quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PINCELADAS SOBRE A FUNDAÇÃO DE SÃO JOAQUIM...

por Ismênia Ribeiro Schneider
Artigo publicado no Jornal Travessia, em agosto de 2006 (atualizado).


O excelente artigo de Joaquim Anacleto Rodrigues Neto sobre os primórdios de São Joaquim, publicado na edição de julho de 2006 do Jornal “Travessia”, abre espaço para mais considerações e esclarecimentos sobre os fatos que determinaram o nascimento de nossa história oficial. O articulista cita como suas fontes principais Enedino Batista Ribeiro e Maria Batista Nercoline.
Como depositária do acervo de Enedino B. Ribeiro gostaria de assinalar dois fatos ali citados. O primeiro deles diz respeito ao ano de fundação de São Joaquim que, segundo cópia datilografada (a original era manuscrita) da ata nº 1, em poder de Enedino, foi 1873.
A segunda observação é para caracterizar melhor um dos fundadores, João da Silva Ribeiro Júnior (1819 – 1894), mais conhecido como “Coronel João Ribeiro” (que deu nome às praças centrais de Lages e São Joaquim). Ele pertencia à já quarta geração de Ribeiros em nossa região. Seu bisavô, Manoel da Silva Ribeiro (1712 –1802), natural do norte de Portugal, tomou posse da “Sesmaria do Pelotas”, de 450 milhões de metros quadrados, na Costa da Serra, hoje Bom Jardim, mais ou menos em 1755, portanto, dezesseis anos antes da fundação da primeira cidade serrana, Lages, em 22 de maio de 1771. Pedro da Silva Ribeiro (1746 – 1835), filho mais velho de Manoel, foi o pai de João da Silva Ribeiro “Sênior” (1787 – 1868), que, ao se casar com Maria Benta de Souza (1790 – 1857), filha do açoriano Matheus José de Souza, herdou grande parte da “Fazenda do Socorro”, 200 milhões de metros quadrados, vizinha da Sesmaria ou Fazenda do Pelotas. João Sênior e Maria Benta foram os pais do Cel.João Ribeiro. Este casou-se com a prima-irmã, Ismênia Baptista de Souza, uma das herdeiras da “Fazenda São João”, que quando adquirida por seu pai, João Baptista de Souza (Inholo), chamava-se “Fazenda do Coqueiro”, localizada em São Joaquim, na divisa com o Rio Grande do Sul. O Coronel  João Ribeiro comprou e/ou permutou com os demais herdeiros, tornando-a a maior sede de fazenda daquelas paragens. Parte de sua herança em Bom Jardim vendeu aos irmãos, comprando grandes extensões de terras na Coxilha Rica, “Pinheirinhos”, “Santana”, terras de plantio em São José do Cerrito, etc. Veio a ser um dos mais ricos estancieiros da Região Serrana. Em conseqüência desse poder econômico, como era habitual na época, passou a exercer forte poder político na chefia do Partido Conservador, depois Republicano, ao acabar o Império. Foi também o segundo prefeito do município no período de 1891 a 1895, cujo mandato, porém, não terminou por ter falecido em 1894. O casal teve dez filhos.
Para os trabalhos da fundação da vila foram formados dois grupos diretivos: o primeiro, denominado “Comissão”, dirigido por Manoel Joaquim Pinto, era composto ainda por Marcos Baptista de Souza, secretário; Joaquim José de Souza, Tesoureiro; Antonio Gonçalves Padilha, Procurador. O segundo grupo, a “Mesa” (atual Conselho Fiscal), dirigido pelo Cel. João Ribeiro, era formado, além dele, por Bento Cavalheiro do Amaral, Joaquim Cavalheiro do Amaral, Manoel Saturnino de Souza e Oliveira, Joaquim da Silva Mattos e Ezírio Bento Rodrigues Nunes.
Esses dez cidadãos, ancestrais de importantes e ainda atuantes famílias serranas, dirigiram os trabalhos até abril de 1875, quando foram substituídos por outros fazendeiros da região. Parece-nos oportuno aproveitar o resgate feito por Joaquim Anacleto, para trazer à luz traços biográficos desses cidadãos, decisivos na formação do município de São Joaquim, principalmente para que nossa juventude, em sua maioria descendente dos primeiros povoadores, conheça e se orgulhe desses formadores de história.
Vamos, aos poucos, publicar, sínteses biográfico-genealógicas desses dez fundadores de São Joaquim. 

7 comentários:

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  2. Sra. Ismenia Ribeiro Scheneider, meu nome é Antonio Aires de Oliveira, sou nascido em São Joaquin/SC, em 1949. Curioso pelos antepassados, pesquizando na internet, localizei uma página do Diário Oficial da União de 06.06.1893 o nome do meu bisavô paterno Tenente coronel Fortunato Henrique de Oliveira e na mesma página o nome do Coronel João da Silva Ribeiro, o qual deduzo seja seu bisavô, como não tenho informações sobre meus antepassados agradeceria se puderes me ajudar, sei que meu bisavô era da estância do meio em São Joaquin/SC e meu avô chamava-se Luíz Henrique de Oliveira.
    Muito Grato,

    Antonio Aires de Oliveira
    galeriaantonio@gmail.com
    Caxias do Sul/RS

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  3. Cara Ismênia

    Parabenizo a sua iniciativa, em resgistrar informações a fim de que possamos entender as razões que levaram em 1770 à ocupação desta região do planalto catarinense, que ainda hoje aparece como a última fronteira do estado. Tais registros são fundamentais pois poderemos entender as complexas partilhas e divisões ocorridas e as raizes de nossa gente.

    Neste sentido, coloco algumas informações que tiveram também sua contribuição, sobre meu bisavô, Manoel Cecilio Ribeiro, proprietário da Fazenda do Socorro, onde nasceu em 1856, na época em que Bom Jardim da Serra era chamado de Socorro, filho de Matheus Ribeiro de Sousa (1829-1900) e Maria Magdalena Baptista de Sousa (1833-1867). Conforme relatado na história de Bom Jardim da Serra, fez parte do grupo dos oito valorosos cidadãos que com abnegação, despreendimento, sabedoria e boa vontade, ajudaram a fundar a cidade.

    Deu continuidade à trajetória política de seu pai Matheus que foi 1º vereador pela região quando da instalação do município de São Joaquim, em 07 de maio de 1877, e de seu tio o Coronel João Ribeiro (1819-1895) prestigiado chefe político da Região Serrana, chefe do Partido Conservador durante o Império, um dos fundadores de São Joaquim da qual se tornou o 2º prefeito, exemplos que contribuiram na sua formação política e cívica, razão pela qual Manoel Cecilio é lembrado como “Homem de fibra, participou de gestões políticas-sociais que visassem o desenvolvimento de sua terra”.

    Participou ativamente na administração e no desenvolvimento da pecuária nas fazendas da família, constituídas de áreas no Socorro, na Santa Bárbara, Pelotas (Rabungo e Varginha) e Tres Barras embaixo da Serra do Imaruí, que totalizam uma extensão superior a 150 milhões quadrados. Com a morte de seu pai em 1900, consolidou-se sua atividade nas Fazendas do Socorro e Santa Bárbara, ficando as demais áreas divididas entre sua madastra e suas irmãs entre as quais destacam-se Adelaide casada com Antão de Paula Velho e Adélia casada com José Caetano do Amaral.

    Casou-se com Rosalina de Sousa e Oliveira (1877-1932) que era neta de Antonio Saturnino de Sousa e Oliveira (1809-1877), deputado provincial e irmão de dois grandes estadistas Aureliano (Visconde Sepetiba - Ministro do Império e Governador de São Paulo) e Saturnino de Sousa Oliveira Coutinho ( ministro do Império e Governador do Rio Grande do Sul). Desta união nasce Dolores de Sousa Ribeiro (1891-1928) sua única filha e herdeira, que foi a matriarca da família Martins em Bom Jardim da Serra.

    Viveu ainda na época, em que as grandes fazendas “as Tijucas”, “Nossa de Senhora do Socorro”, “Pelotas” e “Santa Bárbara”, dominavam as coxilhas relvadas e as matas de araucárias, delimitando-se entre si e praticamente ocupavam o que é hoje o município de Bom Jardim da Serra.

    Como sua trajetória é sempre destacada pela liderança e apoio as causas da comunidade, coube a Manoel Cecílio Ribeiro, juntamente com outros herdeiros e sucessores (Joaquim Rodrigues, Vitorino Machado, Emilio Ribeiro, José Candido Ribeiro, e outros), liderar o grupo que propôs em 1915, a medição judicial da Fazenda do Socorro, adquirida em 1776 de Manuel Marquez Arzão pelo seu bisavô Matheus José de Sousa (1737-1820), que veio na bandeira de Correia Pinto para fundação de Lages. Com sua visão de futuro contratou para representá-los na referida ação o advogado Nereu Ramos, que já atuava em Lages e também por ser filho do seu primo, o então Governador Vidal Ramos (1866-1954), cujas mães eram irmãs. (filhas de João Batista de Sousa, também conhecido como “Inholo”, Magdalena mãe de Manoel Cecilio e Julia mãe de Vidal).

    Participou na fundação do Club Bonjardinense em 19 de abril de 1910 tem sido eleito como seu 1º presidente. Em 1917 desloca-se para São Paulo a fim de realizar uma cirurgia, onde morre aos 61 anos, em 02 de abril daquele ano, e está sepultado no cemitério dos Araças, deixando um exemplo de espírito cívico, trabalho, companherismo e dignidade.

    Henrique Brognoli Martins
    hbrognoli@gmail.com
    Florianopolis - SC

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  4. Caro Henrique,
    Muito me orgulha receber seus comentários sobre a história de sua família e da fazenda do Socorro; você que está se tornando um grande historiador e genealogista. Aguardo novos comentários e artigos. Ismênia.

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  5. Caro Antonio Aires de Oliveira,
    Eu necessito de mais dados para poder te ajudar. Conheço uma família Fortunato de Oliveira, do Arvoredo, sul de São Joaquim. Preciso de um pouco mais de dados dos nomes de sua avó, além do avô já enviado e da bisavó, bem como onde residiam na região, fazendas que lhes pertenciam,etc. Abraços, Ismênia

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  6. Cara Ismênia,
    Tento resumir a seguir a parte que conheço da minha genealogia.

    Antonio Aires de Oliveira, filho de ¹Sebastião Henrique de Oliveira e ²Leonilda Proença de Oliveira.

    Pai:
    ¹Sebastião Henrique de Oliveira, filho de ³Luiz Henrique de Oliveira e Balbina Nunes de Oliveira.
    ³Luiz Henrique de Oliveira, filho de Fortunato Henrique de Oliveira.

    Mãe:
    ²Leonilda Proença de Oliveira, filha de *João Fortunato de Oliveira e ªBalbina Maria de Proença.
    *João Fortunato de Oliveira, filho de João Fortunato de Oliveira (sênior) e Leonida Fortunato de Oliveira.
    ªBalbina Maria de Proença, filha de Silvano Antonio de Proença e Maria Benta de Lima.

    Faltam aqui a mãe de Luiz Henrique de Oliveira, meu avô, e pai e mãe de Balbina Nunes de Oliveira, minha avó e mulher de Luiz. Um ponto interessante é que João Fortunato de Oliveira (sênior) era irmão de Luiz Henrique de Oliveira, filho, portanto, de Fortunato Henrique de Oliveira.
    Não disponho dos nomes da(s) fazenda(s) que possuíam, mas sei que ocupavam a área da Estância do Meio e de São Sebastião do Arvoredo. Tenho algumas certidões de óbito, casamento e algumas páginas do Diário Oficial da União que mencionam esses antepassados. Se tiveres interesse em qualquer desses documentos, meu email é galeriaantonio@gmail.com. Estes são os dados que tenho no momento, se dentro disso puderes me ajudar ficarei muito grato. De qualquer maneira, agradeço a atenção e gentileza.
    Um abraço, Antonio

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  7. Senhora Ismenia: Meu pai se chamava José Cavalheiro do Amaral, era natural de São Joaquim-SC, filho de Dorval Cavalheiro do Amaral e de Maria dos Prazeres Ribeiro. Contava que fugiu de casa aos 12 anos de idade face incompatibilidade com o pai, indo´parar em Caxias do Sul-RS onde veio a se casar na igreja com minha mãe Davina Zorzi, após o que veio para o Paraná, trabalhar na construção de estradas, falecendo em 1960, aos 49 anos de idade. Nunca teve contato com a família dele e só o que sabemos é o que ele contava. Sempre tive curiosidade em conhecer parentes por parte de pai. Será que a Senhora pode me ajudar ? Meu endereço eletrônico é luizcarloszorzi@hotmail.com. Grato.

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