quinta-feira, 21 de março de 2019

Rua Manoel Esteves (Bom Jardim da Serra)




            Apresentamos hoje mais uma rua localizada em Bom Jardim da Serra (SC), denominada Manoel Esteves. Acredita-se que a homenagem se deva a Manoel Ignácio da Silva Esteves[i] (1872 – 14/08/1927[ii]), um dos responsáveis pela fundação do povoado que deu origem ao município de Bom Jardim da Serra[iii].

            Manoel Ignácio da Silva Esteves era filho de Francisco da Silva Esteves (nasc. 1871[iv]) (este, por sua vez, filho de Joaquim da Silva Esteves e de Maria do Nascimento do Amaral) e de Ignácia Jacintha Ribeiro (nasc. 1847) (esta, filha de Pedro José Ribeiro e de Jacintha Maria de Saldanha).

Notas:
*Joaquim da Silva Esteves e de Maria do Nascimento do Amaral eram proprietários da Fazenda “Santa Bárbara” em São Francisco de Paula, depois chamada “Invernada do Chapéu” (área de 157.829.200 m2), transformada mais tarde no Município de Jaquirana.
**No inventário de Pedro José Ribeiro, o nome de Ignácia Jacintha Ribeiro consta como Ignácia Maria de Saldanha Sobrinha.

            Manoel Ignácio da Silva Esteves casou-se com Ismênia Baptista De Souza (Esteves, depois de casada), filha de Marcos Baptista de Souza (09.08.1835-07.10.1906) e de Maria Rodrigues de Andrade “Vó Marica” (30.10.1845-14.01.1927).
Cas.: 24.05.1896, L1 – Fls. 138, celebrado em São Joaquim.

HERDEIROS (não necessariamente em ordem cronológica de nascimento):

1º - MARCOS ESTEVES DE SOUZA (28/02/1897 - 05/02/1967[v]),
C. c. Maria dos Prazeres Rodrigues Nunes, filha de Silvano Rodrigues Nunes e Liberata Maria Nunes de nascimento.
Certidão de casamento: L4 – fls. 170: 30.05.1919 – Oficial do Re: Flósculo E. de Carvalho.
Filhosiv:
F1 - Ezequiel Esteves de Souza (falec. 1984, com 56 anos), c.c. Izolina Oliveira de Souza (com 85 anos em 2013), filha de Maria dos Prazeres Oliveira. Ezequiel e Izolina tiveram 7 filhas.[vi]
F2 – Eracilda Nunes Esteves, c.c. Antônio Rosa (1ªas núpcias). Em 2ªs núpcias, c.c. Firmino da Silva Nunes ou Firmino Nunes Sobrinho.
F3 – Dozírio Esteves Nunes, c.c. Elisa.
F4 – Izilda Nunes Esteves (nasc. 10/02/1925), c.c. Francisco Pedro da Conceição, “Chico Franga”, filho de Pedro Ramiro Godinho e Joanna Maria.
F5 – Iracema Nunes Esteves, c.c. Sebastião Goulart, filho de Afonso Rodrigues Nunes e Cecília.
F6 – Maria de Lourdes Nunes Esteves.
F7 – Tereza Nunes Esteves.
F8 – Valdemar Nunes Esteves.
         
2º- PAULINO ESTEVES DE SOUZA (nasc. 30.01.1897).
Certidão no livro nº7 – fls. 82V e 83.

3º- OSWALDINO ESTEVES DE SOUZA (nasc. 16.02.1899),
C. c. Dalila Bernardino de Oliveira, Laguna 16 anos (15.01.1906 - ?) (1º casamento[vii])
Dalila era filha de Guilherme Bernardino de Oliveira e Zulmira Maria de Oliveira.
Casamento: 05.09.1922, em Laguna (Livro nº VII, Fls. 81V a 82).
Pelo que se sabe, Oswaldino era analfabeto.

4º- MARIA DAS DORES ESTEVES (nasc. 29.04.1902),
C.c. Antônio Rodrigues da Silva (1915 – 22/04/2000), filho de Francisco Rodrigues da Silva e Maria Genoveva Martinsiv.
Filhos: Dilma Terezinha da Silva; Maria; Luiz Tadeu; Odiloniv.

5º-  FRANCISCO ESTEVES DE SOUZA (18/10/1900 – 04/05/1935iv).
Nota: Pelo que se sabe, morreu assassinado (informação também citada pela pesquisadora Edinna Figueiredo). Estava vivo por ocasião da morte do pai.

6º- ALORINDO ESTEVES DE SOUZA (nasc. 29.10.1902).
Nota: Pela crônica familiar, este herdeiro também morreu assassinado. Estava vivo no óbito do pai.

7º- EUCLYDES ESTEVES DE SOUZA (nasc. 12.09.1904).

8º- SYBILLA (ou CIBILA) ESTEVES DE SOUZA (nasc. 23.11.1906).

9º- LUCÍLIA ESTEVES DE SOUZA (nasc. 06.04.1912).

10º- OTHILIA ESTEVES DE SOUZA (nasc. 27.12.1913),
C.c. Joaquim Mattos (nasc. 04/04/1906), filho de Genovêncio da Silva Mattos e Camila Nunes Martinsiv.

11º- ADOMICILIA ESTEVES DE SOUZA (nasc. 13.09.1915),
C.c. Francisco Xavier Batista de Souza ou Andrade, filho de Ambrósio Batista de Souza e Maria Trindadeiv.

12º- OTOBINA (ou OUTUBRINA) ESTEVES DE SOUZA (nasc. 28.05.1917 – falec. 21/02/1967),
C.c. Antão Antunes de Souza, filho de Antônio Thomaz de Souza e Maria Antunes de Souzaiv.

13º- ADHEMAR ESTEVES DE SOUZA (nasc. 19.09.1919 – falec. 21/04/1997iv) “Mário Esteves”,
C. c. Maria Cândida Vieira de Souza Esteves, “Doquinha”,
Filha de Antonio Vieira do Amaral e de Olívia Ribeiro Vieira (“Vivi”)
Certidão de nascimento no Registro Civil, assinado por Viriato Alves Garcia, no Distrito de Bom Jardim, Comarca de São Joaquim, no Livro nº1, nº161.
Filhos:
F1 – Clóvis Vieira de Souza;
F2 - Élvio Rogério Esteves de Souza, c.c. Filomena Nunes, “Mena”, professora, filha de Ismael Nunes e Zélia Ribeiro.
F3 – Leila Marta Esteves de Souza;
F4 – Nara de Souza Esteves;
F5 – José Nélvio Esteves;
F6 – Maria de Fátima Esteves;
F7 – Ismênia Esteves.

          Além destes filhos citados no inventário de Manoel Ignácio da Silva Esteves, a pesquisadora Edinna Figueiredo cita mais um filho, SOLON DE SOUZA ESTEVES. É possível que este tenha falecido jovem ou criança, não sendo, por este motivo, listado no inventário como um dos herdeiros.


RELAÇÃO DOS BENS DE MANOEL ESTEVES:

BENS DE RAIZ:

- Uma gleba de campos e matos situada na FAZENDA DE PELOTAS, no lugar denominado VISTA ALEGRE, com a área de vinte e um milhões, quatrocentos e setenta e quatro mil e novecentos e noventa metros quadrados havida por herança e compras diversas, confrontando ao Norte pelo rio Pelotas, ao Sul pelo rio Capivaras, ao Leste com Bruno Macedo, ao Oeste com Antonio Henrique Cidade e herdeiros de Marcolino Borges (do Amaral e Castro, c. c. Raquel Jacintha Ribeiro, tia do inventariado, irmã de Ignácia Jacintha Ribeiro. Marcolino era filho natural de Fellippe Borges do Amaral e Castro, 2º esposo de D. Maria do Nascimento do Amaral, avó paterna de Manoel Ignácio);
75:162$465
- uma gleba de campos e matos situada na FAZENDA DE TIJUCAS, no lugar denominado OURO, com a área de três milhões, duzentos e trinta e quatro mil metros quadrados, havida por compras diversas, confrontando ao Norte com os herdeiros de Manoel Ignácio de Cândido, ao Sul com Leopoldino Godinho e Anastácio Nunes, Hilda Rodrigues, Antonio Henrique Cidade, João Antonio Padilha, ao Oeste com herdeiros do finado Prudente Luiz Vieira Costa, e ao Leste com terras de Urzulino Esteves;
9:702$000
- uma gleba de campos e matos situada na FAZENDA TIJUCAS, no lugar denominado POTREIRINHO, com a área de três milhões, quatrocentos e sessenta mil metros quadrados, confrontando ao Norte com terras de Anastácio Nunes, ao Sul com Bernardo Ramos, ao Leste com Abel Esteves, ao Oeste com Antonio Anastácio Nunes;
10:380$000
- uma casa de madeira envidraçada, moradia da família, com suas benfeitorias, situada na Fazenda VISTA ALEGRE;
2:000$000
- uma casa velha de madeira com mangueira na mesma fazenda;
400$000
- uma casa de madeira, em bom estado, envidraçada, situada na freguesia de Bom Jardim, com dois lotes de terras, anexos à mesma casa;
1:300$000
- uma casa e benfeitorias na Fazenda “Ouro”
300$000


BENS SEMOVENTES:

- 200 bois criados
52:000$000
- 30 vacas com crias
6:600$000
- 60 vacas falhadas
12:000$000
- 10 novilhos de 3 anos
1:500$000
- 25 novilhos de 2 anos
3:125$000
- 25 bois de 2 anos
3:125$000
- 25 bois de ano
2:000$000
- 25 terneiras de ano
2:000$000
- 24 éguas xucras
2:400$000
- 01 burro reprodutor
600$000
- 10 mulas mansas criadas
1:700$000
- 10 cavalos mansos criados
2:000$000
- 04 potros xucros de 3 anos
600$000
- 05 jumentos
250$000
- 01 jumento
100$000
- 100 ovelhas
1:200$000
Total:



            A família Esteves possui ampla descendência, exemplificada pelos dados acima descritos e também por outros dados fornecidos por um dos descendentes de Oswaldino Esteves de Souza (filho de Manoel Ignácio da Silva Esteves). Este descendente, enviou-nos informações do seu ramo familiar, que ainda precisam ser melhor esclarecidas e completadas.
Seguem os dados levantados pelo próprio descendente, Rodrigo Esteves:

Filhos de Oswaldino Esteves de Souza (com a 1ª esposa, Dalila Bernardino de Oliveira?):
F1 - Helena Esteves, c.c. ?. Filha de Helena: - Thais Ramos Esteves (administração).

F2 - Rogério Esteves, c.c.?. Filhos de Rogério: - Halvan Araujo Esteves (direito); Camila Araujo Esteves; Andressa Araujo Esteves.

Filho do 2º casamento de Oswaldino Esteves de Souza com Maria Bernadina de Souza:
F1 - Felisberto Esteves, c.c. ?. Filhos de Felisberto: Rodrigo da Silva Esteves (direito); Ricardo da Silva Esteves (biologia); Rubens da Silva Esteves (administração).

Conforme mencionado, esses dados precisam ainda ser esclarecidos e completados. Se você puder contribuir com as nossas pesquisas, enviando dados ou documentos, escreva, por favor, para: crisbudde@gmail.com. Obrigada!!


Referências


Agradecimento à pesquisadora Edinna Figueiredo, que contribuiu com os esclarecimentos sobre Manoel Esteves e seus descendentes.

[i] Há outro Manoel Esteves, Manoel Ribeiro Esteves, que é sobrinho neto de Manoel Ignácio da Silva Esteves (informação fornecida pela pesquisadora Edinna Figueiredo).

[ii] Inventário Judicial Sem Testamento de Manoel Ignácio da Silva Esteves (1927). Comarca de São Joaquim da Costa da Serra – Estado de Santa Catarina. Inventário nº679, registro no Livro 3º, Fls. 28.

[iii] Manoel Ignácio da Silva Esteves, um dos personagens descritos como um dos fundadores do povoado, juntamente com Manoel Cecílio Ribeiro. Informação disponível no site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_Cecilio_Ribeiro#cite_note-4.

[iv] FIGUEIREDO, Edinna. Raízes centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.

[vi] Dados fornecidos por Cristiano Neckel, neto de Ezequiel Esteves de Souza.

[vii] Informação fornecida pelo descendente Rodrigo Esteves, por e-mail em 2013. Segundo ele, depois de algum tempo, Oswaldino se separou de Dalila e se casou, em segundas núpcias, com Maria Bernadina de Souza.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Rua Ranier Cassetari (Bom Jardim da Serra, SC)


       A matéria de hoje apresenta mais um dos integrantes da comissão fundadora da Vila de Bom Jardim da Serra (SC)[i]: Ranier Cassetari, que recebeu um nome de rua em sua homenagem.

Nota: Uma Escola de Educação Infantil (EEI) Municipal, em Bom Jardim da Serra (SC), também recebeu o nome de Ranier Cassetari. Entretanto, de acordo com o EDUCASENSO de 2017, esta escola encontra-se paralisada[ii].

Segundo publicações encontradas no Almanak Laemmert (1915[iii], 1931[iv]), Ranier Cassetari era criador e exportador de gado, negociante e, também, era considerado um Capitalista[v]. Infere-se, portanto, que a profissão capitalista[vi] atribuída a Ranier, indicava a riqueza que este acumulava.

Almanak Laemmert (1915[vii], p. 4390).

            Ranier foi casado com D. Emília Teixeira Cassetari, filha de Liberato Teixeira e Clarinda Maria de Saldanha.

NOTA:
Com o falecimento de sua primeira esposa, casou-se com MARIA MACIEL, filha de Cláudio Maciel. Contudo, não se sabe porquê ela não é citada no inventário de Ranier.

Ranier Cassetari faleceu em Bom Jardim, em residência, no dia 06.05.1937, aos 71 anos (nasceu, pois, em 1866)[viii]. A Certidão de Óbito de Ranier Cassetari foi exarada pelo Cartório do Segundo Distrito do Socorro, leva a data de 06.05.1937, tendo se dado o óbito às dezoito horas, em residência, tendo como “causa mortis” câncer do fígado. Sepultamento no cemitério da sede do Distrito. O óbito foi firmado pelo Dr. José Ribeiro Martins. O falecido era de cor branca, com 71 anos, natural da Itália, domiciliado e residente em Bom Jardim, viúvo de Emília Teixeira Cassetari. Era filho legítimo de Jacob Cassetari e Angelina Cassetari, naturais da Itália. Assinou a Certidão Jardelino Maciel, oficial de Registro Civil e Tabelião Distrital Interino.

TÍTULO DE HERDEIROS DE RANIER[ix]:

F1- GERBINA CASSETARI, (nasc. 15.06.1895) L1 – Fls 126.
C. c. Gervasio Pereira do Amaral (nasc. 20.10.1898)
Filho de José Custódio Pereira e D. Herculana Pereira do Amaral
Domicílio: Bom Jardim – Distrito de Cambajuva.

F2- FREDOLINO CASSETARI, (nasc. 15.09.1897) c. c.
1ªs núpcias: Idalina Padilha (1915 – 02.12.1978), filha de João Padilha e Zeferina Padilha[viii].
2ªs núpcias: Lígia de Campos Cassetari
Domicílio: Vacaria, RS.

F3- SYLVIO CASSETARI, (nasc. 12.01.1901),
c.c. Brunehilda Boeira[x].
Domicílio: Bom Jardim, no Distrito de Cambajuva.

F4- EMILIANO CASSETARI, (nasc. 30.08.1902).
Domicílio: residente no município de Criciúma por ocasião da sobrepartilha em 1944.

F5- ITÁLIA CASSETARI, (nasc. 20.08.1903 – 10.11.1974)
C. c. Adalberto Vieira do Amaral (nasc. 30.03.1898)
Filho de Prudente Luiz Vieira (falec. 24.02.1921) e de D. Maria dos Prazeres do Amaral Vieira.
Domicílio: Bom Jardim, Distrito de Cambajuva.


F6- LIBERATO CASSETARI (1915 – 03.04.1969),
c.c. Maria Benta Macedo (1925 – 17.02.1997), filha de Enedino Macedo e Felicidade[x].
Domicílio: Bom Jardim, no Distrito de Cambajuva.

Além desses filhos, Ranier Cassetari também teve a filha ESMERALDA CASSETARI (1895 – 26/01/1901, liv. 3, CRC-SJ)[xi], falecida em criança.

BENS DE RAIZ:

1- Uma fazenda de campos e matos para indústria pastoril, contendo a área superficial de quarenta e um milhões cento e setenta e oito mil metros quadrados, compreendida das Invernadas da “Varginha”, “São José” e “Morro Grande”, situada nesta Comarca, havida na meação do inventário procedido por falecimento de D. Emília Teixeira Cassetari com as seguintes confrontações: de um lado Venâncio Borges de Carvalho e herdeiros de Marcolino Borges; de outro com Liberalino Cassetari e rio Pelotas, de outro o rio das Contas; e por outro lado com Antonio Gonçalves Padilha (dono da Fazenda “Quinze Dias”), Pedro Gonçalves Padilha e outros. Acharam valer a quantia de cento e sessenta e quatro contos setecentos e doze mil réis.
164:712$000
2- Uma casa de moradia, construída de madeira, pintada, assoalhada, forrada e envidraçada, com suas dependências e benfeitorias, situada na Fazenda São José.
1:600$000
3- Uma casa de moradia bastante velha, tendo um potreiro anexo, situada em Bom Jardim.
1:000$000
4- Outra casa, de madeira, própria para casa comercial e moradia, com potreiro anexo, no segundo distrito, em sua sede, no valor de
1:200$000

Conclusão das avaliações:

Terrenos
164:712$000
Semoventes
12:410$000
Casas
3:800$000
Monte mór
180:922$000

São Joaquim, 27.07.1937
Valor de cada legítima (seis herdeiros): 30:153$000.

Sobrepartilha:

Após os inventários de D. Emília (maio de 1928) e de Ranier Cassetari (julho de 1937), os herdeiros mandaram medir e dividir amigavelmente pelo agrimensor Simeão do Nascimento Motta as terras situadas na Fazenda São Bento, no Distrito Cambajuva, para efeito de venda, quando ficou comprovado não terem sido partilhados sete milhões seiscentos e dezesseis mil metros quadrados nos inventários normais.
(7.616.000 m2) de terras de campos de criar:
As terras são originárias de compras, devidamente transcritas no Registro de Imóveis da comarca: confrontam ao norte com Joaquim Antonio Ramos, ao sul com a Serra Geral, a leste com Joaquim Antonio Ramos e Joaquim Alano de Souza, ao Oeste com os Irmãos Bortoluzzi e com Fredolino Cassetari, este pelo rio das Contas. O valor do bem descrito é de trinta e oito mil cruzeiros. O inventariante protesta trazer a notícia do Juízo deste inventário quaisquer outros bens que porventura existirem.
Escrivão: 24.02.1944.
Juiz: Dr. Aristeu Rui de Gouvêa Schiefler
Avaliador: José Alípio Pereira.

Em 04.12.1944 houve início de mais uma sobrepartilha na mesma área da Fazenda São Bento, pois, por novo equívoco, faltaram para sobrepartilhar mais dois milhões de metros quadrados. Nesta última sobrepartilha, o herdeiro Liberalino Cassetari já estava casado, e residindo em Cambajuvas, na mesma situação do restante da referida Fazenda São Bento. O avaliador, desta vez, foi o cidadão José Dutra.
São Joaquim, 11.12.1944.
Substituindo o juiz, Teobaldo Liberado Vieira.



Referências



[i] Autobiografia de Adolfo José Martins, fornecida pelo descendente Henrique Brognoli Martins, a quem agradecemos.
[ii] Governo do Estado de Santa Catarina. Resultados finais do Censo Escolar da Educação Básica 2017 - EDUCACENSO 2017. Disponível em: http://www.sed.sc.gov.br/documentos/censo-278/indicadores-educacionais/dados-educacionais-1/dados-educacionais-2017/censo-escolar-inicial-2017/7057-paralisadas-e-extintas-em-2017/file.
[iii] Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial – 1891 a 1940. Estado de Santa Catarina. 1915, p. 4390. Disponível em: http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=313394&pagfis=61847.
[iv] Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial – 1891 a 1940. Estado de Santa Catarina – Municípios. 1931, p. 1113. Disponível em: http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=313394&pagfis=112206
[v] Segundo a CBO, Tabelas de Código da Natureza da Ocupação e Ocupação Principal, um Capitalista seria alguém “que auferiu rendimentos de capital, inclusive de aluguéis”. Disponível em: https://economia.uol.com.br/impostoderenda/2009/entenda-o-ir/tabelas-de-codigo-da-natureza-da-ocupacao-e-ocupacao-principal.jhtm.
[vi] CAPUTE, M. E. S. A dama dos diamantes negros e a educação em Vassouras: um estudo sobre o Instituto Profissional Feminino e Masculino Doutor Joaquim Jose Teixeira Leite (1930-1959). Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2011.
[vii] Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial – 1891 a 1940. Estado de Santa Catarina. 1915, p. 4390. Disponível em: http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=313394&pagfis=61847.
[viii] Inventário Judicial Sem Testamento de Ranier Cassetari, Nº 861 – Livro 4 – Fls. 33, São Joaquim (SC), 1937.
[ix] Inventário Judicial Sem Testamento de Ranier Cassetari, Nº 861 – Livro 4 – Fls. 33, São Joaquim (SC), 1937.
[x] FIGUEIREDO, Edinna B. Pereira. Raízes centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.
[xi] FIGUEIREDO, Edinna B. Pereira. Raízes centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.
Acervo pessoal de Ismênia Ribeiro Schneider.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Rua Prudente Luiz Vieira na Cidade de Bom Jardim da Serra (SC)


            Continuamos hoje a sequência de matérias sobre o nome de ruas e praças, mas, ampliando agora para alguns dos outros municípios serranos de Santa Catarina (além de São Joaquim, do qual já foram publicadas diversas matérias [ver índice do Blog]). Assim, iniciaremos nas próximas postagens uma série de ruas de personagens conhecidos em nossas pesquisas genealógicas do município de Bom Jardim da Serra (SC), conforme nos sugeriu nosso querido amigo Henrique Brognoli Martins.

            Iniciaremos esta nova série por um importante personagem desta cidade e da Serra Catarinense, o Sr. Prudente Luiz Vieira.

            Nosso personagem em questão, juntamente com os fazendeiros Antão de Paula Velho, José Caetano do Amaral, Manoel Cecilio Ribeiro, Ranier Cassetari, Emilio Benevenuto Ribeiro, Manoel Ignacio Esteves, João Francisco Rodrigues, Joaquim Ezirio, Vitorino Rodrigues Machado, Taurino Gonçalves Padilha e outros, fez parte da comissão fundadora da Vila de Bom Jardim da Serra (SC)[i]. De acordo com a pesquisadora Edinna Figueiredo, Prudente Luiz Vieira doou 125 mil metros quadrados de terra para a fundação da vila.


Nota: “A História de Bom Jardim da Serra começa em 1870, com a chegada do gaúcho Manoel Pinto Ribeiro e seus filhos, que se instalaram na localidade de Fazenda Pelotas. Uma trilha aberta pelos colonizadores ficou conhecida como “Serra do Dose” e foi o primeiro nome do lugar, que chamou-se depois “Serra do Rio do Rastro”. Elevada à condição de povoado em 1905 e de vila em 1921, Bom Jardim da Serra oficializa-se como cidade em 29 de janeiro de 1967 e é instalado a 05 de março do mesmo ano” [ii].


Prudente Luiz Vieira foi batizado em 24/05/1859[iii], e faleceu em 24/02/1921, às 22h, de doença no fígado[iv].

Pai: João Luiz Vieira (falec. 06.09.1909).

Mãe: Ana Maria Domingues Arruda (nasc. 1825), filha de José Domingues Arruda, falecido em 01.02.1849 e Maria de Souza Teixeira.

Nota: João Luiz, filho de Leandro Luiz Vieira, falecido em 1863, e Clara Maria dos Santos.

Morte: 24.02.1921 (aos 62 anos), sepultado no cemitério público de São Joaquim.

Fazendas: das TIJUCAS (em Bom Jardim).



Segundo relatório do Estado de Santa Catarina (1914)[v], o capitão Prudente Luiz Vieira era criador.

Esposa: MARIA DOS PRAZERES DO AMARAL VIEIRA (†20.11.1933), liv. 5, p. 50, CRC-SJ, faleceu de edema agudo nos pulmões[vi].

Pais: Antonio Caetano (“Cachoeira”) do Amaral e de Anna Borges do Amaral, filha de Fellippe Borges do Amaral e Castro e de Maria do Nascimento do Amaral. Anna nasceu em junho de 1849 em São Francisco de Paula, RS.

Nota: Nas certidões dos filhos de Prudente/Maria dos Prazeres, o nome do pai de Maria dos Prazeres era Antonio Caetano Pereira do Amaral.



Filhos:

 1- HERCÍLIO VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 11.05.1888)

C. c. Maria Cândida Ribeiro Vieira, “Candoca”

Filha de João Batista Ribeiro de Souza e de Cândida dos Prazeres Batista de Souza

Nº de filhos: 06

Fazenda: do “POSTO” (em “São João de Pelotas”)



2- SYLVIA VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 01.11.1891)

C. c. Bernardo Vieira Ramos

Filho de Vidal José de Oliveira Ramos Sobrinho e Joaquina Domingues Vieira



3- ARGYMIRO VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 01.07.1894)

C. c. Olívia do Amaral Vieira

Filha de Antão de Paula Velho e Maria Adelaide do Amaral e Souza Velho



4- ANTONIO VIEIRA DO AMARAL, (27.10.1895 - 18.09.1964)

C. c. Olívia Ribeiro Vieira, “Vivi” (1900 - 28.11.1964)

Filha de João Batista Ribeiro de Souza e de Cândida dos Prazeres Batista de Souza



5- ADALBERTO VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 10.12.1896)

C. c. Itália Cassetari Vieira

Filha de Ranier Cassetari (italiano) e Emília Teixeira (de São Francisco de Paula, RS).



6- ESMERALDA VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 31.03.1898)

C. c. Valentim Ignácio Velho

Filho de Ignácio Manoel Souza Velho (“Inacinho”) e de Angelina Vieira Borges Velho



7- DONATILLA VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 05.08.1899)

C. c. Affonso Ribeiro Velho

Filho de Manoel Inácio Velho (morto em 1916) e de Ana Maria Baptista Ribeiro (filha do Cel. João Ribeiro e de Ismênia Baptista de Souza)

Filho único: Luiz Adailton Vieira Velho, c. c. Maria Imaculada Fialho Velho



8- CÂNDIDA VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 20.08.1906)

C. c. Isaac Bertonini



9- BENILDA VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 15.07.1909)

C. c. Anacleto Barbosa de Camargo



10- JAYME VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 27.12.1920)

C. c. Maria Velho Vieira

Filha de Antão de Paula Velho e de Maria Adelaide do Amaral e Souza Velho



11- ABIGAIL VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 20.09.1903)

C. c. Dimas Baptista de Souza

Filho de Ambrósio Baptista de Andrade e de Maria Trindade do Amaral e Souza.

Ambrósio, filho de Marcos Baptista de Souza e “Vó Marica”.

            O casamento de Abigail foi notícia no Jornal Imprensa de 25 de abril de 1920, como pode ser visto na imagem abaixo[vii].
Jornal Imprensa, abril de 1920.



12- NAIR VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 12.12.1913)

C. c. João Lacerda de Camargo Ramos



13- NELSON VIEIRA DO AMARAL, (nasc. 23.02.1915, data a confirmar)

C. c. Ainda Paim Vieira (?)



14- MARIA DO CARMO VIEIRA RAMOS, (nasc. 01.03.1915, data a confirmar), neta herdeira

Representante, no inventário, da mãe falecida Anna Maria do Amaral, c. c. João Vidal Vieira Ramos.

Filho de Vidal José de Oliveira Ramos Sobrinho e Joaquina Domingues Vieira.


---xxx---



Esses eram os filhos vivos na data da morte de Prudente Luiz Vieira. Além deles, Prudente teve mais os seguintes, falecidos crianças ou jovens:

a - ELVIRA VIEIRA DO AMARAL;

b - ALZINA VIEIRA DO AMARAL;

c - ONDINA VIEIRA DO AMARAL;

d - WALDIVINO VIEIRA DO AMARAL (15.07.1904 - 10.11.1916).

Faleceu atingido por um raio, fato descrito por Enedino Batista Ribeiro em seu livro “Gavião-de-Penacho, Memórias de um Serrano”, 1999, p.331-333, o qual reproduzimos, em parte, aqui:

No dia 10 de novembro de 1916, aconteceu, para mim, para minha mana Maria Cândida Ribeiro Vieira, uma lamentável tragédia que encheu a nossa família de enorme tristeza e mágoa.

Candoca partira da sua Fazenda do “Posto”, com destino a Lages, onde vinha nos visitar. Viajavam em sua companhia, seu cunhado, Valdivino Vieira do Amaral, jovem de doze anos, e sua filhinha Araci, criança de colo, com menos de um ano de idade; além deles, o empregado da casa, cujo nome não me recordo. A viagem era feita a cavalo, com dois ou três cargueiros.

No segundo dia de jornada, cerca de três quilômetros da Fazendo do Sr. José Prudente Vieira (vulgo Juca Prudente), depois de atravessarem o vale do rio “Pelotinhas”, armou-se uma trovoada para as bandas do sudoeste; a comitiva, já no alto da coxilha, junto a uma lagoinha seca, foi atingida por uma poderosa faísca elétrica que pôs por terra todos os cavaleiros; os animais de montaria com os cargueiros espalharam pelo campo em doida disparada. Eram duas da tarde. Quando minha mana recobrou os sentidos, pôde avaliar a extensão do desastre; estavam mortos no chão, seu cunhado Vivaldino e o cavalo em que montava. Araci, a pequenina que viajava no colo do mocinho que pereceu fulminado pelo raio, praticamente nada sofreu, apenas leves queimaduras na testa e lacrimejamento de uma vista; em pouco tempo ficou totalmente reestabelecida.

Como pôde acontecer aquilo, de a criança se salvar, enquanto seu tio e a respectiva montaria pereceram instantaneamente? Milagre? Ou será o fenômeno examinado por pessoa competente, teria explicação em face das leis físicas da eletricidade?

Chegada a notícia em Lages, dali partiram meus manos mais velhos, Afonso e Marcos, para conduzir nossa mana e providenciar a condução do cadáver até a cidade, onde foi velado na casa de residência do Dr. Walmor. [...]

Valdivino era irmão do meu cunhado Hercílio Vieira, filho de Prudente Luiz Vieira e de dona Maria dos Prazeres do Amaral Vieira. Nasceu no dia 15 de julho de 1904, sendo sepultado no cemitério público da cidade de Lages, onde a família mandou erigir um túmulo, para perpetuar sua rápida passagem por este mundo (Ribeiro, 1999, p. 331-333).



---xxx---


Montante dos Bens de Prudente (inventário):


- Bens de raiz
82:421$599 
(área 92.106.000 m2)
- Bens semoventes
51:780$000
- Monte mor
134:201$599


Cabe à viúva meeira
67:100$799
Cabe à cada um dos 14 herdeiros
4:792$914 
(7.988.190 m2)


A avaliação dos bens foi feita no local dos vários imóveis pertencentes ao espólio, iniciando-se pela Fazenda TIJUCAS, que era o domicílio da família e onde se reuniram o juiz, escrivão, o curador geral dos órfãos, Theodolindo Lima, o inventariante Argymiro, os avaliadores João Pereira e Jacintho Goulart: 

I- FAZENDA "TIJUCAS" (área total: 54.007.000 m2)
2- Uma casa de moradia e suas benfeitorias sitas na referida fazenda
3- Dois potreiros de campos e matos, anexos à casa acima mencionada
30:604$200
6:000$000
325$214
II- FAZENDA "CAPIVARAS"  
3:762$000
III- FAZENDA DO "PÚLPITO"
- outra parte na mesma fazenda - "CANTINHO"
7:323$000
285$600
IV- FAZENDA SÃO "BENTO" (17.546.000 m2)  
- uma invernada de campos e matos: Invernada da "COSTA" (16.360.000 m2)
- na mesma fazenda, a Invernada dos "PAPAGAIOS" (4.193.000 m2)
- na mesma fazenda, uma casa de moradia
- na mesma fazenda, um potreiro de campos e matos anexos à referida casa (coube à herdeira Maria do Carmo)
10:309$200
9:816$000
2:515$800
1:000$000

218$400
V- Uma casa em construção em Bom Jardim
2:000$000
IV- Uma parte de campos e matos no lugar denominado "CRIÚVAS", anexa à FAZENDA DO "POSTO"
2:320$878
VII- Uma parte de campos e matos situado na Fazenda "NOVA", no Rio Grande do Sul
3:159$707
VIII- Uma CASA em construção em Lages
2:781$600



ÁREAS E VALORES DAS PROPRIEDADES:

I- TIJUCAS - área total: 54.007.000 m2 - Valor:
30:604$200
II- SÃO BENTO - área total: 17.546.000 m2 - Valor:
10:309$000
III- Invernada da Costa - área total: 16.360.000 m2 - Valor:
9:816$000
IV- Invernada dos Papagaios - área total: 4.193.000 m2 - Valor:
2:515$800
V- POTREIROS:
- de Tijucas - área: 304.000 m2
- São Bento - área: 364.000 m2
ÁREA TOTAL CONJUTA: 92.106.000 m2
Valor Total conjunto:




82.421$599



Cada herdeiro ganhou 7:988$190 m2 de terras.

Nesta propriedade geral de Prudente Luiz Vieira fica o arroio do OURO, que faz foz no rio de Púlpito,

- Lembrar que Manoel Ignácio da Silva Esteves tinha uma "fazenda do Ouro", na Fazenda Tijucas.




Referências


RIBEIRO, Enedino Batista. Gavião-de-Penacho, Memórias de um Serrano. Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina; co-edição da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Florianópolis: Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, 1999, 544 p., Coleção Catariniana, n. 1.



[i] Autobiografia de Adolfo José Martins, fornecida pelo descendente Henrique Brognoli Martins, a quem agradecemos.

[ii] SEBRAE/SC. Santa Catarina em Números – Bom Jardim da Serra. Florianópolis: SEBRAE/SC, 2010. 114p. Disponível em: http://www.sebrae-sc.com.br/scemnumero/arquivo/Bom-Jardim-da-Serra.pdf.

[iv] Inventário sem Testamento de Prudente Luiz Vieira, 1921, Processo nº501 – Reg. no L2º - fls. 17.

[v] Estado de Santa Catarina. Annuario Admininstrativo, Agricola, Profissional, Mercantil e Industrial dos Estados Unidos do Brazil. Obra Estatística e de Consulta, Almanak Laemmert, 66º ano, 1891 a 1940.

[vi] FIGUEIREDO, Edinna B. Pereira. Raízes centenárias de São Joaquim da Costa da Serra. Videira: Êxito, 2018.