Texto escrito por Carlos Solera
e
Eleni Cássia Vieira
URUPEMA TEMPO E MEMÓRIA
Projeto cultural idealizado e desenvolvido por Eleni Cássia Vieira e Carlos Solera. Conta com parceria técnica do Blog Genealogia Serrana de Santa Catarina, com as renomadas pesquisadoras, escritoras, professoras Ismênia Ribeiro Schneider, Cristiane Budde, Daniela Ribeiro Schneider e a importantíssima colaboração da comunidade de Urupema. Visa resgatar a história de vida de pessoas que nomeiam as ruas da cidade e, de alguma forma, contribuíram para o enriquecimento da cultura local.
Neste mês de junho de 2021, estamos abordando uma
nomenclatura mais abrangente e com várias vertentes de referências: Rua do Conhecimento.
Duas matérias
anteriores já estão disponíveis nos links:
http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2021/06/rua-do-conhecimento.html
e http://genealogiaserranasc.blogspot.com/2021/06/rua-do-conhecimento-parte-ii.html
A terceira edição irá abranger parte da história do Instituto Federal de Santa Catarina e a implantação da unidade IFSC Câmpus Urupema, os benefícios gerados, e ainda a gerar, com sua presença na Serra Catarinense.
Diante de inúmeras
manifestações de apreço e carinho que recebemos de nossos leitores sobre a
unidade educacional de Urupema, iremos postar, ainda, uma quarta matéria, com
muitas dessas mensagens.
LINHA
DO TEMPO
Um
pouco da história do IFSC e do IFSC Câmpus Urupema
O
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina - IFSC é
uma das poucas instituições de ensino centenárias de nosso Estado. Foi criada, inicialmente,
com o nome de Escola de Aprendizes Artífices, no
ano de 1909.
Sua primeira sede, localizada no centro de Florianópolis, oferecia o ensino
primário, articulado à formação em desenho, tipografia, encadernação,
além de cursos de carpintaria da ribeira, ferraria e serralheria.
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Rua Victor Konder – centro de Florianópolis/SC – 1910. |
Os
objetivos da instituição eram promover formação profissional a jovens
trabalhadores e atender às demandas da sociedade e do setor produtivo da
Florianópolis do início do século XX, que necessitava
de soluções em comunicação por
meio impresso e em transporte.
Ao
longo dos anos, acompanhando as transformações sociais e educacionais de seu
tempo, a escola foi se renovando e ampliando. Mudou de nome diversas vezes,
como, Liceu Industrial de Florianópolis, Escola Industrial de
Florianópolis e Escola Industrial de Santa Catarina (hoje Instituto Federal de
Santa Catarina).
Incrementou
sua oferta de ensino para outros níveis e modalidades (como antigo ginasial, o
ensino médio e o superior, a educação de jovens e adultos e a educação à
distância), diversificou as áreas formativas, ampliou sua atuação para além do
ensino, com articulação à pesquisa e à extensão.
Duas
das transformações que mais impactaram na democratização do acesso ao ensino
público e à formação profissional em seus diversos níveis no Estado de Santa
Catarina, aconteceram também no IFSC e através do IFSC. Foram elas: a abertura
de matrículas para estudantes meninas e mulheres, nos anos 1950; a
interiorização da rede federal de ensino e de sua oferta educativa, iniciadas
no final dos anos 1980 e intensificadas ao longo dos anos 2010.
A
implantação do IFSC Câmpus Urupema fez parte desse processo de expansão e de
interiorização, mas de uma forma peculiar.
O
município de Urupema não havia sido contemplado inicialmente no Plano de
Expansão II da Rede Federal de Educação Tecnológica. Entretanto, a maior
inserção do IFSC na Serra Catarinense, com sua proposta de educação pública,
gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, foi vista como necessária
pela comunidade urupemense e pela instituição.
A população
de Urupema convidou o IFSC a entrar na cidade e acolheu o câmpus de maneira
bastante ativa: organizou-se para defender a sua instalação, dar condições a
sua construção e viabilizar o desenvolvimento de suas atividades. O IFSC, por
sua vez, procurou também estar presente na vida da comunidade e contribuir para
seu desenvolvimento, na medida de suas possibilidades.
Nossa
oferta educativa é pautada pela promoção do desenvolvimento social, econômico e
cultural da cidade e de seu entorno. Por esse motivo, a oferta de cursos e as
atividades de pesquisa e de extensão são voltadas, ao mesmo tempo, à formação
técnica profissional, possibilitando a aprimoração de conhecimentos, de
processos e a efetiva aplicação dos saberes; também, à formação cidadã que
promova a participação de cada um no desenvolvimento da cidade e de suas
relações.
Na
intenção de promover esse desenvolvimento regional, formação profissional e
cidadã, o IFSC Câmpus Urupema vem investindo e se especializando no ensino nas
áreas Agricultura, Administração, Alimentos, Viticultura e Enologia e
Hospitalidade e Lazer.
Grande
parte dos estudantes são de Urupema ou oriundos de cidades vizinhas. Mas também
vieram para cá estudar pessoas de diversas regiões de Santa Catarina e do país.
O perfil de renda desses estudantes mostra que a comunidade estava certa e que
estamos conseguindo atender à sua expectativa de garantir formação de qualidade
nos diversos níveis da educação às pessoas que não poderiam acessá-la, senão
pela educação pública: cerca de sessenta por cento de nossos estudantes
declarou e comprovou renda familiar per capita igual ou inferior a um e meio salário
mínimo.
O
Câmpus do IFSC em Urupema cresceu com a cidade e ganhou o jeito dela. E a
cidade ganhou também um pouco a cara do IFSC ao longo dessa sua primeira década
de existência.
* Lilian Back – Servidora Técnica em
Assuntos Educacionais e Assessora da Direção Geral do IFSC Câmpus Urupema. Informações
fornecidas pelo Departamento de Ensino, Pesquisa e Extensão do Câmpus e
retiradas do Plano de Desenvolvimento Institucional do IFSC (vigente) e do
Anuário Estatístico do IFSC (2019).
2011 a 2021 – IFSC
Câmpus Urupema
Dez Anos de Conhecimento,
Educação e Conquistas
A
primeira aula do IFSC Câmpus Urupema aconteceu no dia 28 de junho de 2011. Dez anos
se passaram, e hoje, temos no câmpus dezenas de cursos de qualificação
profissional de curta-duração, cursos de ensino fundamental e médio para jovens
e adultos integrados à formação profissional, cursos técnicos em Administração
e Agricultura, cursos de nível superior de tecnologia em Alimentos e em
Viticultura e Enologia, além de diversas especializações e pós-graduações.
Temos também um Núcleo de Educação à Distância e um curso de mestrado
profissional em Viticultura e Enologia aprovado, em processo de implantação.
A
área total do terreno do Câmpus Urupema é de aproximadamente 15 mil m2.
A área construída é de 7.800 m2. São 10 laboratórios; 05 salas de
aula; 01 sala multiuso com capacidade para 80 a 100 pessoas; 02 estufas.
As
atividades ocorrem nos três períodos – matutino, vespertino e noturno.
Servidores Técnicos Administrativos
Ao
todo são 20 técnicos administrativos de nível médio ao nível superior, entre
eles:
- Auxiliares Administrativos
- Assistentes de Alunos
- Administrador
- Bibliotecária
- Pedagoga
- Psicóloga
- Técnicos em Assuntos Educacionais
- Técnico de Informática
- Técnicos de Laboratórios
Servidores Docentes
Ao todo são 22 professores formados
em nível de mestrado a pós-doutorado, nas áreas de:
- Administração
- Agronomia
- Alimentos
- Biologia
- Enologia
- Gastronomia
- Informática
- Inglês
- Matemática
- Microbiologia
- Português
- Química
- Turismo
Colaboradores Terceirizados
04 trabalhadores da limpeza
04 trabalhadores da vigilância
01 trabalhador manutenção predial
01 motorista
A unidade Campus Urupema tem hoje 567 alunos matriculados.
Cursos em andamento:
- Cursos de Formação Inicial e Continuada em diversas áreas
do conhecimento;
- Proeja Fundamental em Auxiliar de Cozinha;
- Proeja Fundamental em Auxiliar Administrativo (2021/22);
- Proeja Auxiliar Administrativo (no município de Painel);
- Proeja Médio Condutor Ambiental;
- Técnico em Agricultura;
- Técnico em Administração;
- Tecnologia em Alimentos;
- Tecnologia em Viticultura e Enologia;
- Engenharia de Alimentos;
- Pós-graduação - Especialização em Tecnologias de Bebidas alcoólicas;
- Pós-graduação - Especialização em Fruticultura de Clima
Temperado.
Para o ano 2022:
- Técnico em Alimentos;
- Pós-graduação - Mestrado Profissional em Viticultura e
Enologia (parceria com IFRS – Bento Gonçalves); o edital deverá sair no 2º semestre de 2021.
Somando forças
“Agora em 14 de maio de 2021, o IFSC Câmpus Urupema promoveu a aula inaugural do curso superior de Engenharia
de Alimentos que tem cinco anos de duração.
O curso foi aprovado para oferta no início deste ano e estava disponível para seleção no Sisu, ofertando 20 vagas. A
aula foi ministrada por Raquel Silveira Porto Oliveira,
Engenheira de Alimentos que trabalha no Canadá.
"Convidamos um
profissional de sucesso na área de Engenharia de Alimentos, que tem experiência
tanto no Brasil como no exterior, para mostrar aos alunos como é a vida do
profissional", comenta a professora Leilane de Conto, coordenadora do
curso superior de Engenharia de Alimentos.
"É com grande
alegria que iniciamos mais um curso do IFSC na Serra Catarinense. Mesmo com os
desafios do trabalho remoto, nossa instituição não pára, e é com grande
satisfação e sentimento de receptividade, que o curso é iniciado. Quero desejar
sucesso e um excelente aproveitamento aos estudantes ingressantes, nossa
atuação institucional vai muito além da sala de aula, sejam e vivam o IFSC por
meio da educação e da interação", desejou a diretora-geral do Câmpus
Urupema, EvelizeZerger.
O curso de Engenharia de Alimentos é uma oferta conjunta entre os câmpus
Lages e Urupema. Engenharia de Alimentos e Engenharia Química, ofertado em
Lages, têm um núcleo comum, logo no início, onde os estudantes terão aula
no mesmo ambiente, em Lages. Com o avanço dos cursos, as disciplinas
específicas da graduação em Engenharia de Alimentos serão ministradas nos
laboratórios e instalações do Câmpus Urupema, com o IFSC oferecendo o transporte
aos alunos. Já os estudantes de Engenharia Química farão toda a formação em
Lages, onde os laboratórios específicos estão concentrados. O corpo docente
será composto por professores de ambos os câmpus, permitindo maior interação
entre eles nas práticas de ensino e desenvolvimento de projetos de pesquisa e
extensão.”
Com fotos de acervos dos professores Marcos Stroschein,
Patrícia Scheuer-IFSC, de Francieli Medeiros Andrade e outras fontes, apresentamos
alguns aspectos da terraplanagem inicial do terreno, abertura e pavimentação da
atual Rua do Conhecimento, edificação dos dois primeiros blocos e a chegada de equipamentos
de laboratórios do Câmpus Urupema.
Uma caminhada de esperanças e sucesso
Mais
de 15 anos. O trabalho desenvolvido pelas sucessivas gestões administrativas municipais
de Urupema e a valiosa instituição educacional catarinense, hoje nominada,
Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC se concretiza e chega ao patamar de
excelência educacional, através da unidade Câmpus Urupema.
Muitos
sonhos, dificuldades superadas, conquistas saborosas e uma fantástica realidade,
disponível a todos, aconteceram nesta caminhada. Aqui parte dessa história de
vencedores.
No
dia 28 de junho de 2011, foi proferida pelo professor Caio Martini Monti, então
diretor de Expansão do Instituto Federal de Santa Catarina, a aula inaugural do
IFSC Câmpus Urupema.
A
seguir, vamos acompanhar o depoimento do professor Caio e dos quatro
professores que assumiram a direção geral do IFSC Urupema, desde a implantação
até o presente momento.
PROFESSOR CAIO ALEXANDRE MARTINI MONTI
“Sou Caio Alexandre Martini Monti, professor do IFSC desde
2007 quando ainda era CEFET/SC. E foi com esta sigla que esta instituição
centenária começou a se aventurar e sair da zona de conforto de ter somente
suas três unidades entre o norte e o litoral.
Minha história com Urupema teve início em 09 de março de 2009,
quando fui conhecer a cidade e o terreno doado para implantação da unidade do
já denominado Instituto Federal de Santa Catarina, naquela cidade. Recém
empossado, aquela era a minha primeira viagem como Diretor de Expansão do IFSC.
A impressão inicial foi muito boa e a receptividade dos munícipes, muito
acolhedora.
Eu tinha a incumbência de implantar vários câmpus em nosso
estado, algo que me parecia fácil. A tarefa, porém, vinha recheada de boas histórias,
e outras, nem tão boas assim.
No caso de Urupema, o caminho de acesso mais curto era por Rio
Rufino, mas esta rodovia, à época, não era ainda pavimentada. Ou por Painel,
via Lages, itinerário asfaltado, porém, bem mais longo. O que existiam eram
muitas pedras no caminho, estradas ruins, longas ou congeladas, chuvas, frio e
neve, mas era uma missão das mais nobres.
Passados os entraves iniciais e juntamente com a parceria
da Prefeitura Municipal de Urupema e comunidade local, começamos a
terraplanagem do terreno. Equipes de engenharia levantaram os pontos de
implantação do edifício e eu sempre aspirando em como fazer de mais este feito,
um sucesso. Foi tudo muito rápido e quando eu vi, já estava tomando assento no
escritório de compras da PMU (escritório do Paulinho), que foi o meu QG
inicial.
O Câmpus Urupema, quando de sua criação, teve sua primeira
denominação como Núcleo Avançado de Urupema e era para ser atrelado ao Câmpus
Lages. Nesta época, eu dividia a função de Diretor de Expansão e Diretor
interino do Núcleo Avançado, o que me fazia permanecer três dias em
Florianópolis e dois em Urupema.
Durante esse período, participava de diversos eventos e
reuniões na cidade e região. A maneira serrana de ser do povo de Urupema e
região me deixava cada dia mais convicto de que o projeto e a obra do câmpus
eram muito importantes, mas sentia que as pessoas é que fariam toda a diferença.
E diante desta vontade de tornar este espaço de ensino uma referência na
capacitação das pessoas neste arranjo produtivo local e regional, não medi
esforços para atender todas as demandas.
Com a obra do primeiro bloco finalizada, era chegado o
momento de termos o primeiro gestor. A partir deste momento, comecei a entender
o tamanho do desafio. Muito mais vultoso que construir blocos de uma escola,
era o de captar alunos, ganhar a confiança da comunidade local e regional,
definir os cursos conforme seu arranjo produtivo local (APL), receber as
primeiras vagas de servidores e direção da unidade educacional. Como diretora
geral, convidei a Professora Doutora Patrícia Matos Scheuer, minha colega de
Câmpus Continente, em Florianópolis, pessoa de extrema capacidade de melhorar a
cada dia.
Enfim, o tempo é implacável e quando nos demos conta, o Câmpus
Urupema iria iniciar suas atividades no Bloco 01. Tomado por muita emoção, fui
surpreendido com o convite para fazer a aula magna, uma homenagem importante na
minha trajetória a qual agradeço imensamente até hoje.
Naquele momento, às 19:00 horas
do dia 28 de junho de 2011, ao proferir esta aula magna, me senti muito
realizado, mas ao mesmo tempo, preocupado, pois muitas dúvidas nos ocorriam no
momento, muitas perguntas sem respostas. Mas visualizava no olhar de cada
aluno, olhares curiosos, contemplativos, de esperanças, e afirmei: “estamos
aqui para trazer novos tempos, novas possibilidades, novas oportunidades, e que
no alto daquela parte elevada da cidade, existia uma chance. Quem não
vislumbraria um dia querer receber um certificado, um diploma ou experimentar
as sensações que o conhecimento pode trazer com as habilidades que cada um
traz?”.
E eu estava fazendo parte desta história. Após ter estado
no terreno ainda virgem, ver o desenvolver da implantação da obra e depois ter
a honra de fazer a aula magna, ser o primeiro professor a se pronunciar a
frente da primeira turma, foi um momento ímpar, foi a linha de largada para um
caminho sem volta.
Sempre tive como desígnio que o conhecimento é a mola
propulsora de novos fatos. Naquele momento, citei uma frase de autor
desconhecido que diz: “Quem quer, acha um jeito, quem não quer, acha mil
desculpas”.
E com ela vislumbrei aos alunos que tudo dependia somente
de cada um deles, que tudo passa, que todos passam, mas o conhecimento
adquirido é o seu tesouro mais precioso. Que a atitude dos três gestores do
IFSC (2009-2011), Professores Consuelo S. Santos, Josué G. da Silva e Maria
Clara K. Schneider, que apostaram na implantação do Câmpus Urupema, foi
acertada, mas encontrar os munícipes locais com a vontade de que tudo desse
certo, foi sem dúvida nenhuma o que fez que hoje estejamos aqui neste espaço,
ensinando, pesquisando, formando e transformando. E comemorando os 10 anos de
implantação oficial do IFSC Câmpus Urupema. Muito obrigado!”
* Caio Alexandre Martini Monti - Mestrando no PROFEPT da Rede Federal.
Especialista em Administração, Gestão Pública e Políticas Sociais pela
Faculdade Dom Bosco de Ubiratã/PR (2014). Graduado em Tecnólogo de Hotelaria
pelo Centro Superior de Estudos Turísticos e Hoteleiros de Florianópolis/ SC
(2002). Professor efetivo no IFSC na área de Produção de Alimentos do Câmpus
Florianópolis Continente (2007). Consultor em Gastronomia e Estruturas
Físicas de Cozinhas da Restauração, Desenvolvimento de Equipamentos, e Projetos
de Cozinhas Pedagógicas, Comerciais e Industriais. Foi Diretor de Expansão do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (02/2009
até 01/2016), atuando diretamente na construção institucional e da
infraestrutura do IFSC na implantação de quatorze Câmpus em municípios
catarinenses. Diretor Geral do Campus Florianópolis Continente (02/2016 até
04/2020).
PROFESSORA
PATRÍCIA MATOS SCHEUER
“Eu sou Patrícia Matos Scheurer. Em
2010, a localidade de Urupema não era tão conhecida como é hoje, afinal, o
termômetro que a deixa famosa como cidade mais fria do Brasil, chegou um tempo
depois.
Justamente naquele momento, foi me
feito um convite, pela então Reitora Consuelo Aparecida Sielski Santos, para
dirigir o mais novo Câmpus do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), a unidade de Urupema.
Fui à cidade, num final de semana, para
conhecer e, na praça central, no relógio estava destacada a seguinte frase: “Em
Urupema, o calor é humano”, de fato!!!!
Uma semana depois, em 08 de setembro de
2010, tomei posse oficialmente como Diretora do Câmpus Avançado Urupema, uma
ação que fez parte do Plano de Expansão II do IFSC: levar a Educação
Profissional e Tecnológica à Serra Catarinense, um dos IDH’s (Indice de
Desenvolvimento Humano) mais baixos do Estado de Santa Catarina.
Esse foi um marco de aprendizado
valiosíssimo em minha vida profissional e pessoal, em que os espíritos
desbravadores e comunicativos, tomaram conta de mim!
Fui capacitada pela Reitoria do IFSC e
aprendi sobre muitos processos institucionais, já que o objetivo era iniciar a
roda a girar.
Naquele momento, o primeiro bloco do Câmpus
estava tendo as paredes internas rebocadas, e a luz elétrica era “puxada” do
galpão vizinho aonde as máquinas da Prefeitura Municipal de Urupema eram
guardadas. Fim de 2010, o bloco I foi entregue!
Aliás, o apoio da Prefeitura,
representada pelo então Prefeito Amarildo Luiz Gaio, em conjunto com todas as
secretarias municipais, foi incondicional para que as atividades do IFSC fossem
desempenhadas.
Após uma semana, eu já morava numa casa
alugada no centro de Urupema, e trabalhava diariamente utilizando as
instalações administrativas da Prefeitura.
Meu trabalho tinha duas frentes:
conhecer o município de Urupema para afinar a oferta dos cursos aos anseios das
pessoas, potenciais alunos, e, ser capacitada com relação aos processos
administrativos institucionais.
A oferta de cursos FIC (Formação
Inicial e Continuada) já estava pré-esboçada quando cheguei e seria efetivada
imediatamente após a presença dos servidores empossados, usando a
infraestrutura municipal, num primeiro momento.
Mas, com relação ao alinhamento da
oferta dos cursos Técnicos do IFSC aos anseios da comunidade, utilizando a estrutura
inicial do Câmpus, uma ação significativa foi feita: a aproximação dos
municípios de Urupema, com Painel e Rio Rufino, via Secretarias de Educação, a
partir da aplicação de questionários de demanda. Esses questionários delinearam
as escolhas de cursos técnicos, gerando a necessidade de ações coletivas por
parte dos servidores, a partir de um plano de ação.
Além de afinar
a oferta dos cursos ao encontro da população da Serra Catarinense, também
foquei nos processos internos. Fui capacitada nas áreas: Pedagógica, Gestão de
Pessoas, Materiais e Finanças, com intuito de estar apta a repassar as
informações aos novos servidores (Técnicos Administrativos – TAEs e Docentes),
que em breve chegariam.
No fim de outubro de 2010, os primeiros servidores chegaram à Urupema e tomaram posse: docentes das áreas de Informática, Biologia, Bioquímica/Microbiologia, Química, Processamento e Ciência e Tecnologia de Alimentos, Administração, Línguas, e, TAES como, Assistente em Administração e Técnico em Assuntos Educacionais.
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Primeiros servidores IFSC Campus Urupema – foto Patrícia Matos Scheuer. |
A chegada dos
servidores trouxe uma dinâmica vital e entusiasmada ao trabalho:
compartilhamento e capacitação inicial nas várias frentes de trabalho.
Trabalhávamos diariamente em mesas coletivas na biblioteca pública e foi um
momento ímpar. Ao mesmo tempo em que fui porta voz das diretrizes
institucionais, estávamos com capacidade humana reforçada para interagir com
diversos grupos na comunidade.
E, após os primeiros cursos
oficialmente autorizados, delineamos um plano de ação para levar o IFSC e as
possibilidades de matrícula às muitas localidades do município, como:
Bossoroca, Quebra Dente, Marmeleiro, Cedro, Cedrinho, Espraiado, Centro. E
iniciamos interação com as mais diversas esferas e segmentos da comunidade,
como, Clubes de Mães, EPAGRI, APAE, missas, reuniões comunitárias via Posto de
Saúde, eventos culturais, secretarias municipais (Social, Obras, Educação,
etc.), e estabelecimentos privados. Nessa ação coletiva, cada servidor
interagiu num raio geográfico e, com um computador “embaixo do braço”, cada um
bateu de porta em porta, literalmente.
No início de
2011, ainda de forma básica, decidimos coletivamente, fixar base no primeiro
bloco do Câmpus. Trabalhávamos nos turnos, vespertino e noturno, e, usávamos a
sala de computadores da Escola Estadual para ministrar curso de Informática
Básica. E o salão paroquial da Igreja Matriz, para ministrar curso de
Processamento de Alimentos.
Foram momentos
coletivos históricos. E também no âmbito pessoal e com dados peculiares: eu
tinha uma galocha sempre dentro do carro, para os dias que chovia poupar os
sapatos. Em 2011, vivemos um frio de -8°C. Oito graus negativos, imaginem só. Experiência
única em que aqueci água mineral para tomar banho já que a água congelava nos
canos e no pára-brisa dos carros.
Aos poucos,
fomos ganhando raízes como instituição de educação, no município de Urupema e,
tivemos um fantástico resultado: no primeiro ano, fizemos 150 matrículas de
alunos em cursos.
Acredito na educação! E, por isso tenho
certeza de que a presença e atuação do IFSC em Urupema, fez e faz diferença, pois
aumenta o nível de escolaridade; pratica a formação profissional; forma
cidadãos para o exercício da profissão; agrega valor econômico, social, cultural
e tecnológico aos produtos/alimentos regionais, disponibilizando conhecimentos
e oportunidades articuladas através do ensino, pesquisa, extensão. Sou
imensamente agradecida por essa experiência e por ser servidora no IFSC!”
PROFESSOR
JORGE LUIZ PEREIRA
“Em primeiro lugar gostaria
de agradecer a oportunidade de contribuir para o enriquecimento da história de
Urupema. Meu nome é Jorge Luiz Pereira e sou professor no Instituto Federal de
Santa Catarina há 27 anos.
Fiz
parte da primeira turma de formandos do Curso Técnico em Refrigeração e Ar
Condicionado em 1991 na unidade de São José/SC. Minha graduação foi na área de Eletromecânica,
no curso de Tecnólogo em Processos Industriais. Fiz uma especialização em Gestão
Pública na própria instituição e em seguida, meu mestrado no curso de Mecatrônica,
também na própria instituição. No IFSC, então à época chamado, Escola Técnica
Federal de Santa Catarina (depois CEFET-SC), iniciei como contínuo, através de
concurso público realizado em 1990. Após minha formatura e estágio do curso
técnico, fui professor substituto por um ano no IFSC-SJ e em seguida, ano 1994,
prestei concurso para professor efetivo.
Nestes
27 anos de IFSC, assumi alguns cargos administrativos, como chefe de
laboratórios, coordenador de curso e diretor da unidade de São José.
Minha
relação com Urupema teve início através de uma solicitação do então Reitor
Jesué Graciliano da Silva, que me convidou para assumir a direção do Câmpus de Urupema,
que naquela época estava em implantação.
Aceitando
o convite, cheguei à Urupema no dia 07 de setembro de 2011. Fui muito bem
recebido, pois o povo urupemense é muito hospitaleiro.
Entre
os desafios encontrados, destaco a instalação do laboratório de Informática, o
projeto e instalação do sistema de calefação e o projeto, busca e garantia dos
recursos para a expansão da unidade.
Na
instalação do laboratório de Informática, o grande desafio era conseguir
disponibilidade de energia elétrica capaz de suportar o consumo dos
computadores. Na época, estávamos ainda com a ligação provisória da obra
inicial. Neste desafio, contei com total apoio do então prefeito Amarildo Luiz Gaio,
que foi comigo a Celesc em Lages e no Centro Administrativo do estado em São
Joaquim. Nossos esforços foram compensados, pois um mês depois tiveram início as
obras de implantação de nova rede elétrica, que daria condições de aumentar a
carga disponível para o IFSC.
Para
instalação do sistema de calefação, atuamos na garantia dos recursos e no
processo de instalação, quando pudemos dar uma melhor condição para toda a
comunidade escolar. A calefação fazia dali o lugar “mais quentinho” de Urupema.
Para
expansão da unidade, trabalhamos na produção dos projetos das novas salas de
aula e dos laboratórios, como também na garantia dos recursos orçamentários
para a execução da obra.
Um
tema que não posso deixar de relatar é o projeto para a pavimentação da então rua
de acesso ao Câmpus, hoje, Rua do Conhecimento. Este projeto foi feito em
parceria com a prefeitura de Urupema e tive a oportunidade de ir com o prefeito
Amarildo Luiz Gaio a Brasília, onde em uma audiência com a então senadora Ideli
Salvati, a quem entregamos os projetos, esperando conseguir os recursos
necessários.
Neste tempo em que fui diretor do Câmpus Urupema, pude fazer muitos amigos e hoje ainda tenho saudades das conversas, do chimarrão e do fogão a lenha. Espero ter contribuído de alguma forma para a consolidação do Câmpus do IFSC na cidade de Urupema.
* Jorge Luiz Pereira -
Tecnólogo em Processos Industriais, Especialista em Gestão Pública, Mestre em
Mecatrônica, Professor efetivo do IFSC (com nomes anteriores) desde 1994.
Diretor Geral do IFSC Câmpus Urupema (09/2011 a 02/2014).
PROFESSOR
MARCOS ROBERTO DOBLER STROSCHEIN
O projeto Urupema Tempo e Memória entrevistou o
Prof. Dr. Marcos Roberto Dobler Stroschein, que foi diretor geral do Câmpus
Urupema de 2014 a 2019.
P
- Quando os primeiros servidores do Câmpus Urupema iniciaram as suas
atividades?
R: Os
primeiros servidores do Câmpus Urupema iniciaram as suas atividades ao final do
mês de outubro de 2010, trabalhando no antigo local da biblioteca municipal
(atual CRAS do município de Urupema). Os
primeiros meses foram muito importantes para a estruturação inicial do Câmpus,
pois a maioria dos novos servidores eram oriundos de outras regiões de Santa
Catarina e do Rio Grande do Sul. Assim, iniciamos as primeiras atividades
buscando conhecer a região e o município de Urupema. Foram realizados estudos socioeconômicos
das principais cadeias produtivas da região e realizou-se um levantamento de
demanda de cursos. Com base nestas informações, foram traçadas as primeiras
ofertas de qualificação do Câmpus Urupema.
P- Quais
foram as áreas identificadas durante este levantamento inicial?
R:
Com base nesta análise regional foram identificados os setores de agricultura,
tecnologia de alimentos, serviços de alimentos e bebidas, gestão e turismo.
Desta forma, em julho de 2011, foram realizadas as primeiras ofertas de cursos
de Formação Inicial e Continuada (FIC). Destaca-se também que durante este
período, iniciou a política de assistência estudantil no Câmpus Urupema. No
início de 2012, foi ofertado o curso Técnico em Fruticultura. Ao final de 2012,
o Câmpus Urupema já contava com uma oferta de 16 cursos FIC e iniciado o
primeiro curso Técnico em Fruticultura. Durante o ano de 2012, foram realizadas
289 matrículas.
P- Neste
período foram encontradas dificuldades no processo de implantação do Câmpus?
R:
Sim, todo processo de implantação de um Câmpus de um Instituto Federal traz
diferentes desafios. Durante os primeiros anos, o Câmpus Urupema possuía apenas
um prédio no qual havia quatro salas de aula, uma biblioteca, um laboratório de
informática e três salas administrativas. Essa situação limitava a nossa oferta
de cursos em diferentes modalidades. Assim, durante o ano de 2012 e 2013, as
aulas práticas eram realizadas em um espaço alugado em frente ao câmpus, o qual
foi adequado para realização das atividades práticas. Neste espaço, foram
conduzidos cursos de qualificação na área de Alimentos e um Técnico em
Agroindústria. Outro problema estrutural era o acesso ao câmpus que era uma
estrada de chão e não havia calçadas. Este problema dificultava a chegada dos
alunos, principalmente em dias de chuva. Para solucionar estes dois problemas,
durante o ano de 2012 e 2013, foram iniciados os projetos de construção do
segundo bloco do Câmpus Urupema, o qual foi inaugurado em julho de 2015. E também
conseguida uma emenda parlamentar com a deputada Carmen Zanotto, que
possibilitou a melhoria do acesso do Câmpus Urupema com a construção de uma
parte da rua em asfalto e calçadas.
P- Com
a ampliação da estrutura do Câmpus Urupema foi possível ampliar a oferta de
cursos?
R:
Sim, com a ampliação da estrutura física do Câmpus Urupema e a existência de
laboratórios especializados, possibilitou que fizéssemos uma reestruturação na
oferta de cursos. Durante o ano de 2014, iniciamos o Planejamento de Ofertas de
Cursos e Vagas (POCV) do Câmpus Urupema. Neste planejamento, definimos os
itinerários formativos do câmpus e a contratação dos novos docentes. Assim, a
estrutura de cursos do Câmpus Urupema foi organizada com cursos em três eixos,
Recursos Naturais, Produção Alimentícia e Gestão e Turismo. Para o eixo de
Recursos Naturais, foram planejados cursos de qualificação em diferentes áreas
da agricultura, um curso Técnico Agrícola, um Curso Superior de Tecnologia em
Viticultura e Enologia, uma especialização em Fruticultura. No eixo de Produção
Alimentícia, foram organizados cursos de qualificação profissional voltados ao
setor de alimentos, um curso Técnico em Alimentos, um curso superior em
Engenharia dos Alimentos e uma especialização em Produção de Bebidas Alcoólicas.
Na área de Gestão e Turismo, foram também cursos de Educação de Jovens e
Adultos (PROEJA), em nível fundamental e médio, em parceria com a Prefeitura de
Urupema, planejados cursos de qualificação na área de Turismo e Hospitalidade,
bem como em Gestão e Negócios, um curso Técnico em Administração e uma
especialização em Gestão e Turismo.
P: Como
foi o processo de implantação destes cursos? Foram encontradas dificuldades?
R:
Uma das principais dificuldades que o Câmpus Urupema enfrenta e que deve ser
sempre considerada no planejamento da oferta de cursos é a característica que a
região da Serra Catarinense tem de baixa densidade demográfica. Se compararmos
os dados do IBGE, a região serrana possui 18 habitantes/Km2, valor
muito abaixo do encontrado em Santa Catarina, que possui aproximadamente 70
habitantes/Km2. Isso implica que, com exceção do município de Lages,
os municípios da região são pouco povoados e relativamente distantes entre si,
resultando em uma maior dificuldade de deslocamento dos nossos alunos. Assim, o
planejamento da oferta de cursos do Câmpus Urupema foi pensado a fim de
minimizar esta situação. Inicialmente, planejamos a oferta de cursos de
qualificação que possam ser realizados em diferentes municípios, como Painel,
Rio Rufino e São Joaquim. Destaco aqui a parceria que foi realizada com as
prefeituras destes municípios e a Epagri, que permitem até hoje a realização
destes cursos. Organizamos a oferta de um curso de Engenharia de Alimentos em
parceria com o IFSC Câmpus Lages, o qual é inovador dentro da nossa
instituição. Além disso, estamos estruturando a oferta de cursos de
especialização em EAD e na modalidade hibrida.
PROFESSORA
EVELISE ZERGER
“O
Câmpus Urupema segue na sua missão de garantir a educação pública, gratuita e
de qualidade.
Nos 10
anos de aniversário do Câmpus, vivemos uma fase de consolidação, renovação e
implantação de ofertas educativas. A exemplo, a oferta do Engenharia de
Alimentos, do Mestrado em Viticultura e Enologia (parceria IFRS), do curso
Técnico em Alimentos, de uma nova proposta em parceria com o estado em oferta
de PROEJA e do aprimoramento de ofertas EaD em cursos de Qualificação Inicial e
Continuada. Esta última, por exemplo, legado importante de aprendizados do
período de aulas remotas, diante da pandemia.
Somos
motivados pela escuta das demandas da nossa comunidade, a seguir com o trabalho
em prol ao desenvolvimento da Serra Catarinense, a partir da ciência e da tecnologia, aplicadas pelo
ensino, pesquisa e extensão.”
ESTRUTURA E EDIFICAÇÕES ATUAIS DO IFSC
CÂMPUS URUPEMA
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Portal de entrada do IFSC Câmpus Urupema. |
Tempo de Comemorar e Agradecer