segunda-feira, 2 de abril de 2012

ANTONIO SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA

SERRANO CATARINENSE POR OPÇÃO
Por Ismênia Ribeiro Schneider - Escrito em Valência - Espanha - abril 2012

Vida Familiar e Política
A vida de Antonio Saturnino de Souza e Oliveira sempre foi intrinsicamente ligada à Política e aos Serviços Públicos, devido à história e tradição familiar. Seu pai foi político ligado ao Império, assim como seus dois irmãos. Tal legado marcou trajetória desse fluminense que dedicou sua vida aos Serviços Públicos e à Pecuária na Comarca de Lages, Santa Catarina.
Naturalidade: Niterói – 1809
Falecimento: Lages – 25-02-1877
Filiação: Coronel Aureliano de Souza e Oliveira e D. Francisca Flávia de Oliveira Coutinho
Casamento - Lages, 13 janeiro 1836, com CLARA MARIA DE SOUZA filha de Manoel Rodrigues de Souza e Anna Maria de Lima. 
Fonte: Livro 3 - folha 49. Paróquia de Lages.
O pai de Clara, da família Souza, ancestral de várias estirpes serranas que estamos estudando, inclusive a desta pesquisadora, era tenente-coronel da Guarda Nacional e chefe do Partido Conservador em Lages. Portanto, também ligado a vida política, como é a marca da história de seu genro.

Breve História Política do pai e irmãos de Antonio Saturnino:
-          Pai: Aureliano de Souza e Oliveira – Era coronel do Imperial Corpo de Engenheiro nomeado por D. Pedro I, em 1823, por seus bons serviços à coroa, como Governador de Armas da Província de Santa Catarina, responsável por suas fortalezas.
Fonte: Livro de Registro de Patentes de 1812 – 1831 – p. 63V. Arquivo Público do Estado de SC.
-          Irmão: Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho (1800 - 1855)– recebeu o título de Visconde de Septiba. Foi eleito Deputado Geral, por Minas Gerais, na 2ª Legislatura, mudando-se para o Rio de Janeiro. Posteriormente foi escolhido Presidente das Províncias de São Paulo (de 5 de janeiro a 17 de abril de 1831), e do Rio de Janeiro (de 12 de abril de 1844 a 1 de janeiro de 1845 e de 1845 a 4 de abril de 1848). No Rio de Janeiro foi responsável pela construção do canal de Magé e por uma nova estrada da Serra da Estrela, para a qual trouxe 500 famílias de alemães da Europa, que se instalaram em uma colônia, depois denominada Petrópolis.
Foi também Ministro da Justiça (24 de julho de 1840) e dos Negócios Estrangeiros (23 de maio de 1833 a 16 de janeiro de 1835 e depois em 1841), e senador do Império do Brasil de 1843 a 1855.
-          Irmão: Conselheiro Saturnino de Souza e Oliveira (1803 – 1848) – foi Ministro dos negócios de Justiça, Presidente da Província do Rio Grande do Sul, Inspetor da Alfândega da Corte. Em 1833, foi eleito deputado geral do Rio de Janeiro. Foi nomeado inspetor da alfândega, deixando o cargo após conflitos com o ministro da fazenda, em 1836, retornando ao posto somente um ano depois. Foi presidente da província do Rio Grande do Sul de 24 de junho de 1839 a 27 de julho de 1840, tendo se demitido junto com o comandante das armas, Manuel Jorge Rodrigues. Voltou para o Rio, reassumindo seu posto na alfândega. Retornou ao governo em 17 de abril de 1841, onde permaneceu até 9 de novembro de 1842, entregando o cargo, ao então, Barão de Caxias. Retornou ao Rio, novamente à alfândega. Eleito deputado geral em 1844. Foi ministro dos Negócios Estrangeiros, assumindo em 22 de maio de 1847. Ocupou interinamente primeiro o ministério da Fazenda, depois o da Justiça. Foi senador do Império do Brasil, de 1847 a 1848.

Vida Política de Antonio Saturnino de Souza e Oliveira
·         Obteve patente de major do 4º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional em Lages (6.12.1842). Encarregado pela Presidência da Província da conservação da estrada de Vacaria a Lages e daí para S. Paulo (1843). Deputado à Assembléia Legislativa Provincial à 8ª Legislatura (1850-1851), licenciando-se do mandato (1851). 2º Suplente de Juiz Municipal de Lages ( 1854). Vereador à Câmara Municipal (1847-1853). Presidente da Câmara Municipal (1849). Obteve patente reformado como 2º Tenente de Primeira Linha (01.01.1851), o que demonstra ter, anteriormente, servido em tropa regular. Deputado Provincial, como suplente convocado à 11ª Legislatura (1856-1857), não comparecendo às sessões. Liquidante, como secretário, da Sociedade Lageana de beneficiar erva-mate (julho de 1858). Comandante militar da vila de Lages (1858). Vereador à Comarca Municipal de Lages (1872).
Fonte: Piazza, Walter. “Dicionário Político Catarinense” Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1985.

Por ocasião do seu inventário (1877) a viúva declarou os seguintes filhos do casal, dois dos quais levam o  nome dos seus tios e o terceiro o do pai:
F.1) AURELIANO DE SOUZA E OLIVEIRA (1836 - 16/11/1908)- casado com Gertrudes Pereira de Andrade.
F.2) MANOEL SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1840 - 03/07/1913)- casado com Felicidade de Ribeiro Borges de Oliveira.  Participou como conselheiro fiscal da Fundação de São Joaquim,em 1 de abril de 1873.
 F.3) ANTONIO SATURNINO DE SOUZA E OLIVEIRA (1843-?) - solteiro - 37 annos – tinha deficiência mental, sendo nomeado seu curador o irmão mais velho, Aureliano.
Fonte: Inventário sem testamento de Antonio Saturnino de Souza e Oliveira – 1877. Arquivado no Museu do Judiciário Catarinense. Cx30.
Na próxima edição veremos a genealogia de Antonio Saturnino de Souza e Oliveira e Clara Maria de Souza, troncos de importantes famílias da Serra Catarinense.

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Um comentário:

  1. de Henrique Brognoli Martins, Legal Ismênia, como se trata uma referência em Lages, e por ser bisavô de minha avó Dolores Souza Ribeiro (1891-1928), filha de Rozalina de Souza e Oliveira (1871-1836)e Manoel Cecilio Ribeiro (1856-1917) estou fazendo uma pesquisa aprofundar mais alguma informação sobre Antônio Saturnino, buscar as razões pelo qual veio para Lages. Acredito que seja em razão do irmão Saturnino ter sido Presidente da Província do Rio Grande do Sul, no entanto o Livro deste "Bosquejo Históricos e Documentado e Negócios do Rio Grande " não menciona Antônio.

    Por outro lado, o pesquisador alemão Robert Avé- Lallemant, em seu livro Viagens pela Província de Santa Catarina, em sua passagem pelo Planalto Serrano Catarinense em 1858, alegrou-se de encontrar em Lages, o Antônio irmão dos dois grandes estadistas do imperio, Aureliano e Saturnino.

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