenvolvimento de sua terra”.

Figura 4 – Manoel Cecílio Ribeiro
retratado em crayon pelo célebre
pintor Eduardo Dias (1872-1945).

Em 1867 ficou órfão de mãe, aos 11 anos, e recebeu, juntamente com suas sete irmãs menores, o carinho e o apoio de Maria do Nascimento Amaral (1846-1930), a “Dona Senharinha”, a 2ª esposa de seu pai, a qual sempre o considerou como um filho, tornando-o  mais tarde seu representante. Foi profundo conhecedor de sua terra e de sua gente, relacionava todos os rincões existentes, seu acervo de informações e documentos pode auxiliar no esclarecimento de diversas demarcações de áreas na região. Participou ativamente na administração e no desenvolvimento da pecuária nas fazendas da família, constituídas de áreas no Socorro, na Santa Bárbara, Pelotas (Rabungo e Varginha) e Três Barras, ao pé da Serra do Imaruhy, que totalizam uma extensão superior a 150 milhões de metros quadrados.
As famílias de suas irmãs multiplicaram-se na região: Maria da Conceição casada com Antônio Pereira de Medeiros, Virginia casada com Pedro Florêncio Pereira, ambas radicadas onde hoje é Urupema, Maria Magdalena casada com Manoel Pinto de Souza e Carlota Baptista Ribeiro casada com Joaquim Furtado de Souza e, posteriormente, com Augustinho Pereira da Silva, estas duas últimas em São Joaquim. Já as irmãs do 2º casamento de seu pai ficaram, na maioria, radicadas em Bom Jardim da Serra, Adelaide casada com Antão de Paula Velho, Zulmira casada inicialmente com Cyrillo Caetano de Souza e posteriormente Bruno Francisco Macedo, Adelia com José Caetano do Amaral e Maria Trindade casada com Ambrozio Baptista de Souza, esta última em São Joaquim.

Manoel Cecílio Ribeiro casou-se com Rosalina de Sousa e Oliveira (1877-1932), filha de Aureliano de Sousa, e neta de Antonio Saturnino de Sousa e Oliveira (1809-1877).

Nota: Antonio Saturnino de Sousa e Oliveira (1809-1877) radicado em Lages e 1º Deputado Provincial por Lages e irmão de dois grandes estadistas do império Aureliano (Visconde Sepetiba - Ministro do Império e Governador de São Paulo) e Saturnino de Sousa Oliveira Coutinho (Ministro do Império e Governador do Rio Grande do Sul durante a Guerra dos Farrapos).

Desta união, nasce Dolores de Sousa Ribeiro (1891-1928) sua única filha e herdeira, que foi a matriarca da família Martins em Bom Jardim da Serra, por ter casado com Adolfo José Martins (13/08/1885 - 23/10/1968).

Nota:
Mais informações sobre Adolfo José Martins em: http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2017/08/adolfo-jose-martins.html.


Filhos de Dolores Ribeiro Martins com Adolfo José Martins:

N1 – TÚLIO RIBEIRO MARTINS, faleceu ainda criança.

N2 – JOSÉ MOACIR RIBEIRO MARTINS (nasc. 28./02.1912 – falecido 25.01.1955) – 1º Médico de Bom Jardim da Serra.

N3 – MARIA DE LOURDES RIBEIRO MARTINS (nasc. 14.06.1915 – falecida 16.02.1978), c.c. Nilo Sbruzzi.
Fazenda: “Rincão da Palha”.

N4 – ODACYRA RIBEIRO MARTINS (nasc. 28.05.1917 – falecida 04.03.2006), “Oda”, c. c. Dimas Antunes de Oliveira.

N5 – CENIRO RIBEIRO MARTINS (nasc. 23.07.1914 – falecido 19.03.2001), c.c. Anita Ribeiro Rodrigues.

N6 – HÉLIO RIBEIRO MARTINS, (nasc. 22.05.1921 – falecido 04.07.1985), c. c. Maria Lilia Maranhão.

N7 – MANOEL CECÍLIO RIBEIRO MARTINS (nasc. 08.08.1922, Lages), c. c. Maria do Carmo Brognoli, “Carminha”, último dos Ribeiros da descendência de Manoel Cecilio Ribeiro, na Fazenda do Socorro.

F8 – DORACY RIBEIRO MARTINS (nasc. 19.11.1923 – falecida 23.09.1984), “Dora”, c. c. Armando Guedes.

F9 – CELSO RIBEIRO MARTINS (nasc. 21.01.1926 – falecido 04.03.1975), c. c. Odete Martorano Martins (“Detinha”).

Manoel Cecílio Ribeiro viveu ainda na época, em que as grandes fazendas “as Tijucas”, “Nossa de Senhora do Socorro”, “Pelotas” e “Santa Bárbara”, dominavam as coxilhas relvadas e as matas de araucárias, delimitando-se entre si e praticamente ocupavam o que é hoje o município de Bom Jardim da Serra.
Como sua trajetória é sempre destacada pela liderança e apoio às causas da comunidade, coube a Manoel Cecílio Ribeiro, juntamente com outros herdeiros e sucessores (Joaquim Rodrigues, Vitorino Machado, Emilio Ribeiro, José Candido Ribeiro, e outros), liderar o grupo que propôs em 1915, a medição judicial da Fazenda do Socorro, adquirida em 1776 de Manuel Marquez Arzão, pelo seu bisavô Matheus José de Sousa (1737-1820), que veio na bandeira de Correia Pinto para fundação de Lages. Com sua visão de futuro contratou para representá-los na referida ação o jovem advogado Nereu Ramos, que já atuava em Lages e também por ser filho do seu primo, o então Governador Vidal Ramos (1866-1954), cujas mães eram irmãs (filhas de João Batista de Sousa, também conhecido como “Inholo”, Magdalena mãe de Manoel Cecilio e Julia mãe de Vidal).
A ação tinha como fundamento que, tendo passados 140 anos, existia não só a necessidade de demarcar os limites da referida fazenda, como também que estabelecer as diversas divisões por sucessões e alienações resultantes. A atuação de Manoel Cecilio Ribeiro foi fundamental, dado seu conhecimento em esclarecer as divisas, com seu acervo documental inclusive, por ter o título de compra primitiva datado de 1776, ao colaborar com a intermediação do Coronel Cezario Joaquim do Amarante, pode elucidar questionamentos e discussões. Conforme ressaltava o Dr. Nereu Ramos, o objetivo dos autores na demanda era estabelecer, primeiramente, os limites entre a Fazenda do Socorro e a Fazenda Pelotas, Santa Bárbara, Bom Sucesso e com o denominado Campo de Fora, para após, então realizar as respectivas divisões internas, razão pela qual a topografia ficou a cargo do renomado engº Emilio Gallois, que atuava nas grandes demarações em Santa Catarina.


Figura 5 – Escritura de venda de Manuel Marques Arzão
à Matheus José de Souza em 10 de junho de 1776.

Com seu espírito empreendedor, além de pecuarista, buscou o desenvolvimento de Bom Jardim quando, em 1908, já tinha uma casa de comércio denominada de “Casa Serrana”, que além de tecidos, louças e ferragens, foi a primeira pousada da cidade.

Figura 6 – Anuncio da Casa Serrana
na Gazeta Joaquinense.

            Por proposição de seu grande amigo Coronel Cezario do Amarante, prefeito de São Joaquim à época, foi nomeado pelo Governador Gustavo Richard, em 10 de setembro de 1909, Chefe de Polícia do Distrito de Bom Jardim.  Participou também na fundação do Clube Bonjardinense, em 19 de abril de 1910, tem sido presidente. A fotografia abaixo retrata o evento de lançamento do Clube.

Figura 7 - Ao centro Manoel Cecilio Ribeiro com menino (sobrinho
Américo do Amaral) a sua esquerda e  lideranças bomjardinenses da época.

Não se sabe por qual razão, mas de forma inovadora na região à época, Manoel Cecilio Ribeiro, juntamente com sua esposa Rosalina de Souza e Oliveira, em março de 1916 fizeram no Cartório de São Joaquim, uma doação para sua única filha e herdeira universal, Dolores Ribeiro Martins, de diversas partes de campos e matos, uma casa e suas benfeitorias, sitas nas fazendas do Socorro e Santa Bárbara do Socorro. Reservaram para si, os doadores, como meios de recursos e para subsistência do casal, todos bens móveis e semoventes, mas ressaltaram na escritura que fizeram a doação no intuito “de garantir o futuro de sua única filha e herdeira universal, a fim de prevenir os revezes da sorte que por acaso possa sobrecair”. 
Um ano depois, em março de 1917, Manoel Cecilio Ribeiro embarca no Paquete Itapacy, em Imbituba-SC, para deslocar-se à São Paulo-SP a fim de realizar uma cirurgia, onde morre aos 62 anos, em 02 de abril daquele ano, e está sepultado no cemitério dos Araças em São Paulo, deixando um exemplo de espírito cívico, trabalho, companherismo e dignidade.

Figura 8 – “Vistoso” Navio Itapacy da
Companhia Nacional de Navegação Costeira.

Em 26 de junho 1928, por ironia do destino, a sua única filha Dolores Ribeiro Martins que tanto quiseram proteger, também morre, aos 37 anos, em decorrência, também, de uma cirurgia, no Hospital de Caridade, em Florianópolis, cabendo a sua mãe, Rosalina de Souza e Oliveira, auxiliar a criação de seus filhos.

Figura 9 – Rosalina de Souza e Oliveira com o neto
Tulio Ribeiro Martins.

Hoje ainda o neto, Manoel Cecilio Ribeiro Martins, com 96 anos, sendo último dos Ribeiro da descendência, relembra que “a proteção que meu avô Cecilio deixou para minha mãe (Dolores Ribeiro Martins), que morreu muito cedo, quando eu tinha apenas 6 anos de idade, ajudou muito em minha trajetória, pude me formar em engenharia em 1948 e no desenvolvimento de minhas atividades na amparadora Fazenda do Socorro”.


Referências  



CARVALHO, Eliane Zandonadi de; GAMBA FILHO, Raulino. Bom Jardim da Serra: um pouco de sua história. Florianópolis: Paralelo 27, 1992.

Relatos de Ismênia Ribeiro Schneider.

Relatos de Manoel Cecilio Ribeiro  Martins, filho de Dolores Ribeiro Martins com Adolfo José Martins e, portanto, neto de Manoel Cecilio Ribeiro.